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As teorias possuem um conjunto de conceitos próprios que servem como meio para comunicar o conhecimento específico de cada teoria. Henckemaier (1999, p.43) define

conceito como: “construções lógicas, estabelecidas de acordo com um quadro de referências. Adquirem seu significado dentro do esquema de pensamento no qual são colocados".

CULTURA - refere-se aos valores, crenças, normas e modos de vida praticados, que foram apreendidos, compartilhados, e transmitidos por grupos particulares que guiam pensamentos, decisões e ações de formas padronizadas (LEININGER,1985).

Segundo Leininger (1985) alguns valores são herdados e os conservamos durante a nossa vida. Eles se fazem presente no nosso cotidiano, expressando-se nos nossos sentimentos, nas nossas maneiras.

Quando nos relacionamos com outras pessoas, aprendemos o seu comportamento, assim como as nossas experiências são a elas transmitidas.

Com base nessa afirmação, acreditamos que a comunicação também permite o homem a compartilhar experiências transmitir idéias e sentimentos repadronizar padrões de vida e de saúde, para padrões que são mais saudáveis, e no estudo em questão, aprender um modo de se comunicar.

A cultura ou padrões culturais são conhecidos ou crenças que alguém deve ter para atuar de maneira aceitável dentro de uma sociedade. Leininger (apud WEIHERMANN, 2000, p.52) afirma que "a cultura fornece uma base mais ampla do conhecimento holístico para construir um conhecimento preciso e correto, do cuidado ético e para guiar decisões sobre o cuidado humano, saúde, morte e fatores diários da vida".

O homem ao nascer apresenta comportamentos irracionais e com o seu desenvolvimento passa a incorporar normas, valores, padrões do seu ambiente cultural. Ele passa a internalizar padrões de sua própria cultura conforme vai interagindo com ela.

As crenças são definidas como algo que por representarem verdades faz com que as pessoas se comportem de maneira congruente com elas. É acreditar em algo, tendo opinião sobre o fenômeno com fé e convicção. As normas são regras de procedimentos a serem seguidas. E o que é tomado como modelo, é exemplar.

Modo de vida é a maneira como nos manifestamos em relação aos fenômenos. São as formas através das quais manifestamos nosso jeito de proceder nas mais variadas situações.

A mesma autora com base ainda em Leininger (1878) afirma que a cultura é uma força penetrante e contínua que influencia e molda a vida dos seres humanos de maneiras significantes, especialmente com respeito a comportamento de cuidado de saúde.

No processo de cuidar, as pessoas entram em confronto com outras culturas e Madeleine Leininger chama este confronto de choque cultural ou imposição cultural. O choque cultural pode resultar quando um indivíduo que vem de outra cultura tenta compreender um grupo cultural diferente, ou adaptar-se efetivamente a ele. O indivíduo provavelmente experimentará sensações de desamparo, e algum grau de desorientação, porque haverá diferenças nos valores, crenças e práticas culturais (GEORGE, 2000).

Por outro lado, a imposição cultural refere-se aos esforços do indivíduo de outra cultura, sutis ou não, para impor seus próprios valores, crenças e comportamentos culturais a um indivíduo, família ou grupo de outra cultura. A imposição cultural de cuidado tem-se apresentado particularmente predominante, nos esforços de imposição de práticas ocidentais de cultura sobre outras culturas. Ainda, a imposição cultural usualmente leva à insatisfação do cliente, o não cumprimento do que lhe é solicitado, estresse, e uma série de outros problemas éticos que limitam o bem-estar do cliente. Durante a prestação de cuidados, os profissionais de saúde, podem sobrepor seu conhecimento científico ao conhecimento popular.

COMUNICAÇÃO - é um processo de compreender e partilhar mensagens que exercem influência nas pessoas no momento em que o processo ocorre ou em momentos subseqüentes e só podendo ser estudado no contexto em que esta ocorre (STEFANELLI, 1993). A comunicação é uma necessidade básica do ser humano. Aqui ela é vista como um ato contínuo, no qual o paciente traqueostomizado compartilha suas inseguranças, medos e angústias, pois sua fala está bloqueada por um tubo, impondo-lhe a linguagem do corpo, que são os sinais e os gestos.

CUIDADO - para Leininger (1991, p. 40) "é o coração e a alma da enfermagem".

O cuidado pode ser propiciado por profissionais de saúde que fazem parte de um sistema profissional de saúde. A autora refere ainda que o conhecimento e habilidades são formalmente ensinados, aprendidos e transmitidos e estão relacionados ao cuidado profissional, saúde, doença, bem-estar e habilidades práticas que predominam, usualmente, em instituições profissionais com equipe multidisciplinar para servir clientes.

