3.2 DA REMIÇÃO DA PENA
3.2.1 CONCEITO E REQUISITOS
A palavra remição vem de redimire, que no latim significa reparar, compensar, ressarcir.81
A remição é o direito que o condenado em regime fechado ou semi-aberto tem de, a cada 3 (três) dias de trabalho, descontar 1 (um) dia de pena.82
Conforme o ensinamento de Mirabete83:
Pode-se definir a remição, nos termos da lei brasileira, como um direito do condenado em reduzir pelo trabalho prisional o tempo de duração da pena privativa de liberdade cumprida em regime fechado ou semi-aberto. Trata-se de um meio de abreviar ou extinguir parte da pena.
A remição da pena pelo trabalho consiste justamente no resgate ou possibilidade de o preso poder abater, através do trabalho, parte de sua pena, tornando-se assim útil a si mesmo e a sociedade. 84
A Lei de Execução Penal adotou o sistema de remição, pelo qual, “o condenado que cumpre pena em regime fechado ou semi-aberto, poderá remir pelo trabalho, parte do tempo de execução da pena”. (arts. 126 a 130).85
Dispõe o art. 126, da LEP:
Art. 126. o condenado que cumpre a pena em regime fechado ou semi-aberto poderá remir, pelo trabalho, parte do tempo de execução da pena.
81 MARCAO, Renato. Curso de execução penal. 2ed. São Paulo: Saraiva, 2005. p.161, apud HOUAISS, Antonio, Dicionário houaiss de língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p.
2425.
82 CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal parte geral. vol.1, 9ed. rev. e atual. São Paulo:
Saraiva, 2005, p. 377.
83 MIRABETE, Julio Fabrini. Execução Penal.11 ed.São Paulo: Atlas, 2004, p. 517.
84 NOGUEIRA, Paulo Lúcio.Comentários à lei de execução penal. 3 ed, São Paulo: Saraiva, 1996, p. 199.
85 JESUS, Damásio E. de. Direito penal:parte geral . 28 ed. São Paulo: Saraiva, 2006, p.521.
§1º A contagem do tempo para fim deste artigo será feita à razão de um dia de pena por três de trabalho.
§2º O preso impossibilitado de prosseguir no trabalho, por acidente, continuará a beneficiar-se com a remição.
§3º A remição será declarada pelo juiz da execução, ouvido o Ministério Público.
Somente será considerada, a remição, a jornada de trabalho completa, ou seja, o condenado que trabalhar menos de 6 horas em um dia não terá direito ao desconto; por outro lado, não será possível ao condenado aproveitar o que exceder a 8 horas de trabalho em um dia.86
Relativamente a falta grave cometida pelo condenado eis o disposto no art. 127 da LEP:
Art. 127. O condenado que for punido por falta grave perderá o direito ao tempo remido, começando o novo período a partir da data da infração disciplinar.
O art. 50, da LEP, aponta as faltas consideradas como graves, sendo elas, o condenado a pena privativa de liberdade que, fugir, provocar acidente de trabalho, incitar ou participar de movimento para subverter a ordem ou a disciplina entre outras.
O condenado que cometer falta grave poderá regredir de regime, sendo transferido para um regime mais rigoroso, conforme o disposto no art. 118, inciso I, da LEP.
Para a concessão do livramento condicional e do indulto, será computado o período de tempo remido, de acordo com o art. 128, da LEP.
O art. 129, da LEP, estabelece a forma de controle dos condenados relativamente a remição:
Art. 129. A autoridade administrativa encaminhará mensalmente ao Juízo da Execução cópia do registro de todos os condenados
86 CAPEZ, Fernando.Curso de direito penal parte geral . vol.1, 9ed. rev. e atual. São Paulo:
Saraiva, 2005, p.378.
que estejam trabalhando e dos dias de trabalho de cada um deles.
Parágrafo único. Ao condenado dar-se-á relação de seus dias remidos.
