3.1 AMBIENTE INSTITUCIONAL
3.1.1 Comércio Exterior
Em que pesem as diferentes formas de protecionismo, o mercado externo vem se apresentando como importante alternativa comercial para o segmento carnes do Estado, bem como tem propiciado transformações em seus processos produtivos.
Os entraves decorrentes das políticas protecionistas praticadas pelos países podem ser resumidos em três grupos mais comuns:
a) Barreiras tarifárias (tarifas de importação, outras taxas e valoração aduaneira);
b) Barreiras não-tarifárias (restrições quantitativas, licenciamento de importações, procedimentos alfandegários, medidas antidumping e compensatórias);
c) Barreiras técnicas (normas e regulamentos técnicos, regulamentos sanitários, fitossanitários e de saúde animal).
Vale ressaltar que as barreiras podem decorrer: da falta de transparência das normas e regulamentos; da imposição de procedimentos morosos ou dispendiosos para avaliação de conformidade; ou, ainda, de regulamentos excessivamente rigorosos, de discriminação com relação ao produto importado e/ou de inspeções caracterizadas pelo arbítrio ou excesso de zelo.
Assim, as barreiras não são necessariamente explícitas, já que para alguns países podem ser apenas uma questão de cautela quanto ao produto que se está pretendendo habilitar, e para outros pode significar uma forma de retardar o processo de importação para privilegiar a indústria local.
Por isso, as barreiras são formas de os países importadores se precaverem, seja mediante adoção de política industrial, para estimular o incremento da competitividade das empresas locais, seja pela regulamentação dos produtos transacionados em seus países. Nesse sentido, pode-se afirmar que a instituição de barreiras é muito dinâmica e depende da forma pela qual os governos do países importadores se posicionam diante dessa questão.
Observa-se que o protecionismo existe e é atuante nesse mercado, sendo definidor da capacidade de exportação. Dessa forma, é um fator bastante desfavorável para as empresas exportadoras.
Em que pese o protecionismo dos países ricos, visando à proteção de sua estrutura produtiva bem como à restrição de acesso aos seus mercados, a alternativa externa tem alavancado transformações importantes na pauta de exportações paranaenses, sobretudo na área de carnes.
Dados do ano de 2000, do Secex, mostram que o Paraná exportou 287 mil toneladas de carne (tabela 17). As exportações de carne de frango representaram aproximadamente 88% do volume exportado (254 mil t); as de carne suína, 5,5% (16 mil t); e as de carne bovina, apenas 4% (11 mil t).
Para 2001, as exportações paranaenses de carnes apresentaram significativo crescimento (35,5%), alcançando o volume de 388 mil toneladas. Desse total, a carne de frango respondeu por 86% (334 mil t); a carne suína, por 7%
(27 mil t); e a carne bovina, por 5,5%, com um volume aproximado de 21 mil toneladas. Note-se que, de um ano para outro, o incremento nas exportações de carne suína foi de 72,5%.
TABELA 17 - EXPORTAÇÕES PARANAENSES DE CARNES IN NATURA E INDUSTRIALIZADA - 1990-2002
QUANTIDADE (toneladas)
ANOS Aves Bovinos Suínos Outros TOTAL
1990 74 768 1 897 3 474 1 540 81 678
1991 73 145 4 689 4 973 2 589 85 396
1992 92 105 4 995 11 270 5 135 113 504
1993 133 854 5 117 8 520 7 230 154 721
1994 116 582 5 036 5 139 5 784 132 541
1995 104 110 1 470 5 863 3 730 115 172
1996 150 401 2 981 10 481 4 190 168 053
1997 125 386 4 045 10 585 4 299 144 315
1998 152 658 4 129 8 696 5 589 171 072
1999 241 567 10 632 10 070 6 282 268 551
2000 253 982 10 993 15 710 5 900 286 586
2001 334 283 21 285 27 092 5 661 388 322
2002(1) 66 884 10 470 19 533 - -
FONTE: MDIC/SECEX NOTA: Elaboração: IPARDES.
(1) Referem-se às exportações de carne no 1.o semestre de 2002.
Pela ótica do valor, verifica-se que a exportação de carne suína apresenta um ponto de inflexão a partir de 1999, quando os valores passam de um patamar de US$ 13,5 milhões para um de US$ 38,7 milhões em 2001 (tabela 18), o que foi fortemente determinado pela desvalorização do real, pela classificação do Paraná como zona livre de febre aftosa mediante vacinação e, particularmente, pela acessibilidade ao mercado russo, aberto ao Brasil a partir de acordo bilateral. Esse desempenho favorável, segundo a pesquisa de campo, vem se repetindo em 2002 e até mesmo superando as expectativas, uma vez que as exportações paranaenses de carne suína alcançaram, apenas no primeiro semestre deste ano, 72% do volume e 58% da receita cambial do ano anterior. A Rússia, atualmente, constitui o principal mercado das exportações de carne suína, tanto do Brasil quanto do Paraná, do qual absorve, em média, mais de 70%.
