4.5 Riscos Ambientais
4.5.3 Planejamento da Resposta a Eventos Acidentais
Sistema de Informações de Risco Ambiental (SIRA)
A FEEMA, responsável, entre outras atribuições, pelo licenciamento, o controle e a fiscalização das atividades potencialmente poluidoras, bem como pelo monitoramento dos corpos d'água do Estado do Rio de Janeiro, desenvolveu, em 2005, como resultado dos Projetos Ambientais Complementares do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG), o Sistema de Informações de Risco Ambiental (SIRA). Trata-se de um instrumento de gestão cujo objetivo é dar suporte ao controle ambiental e prevenir acidentes nas atividades produtivas, além de subsidiar a tomada de decisão no atendimento a emergências ambientais.
São abrangidos pelo SIRA quinze municípios da RMRJ que compõem a bacia contribuinte à BG:
Belford Roxo, Cachoeiras de Macacu, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaboraí, Magé, Mesquita, Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Rio Bonito, Rio de Janeiro, São Gonçalo, São João de Meriti e Tanguá.
Para concepção do sistema foi realizado o mapeamento de campo das atividades consideradas de significativo risco ambiental, posteriormente, classificadas de acordo com o nível de risco à comunidade. Para tal, utilizou-se uma série de parâmetros estabelecidos com base em:
características e quantidades de produtos perigosos armazenados; distância do local de armazenagem à comunidade; e densidade populacional da área.
Além dos dados coletados em campo, a base cartográfica do SIRA é composta por vetorização de imagens de satélites, realizada pelo Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro (Fundação
CIDE), e dados analógicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Diretoria de Serviços Geográficos do Ministério do Exército e das prefeituras municipais. Ao todo, estão cadastradas no banco de dados do sistema 145 atividades industriais e 36 atividades de infra-estrutura: dutos, estações de tratamento de água e parques aquáticos. Além disto, foram cadastradas as unidades hospitalares de atendimento a emergência, os receptores de resíduos, os dutos terrestres e marítimos e identificados os produtos e resíduos perigosos transportados.
Atualmente, a alimentação do sistema é realizada pela equipe de emergência da FEEMA, com diferentes níveis de acesso controlados por senhas. O cadastramento de novas atividades com manipulação de produtos perigosos é realizado com a inserção de informações, como a identificação detalhada da atividade, a relação dos produtos perigosos armazenados e sua localização geográfica, documentos em meio digital (licença ambiental e os planos de emergência), além da lista de recursos humanos e materiais disponíveis para atendimento a emergência.
A tela principal do sistema permite a escolha do tipo de ação que interesse ao usuário, tais como a seleção de mapas, o cadastro das pessoas jurídicas, acesso ao banco de dados de acidentes e a visualização de dutos terrestres e marítimos (Figura s 4.30 e 4.31)).
Ao selecionar o mapa do sistema é possível sobrepor diferentes temas, de acordo com o objetivo do usuário, tais como: informações de infra-estrutura, acidentes, faixas de dutos, zoneamento municipal e estadual, bacias aéreas, unidades de conservação, atividades de risco, uso do solo, mangues e hidrografia. Em seguida, um exemplo de tela do sistema onde são mostradas as informações de rodovias, hidrografia e as atividades de risco.
Mapa
Cadastro de Pessoas Jurídicas
Atividades de Risco
Acidentes
Participantes de Planos de Emergência
Unidades Hospitalares
Dutos Terrestres e Marítimos
Transportadoras de Produtos e Resíduos Perigosos
Receptores de Resíduos
Tábuas de Maré Mapa
Cadastro de Pessoas Jurídicas
Atividades de Risco
Acidentes
Participantes de Planos de Emergência
Unidades Hospitalares
Dutos Terrestres e Marítimos
Transportadoras de Produtos e Resíduos Perigosos
Receptores de Resíduos
Tábuas de Maré
Figura 4.30 — SIRA - Tela Principal Fonte: Cardoso (2007), FEEMA (2007)
Figura 4.31 —Tela do SIRA Fonte: Cardoso (2007), FEEMA (2007)
O sistema permite, ainda, a elaboração de mapas de risco, mostrando as áreas potencialmente atingidas em caso de um determinado incidente (Figura 4.32), auxiliando na seleção das medidas de controle e prevenção mais adequadas.
Figura 4.32 ― Mapa de Risco Fonte: Cardoso (2007), FEEMA (2007)
Na eventualidade de um acidente na BG, o sistema possibilita o acesso rápido às informações essenciais para a resposta, como a infra-estrutura de combate disponível, as informações sobre a atividade envolvida no acidente, as instituições participantes dos planos de emergência e as fichas de informação dos produtos perigosos envolvidos. Outras informações importantes para as ações de resposta estão presentes no sistema, como aquelas referentes à infra-estrutura hospitalar na área do acidente, às comunidades do entorno e à região possivelmente afetada, com dados sobre o número de habitantes, ruas que podem ser usadas para evacuação e distância de outras atividades industriais.
O sistema, também, pode ser utilizado para subsidiar e auxiliar nos processos de licenciamento e zoneamento ambiental, uma vez que contém um banco de dados sobre as atividades, uso, produção, armazenamento e acidentes com substâncias e resíduos perigosos. No entanto, a falta de dados ambientais no sistema limita a sua utilização. Além dos riscos às comunidades do entorno, há os riscos à biota e até à biodiversidade, dependendo do local de ocorrência do acidente.