Nesse sentido Mirabete87:
Deve a autoridade administrativa manter no estabelecimento penal o registro dos dias trabalhados pelo condenado para efeito da remição. Esse registro não se refere apenas ao trabalho prestado no interior do estabelecimento como também a jornadas de trabalho externo, sejam elas em serviços ou obras públicas realizados para os órgãos administração direta ou indireta, bem como as entidades privadas. Devem ser anotadas as horas de trabalho diário, já que para a remição há uma jornada mínima entre seis e oito horas.
Será expedida ao juízo de execução mensalmente, a grade de remição, ou seja, a cópia do registro de todos os condenados, que constará o período inicial e final dos dias trabalhados para que possa ser realizado o cálculo para a concessão do benefício.
O Código Penal estabelece em seu art. 299, que, constitui crime declarar ou atestar falsamente prestação de serviço para fim de instruir pedido de remição.
3.2.2 Procedimento para a concessão do benefício
O próprio condenado é quem irá requerer o pedido de remição, sendo a qualquer tempo, referente ao período de dias remidos mensalmente.
Entende Marcão88:
87 MIRABETE, Julio Fabrini. Execução Penal.11 ed.São Paulo: Atlas, 2004, p. 548.
88 MARCAO, Renato. Curso de execução penal. 2ed. São Paulo: Saraiva, 2005. p. 169.
Prestada a atividade laborativa pelo preso nos termos da lei e comprovada a carga horária regular por documento hábil, emitido pela administração do estabelecimento prisional, o pedido de declaração dos dias remidos pelo trabalho deverá ser submetido ao juízo das execuções penais, que previamente a decisão deverá ouvir o Ministério Público.
Não faz a lei qualquer limitação ao número e ao momento próprio para o condenado requerer a remição. 89
Para Marcão90:
Para o deferimento do pedido de remição de penas, é necessário que se faça o cômputo preciso dos dias em que o preso labutou, excluídos os dias do descanso obrigatório e aqueles em que a atividade laborativa foi inferior a seis horas, vedadas compensações. Tal exigência objetiva, justamente, evitar a ocorrência de fraudes.
A remição será declarada pelo Juiz da execução, ouvido o Ministério Público, de acordo com o art. 126, §3º, da LEP.
Em relação ao condenado que ficou impossibilitado de trabalhar e remir os seus dias, Capez91 argumenta:
O preso que pretende trabalhar, mas não consegue porque o estabelecimento não lhe oferece condições (como no caso de cadeias superlotadas), não tem direito ao desconto, pois a mera vontade de trabalhar não passa de um desejo, uma boa intenção, uma mera expectativa de direito.
O Estado tem o dever de proporcionar ao condenado a possibilidade de realizar seus trabalhos dentro do sistema prisional, pois a Lei de Execução Penal estabelece claramente a concessão do benefício através de
89 MIRABETE, Julio Fabrini. Execução Penal.11 ed.São Paulo: Atlas, 2004, p. 549.
90 MARCAO, Renato. Curso de execução penal. 2ed. São Paulo: Saraiva, 2005, p.164.
91 CAPEZ, Fernando.Curso de direito penal parte geral . vol.1, 9ed. rev. e atual. São Paulo:
Saraiva, 2005, p.378.
comprovação documental, relativamente a jornada de trabalho, não sendo admitida em hipótese alguma que algum condenado seja privado de tal benefício.
3.2.3 Fundamentos do instituto
Foi com o Código Penal Espanhol que o instituto da remição surgiu, através do direito penal militar aplicado nos prisioneiros de guerra e crimes especiais.
Sobre o assunto Prado92 salienta:
O instituto da remição é consagrado pelo Código Penal Espanhol (art. 100). Tem origem no direito penal militar da Guerra Civil e foi estabelecido por decreto de 28 de maio de 1973, para os prisioneiros de guerra e os condenados por crimes especiais. Em 7 de outubro de 1938, foi criado um patronato central para tratar da redención das penas por el trabajo.
