O Cenário de Desenvolvimento (CD) expressa, no horizonte de 2020, as tendências de desenvolvimento da área estratégica, com a implantação dos empreendimentos objeto da AAE, vista na evolução dos fatores críticos. São considerados, igualmente, os planos e programas do Cenário de Referência.
4.3.1 Fatores Condicionantes do Desenvolvimento
Infra-Estrutura Rodoferroviária e Marítima
O Arco Metropolitano será imprescindível para o transporte das cargas do COMPERJ principalmente para o escoamento dos produtos acabados posto que as empresas e as indústrias encarregadas de utilizar e de processar os produtos elaborados no complexo se localizarão em sua maioria ao longo desse Arco, tendo assim um rol complementar no transporte de passageiros até o COMPERJ, sobretudo dos residentes em Magé.
O COMPERJ deverá ter um acesso viário principal a este Arco, adequado ao volume e ao tipo de veículo a ser utilizado. Uma vez no Arco, os caminhões e veículos de carga circularão até as instalações de destino ou até a interseção com a BR-116 (Rio de Janeiro – São Paulo), incorporando-se a esta rodovia, principal ligação entre as cidades localizadas no eixo Rio – São Paulo.
Linha 3 do Metrô do Rio de Janeiro
Para garantir a viabilidade do acesso dos funcionários ao COMPERJ é fundamental a implementação de um trecho complementar da Linha 3 entre Guaxindiba (São Gonçalo) e Itaboraí (Figura 4.6) para o pleno funcionamento da linha entre as cidades de Niterói e de Itaboraí.
Sem a instalação da Linha 3 do Metrô, os passageiros, em geral, e os funcionários do COMPERJ, em particular, originários do Rio, Niterói e São Gonçalo só contarão com os sistemas atuais, isto é, com barcas e rodovias já próximas a saturação e com níveis de serviços não satisfatórios, além da ferrovia até a cidade de Magé (desde Duque de Caxias ou Guapimirim).
Ligará a estação Carioca (no centro da cidade), passando por Niterói, até São Gonçalo, e, posteriormente, a Itaboraí, através de um túnel passando por debaixo da BG.
É a linha de metrô com maior possibilidade de implantação em curto prazo. Atende a demanda de áreas muito adensadas e carentes de transporte de massa, essencialmente o município de São Gonçalo. A linha cortaria toda a sua extensão, além de passar por Niterói e, num segundo momento, atingindo a Itaboraí, onde a implantação do COMPERJ aumentará a demanda de transporte para aquela região.
Assim, o trecho prioritário começa na Praça Araribóia, no Centro de Niterói, e vai até Guaxindiba, em São Gonçalo. Nesse trecho existirão as estações Jansen de Melo, Barreto (ambas em Niterói), Neves, Vila Lage, Porto Velho, Paraíso, Parada 40, Zé Garoto, Rodo/Mutuá, São Miguel, Antonina, Trindade, Alcântara, Jardim Catarina e Santa Luzia, com investimentos da ordem de R$ 1,12 bilhão.
O trecho que liga a Praça Araribóia a Estação Carioca, via Praça XV, não está previsto para o curto prazo devido a seu elevado custo (R$ 1,87 bilhão).
O outro trecho partiria de Guaxindiba e iria até Itaboraí, possivelmente passando por Manilha e Venda das Pedras, as 2 localidades mais importantes do município. O COMPERJ será localizada próxima a Porto das Caixas e Visconde de Itaboraí, localidades menos adensadas e onde o atual trem de passageiros da Central do Ramal de Niterói faz sua parada terminal (ramal atualmente desativado). A Zona Sul e a Região Oceânica de Niterói também podem vir a ser atendidas pela Linha 3, especialmente se o trecho Niterói - Rio de Janeiro vier a ser descartado, podendo a linha atravessar os bairros do Ingá, Icaraí, São Francisco, Viradouro, Pendotiba, Piratininga e Itaipu, por exemplo.
