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Gestão Interna

No documento 1.Carne suína (páginas 159-162)

3.4 O SEGMENTO DE ABATE E PROCESSAMENTO DE CARNE SUÍNA NO

3.4.4 Gestão Interna

A gestão das empresas de abate e processamento de carne suína apresenta uniformidade de comportamento, no âmbito de cada um dos subsistemas, independentemente da localização geográfica e do porte.

Existem vários critérios a serem observados que permitem caracterizar as gestões administrativas das empresas e seus níveis de eficiência. Aqui, aborda-se a gestão com relação à utilização de sistemas de custos e financeiro, adoção de índices de produtividade e sistemas de qualidade, utilização de sistemas de apoio à decisão, tratamento dado ao quadro de funcionários e ainda realização de planejamento estratégico.

No caso paranaense, o mercado de atuação das empresas de abate e processamento de carne suína parece constituir um delimitador para a eficiência administrativa.

As empresas componentes do subsistema exportador adotam gestão profissionalizada e controles administrativos bastante eficientes, tais como sistemas de controle de custos e de gestão de qualidade. Ainda, dentro desse segmento, as empresas líderes diferenciam-se por deter uma estrutura hierárquica mais departamentalizada, em que se distribui a decisão de acordo com as responsabilidades estabelecidas normativamente.

Por outro lado, nas empresas do subsistema B, ou não exportador, predomina a participação familiar na propriedade e na administração dos negócios.

Mesmo quando a administração é profissionalizada, a estrutura familiar é presente e atuante, interferindo na condução dos negócios. A utilização de sistemas de gestão e qualidade é incipiente e empírica. Na área de custos, são aplicados apenas instrumentos contábeis como forma de administração financeira, não havendo sistema de custos gerenciais; as decisões ficam apoiadas em informações e conhecimentos empíricos, sem um retrato mais fidedigno da realidade de mercado da empresa. Na área de qualidade, a grande maioria das empresas está restrita aos

controles da inspeção sanitária, e algumas avançam timidamente para sistemas mais sofisticados, como o de Controle de Qualidade Total - TQC. O sistema de Análise de Perigos em Pontos Críticos de Controle - APPCC (HACCP) só foi verificado nas empresas do sistema exportador, talvez por constituir exigência do mercado internacional.

O planejamento estratégico é realizado principalmente pelo segmento das grandes empresas de abate e processamento e por algumas poucas voltadas especificamente ao processamento, que necessitam programar suas compras de forma conjugada com as demandas do mercado. Nas demais, o “planejamento” é diário e sujeito aos fluxos de caixa e de mercado.

Em relação ao marketing, como ferramenta de ampliação de mercado, este só é adotado pelas empresas maiores dos dois subsistemas. No entanto, verifica-se para as demais a utilização de ações variadas e isoladas de divulgação da empresa e do produto por meio da mídia local/regional, folders, embalagens, identificação dos caminhões utilizados no transporte dos insumos e dos produtos, entre outros.

Os Serviços de Atendimento ao Consumidor (SACs) ainda são bastante reduzidos, ocorrendo apenas nas líderes e para algumas outras empresas que elaboram produtos industrializados.

Quanto à logística, todas as empresas ligadas ao abate de carne suína terceirizam o sistema de transporte dos animais. O transporte de suínos para abate demanda uma série de cuidados que, se não forem tomados, prejudicam enormemente a qualidade da carne in natura, pois em algumas situações é preciso percorrer distâncias significativas em estradas com problemas de conservação.

Note-se que no Paraná a distância das granjas até os frigoríficos varia muito, chegando a alcançar um raio de até 300 Km, e vem sofrendo alterações nos últimos anos, sobretudo em decorrência do aumento do volume de abate.

Em que pesem os requerimentos técnicos, o transporte de suínos para o frigorífico não foi apontado como um grande problema, pois o padrão de transporte é uma imposição da empresa contratante e, se não for cumprido, o transportador sofre

descontos. Desse modo, o transporte terceirizado de animais é feito regularmente com frota adequada, sendo o custo assumido integralmente pelo frigorífico. Poucos frigoríficos apontaram a falta de capacitação dos transportadores como uma questão importante. Entretanto, problemas ligados à conservação de estradas vicinais, bem como o pedágio, foram apontados como aspectos de maior relevância.

No transporte da carne in natura e/ou industrializada, deve-se destacar a importância do sistema de frio (equipamentos necessários à manutenção do resfriamento e/ou congelamento) para a preservação da qualidade do produto transportado. As grandes empresas do subsistema exportador, embora coordenem todo o seu sistema de logística, operam com frota rastreada e terceirizada de empresas e/ou autônomos, pois a escala em que operam permite o estabelecimento de contratos exclusivos e de longo prazo.

Já, as empresas de menor porte, em sua maioria, independentemente do subsistema em que estão inseridas, operam com frota própria. A constituição de frotas próprias decorre da necessidade de assegurar um transporte de qualidade, adequado à sua escala de produção. Adicionalmente, esse sistema também cumpre funções de distribuição fracionada junto às unidades de varejo, conforme a programação de vendas.

Quanto à mão-de-obra, em que pesem os crescentes processos de mecanização em etapas do abate e processamento, a utilização deste fator de produção ainda é intensiva. De modo geral, os requerimentos de qualificação da mão-de-obra não têm sido impeditivos para o desenvolvimento da atividade. Mesmo em etapas mais complexas do processo, em que a habilidade e o conhecimento são exigidos, a oferta tem sido suficiente e adequada aos requerimentos. Note-se também que, de modo geral, a rotatividade não é um problema importante, assim como o absenteísmo e os acidentes de trabalho. Contudo, é nas atividades desenvolvidas na área de frio (resfriamento e congelamento) que estão apontadas as maiores incidências de faltas e rotatividade de pessoal.

A preocupação com o conforto no ambiente de trabalho vem sendo crescente e é mais presente nas empresas do subsistema exportador. Algumas empresas já estão implantando programas de ergonomia, com orientação por atividade.

No documento 1.Carne suína (páginas 159-162)