A redenção de penas pelo trabalho destinava-se unicamente para os presos políticos da Guerra Civil.
Foi com a reforma do Código Penal Brasileiro em 1984, que a remição demonstrou-se um dos instrumentos mais eficaz para a recuperação do condenado, através do trabalho.
A existência do instituto da remição é o meio mais eficaz pelo qual trará mais perspectiva ao preso futuramente.
Nesse norte Nogueira93:
Todos reconhecem que o trabalho é indispensável ao tratamento reeducativo do preso, trazendo-o ocupado e interessado em determinado serviço, não só o torna útil, como evita que muitas rebeliões se desencadeiem nas prisões. É só com o trabalho é que ele conseguirá recursos para assistir a família, constituir pecúlio, ressarcir os danos causados a vítima e até mesmo reembolsar o Estado das despesas com sua manutenção.
92 PRADO, Amauri Reno do. Processo e execução penal.São Paulo: Juarez de Oliveira, 1999, p.145.
93 NOGUEIRA, Paulo Lúcio.Comentários à lei de execução penal. 3 ed, São Paulo: Saraiva, 1996, p. 64.
Considerada um dos fatores mais importantes para a reeducação do condenado, pois somente através do trabalho é que o condenado irá criar novas expectativas, em que se sentirá útil no tempo em que estiver cumprindo pena.
A remição proporciona a integração social do condenado, bem como possibilita condições de harmonia para o mesmo funcionando como uma espécie de terapia psicológica vivenciada dia-a-dia.
3.2.4 A remição da pena pelo estudo.
Muito se discute, tanto na doutrina como na jurisprudência, acerca da possibilidade da concessão do instituto da remissão nos casos em que o apenado pratica atividades relacionadas ao ensino durante o cumprimento da pena privativa de liberdade em regime fechado ou semi-aberto.
Como já mencionado, o art. 126 da LEP preconiza que o apenado poderá remir, pelo trabalho, parte do tempo de execução.
Dispõe o art. 3º do código de Processo Penal:
Art. 3o A lei processual penal admitirá interpretação extensiva e aplicação analógica, bem como o suplemento dos princípios gerais de direito.
No entanto, a interpretação do artigo de lei em apreço há que ser feita de forma extensiva, ou seja, de modo a abarcar, igualmente, o a freqüência a cursos de ensino como fato gerador do instituto da remição.
Isto porque o estudo é atividade essencial ao ser humano para se desenvolver intelectualmente, mormente para o detento, que necessita ocupar-se com atividades que lhe tragam boas informações e lhe prepare para o mercado de trabalho após o cumprimento de sua pena. Trata-se, pois, de uma maneira de ressocializá-lo e prepará-lo para o retorno à sociedade.
Assim, diante da relevância em se reconhecer o estudo do preso como hipótese a ensejar o benefício da remissão, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula 341, a qual reza:
Súmula 341: A freqüência a curso de ensino formal é causa de remição de parte do tempo de execução de pena sob regime fechado ou semi-aberto.
Há que se frisar, outrossim, que o estudo é garantia constitucional fundamental, assegurada pela Constituição da República Federativa do Brasil em seu art. 6º, caput, o qual, através de sua redação dada pela Emenda Constitucional nº 26, de 2000, estabelece:
Art. 6. São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.
Não há que se negar, ademais, que o estudo é importante ferramenta para a reeducação do apenado, colaborando para seu aprimoramento e ressocialização, destacando que este é, inclusive, o escopo maior da sanção penal.
Apesar da LEP não prever a remição pelo estudo, observa- se que não há qualquer vedação legal. Destarte, mostra-se coerente a interpretação extensiva do verbete “trabalho”, aludido no o art. 126, da Lei em comento, para também abarcar o estudo e freqüência a cursos de ensino, profissionalizantes, etc., afinal como já dito, os dois direitos, quais sejam, o trabalho e o estudo, são direitos sociais e condições da pessoa humana, inclusive do preso.