Esta mesma autora cita que há o sistema popular de saúde que se refere ao conhecimento e habilidades indígenas (ou tradicionais), popular (baseado em casa) culturalmente aprendido e transmitido, usando para promover "assistência, apoio (suporte), capacitar ou facilitar atos a indivíduos, grupos ou instituições com necessidades evidentes

ou antecipadas para melhorar ou promover o estilo de vida humano; condições de saúde (ou bem-estar) ou para tratar com situações de incapacidades ou morte" (LEININGER.

1991, p.48).

Leininger (1991, p. 49) refere e nos concordamos que a enfermagem deve prestar um cuidado cultural congruente que é baseado em "atos ou decisões feitos sob medida para assistir, apoiar, facilitar ou capacitar o indivíduo, grupo ou instituições, levando em consideração a cultura, crenças e estilo de vida para promover ou dar suporte significativo, benéfico ou satisfazendo cuidado de saúde e serviços de bem-estar". O cuidado é tido por Leininger como o domínio central e unificador da enfermagem.

Esta autora propõe modos de decisões e ações de cuidado de enfermagem referindo que estes cuidados podem ser mantidos, adaptados ou repadronizados.

A teórica afirma que o cuidado pode ser postulado como uma necessidade humana essencial para seu pleno desenvolvimento, manutenção da saúde e sobrevivência dos seres humanos em todas as culturas do mundo, sendo então a essência da enfermagem e imprescindível para o crescimento, desenvolvimento e sobrevivência humana.

Diversidade Cultural do Cuidado se refere à variabilidade das ações de assistência, apoio, ou facilitadas para com o outro indivíduo ou grupo, que são decorrentes de uma cultura específica, para melhorar ou amenizar a condição humana de vida (LEININGER, 1985).

Universalidade Cultural do Cuidado se refere aos fenômenos uniformes, ou comumente dirigidos a outros indivíduos de grupo, que são decorrentes de uma cultura específica, para melhorarem ou amenizarem a condição humana de vida (LEININGER, 1985).

Portanto, nós acadêmicas, futuras enfermeiras entendemos o cuidado como compartilhar conhecimentos populares e profissionais visando o bem-estar do cliente traqueostomizado e sua família.

SER HUMANO - Leininger (apud GEORGE, 1993), na sua teoria, faz entender que:

[...] cada ser Humano é um membro de uma cultura. Ele é moldado por meio de uma carga de conhecimentos, crenças, valores, normas, modos de vida que lhes são transmitidos, infundidos, compartilhados por outros seres humanos que o precederam e que o cercam. Este, por sua vez guia, consciente ou inconscientemente seus pensamentos, decisões e ações de forma padronizada. E ainda, este ser humano tem necessidade de desenvolver cuidado, (próprio de sua cultura) colocando a família

também como provedora do cuidado.

Santini, (1998), considera que o ser humano é um ser inconcluso, educável, em constante evolução, com capacidade de agir e refletir, de relacionar-se, comunicando-se, a fim de ser sujeito de sua própria ação.

Os homens são seres culturais capazes de sobreviver ao passar do tempo, através de sua capacidade de prestar cuidado aos outros, de todas as idades, em vários ambientes e de muitas maneiras (GEORGE, 1993).

Ainda, o ser humano, pela sua sociabilidade, desde o nascimento participa de grupos, famílias, criam grupos e famílias. E é vivendo em diferentes grupos culturais e sociais que o ser humano procura a satisfação do amor, de necessidades fisiológicas e sociais. É sendo participante de grupos sociais que o ser humano pode ser opressor ou oprimido.

É este ser humano, que tem inserido uma cânula ou tubo em sua traquéia a fim de garantir a respiração e remoção das secreções traqueobrônquicas, por tempo limitado ou definitivamente e como conseqüência tem sua linguagem verbal bloqueada (BRUNNER/SUDDARTH 2003).

ENFERMAGEM - Leininger (apud GEORGE, 1993) define enfermagem como uma profissão e uma disciplina humanística científica, aprendida, a qual enfoca o fenômeno do cuidado humano em atividade a fim de assistir, manter, facilitar ou tornar capazes indivíduos ou grupos para manter ou recuperar seu bem-estar (ou saúde) de maneira culturalmente significativas ou benéficas, para ajudar pessoas em situações de incapacidade ou morte.

Para a autora, enfermagem transcultural, é definida como a esfera da enfermagem que focaliza a análise e o estilo comparativo de diferentes culturas e subculturas no mundo, com respeito aos seus comportamentos de cuidado, cuidado de enfermagem e valores de saúde-doença, crenças e modelos de comportamento com o objetivo de desenvolver um corpo de conhecimento científico e humanístico a fim de prover cultura específica e cultura universal na prática de enfermagem do cuidado.

Ainda para ela é necessário que a enfermagem descubra as dimensões e multifacetas de existência e cuidado humano e como as pessoas vivem, face a morte ou enfrentam doenças ou incapacidades nos diversos contextos.

