Como consequência da análise dos resultados desta pesquisa e a partir das concepções que temos sobre Educação CTS, propomos 5 campos de discussão que estão articulados e organizados para responde à questão de pesquisa: “Quais são as potencialidades e desafios de realizar uma Educação CTS com o tema sociocientífico “substâncias psicoativas” no Ensino de Química? Os campos de discussão:
1. Aprendizagem de conceitos científicos;
2. Percepções dos estudantes sobre a SD desenvolvida;
3. Articulação da tríade CTS realizada pelos estudantes em atividade avaliativa em grupo - o Seminário;
4. Elementos da Educação CTS captadas no discurso dos alunos;
5. Reflexão da professora sobre a realidade.
No capítulo 3 apresentamos detalhadamente a discussão desses campos.
A estrutura da unidade escolar ocupa metade de um quarteirão (figura 5). Na imagem aérea da escola foram identificados com números os locais que fazem parte de sua estrutura.
Ao lado da escola, há uma grande praça arborizada (15), na qual os alunos aguardam o sinal de entrada ou o transporte no horário de saída. O prédio principal (1) se divide em dois andares, porém não há rampa de acessibilidade para o andar superior. Há na escola um pequeno pátio coberto (6) com uma cantina privada; uma sala externa (2), denominada sala do sistema ACESSA, contendo computadores ligados à internet; um almoxarifado (3); uma sala de vídeo (4) com equipamento multimídia instalado; uma área coberta (7) com bebedouros, banheiros femininos e masculinos e uma cozinha para preparo e distribuição da merenda; uma sala de leitura (9) - antiga biblioteca; uma sala de artes (10), utilizada para ensaios de dança e peças de teatro; um laboratório de Ciências (11); uma sala de materiais esportivos (12) e uma quadra de esportes (8). Nos fundos do terreno da escola fica a sala de serviço com produtos e artefatos de limpeza, além da casa do caseiro (13). Em cada uma das laterais do prédio há um portão (14) para entrada e saída dos alunos.
Figura 5: Imagem aérea da escola pesquisada.
No prédio principal, na parte térrea estão localizadas a ilha de recepção e oito salas de aula. Temos ainda salas da direção, da vice-direção e da coordenação, a secretaria dos servidores (documentação de funcionários), um banheiro masculino e um feminino (para professores e funcionários). No piso superior estão alocados a
secretaria escolar (documentação de alunos), um banheiro feminino e masculino (para professores e funcionários), sala dos professores e sala de arquivo.
A escola completou, em 2015, 110 anos. Apesar de o edifício ser muito antigo, encontra-se em boas condições, bem como suas dependências, todos pintados no início de cada ano letivo. Cada sala de aula possui na parede frontal um quadro branco para uso de pincel a tinta; na parede lateral o quadro negro usado como mural para avisos e exposição de trabalhos realizados pelos alunos das turmas; dois ventiladores, um de teto e um de parede; janelas com cortinas e carteiras numeradas com o número de chamada em que a responsabilidade do uso e zelo é dos alunos que utilizaram a sala naquele período. A mesa do professor fica centralizada na sala à frente dos alunos.
A quadra esportiva é coberta e bem ampla, mas precisa ser compartilhada por duas turmas durante as aulas de educação física devido ao grande número de turmas e por não haver outro espaço para práticas esportivas.
Os professores têm dificuldades para utilizar outros espaços além das salas de aula, como a sala de vídeo, a sala de leitura e até mesmo o pátio, e nesses espaços há necessidade de agendamento antecipado para uso. O laboratório da escola até antes do início do ano letivo de 2015 não era utilizado pelos professores e funcionava como depósito de móveis e equipamentos em desuso.
A sala de informática, pertencente ao programa ACESSA SP não foi liberada para uso no 1º semestre por falta da presença de um monitor, impossibilitando o uso da internet e de computadores pelos estudantes, equipamentos que poderiam ser empregados em estratégias didáticas como as utilizadas neste trabalho, bem como em outras disciplinas .
A unidade escolar conta com os seguintes programas para sua manutenção:
Programa Nacional do Livro Didático - PNLD; Programa Dinheiro Direto na Escola - PDDE; Plano de Desenvolvimento da Escola - PDE; Merenda Escolar e Programa Mais Educação. A escola é considerada como uma boa escola e de referência pelos munícipes da cidade, adjetivos estes confirmados pelos bons resultados em
avaliações externas, dados do IDESP8 (ciclo ensino médio) e ENEM9, quando comparada a outras escolas públicas da região.
Para gestão e funcionamento da escola, a unidade escolar contava, no período da realização deste trabalho, com o seguinte quadro de funcionários: 1 diretora, 2 vice-diretores, 3 coordenadores, 6 funcionários na secretaria, 6 agentes de organização e 3 agentes de serviços alimentícios. Conta com um corpo docente de 93 professores, dos quais 59 são efetivos que têm esta instituição como unidade sede de trabalho, 12 são professores de categoria OFA10 e 22 pertencem à categoria “O”11 - segundo registros da secretaria. Os professores da categoria “O”
são chamados eventualmente ou assumem as aulas de professores em licença ou cargos de gestão.
