2.1 SERVIÇOS PÚBLICOS
2.1.3 CLASSIFICAÇÃO
público a exigências novas, da própria vida coletiva e de modernas tecnologias. A aplicação mais usualmente citada desse princípio é a modificação unilateral do contrato administrativo”.
2.1.2.8. Princípio da Transparência do Serviço Público
Acredita-se que esse é um princípio derivado do próprio princípio de publicidade dos atos públicos, visto que, por este, têm-se que todo ato emanado do Poder Público deve ter caráter de publicidade, ou seja, acessível a todos, transparentemente, traduzido por Celso Antônio Bandeira de Mello88 como “[...] impositivo da liberação a mais ampla possível ao público em geral do conhecimento de tudo o que concerne ao serviço e à sua prestação.”
universi’ e ‘uti singuli’”89, uma vez que, como bem leciona Hely Lopes Meirelles90
“a atribuição primordial da Administração Pública é oferecer utilidades aos administrados, não se justificando sua presença senão para prestar serviços à coletividade”.
2.1.3.1. Serviços Públicos propriamente ditos
São assim classificados pelo seu caráter de essencialidade e necessidade, a exemplo da segurança nacional, saúde pública, entre outros, e por esta razão, o Estado exerce seu Poder de Império, o qual decorre da supremacia do interesse público sobre o privado.91
Hely Lopes Meirelles92 menciona em sua obra, quanto aos Serviços Públicos propriamente ditos, que estes são:
[...] os que a Administração presta diretamente à comunidade, por reconhecer a sua essencialidade e necessidade para a sobrevivência do grupo social e do próprio Estado. Por isso mesmo, tais serviços são considerados privativos do Poder Público, no sentido de que só a Administração deve prestá-los, sem delegação a terceiros, mesmo porque geralmente exigem atos de império e medidas compulsórias em relação aos administrados. Exemplos desses serviços são os de defesa nacional, os de polícia, os de preservação de saúde pública.
Nesse sentido, pode-se afirmar que tratam-se de serviços indelegáveis, ou seja, somente a Administração Pública os presta.
2.1.3.2. Serviços de Utilidade Pública
Em relação aos Serviços de Utilidade Pública, Edmir Netto de Araújo93 entende tratar-se dos serviços em que
[...] o Estado, reconhecendo sua conveniência (não necessidade nem essencialidade) para a Administração, os presta diretamente ou aquiesce sejam prestados por terceiros (concessão,
89 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 2006, p. 331.
90 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 2006, p. 329.
91 BRUNO, Reinaldo Moreira. Direito administrativo. Belo Horizonte: Del Rey, 2005, p. 293.
92 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 2006, p. 330.
93 ARAÚJO, Edmir Netto. Curso de direito administrativo. 2009, p. 103.
permissão, autorização), nas condições regulamentadas e sob seu controle, por conta e risco dos prestadores.
Esta classificação visa unicamente distinguir aqueles serviços em que a Administração é obrigada a prestá-los (serviços públicos propriamente ditos) daqueles que a Administração reconhece a sua importância e deseja fornecê-los, delegando, no entanto, a execução dos serviços, como é o caso, a exemplo da Permissão para transportes coletivos.
2.1.3.3. Serviços Próprios
Estes serviços são indelegáveis, gratuitos ou de baixa remuneração, que devem ficar à disposição da sociedade, por serem vinculados às atribuições do Estado, tais como, segurança e saúde pública, onde a Administração exerce seu Poder de Império,94 colhendo-se da renomada doutrina de Hely Lopes Meirelles95, o seguinte conceito:
Serviços próprios do Estado são aqueles que se relacionam intimamente com as atribuições do Poder Público (segurança, policia, higiene e saúde pública, etc.) e para a execução dos quais a Administração usa da sua supremacia sobre os administrados.
Por esta razão, só devem ser prestados por órgãos ou entidades públicas, sem delegação a particulares.
Em suma, estes serviços não são passíveis de delegação, uma vez que é atribuição da Administração Pública, prestá-los.
2.1.3.4. Serviços Impróprios
Não são tidos por Reinaldo Moreira Bruno96 como essenciais, porém são rentáveis e visam satisfazer os interesses comuns da sociedade, a exemplo das instituições financeiras, despachantes, etc. Na concepção de Hely Lopes Meirelles97, Serviços Públicos Impróprios podem ser definidos como:
94 BRUNO, Reinaldo Moreira. Direito administrativo. 2005, p. 293.
95 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 2006, p. 330.