Os profissionais de enfermagem trazem na sua bagagem cultural crenças, costumes,

valores e uma formação profissional que faz parte do processo oficial de saúde. No processo de cuidar, interagimos com pessoas com suas bagagens culturais em que a diversidade e a universalidade de culturas se fazem presentes. Com isto é necessário estarmos atentos para evitarmos a imposição cultural e o choque cultural, portanto a enfermagem deve manter em mente as idéias de cuidado cultural e ajudar os clientes a restaurar sua saúde e não o conceito de cuidado da enfermagem.

A mesma autora apresenta três modos de agir que podem conduzir à execução do cuidado em enfermagem que melhor se adapte à cultura do cliente diminuindo assim o estresse cultural e o potencial para o conflito entre o cliente, a. família e o provedor do cuidado. Estas três formas de intervenção congruentes propostas por Leininger (1991) são as práticas de cuidado cultural de manter, acomodar e repadronizar. Se estes procedimentos forem observados não haverá imposição cultural ou choque cultural.

Neste sentido, acreditamos que é tarefa da enfermagem codificar, decifrar e perceber a significação da mensagem que o cliente envia, para poder estabelecer um plano de cuidados adequado e coerente com as necessidades demonstradas por ele. Reconhecer a importância de conhecer e estar atenta às comunicações verbal e não-verbal emitidas por ele e por nós durante a interação enfermeiro/cliente (STEFANELLI, 1993).

FAMÍLIA - é uma unidade dinâmica formada por pessoas que se percebem como família e compartilham de um meio familiar, trocando saberes, práticas, valores, crenças e desenvolvendo papéis sociais que são definidos mutuamente entre os membros que compõe-na e que repercute no seu processo de crescimento e desenvolvimento (ELSEN et al I994).

A família em sua história de vida pode em um determinado momento estar apresentando problemas relacionados à saúde, necessitando assim, das intervenções de cuidado existente nas instituições de saúde. A família em situação de hospitalização é aquela que vivencia a partir de um de seus membros, determinados problemas de saúde.- em um ambiente hospitalar, tendo necessidades de cuidar de seu membro, bem como de ser cuidada pelo sistema profissional.

A capacidade da família, de efetuar atividades ou alcançar objetivos e padrões de vida em busca de seu bem viver, o qual é definido pela própria família, é a maneira com que a família se cuida para manter-se saudável. Esta capacidade está fundamentada na prática do cuidado, a partir dos recursos da família como unidade com suas crenças, valores conhecimentos e modos de cuidar, envolvendo a utilização de cuidado do sistema

popular e o sistema profissional.

SAÚDE - estado de bem-estar culturalmente definido, avaliado e praticado e que reflete a capacidade que os indivíduos (ou grupos) possuem para realizar suas atividades ou alcançar objetivos ou padrões de vida desejados (LEININGER, 1985).

Para Leininger (1985, p.262) "a saúde se refere ao estado percebido, ou cognitivo, de bem-estar, que capacita um indivíduo ou grupo a efetuar atividades, ou a alcançar objetivos e padrões de vida desejados". As culturas que percebem comportamento de doença que são derivadas de origem extrapessoal tendem a ter maior número e variedade de regras de vigilância social do que outras culturas nas quais doenças são vistas como uma experiência intrafisica ou interpessoal.

O contexto de cuidado e cura e o sistema de saúde conforme Leininger (apud WEIHERMANN, 2000, p. 56) são definidos como "a totalidade de experiências ou o ambiente no qual o indivíduo se encontra, em situações diversas, incluindo os sistemas e organizações nos quais as pessoas procuram cuidar e tratar de outras".

No processo de viver com saúde, as diversas culturas se utilizam do sistema profissional de saúde e do sistema popular de saúde e entre os mais diferentes grupos encontramos formas universalizadas e formas diversificadas de cuidar preservar ou para obter saúde.

AMBIENTE - é definido por Leininger como a totalidade de um acontecimento, situação ou experiência particular que confere sentido às expressões humanas, incluindo interações sociais nas suas dimensões físicas, ecológicas emocionais e culturais (GEORGE, 1993).

Neste estudo é o meio físico, social, cultural, econômico e político no qual a família em situação de hospitalização e o sistema profissional interagem dinamicamente. É constituído por todos os seres e as relações existentes entre eles, formando um conjunto de crenças, valores que determinam o processo de viver, sem negar a própria condição humana reflexiva de auto determinar-se e reagir, conhecendo e criando novos valores e crenças que podem provocar mudanças onde estão inseridos.

O ambiente é constituído por seres animados em interação no qual acontecem trocas de matéria, energia, informações, levando a estilos de vida diferentes. E permeando estes estilos observamos preferências, hábitos, costumes e modos de viver que são peculiares a cada ser humano ou a determinada comunidade/cultura.

No documento A ENFERMAGEM E O CLIENTE TRAQUEOSTOMIZADO (páginas 30-37)

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