A professora de química efetivou-se nesta unidade escolar em junho de 2014, sete meses antes de iniciar sua pesquisa. Nesse mesmo ano a professora não lecionou para os alunos da turma que participou da pesquisa em 2015, portanto a grande maioria dos estudantes da turma não conhecia a professora no início da intervenção.
A professora também trabalhou nesta unidade escolar em 2012 como professor de categoria “O”, ministrando aulas de Ciências para algumas turmas dos 9º anos do Fundamental II. Alguns de seus alunos, em 2015, estavam matriculados nos 3os anos do ensino médio do período matutino, sendo que 6 deles faziam parte da turma participante desta pesquisa.
Em 2014, no ano de sua efetivação nesta escola, a professora solicitou autorização da direção para realização da pesquisa de mestrado, porém o pedido foi indeferido. No ano seguinte, ano da realização da pesquisa, foi solicitada uma nova autorização à direção. Houve de início muita resistência da gestão da UE, justificada
8 IDESP: Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo. É um indicador que avalia a qualidade das escolas estaduais paulistas em cada ciclo escolar buscando aprimoramento da qualidade da educação do Estado (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo).
9 ENEM: Exame Nacional do Ensino Médio que tem por objetivo avaliar o desempenho do estudante ao fim da escolaridade básica e é utilizado como critério de seleção para ingresso em universidades públicas e privadas e para concorrer a bolsas do Programa Universidade para todos (Ministério da Educação).
10 É chamado de categoria OFA - Ocupante de Função Atividade - os professores não concursados (servidores).
11 Categoria O significa o professor contratado nos termos da L.C. 1.093/2009. A contratação é feita após a aprovação do candidato em processo seletivo simplificado; trata-se de uma contratação bastante precária. O contrato só pode ser feito quando houver necessidade da prestação do serviço.
(APEOESP, 2013).
pela polêmica da temática e pela insegurança acerca do não cumprimento do currículo oficial. Para esclarecer que a pesquisa a ser desenvolvida englobava os conteúdos de química referentes ao currículo oficial do Governo do Estado de São Paulo, foi protocolada a mesma solicitação de autorização junto à DE. Depois de realizadas algumas reuniões na mesma, inclusive com a Professora Coordenadora do Núcleo Pedagógico (PCNP) das Ciências da Natureza – Química daquela Diretoria, o dirigente regional deferiu o pedido.
A participação da escola foi autorizada pela direção através da assinatura do Termo de Autorização da Unidade Escolar e autorizada também pela DE, que assinou o Termo de Autorização da Diretoria Regional de Ensino. A unidade escolar, assim como a DE, tomaram ciência do trabalho que foi desenvolvido, os objetivos e benefícios da pesquisa para a escola, para os seus alunos e suas contribuições, mesmo que singelas, para o ensino de Ciências na escola pública, bem como de possíveis obstáculos e desafios.
Para esta pesquisa foi escolhida uma turma da 3ª série do ensino médio do período matutino. O motivo da escolha desta turma deve-se aos apontamentos de Galduróz (2010) que indicam que o maior índice de contato com substâncias psicoativas ocorre com adolescentes de idades entre 17 e 18 anos. Nesta faixa etária, a maioria dos estudantes da educação básica regular está matriculada no 3o ano do ensino médio.
Esperava-se também uma maior maturidade dos alunos nesta série, colaborando com a realização das atividades e com a fidedignidade das respostas informadas por estes estudantes a questionários e entrevistas. Há também uma relevância para articular aspectos sociocientíficos nessa faixa etária, já que são alunos em fase final de conclusão da educação básica obrigatória no país, pois iniciarão ou já estão no mercado de trabalho, participam da comunidade em que estão inseridos ativamente e até mesmo já constituíram família.
A turma escolhida foi convidada a participar da pesquisa e todos os alunos aceitaram. Foi entregue aos alunos o Termo de Consentimento Livre Esclarecido – TCLE. Os pais e/ou responsáveis assinaram os termos, autorizando e conscientizando-se da pesquisa, seus objetivos, desenvolvimento, benefícios e o uso dos dados coletados.
A turma era formada por 40 estudantes, quantidade mantida constante durante toda a pesquisa. Nesse período três alunos da turma foram transferidos para outra escola e um aluno foi transferido para o período noturno, porém a quantidade de estudantes não foi alterada, já que dois alunos foram transferidos do período noturno para esta turma e outros dois alunos vieram transferidos de outra escola também para esta turma.
Segundo dados da PRODESP (Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo) em 28/04/2015, a sala analisada nesta pesquisa, era formada por 40 estudantes, sendo 24 alunas e 16 alunos com idades entre 17 e 19 anos.
Destes, 16 alunos possuíam 16 anos, enquanto que mais da metade da sala tinha 17 anos de idade e apenas 1 estudante tinha 19 anos.
2.4. DESENVOLVIMENTO DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA PARA UMA