TABELA 18 - EXPORTAÇÕES PARANAENSES DE CARNES, DE CARNE SUÍNA E TOTAL - 1990-2001 EXPORTAÇÕES PARANAENSES
(US$ FOB mil)
Carnes Carne Suína TOTAL
ANOS
Valor (US$)
Var. anual (%)
Carnes / Total (%)
Valor (US$)
Var. anual (%)
Carne Suína / Total (%)
Carne Suína / Carnes (%)
Valor (US$)
Var. anual (%)
1990 83 063 - 4,47 5 475 - 0,29 6,59 1 856 684 -
1991 101 623 22,34 5,67 8 814 60,99 0,49 8,67 1 793 302 -3,41
1992 141 491 39,23 6,73 17 289 96,15 0,82 12,22 2 102 841 17,26
1993 185 148 30,86 7,45 14 474 -16,28 0,58 7,82 2 485 851 18,21
1994 170 040 -8,16 4,85 8 642 -40,29 0,25 5,08 3 506 749 41,07
1995 171 093 0,62 4,80 15 010 73,69 0,42 8,77 3 567 346 1,73
1996 250 841 46,61 5,91 20 107 33,96 0,47 8,02 4 245 905 19,02
1997 209 713 -16,40 4,32 23 353 16,14 0,48 11,14 4 854 032 14,32
1998 217 500 3,71 5,14 16 493 -29,38 0,39 7,58 4 227 751 -12,90
1999 321 338 47,74 8,17 13 571 -17,72 0,35 4,22 3 932 564 -6,98
2000 286 466 -10,85 6,52 19 689 45,08 0,45 6,87 4 392 091 11,69
2001 439 657 53,48 8,27 38 757 96,85 0,73 8,82 5 317 509 21,07
2002(1) - - - 22 606 - - - 1 973 782 -
Período 2001/1990 2 577 975 429,30 6,10 201 675 607,89 0,48 7,82 42 282 624 186,40 FONTE: MDIC/SECEX
NOTA: Elaboração IPARDES.
(1) Referem-se às exportações no 1.o semestre de 2002.
RELAÇÃO COMERCIAL ENTRE BRASIL E RÚSSIA
O Acordo Bilateral entre Brasil e Rússia estabelecido em 1998, possibilitou a exportação de carne suína brasileira, de conformidade com as normas e procedimentos estabelecidos na “Certificação Veterinária” estabelecida entre as partes. Este certificado abrange, principalmente, aspectos sanitários, bem como a padronização da forma de identificação do produto, tipo de embalagem, marcas de identificação, condições de armazenagem e transporte, informações do destinatário e certificação de boa qualidade do produto para consumo.
Este Certificado Veterinário foi concedido após visitas de técnicos russos aos estabelecimentos produtores de carne suína, e deu origem a uma lista de estabelecimentos habilitados a exportar para a Federação Russa. Esta habilitação permite a exportação de carcaças e cortes, destinada à industrialização e ao varejo.
Em janeiro de 2002, estavam habilitados 29 estabelecimentos, sendo que destes 6 estão localizados no Estado do Paraná, justamente aqueles que compõe o Subsistema A ou Exportador do segmento de Abate e Processamento da cadeia produtiva de carne suína parananense.
Vale destacar que apesar desses estabelecimentos estarem habilitados à exportação para a venda em varejo, no momento, somente está autorizada pela Federação Russa, a exportação de carne suína brasileira com a finalidade de industrialização.
FONTE: MAPA/DIPOA/DCI NOTA: Elaboração: IPARDES
Entretanto, nas entrevistas, verificou-se também que o sucesso de algumas pequenas e médias empresas paranaenses de abate e processamento de carne suína depende do desempenho das empresas exportadoras. Isso se deve à natureza perecível do produto que torna necessária a venda em um determinado
período; caso a empresa exportadora não consiga exportar, ela tem de realizar sua produção no mercado interno, aumentando a oferta e, por conseqüência, diminuindo o preço e a rentabilidade das demais empresas, tanto exportadoras como não exportadoras, sendo, portanto, muito desfavorável para as últimas.