Corroborando as considerações acima colacionadas, seque a lição de Mirabete94:
Não distingue a lei quanto à natureza do trabalho desenvolvido pelo condenado. Assim, a remição é obtida pelo trabalho interno ou externo, manual ou intelectual.
(...)
Propugna-se que a remição também seja concedida pelo tempo de freqüência às aulas, com aproveitamento escolar, já tendo sido ela concedida, mesmo na omissão da lei.”
94 MIRABETE, Julio Fabrini. Execução Penal. São Paulo: Atlas, 11ª ed., rev. e atualizada por FABRRINI, Renato N., 2004, p.293 e 525.
De outro vértice, importa definir, outrossim, o sentido do vocábulo trabalho, que em seu sentido amplo, também inclui o ato de “estudar”. O Dicionário Aurélio95 assim conceitua trabalho:
Trabalho: Atividade coordenada, de caráter físico e/ou intelectual, necessária à realização de qualquer tarefa, serviço ou empreendimento; O exercício dessa atividade como ocupação, ofício, profissão; Atividade que se destina ao aprimoramento ou ao treinamento físico, artístico, intelectual, etc.
Acrescenta-se, ainda, que o art. 28 da LEP aponta o escopo educativo e produtivo do trabalho do preso. Veja-se:
Art. 28. O trabalho do condenado, como dever social e condição de dignidade humana, terá finalidade educativa e produtiva.
Com efeito, o estudo contém, em sua essência, finalidade totalmente com vistas à educação do preso, o que vem, de igual sorte, ao encontro do entendimento de que se deve aceita-lo como fato gerador do instituto da remição.
Por conseguinte, com a desigualde social e o alto índice de desemprego existente em toda sociedade, a capacitação pessoal e profissional buscada através do estudo deve ser valorizada e estimulada, inclusive com a concessão do benefício da remição instrumentos mais eficazes para a ressocialização de apenados, em harmonia com a Lei de Execução Penal.
3.2.5 O entendimento jurisprudencial acerca da possibilidade de remição em razão do estudo
Enfrentando a polêmica matéria sobre a possibilidade de remição em decorrência da freqüência do detento a cursos de ensino, a jurisprudência dos Tribunais passou a decidir de forma reiterada e favorável à concessão da remição no caso em exame.
95 FERREIRA. Aurélio Buarque de Holanda. Mini dicionário Aurélio, 2º ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, p. 503.
Antes mesmo da edição da súmula 341, o Augusto Superior Tribunal de Justiça já se posicionava em sentido favorável, consoante se verifica nas ementas abaixo transcritas96:
RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. ARTIGO 126 DA LEI Nº 7.210/84.REMIÇÃO PELO ESTUDO FORMAL.
INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE.
IMPROVIMENTO.
1. A remição, dentro de suas finalidades, visa abreviar, pelo trabalho, o tempo da condenação.
2. O termo trabalho compreende o estudo formal pelo sentenciado, servindo à remição o tempo de freqüência às aulas, como resultado da interpretação extensiva da norma do artigo à luz do artigo 126 da Lei de Execução Penal, inspirada em valores da política criminal própria do Estado Democrático de Direito.
3. Recurso especial improvido.
(Resp n° 595858 / SP. Rel. Min. Hamilton Carvalhido. Sexta Turma. Data do julgamento: 21/10/2004).
PENAL. RECURSO ESPECIAL. REMIÇÃO. FREQÜÊNCIA EM AULAS DE ALFABETIZAÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 126 DA LEP. RECURSO PROVIDO.
O conceito de trabalho na Lei de Execução Penal não deve ser restrito tão somente àquelas atividades que demandam esforço físico, mas deve ser ampliado àquelas que demandam esforço intelectual, tal como o estudo desenvolvido em curso de alfabetização.
A atividade intelectual, enquanto integrante do conceito de trabalho trazido pela Lei. 7.210/84, conforma-se perfeitamente com o instituto da remição. Precedentes.