Porto de Itaguaí
Segundo informação da PETROBRAS, atualmente se está desenvolvendo um projeto estratégico de ampliação deste porto com um novo terminal para atender o suprimento das refinarias e o aumento da exportação de petróleo originada do Pólo Pré-Sal, assim como, para a entrada de óleos pesados e saída de produtos quando o COMPERJ começar a operarr (PETROBRAS, 2008).
A infra-estrutura rodoviária que atende a movimentação de cargas de/para o Porto de Itaguaí é formada, pela BR-101 (Rio- Santos), a BR-465 (antiga Rio-São Paulo), a BR-116 (Rodovia Presidente Dutra), a BR-040 (Rio-Juiz de Fora) e as rodovias estaduais RJ-099 (Piranema) e a RJ-105 (Estrada de Madureira).
O Porto de Itaguaí é servido, ainda, pelo ramal ferroviário de Japeri / Brisamar operado pela empresa MRS em linha tripla com bitola larga (1,60m) numa extensão de 1,5 km (CDRJ, 2007).
Déficit por Sistema de Abastecimento Urbano e Industrial
Neste Cenário de Desenvolvimento, no que concerne aos aspectos relacionados à quantidade de água, foi analisada a ampliação da REDUC consistindo na implantação de novas unidades e modificações/aumento de carga de unidades em operação, resultando num aumento do consumo de água e da quantidade de efluentes líquidos gerados na REDUC. Foram analisadas, também, as necessidades de água previstas na implantação e operação do Terminal GNL, as instalações do Terminal Aquaviário da Ilha Comprida (TAIC) e as adaptações no Terminal Aquaviário da Ilha Redonda (TAIR).
Além disso, foram consideradas as demandas de água do COMPERJ e suas implicações com o aumento de população e instalação de indústrias de 3ª geração.
Ampliação da REDUC
Com a implantação de novas unidades e modificações/aumento de carga de unidades em operação, haverá aumento do consumo de água e da quantidade de efluentes líquidos gerados na REDUC.
A REDUC possui duas outorgas para adução de água doce bruta, concedidas em regime de concessão pelo Estado do Rio de Janeiro. A água doce utilizada provém das adutoras de Saracuruna e Guandu. Em
ambos os casos, trata-se de mananciais superficiais. A água do Saracuruna é proveniente de uma barragem existente na subida da serra de Petrópolis, no município de Xerém. O sistema de Captação e Adução Guandu-REDUC compõe-se de três unidades básicas operacionais, que são: Elevatória, Adutora e Área de Reservação.
O Sistema Guandu apresenta capacidade de adução de 7.200 m3/h e o Sistema Saracuruna uma capacidade de 1.800 m3/h. No Quadro 4.17 as quantidades de água captadas atualmente, com a incorporação das carteiras de coque e gasolina e prevista após a implantação dos novos empreendimentos.
Quadro 4.17 — Consumo de Água Atual e Previsto para REDUC
Origem Unidade
Situação Atual 2006 Com carteira de
coque e gasolina Ampliação REDUC
Guandu m3/h 1.080 1.340 1.850
m3/s 0,300 0,372 0,514
Saracuruna m3/h 1.320 1.340 1.340
m3/s 0,367 0,372 0,372
Fonte: Mineral (2007)
Para suprir a demanda de água após entrada em operação dos novos empreendimentos haverá necessidade de alteração na vazão das outorgas existentes. Também, em virtude do aumento de consumo, será necessário aumentar a capacidade de tratamento de água com nova ETA. Como medida mitigadora está prevista a implantação de sistema de reuso da água e programas de uso racional de água para diminuir o consumo.
O incremento de captação necessário para o abastecimento da REDUC na situação futura em relação à situação com a incorporação das carteiras de coque e gasolina é da ordem de 0,142 m3/s e de 0,014 m3/s frente à vazão máxima de captação outorgada. Este incremento é pouco significativo diante da disponibilidade hídrica da bacia do Guandu, mesmo considerando aumentos futuros de demanda para abastecimento público e outros fins.
