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Conforme o art. 33 do Código Penal, o condenado que tiver a pena superior a 8 (oito) anos deve começar a cumprir em regime fechado; já o condenado não reincidente que tiver sua pena superior a 4 (quatro) anos e que não exceda a 8 (oito) anos deverá cumprir em regime

44 CAPEZ, Fernando, Curso de direito penal parte geral. vol 1. 9 ed. rev. e atual, São Paulo:

Saraiva, 2005, p.361.

semi-aberto; e o condenado não reincidente cuja pena for igual ou inferior a 4 (quatro) anos deverá cumprir em regime aberto.

2.2.1 Regime Fechado

O condenado a pena superior a 8 (oito) anos deverá começar a cumpri-la em regime fechado, conforme o art. 33 § 2°, alínea “a”, do Código Penal.

No regime fechado o condenado fica completamente isolado do meio social e privado da liberdade física de locomoção, através de seu internamento em estabelecimento penal apropriado, no caso, a penitenciária de segurança máxima ou média (art. 33, §1º, letra a, e art. 87da LEP).45

Sobre o tema Prado46 argumenta:

No regime fechado, o cumprimento da pena é feito em penitenciária, construída – quando se tratar de condenados homens – em local afastado do centro urbano, a distancia que não restrinja a visitação (arts. 87 e 98 da LEP) O sentenciado aí alojado estará sujeito a trabalho no período diurno e a isolamento durante o repouso noturno (art. 34, § 1º, CP). A unidade celular (cela individual), além da infra-estrutura essencial (dormitório, aparelho sanitário e lavatório) conterá também alguns outros requisitos básicos: a) salubridade do ambiente pela concorrência dos fatores de aeração, insolação e condicionamento térmico adequado a existência humana; b) área mínima de seis metros quadrados (art. 88 LEP).

O art. 88 da LEP estabelece as condições em que o condenado será alojado:

Art. 88. O condenado será alojado em cela individual que conterá dormitório, aparelho sanitário e lavatório.

Parágrafo único. São requisitos básicos da unidade celular:

45 LEAL, João Jose, Direito penal geral. São Paulo: Atlas, 1998, p.329.

46 PRADO, Luiz Regis. Comentários ao código penal. São Paulo: RT, 2003, p.196.

a) salubridade do ambiente pela concorrência dos fatores de aeração, insolação e condicionamento térmico adequado à existência humana;

b) área mínima de 6,00m2 (seis metros quadrados).

As regras quanto ao regime fechado estão dispostas no art. 34, do Código Penal:

Art. 34 - O condenado será submetido, no início do cumprimento da pena, a exame criminológico de classificação para individualização da execução.

§ 1º - O condenado fica sujeito a trabalho no período diurno e a isolamento durante o repouso noturno.

§ 2º - O trabalho será em comum dentro do estabelecimento, na conformidade das aptidões ou ocupações anteriores do condenado, desde que compatíveis com a execução da pena.

§ 3º - O trabalho externo é admissível, no regime fechado, em serviços ou obras públicas.

No regime fechado fica sujeito ao trabalho interno durante o dia, de acordo com suas aptidões ou ocupações anteriores a pena. O trabalho é um direito social de todos (art. 6º da CF). O trabalho tem finalidade educativa e produtiva (art. 28 da LEP).47

O trabalho externo será admissível para os presos em regime fechado somente em obras ou serviços públicos realizados por órgãos da administração direta ou indireta, ou entidades privadas (mediante consentimento do preso), desde que tomadas as cautelas contra a fuga e em favor da disciplina (art. 36 da LEP).48

O condenado ao cumprimento inicial em regime fechado, deverá ser submetido ao exame criminológico, este destinado a classificar e individualizar a execução da pena, nos moldes do art. 8º, da LEP.

47 CAPEZ, Fernando, Curso de direito penal parte geral. vol 1. 9 ed. rev. e atual, São Paulo:

Saraiva, 2005, p.371.

48 PRADO, Luiz Regis. Curso de direito penal brasileiro – parte geral. São Paulo: RT, 1999, p.312.

2.2.2 Regime Semi-aberto

O condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e não exceda a 8 (oito), poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime semi-aberto, conforme o art. 33, § 2°, alínea “b”, do Código Penal.

A pena aos condenados ao regime semi-aberto deverá ser cumprida em colônia agrícola, industrial ou similar, ficando sujeito ao trabalho em comum e diurno (35, § 1º, do CP).

Dispõe o art. 35 do Código Penal e seus parágrafos:

Art. 35 - Aplica-se a norma do art. 34 deste Código, caput, ao condenado que inicie o cumprimento da pena em regime semi- aberto.

§ 1º - O condenado fica sujeito a trabalho em comum durante o período diurno, em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar.

§ 2º - O trabalho externo é admissível, bem como a freqüência a cursos supletivos profissionalizantes, de instrução de segundo grau ou superior.

Manoel Pedro Pimentel aponta várias vantagens acerca da prisão semi-aberta, explicando que “o trabalho ao ar livre nos estabelecimentos semi-abertos, é muito gratificante para o preso, que assim retoma o gosto pela vida e cultiva os benefícios da convivência social”49.

O art. 92 da LEP dispõe sobre as condições em que os condenados serão alojados:

Art. 92. O condenado poderá ser alojado em compartimento coletivo, observados os requisitos da letra a, do parágrafo único, do artigo 88, desta Lei.

Parágrafo único. São também requisitos básicos das dependências coletivas:

a) a seleção adequada dos presos;

49 PIMENTEL, Manoel apud MIRABETE, Julio Fabrini. Manual de direito penal: parte geral São Paulo: Atlas, 1997, p. 252.

b) o limite de capacidade máxima que atenda os objetivos de individualização da pena.

