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2.1 SERVIÇOS PÚBLICOS

2.1.2 PRINCÍPIOS

Os Serviços Públicos são prestados, com a observância de alguns princípios básicos que os regem, dentre os quais, podem ser citados como os principais, o princípio da continuidade, da qualidade e eficiência, da modicidade, e da igualdade, que serão estudados individualmente a seguir, e, dentro da perspectiva jurídica de alguns doutrinadores, incluem-se, também neste rol, o princípio da supremacia do interesse público, da legalidade, da mutabilidade, e da transparência, os quais serão igualmente interpretados.

68 Léon Duguit, Manuel de droit constitutionnel, Paris, Alberto Fontemoing Editeur, 1911; Roger Bonnard, Precis de droit administratif, Paris, Sirey, 1953.

69 José Cretella Jr., Administração indireta brasileira, Rio de Janeiro, Forense, 1990, p. 73 e 74;

Lúcia Valles Figueiredo, Curso, cit., p. 58 e 59; Mário Masagão, Curso, cit., p. 252., dentre outros.

70 ARAÚJO, Edimir Netto de. Responsabilidade do Estado por ato jurisdicional. São Paulo:

Revista dos Tribunais, 1981, p. 45.

71 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 2008, p. 94.

72 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 1991, p. 290.

73 BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 2007, p. 605.

2.1.2.1. Princípio da Continuidade do Serviço Público

Para melhor compreensão deste princípio, deve-se ter em mente, que a Administração Pública, dentre o rol de suas atividades, elege algumas para exercer unicamente, outras para exercer concomitantemente à iniciativa particular e ainda outras que permite exercer, não tendo interesse em exercer por si, delegando-as a terceiros.

Nesta lógica tem-se que este princípio vem basicamente assegurar que os serviços públicos devem ser de funcionamento contínuo, sendo direito dos administrados evitar que eles sejam suspensos ou interrompidos, o que, sob o prisma de Maria Sylvia Zanella Di Pietro74, traduz-se no fato de que “o Serviço Público não pode parar.”

Este princípio é denominado por Odete Medauar75, como Princípio do funcionamento contínuo, por indicar, “a continuidade e regularidade entre as condições o serviço adequado”, devendo ser “prestados continuamente e, em alguns casos, ininterruptamente”, de acordo com Edimur Ferreira de Faria.76

2.1.2.2. Princípio da qualidade e da eficiência

Este princípio é denominado por Odete Medauar77 como o princípio do funcionamento eficiente, baseado no fato de que o “serviço público deve ser o melhor possível”.

Portanto, os Serviços Públicos devem ter boa qualidade e ser fornecido de maneira eficiente quando se tratar de pessoas encarregadas para tal fim, as quais devem prestá-los com a devida presteza. De igual forma, os equipamentos e máquinas para tal destinação, devem ser seguros, e estar em perfeitas condições de uso.78

74 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 2008, p. 99.

75 MEDAUAR, Odete. Direito administrativo moderno. 2007, p. 316.

76 FARIA, Edimur Ferreira de. Curso de direito administrativo positivo. 2007, p. 436.

77 MEDAUAR, Odete. Direito administrativo moderno. 2007, p. 317.

78 FARIA, Edimur Ferreira de. Curso de direito administrativo positivo. 2007, p. 436.

2.1.2.3. Princípio da modicidade

Este princípio, como trata Edimur Ferreira de Faria79, diz respeito aos preços e condições a que serão prestados os serviços Públicos, a saber:

Os serviços, quando onerosos, devem ser oferecidos a preços módicos, isto é, preços compatíveis com as condições financeiras do destinatário do serviço. O preço público ou tarifa deve ser estabelecido de modo a remunerar o capital investido, necessário à remuneração dos serviços, com lucro quando o serviço for prestado por terceiros.

2.1.2.4. Princípio da Igualdade dos Usuários

Remete à idéia de inaceitabilidade do tratamento discriminatório entre os usuários de um serviço público, ou seja, todos, sem distinção, devem receber o mesmo tratamento ou a mesma igualdade na prestação pública, com a ressalva de que, segundo leciona Maria Sylvia Zanella Di Pietro80, “a pessoa satisfaça às condições legais”.

Odete Medauar81 trata este princípio com a denominação de

funcionamento equitativo ou igualdade de todos perante o serviço público ou paridade de tratamento”, o que por si só já remete à idéia de ausência de distinção.

Poder-se-ia dizer que, em regra, os serviços prestados devem ser iguais para todos os usuários aptos a receber dito serviço, no entanto, algumas exceções tornam-se plausíveis, como por exemplo, em um hospital público, por uma questão de emergência, os pacientes mais graves serem prioritariamente atendidos em detrimento daqueles em situação mais favorável;

entendimento compartilhado por Edimur Ferreira de Faria82, ao enfatizar que:

Os serviços devem ser prestados nas mesmas condições para todos, sem discriminação, de modo que qualquer interessado

79 FARIA, Edimur Ferreira de. Curso de direito administrativo positivo. 2007, p. 437.

80 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 2008, p. 100.