É fundamental, ainda, a retro-alimentação do sistema com dados atualizados e novas informações para pleno funcionamento do mesmo, principalmente no momento da emergência. Além disso, é necessária a ampliação do mapeamento para a identificação das demais áreas de risco do Estado do Rio de Janeiro. A escassez de informações disponíveis, associada à falta de padronização destas informações é outro ponto negativo. Hoje, tanto a alimentação dos dados quanto a ampliação do mapeamento de áreas de risco estão estagnadas no que se refere à utilização do SIRA pela FEEMA.
APELL do Pólo Industrial de Campos Elíseos
O Processo APELL constitui-se de um conjunto de diretrizes formuladas pelo Departamento da Indústria e Meio Ambiente, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), em cooperação com a Associação das Indústrias Químicas dos Estados Unidos e o Conselho Europeu das Federações da Indústria Química. Tem como objetivo aumentar a conscientização da comunidade quanto aos possíveis perigos da indústria e desenvolver planos de atendimento para situações de emergência que possam ameaçar a segurança da coletividade (UNEP, 2008).
O sistema de resposta às emergências externas do Pólo Industrial de Campos Elíseos começou a ser implantado no ano de 1991, tendo como base o Processo APELL. O início do processo foi conduzido pela Superintendência da REDUC/PETROBRAS e reuniu representantes da refinaria e de outras empresas do pólo, membros do Poder Público municipal e estadual (Corpo de Bombeiros, FEEMA, Polícia Militar) e das associações de moradores de Campos Elíseos e Jardim Ideal. Atualmente, a coordenação do APELL é feita pela Associação das Empresas de Campos Elíseos (ASSECAMPE), criada em 2001.
Estão disponíveis no APELL diversos mapeamentos, como o das empresas do Pólo, a identificação das atividades realizadas, produtos processados, resíduos gerados, cenários acidentais, equipamentos de resposta a emergência e substâncias perigosas utilizadas. Também, há o mapeamento das comunidades próximas, com a identificação de áreas vulneráveis ― com possibilidade de evacuação da população ―; e áreas de triagem ― locais para onde a população evacuada se deslocaria. São, ainda, identificados pontos relevantes ― escolas, hospitais, postos de saúde, delegacias, postos e cabines de polícia etc. ―; definidas rotas de evacuação; orientações sobre emergências; e datas para realização de exercícios simulados (APELL, 2008).
Compõem atualmente o APELL de Campos Elíseos a BR-GEI, BR-TEDUC, Minasgás, Nitriflex, Petroflex, REDUC, Rio Polímeros, Supergasbras, Suzano Petroquímica, Termorio, Transpetro e White Martins. A Figura 4.33 mostra o mapa da área vulnerável, com identificação de algumas das empresas.
Comunidades Próximas: 1 Marilândia; 2 Pilar; 3 Centro de Campos Elíseos; 4 Saraiva; 5 Ana Clara; 6 Vila Serafim; 7 Parque Império; 8 Nosso Bar; 9 Bom Retiro; 10 Parque Moderno.
Figura 4.33 — Mapa da Área Vulnerável no Pólo Industrial de Campos Elíseos Fonte: APELL (2008)
Plano de Emergência da Baía de Guanabara (PEBG)
O objetivo principal do Plano de Emergência da Baía de Guanabara (PEBG), cujo movimento de criação teve início na década de 1990, é atender situações de poluição ambiental ocasionados por derramamentos de petróleo e seus derivados na região da BG. Desde então, fazem parte da coordenação e fiscalização: órgãos públicos, como a Marinha do Brasil, Defesa Civil do Estado e do Município, FEEMA e Cia. Docas. As companhias de limpeza urbana dos municípios do entorno da BG atuam na limpeza das áreas.
A edição atual do plano resultou de encontros coordenados pelo Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (SINDICOM), dos quais participaram as seguintes empresas e órgãos oficiais:
Empresas que participam do PEBG:
Cia. Brasileira de Petróleo Ipiranga (CBPI);
Cia. Docas do Rio de Janeiro (CDRJ);
Control Comércio e Transporte de Óleos Ltda;
Esso Brasileira de Petróleo Ltda.;
Metalnave S.A. Comércio e Indústria;
Navegação São Miguel Ltda;
PETROBRAS Distribuidora SA;
Petróleo Brasileiro SA;
Refinaria de Petróleos Manguinhos (RPDM);
Shell Brasil SA;
Texaco Brasil SA – Produtos de Petróleo;
Petroflex; e
Ethyl Brasil Aditivos Ltda.
Órgãos oficiais que participam do PEBG:
Capitania dos Portos do Estado do Rio de Janeiro;
Coordenadoria Estadual de Defesa Civil;
Depósito de Combustíveis de Marinha / RJ;
Diretoria de Portos e Costas do Ministério da Marinha (DPC);
Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (FEEMA);
Defesa Civil de Duque de Caxias, Magé e São Gonçalo; e
Companhias de Limpeza Urbana de Duque de Caxias, Magé e São Gonçalo.
O Plano de Emergência em vigor foi preparado com base nos manuais da International Maritime Organization (IMO) e International Petroleum Industry Environmental Conservation Association (IPIECA), destinados à preparação de planos de contingência para derramamento de óleo no mar e em rios. O plano de emergência substitui o original, denominado ―Plano de Emergência da Baía de Guanabara‖, elaborado pelo Serviço de Controle da Poluição Acidental (SCPA), da FEEMA (PEBG, 2005).
No plano estão definidas as atribuições de cada participante, um sistema de alerta de ocorrência de derramamento de óleo ou derivados, a estratégia de atuação de cada nível de derramamento (volume de derramamento), um sistema de comunicação e processo de tomada de decisão, mapeamento da sensibilidade ambiental e cenários de possíveis emergências nas empresas participantes.