O trabalho externo é admissível, assim como a freqüência nos cursos supletivos e profissionalizantes, de instrução de segundo grau ou superior (art. 35, § 2º do CP).

Quanto à realização do exame criminológico no regime semi-aberto, eis o pensamento de Bonfim50:

O Código Penal dispõe que é necessária a sua realização antes do ingresso neste regime (CP. Art. 35), mas a LEP prevê que tal exame não será obrigatório, podendo ou não ser realizado (art. 8º, parágrafo único). Diante da indisfarçável contradição entre o art. 35 do Código Penal que estabelece ser compulsório e imprescindível o exame criminológico para que o detento ingresse no regime semi-aberto – e o parágrafo único do art. 8º, da Lei n. 7.210/84 – dispõe que, expressamente, ser facultativo tal procedimento, ao usar o vocábulo “poderá” -, deve prevalecer a regra da lei de Execução Penal, que é posterior, dando que o direito material sempre precede o formal.

Tem-se como facultativo o exame criminológico em se tratando de condenados ao cumprimento de pena em regime semi-aberto, devendo para tanto ser aplicada a lei mais benéfica ao condenado.

Quanto às saídas temporárias, os condenados poderão obter autorização para saída temporária do estabelecimento, sem vigilância direta, para visita familiar, freqüências em cursos profissionalizantes já delineados, participação em atividades que concorram para o retorno do convívio social, previstos nos artigos 122 ao art. 125 da LEP.

No que tange à autorização da saída temporária esta será concedida pelo prazo não superior a 7 (sete) dias, podendo ser renovada por mais quatro vezes durante o ano, de acordo com o art. 124, da LEP.

50 BONFIM, Edílson Mougenot. Direito penal: parte geral – São Paulo: Saraiva, 2004, p.645.

2.2.3 Regime Aberto

Deverá cumprir em regime aberto o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos, conforme o disposto no art. 33, §2º, alínea “c”, do CP).

O cumprimento do regime aberto é feito em casa de albergado ou estabelecimento adequado (art. 33, § 1º, alínea “c”, do CP).

Barros51, elucida quem poderá ingressar no regime:

Somente poderá ingressar no regime aberto o condenado que estiver trabalhando ou comprovar possibilidade de fazê-lo imediatamente, sendo que as pessoas referidas no art. 117 da LEP poderão ser dispensadas do trabalho. O condenado ainda deve apresentar, pelos seus antecedentes ou pelo resultado dos exames a que foi submetido, fundados indícios de que irá ajustar-se, com a autodisciplina e senso de responsabilidade, ao novo regime (art. 114 da LEP).

O art. 115 da LEP mostra as condições para a concessão de regime aberto:

Art. 115. O Juiz poderá estabelecer condições especiais para a concessão de regime aberto, sem prejuízo das seguintes condições gerais e obrigatórias:

I - permanecer no local que for designado, durante o repouso e nos dias de folga;

II - sair para o trabalho e retornar, nos horários fixados;

III - não se ausentar da cidade onde reside, sem autorização judicial;

IV - comparecer a Juízo, para informar e justificar as suas atividades, quando for determinado.

51 BARROS, Flavio Augusto Monteiro de. Direito penal. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 445.

E ainda, para que o condenado possa ingressar no regime aberto, dependerá da aceitação de seu programa e das condições impostas pelo Juiz, de acordo com o art. 113, da LEP.

Na execução da pena privativa de liberdade o condenado ficará sujeito à regressão de regime, para qualquer outro mais rigoroso quando o condenado: praticar fato definido como crime doloso ou falta grave, sofrer condenação, por crime anterior, cuja pena, somada ao restante da pena em execução, torne incabível o regime, conforme o art. 118, da LEP.

O art. 114, da LEP, estabelece alguns requisitos para que o condenado possa ingressar no regime aberto, além do cumprimento de 1/6 da pena:

Art. 114. Somente poderá ingressar no regime aberto o condenado que:

I - estiver trabalhando ou comprovar a possibilidade de fazê-lo imediatamente;

II - apresentar, pelos seus antecedentes ou pelo resultado dos exames a que foi submetido, fundados indícios de que irá ajustar-se, com autodisciplina e senso de responsabilidade, ao novo regime.

Parágrafo único. Poderão ser dispensadas do trabalho as pessoas referidas no artigo 117 desta Lei.

O condenado deve estar trabalhando ou que demonstre a possibilidade de fazê-lo imediatamente e que apresente, pelos seus antecedentes e pelo resultado dos exames a que se submeteu, fundados indícios de que se ajustará com autodisciplina de senso de responsabilidade no novo regime.52

2.2.4 Regime Especial

Dispõe o art. 37 do Código Penal que as mulheres devem cumprir pena em estabelecimento próprio, observando-se os deveres e direitos inerentes a sua condição pessoal. Veja-se que a própria Constituição Federal estabelece que “a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de

52 PRADO, Luiz Regis. Comentários ao código penal. São Paulo: RT, 2003, p. 215.

acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado”. (art. 5, XLVIII).53

A penitenciária de mulheres poderá ser dotada de seção para gestante e parturiente e de creche com a finalidade de assistir ao menor desamparado cuja responsável esteja presa, conforme estabelece o art. 89, da LEP.

O regime especial também beneficia a mulher e o maior de sessenta anos, separadamente sendo recolhidos em estabelecimento próprio e adequado a sua condição pessoal, conforme o disposto no artigo 82,

§1º, da LEP.

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