81 MEDAUAR, Odete. Direito administrativo moderno. 2007, p. 316.

82 FARIA, Edimur Ferreira de. Curso de direito administrativo positivo. 2007, p. 437.

possa ter acesso ao serviço em igualdade de condições com os demais usuários, ressalvados os casos dos deficientes que necessitam de adaptações, a cargo do prestador do serviço, para que possam usufruir do serviço sem muitas dificuldades.

2.1.2.5. Princípio da Supremacia do Interesse Público

Este princípio, também conhecido como Supremacia do Poder Público, não só é válido aos serviços administrativos, mas a todo ato da Administração em geral, de acordo com Celso Antônio Bandeira de Mello.83

Basicamente, têm-se aqui que a Administração Pública nada mais é do que um representante do coletivo, tendo por função, bem administrar e zelar pelo que é público e de todos; sendo assim, justamente, por se tratar da coletividade, seus interesses se sobrepõem aos interesses dos particulares.

Pode-se dizer que é o principal basilar pelo qual a Administração possui “prerrogativas” ou “vantagens” nos contratos administrativos, sendo também o fundamento para as “cláusulas exorbitantes84, como se verificará a seguir.

2.1.2.6. Princípio da Legalidade

Igualmente tal princípio não tem sua envergadura apenas no tocante aos serviços públicos, mas também na Administração em Geral.

Ao contrário da máxima constitucional consagrada no art. 5°, II, de nossa Carta Magna que diz que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei - traduzido no fato de que ao particular é lícito fazer o que desejar, salvo proibição legal -, a Administração Pública, só pode fazer o que a lei lhe permite, ou seja, está vinculada às diretrizes legais e

83 BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 2007, p 657.

84 “Cláusulas exorbitantes são, pois, as que excedem do Direito Comum para consignar uma vantagem ou uma restrição à Administração ou ao contratado. A cláusula exorbitante não seria licita num contrato privado, porque desigualaria as partes na execução do avençado, mas é absolutamente válida no contrato administrativo, desde que, decorrente da lei ou dos princípios que regem a atividade a atividade administrativa, porque visa a estabelecer uma prerrogativa em favor de uma das partes para o perfeito atendimento do interesse público, que se sobrepõe sempre aos interesses particulares”. (MEIRELLES, 2006. p. 213)

seus fundamentos, sendo proibido ao Administrador ir contra ou a mais do que a lei estipula.

Além de vinculado, o ato pode ser concomitantemente discricionário, uma vez que, para Hely Lopes Meirelles85, “discrição é liberdade de ação dentro dos limites legais; arbítrio é ação contrária ou excedente da lei”, ou ainda, “Atos discricionários são os que a Administração pode ratificar com liberdade de escolha de seu conteúdo, de seu destinatário, de sua conveniência, de sua oportunidade e do modo de sua realização”, pois tornar-se-ia impossível para o Administrador não ter uma margem de liberdade de ação, visto que, o princípio da legalidade o vincula ao que a lei determina.

Exemplo clássico é o poder de revogação dos atos unilaterais que a Administração possui, por oportunidade e conveniência, desde que bem fundamentados, ressaltando ainda, que tais questões serão mais pormenorizadamente analisadas adiante.

2.1.2.7. Princípio da Mutabilidade do Regime Jurídico

Também conhecido como princípio da Adaptabilidade, novamente recorrendo-se às palavras de Maria Sylvia Zanella Di Pietro86, tem-se que:

O princípio da mutabilidade do regime jurídico ou da flexibilidade dos meios aos fins autoriza mudanças no regime de execução do serviço para adaptá-lo ao interesse público, que é sempre variável no tempo. Em decorrência disso, nem os serviços públicos, nem os usuários dos serviços públicos, nem os contratados pela administração tem direito adquirido à manutenção de determinado regime jurídico; o estatuto dos funcionários pode ser alterado, os contratos também podem ser alterado ou mesmo rescindidos unilateralmente para atender ao interesse público.

Em harmonia com este entendimento, Odete Medauar87 ensina que este princípio, tratado em sua doutrina como a possibilidade de modificar o modo de execução, “tem a função de adaptar a prestação do serviço

85 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 2006, p. 168.

86 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 2008, p. 100.

87 MEDAUAR, Odete. Direito administrativo moderno. 2007, p. 317.

público a exigências novas, da própria vida coletiva e de modernas tecnologias. A aplicação mais usualmente citada desse princípio é a modificação unilateral do contrato administrativo”.

2.1.2.8. Princípio da Transparência do Serviço Público

Acredita-se que esse é um princípio derivado do próprio princípio de publicidade dos atos públicos, visto que, por este, têm-se que todo ato emanado do Poder Público deve ter caráter de publicidade, ou seja, acessível a todos, transparentemente, traduzido por Celso Antônio Bandeira de Mello88 como “[...] impositivo da liberação a mais ampla possível ao público em geral do conhecimento de tudo o que concerne ao serviço e à sua prestação.”

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