Terminal GNL
O abastecimento de água para as frentes de trabalho deverá ser proveniente da rede pública ou, no caso de água para consumo, via galões de água mineral. A água a ser utilizada durante a operação do Terminal Flexível de GNL terá origem na Ilha d'Água. A água de incêndio terá origem na Ilha Redonda.
Terminal Aquaviário da Ilha Comprida (TAIC), adaptações no Terminal Aquaviário da Ilha Redonda (TAIR)
A água potável do TAIR é fornecida pela CEDAE, que transporta 100 m3 por embarcação (uma vez por semana), a partir da Ilha d‘Água. O consumo de água atual é de, aproximadamente, 11 m3/dia. O mesmo sistema será utilizado para o TAIC, sendo estimado um consumo total de 15 m3/dia. A água potável para consumo humano é proveniente de galões de água mineral. A água para o sistema de incêndio e a água para o sistema de refrigeração são do mar.
Fazendo-se uma primeira comparação deste Cenário de Desenvolvimento envolvendo os empreendimentos mencionados com o Cenário de Referência verifica-se que o incremento de quantidade de água necessário não deverá afetar o sistema existente. Os outros empreendimentos do PLANGAS (Terminal GNL, TAIC e TAIR), utilizarão sistemas independentes e a ampliação da demanda da REDUC será suprida diretamente do rio Guandu em tomada d‘água específica e já existente. Neste particular é importante mencionar que novas outorgas poderão ser obtidas na bacia do rio Guandu atualmente, após a construção da estrutura paralela ao Canal de São Francisco, que minimizou o problema da intrusão salina nas captações de água da Termelétrica de Santa Cruz, COSIGUA e outras unidades existentes na região.
COMPERJ
A quantidade de água necessária para o COMPERJ é de 1.100 l/s e será viabilizada a partir de uma adutora de água bruta que trará água para suprimento do Complexo. O projeto deste abastecimento, entretanto, ainda não tem um manancial selecionado, tendo em vista a necessidade de se elaborarem soluções de transposição ou reativação de recursos hídricos que possam contribuir para equacionar a aguda escassez de água hoje verificada na região. O EIA do COMPERJ analisou diversas alternativas propostas no trabalho intitulado ―Estudos de Disponibilidade Hídrica de Várias Alternativas para Abastecimento d’Água do COMPERJ‖, realizado pelo LABHID/COPPE/UFRJ (2007), que selecionou aquelas mais viáveis sob o ponto de vista socioambiental, independentemente de quem irá operar o sistema. Assim, com base nas informações disponíveis nesse relatório, são apresentadas, a seguir, as linhas gerais das 8 (oito) alternativas de suprimento de água para a região do COMPERJ.
Alternativa 1– Água Bruta do Rio Guandu
Esta alternativa prevê a captação de água em um ponto do rio Guandu, anteriormente tido como o local da construção da ETA de ampliação do sistema de abastecimento de água de parte da RMRJ. Nesse local, onde o rio apresenta uma vazão regularizada de 120 m3/s e cota do nível d‘água em torno de 19 m, seria construída uma estação elevatória para recalque das águas ao COMPERJ.
De acordo com o estudo da LABHID/COPPE/UFRJ (2007), é de se esperar pouca reação do Comitê Guandu em ceder água para uma transposição de bacias. No entanto, é provável acontecer uma reação vinda do Vale do Paraíba. A transposição tem sido sistematicamente questionada pelos atores paulistas, mineiros e pelos municípios fluminenses que se localizam a jusante de Santa Cecília. A alternativa do rio Guandú caracterizaria, para os críticos, a figura da ―transposição da transposição‖, o que poderá provocar reação imediata.
O governo estadual como poder outorgante tem demonstrado intenção de propiciar investimentos na bacia do rio Guandu, muito embora não haja significativas folgas na oferta para absorver todas as demandas desejadas. Finalmente, há que se registrar o longo caminho da adutora cruzando regiões inóspitas da baixada fluminense.