Recurso conhecido e provido.
(Resp n° 596114 / RS. Rel. Min. José Arnaldo da Fonseca. Quinta Turma. Data do julgamento: 21/10/2004).
CRIMINAL. HC. REMIÇÃO. FREQÜÊNCIA EM AULAS DE CURSO OFICIAL - TELECURSO. POSSIBILIDADE.
INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA DO ART. 126 DA LEI DE EXECUÇÃO PENAL. ORDEM CONCEDIDA.
I. A Lei de Execuções Penais previu a remição como maneira de abreviar, pelo trabalho, parte do tempo da condenação.
II. A interpretação extensiva ou analógica do vocábulo “trabalho”, para abarcar também o estudo, longe de afrontar o caput do art.
126 da Lei de Execução Penal, lhe deu, antes, correta aplicação, considerando-se a necessidade de se ampliar, no presente caso, o sentido ou alcance da lei, uma vez que a atividade estudantil,
96STJ, 5ª Turma, RESP 445942 / RS; Recurso Especial 2002/0084624-8, Relator Min Gilson Dipp, julgado em 10/06/2003, publicado no DJ em 25/08/2003, p.00352.)
tanto ou mais que a própria atividade laborativa, se adequa perfeitamente à finalidade do instituto.
III. Sendo um dos objetivos da lei, ao instituir a remição, incentivar o bom comportamento do sentenciado e a sua readaptação ao convívio social, a interpretação extensiva se impõe in casu, se considerarmos que a educação formal é a mais eficaz forma de integração do indivíduo à sociedade.
IV. Ordem concedida, para restabelecer a decisão de primeiro grau de jurisdição.
(HC 30623 / SP. Rel. Min. Gilson Dipp. Quinta Turma. Data do julgamento: 15/04/2004).
E ainda:
CRIMINAL. RESP. REMIÇÃO. FREQÜÊNCIA EM AULAS DE ALFABETIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA DO ART. 126 DA LEI DE EXECUÇÃO PENAL.
RECURSO DESPROVIDO.
I. A Lei de Execuções Penais previu a remição como maneira de abreviar, pelo trabalho, parte do tempo da condenação.
II. A interpretação extensiva ou analógica do vocábulo “trabalho”, para abarcar também o estudo, longe de afrontar o caput do art.
126 da Lei de Execução Penal, lhe deu, antes, correta aplicação, considerando-se a necessidade de se ampliar, no presente caso, o sentido ou alcance da lei, uma vez que a atividade estudantil, tanto ou mais que a própria atividade laborativa, se adequa perfeitamente à finalidade do instituto.
III. Sendo um dos objetivos da lei, ao instituir a remição, incentivar o bom comportamento do sentenciado e a sua readaptação ao convívio social, a interpretação extensiva se impõe in casu, se considerarmos que a educação formal é a mais eficaz forma de integração do indivíduo à sociedade.
IV. Recurso desprovido.
Nessa mesma alheta, também se posicionava o Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul:
AGRAVO EM EXECUÇÃO. Possibilidade de remição da pena também pelo estudo do apenado. Interpretação extensiva e analógica do art. 126 da LEP. Precedentes jurisprudenciais deste órgão fracionário. Agravo ministerial improvido.( 4 fls ) (Agravo nº 70003880002, Primeira Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do
RS, Relator: Manuel José Martinez Lucas, julgado em 18/09/2002.)
REMIÇÃO. A referência ao trabalho previsto no art. 126 da lei de execuções penais não deve se limitar aquele que exige esforços físicos, mas também o que exige disponibilidade intelectual. O controle de viabilidade e efetividade de cursos a serem ministrados e responsabilidade da entidade que os promove.
Cursos que contribuem na formação cultural e psicológica do reeducando podem ser criteriosamente considerados para remição. Exame do caso concreto. Embargos acolhidos.