96 BRUNO, Reinaldo Moreira. Direito administrativo. 2005, p. 293.
97 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 2006, p. 330.
[...] os que não afetam substancialmente as necessidades da comunidade, mas satisfazem interesses comuns entre os membros, e, por isso, a administração, presta remuneradamente, por seus órgãos ou entidades descentralizadas (autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista, fundações governamentais), ou delega sua prestação a concessionários, permissionários ou autorizatários. Esses serviços, normalmente, são rentáveis e podem ser realizados com ou sem privilégio (não confundir com monopólio), mas sempre sob regulamento e controle do poder público competente.
Neste tocante, extrai-se que os Serviços Impróprios são passíveis de delegação por meio de Concessão, Permissão ou Autorização, por sua execução não ser exclusiva da Administração Pública.
2.1.3.5. Serviços Administrativos
Caracterizam-se desta forma, por atenderem a própria Administração, internamente, e apresentarem natureza preparatória para outros serviços que a esta prestará, como por exemplo, os órgãos oficiais de imprensa, entre tantos outros.98
Sob o prisma de Hely Lopes Meirelles, “são os que a Administração Pública executa para atender às suas necessidades internas ou preparar outros serviços que serão prestados ao público”99, entendimento compartilhado também por Edmir Netto de Araújo100.
2.1.3.6. Serviço Público Comercial ou Industrial
Sob a ótica de Hely Lopes Meirelles101, o serviço público comercial ou industrial, “é aquele que a Administração Pública executa, direta ou indiretamente, para atender às necessidades coletivas de ordem econômica”, ou seja, compete, prioritariamente, à iniciativa privada, porém, a Administração poderá prestá-los nos termos do artigo 173 da Constituição da República Federativa do
98 BRUNO, Reinaldo Moreira. Direito administrativo. 2005, p. 293-294.
99 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. São Paulo: Malheiros, 2003, p.
321.
100 ARAÚJO, Edmir Netto. Curso de direito administrativo. 2009, p. 102.
101 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 2003, p. 321.
Brasil de 1988, em caso de interesse público relevante, gerando renda com as cobranças de tarifas.102
2.1.3.7 Uti universi
O destinatário dos Serviços Públicos pode ser uma coletividade, um cidadão, ou ainda, um grupo identificado de tomadores de serviços, de modo que a coletividade é tratada por uti universi, em virtude de seu tomador ser indeterminado, já que é oferecido a uma sociedade, enquanto que quando oferecido individualmente é tido por uti singuli; classificação esta, que determina a gratuidade ou remuneração dos serviços, pelo usuário.
Em síntese, pode-se dizer que Serviços Gerais ou Uti universi, são prestados pela Administração Pública à usuário indeterminados visando o atendimento à coletividade, ou seja, “prestados à coletividade, mas usufruído apenas indiretamente pelos indivíduos”103, como por exemplo, a polícia, iluminação pública, entre outros, os quais, não há viabilidade para a cobrança dos serviços, por mera impossibilidade material de dividi-lo104.
2.1.3.8. Uti singuli
Já os Serviços Individuais ou Uti singuli, são prestados pela Administração, porém, com usuários determinados, como por exemplo, a água, a energia elétrica domiciliar, entre outros. Estes serviços, segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro105, têm por finalidade a satisfação individual e direta das necessidades dos cidadãos, onde há possibilidade da individualização dos serviços, e, portanto, da cobrança dos tributos, de acordo com Reinaldo Moreira Bruno106, o que não ocorre com os serviços uti universi.
Ressalta-se que foram extraídas apenas algumas classificações dos Serviços Públicos, por serem consideradas as mais
102 BRUNO, Reinaldo Moreira. Direito administrativo. 2005, p. 294.
103 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 2008, p. 103.
104 BRUNO, Reinaldo Moreira. Direito administrativo. 2005, p. 292.
105 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 2008, p. 103.
106 BRUNO, Reinaldo Moreira. Direito administrativo. 2005, p. 292.
importantes pelos doutrinadores referenciados e, sobretudo, as mais apropriadas para o andamento da pesquisa, alertando-se que o rol de classificação apresentado, não se resume às supramencionadas.