(Embargos Infringentes nº 70004085304, Terceiro Grupo de Câmaras Criminais, Tribunal de Justiça do RS, Redator para Acórdão: Genacéia da Silva Alberton, julgado em 18/10/2002).
Remição pelo estudo. Deferimento. A execução da pena obedece a um sistema progressivo positivo e negativo, sendo o trabalho do preso um de seus componentes. O estudo e a alfabetização formal, como e o caso em tela, contribuem ao processo dialógico entre o preso e a sociedade, influindo tanto ou mais que o próprio trabalho as finalidades da sanção criminal. O esforço do apenado em alfabetizar-se e de ser compensado com a remição, aplicando-se as mesmas regras da remição pelo trabalho, inclusive seus efeitos. Agravo ministerial improvido. (5 fls.) (Agravo em Execução nº 70003058708, Oitava Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Nereu José Giacomolli, julgado em 27/03/2002).
Conforme as decisões analisadas acima, verifica-se que o trabalho não deve ser considerado apenas nas atividades que exijam esforço físico, mas também nas atividades que envolvam o empenho intelectual, bem como, nos cursos de alfabetização e em cursos que contribuam para a formação cultural e psicológica do reeducando, requisitos essenciais para a apreciação da remição.
A finalidade da lei em instituir a remição, é incentivar o bom comportamento ao sentenciado e sua readaptação ao convívio social, sendo a forma mais dinâmica de integração do indivíduo à sociedade através da educação.
Com efeito, diante do contexto acima exposado, observa-se que a interpretação extensiva ou analógica do vocábulo trabalho, para abranger, de igual sorte, o estudo, não vai se encontro ao preceituado no caput do art. 126
da Lei de Execução Penal. Ao revés, lhe deu correta aplicação, considerando-se a necessidade de se ampliar, no presente caso, o sentido ou alcance da lei, já que a atividade estudantil, tanto ou mais que a própria atividade laborativa, se adequa perfeitamente à finalidade do instituto.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente Monografia teve como objeto estudo como instrumento de ressocialização do preso e direito de remição.
O seu objetivo foi analisar quais as possibilidades de o apenado, durante o tempo de prisão, aprenda a ressocializar-se através do trabalho e do estudo, para que este, quando do término de sua pena, saiba viver em sociedade respeitando todos os princípios e leis instituídas no seu país.
O trabalho foi dividido em três capítulos, sendo que no primeiro tratou-se da evolução histórica da pena privativa de liberdade, na antiguidade, idade média e idade moderna, bem como, os sistemas penitenciários e as teorias da pena. Destaca-se:
A pena, teve sua origem em tempos remotos, sendo tão antiga quanto o surgimento do próprio homem. A pena na sociedade primitiva geralmente era isenta de crueldade ou do propósito de infligir exasperado sofrimento ao culpado, de forma severa e como vingança pessoal.
Desde a origem até hoje, a pena sempre teve o caráter predominantemente de retribuição, de castigo, acrescentando-se a ela uma finalidade de prevenção e ressocialização do criminoso.
Acerca dos sistemas penitenciários observa-se que o sistema pensilvânico tinha característica marcante de isolamento e silêncio absoluto, as visitas não eram permitidas e o trabalho não era permitido para que os condenados se dedicassem apenas a leitura da Bíblia e a educação, essa possível combinação faria com que os apenados se arrependessem do delito. Os resultados desse sistema foram fracassados, pois levaram muitos condenados a/
loucura sendo considerado um castigo corporal.
O sistema auburniano era semelhante ao sistema acima citado, pois a regra era o silêncio absoluto sendo beneficiados apenas aos condenados o direito ao trabalho. Esse sistema acabou não funcionando na prática, pois, foi abolido o isolamento absoluto obrigando o trabalho durante o dia e a segregação noturna para evitar a corrupção moral dos costumes.
Sobre o sistema progressivo, destaca-se que a boa conduta e a adesão do recluso ao regime e despertava-lhe o ânimo para alcançar, aos