Os regimes matrimoniais de bens estão relacionados aos compromissos assumidos pelos cônjuges, compromissos esses de ordem patrimonial, os quais repercutem na vida em comum. O estabelecimento desses regimes, embora complexos, torna-se extremamente necessário na sociedade conjugal, mas ao se fazer uma pesquisa sobre os regimes matrimoniais de bens no Código Civil Brasileiro, observa-se que não há uma definição legal para os mesmos regimes.
Alguns doutrinadores os conceituam adequando-os ao Código Civil Brasileiro.
Diniz
92conceitua o regime matrimonial de bens:
É o conjunto de normas aplicáveis às relações e interesses econômicos resultantes do casamento. É constituído, portanto, por normas que regem as relações patrimoniais entre marido e mulher, durante o matrimônio.
O casamento visa, portanto, regular as relações referentes aos bens adquiridos ou aos que vierem a ser adquiridos por ambos durante a vida em comum.
Rodrigues
93comunga dos mesmos princípios que Diniz:
O regime de bens, como acima foi dito (v.n. 59, supra), é o estatuto que regula os interesses patrimoniais dos cônjuges durante o matrimônio.
92 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro, 2005,p 153
93 RODRIGUES, Silvio, Direito Civil. 2002, p.173
Pereira
94dispõe sobre os efeitos jurídicos do casamento alegando que os mesmos se dividem em dois grupos que são os pessoais e os patrimoniais. Para Pereira os efeitos pessoais relacionam-se com os direitos e deveres de ambos, e os efeitos patrimoniais referem-se aos aspectos econômicos.
O Casamento gera efeitos de duas ordens: pessoais e matrimoniais. Os primeiros enfeixam-se primordialmente no que dispõe os arts. 1566 a 1.570. Os efeitos patrimoniais ou econômicos em última análise condizem com o regime de bens adotado.
Quanto ao seu objetivo, do regime de bens pode resultar a comunicação, total ou parcial dos haveres dos cônjuges, ou a sua separação.
Dependo do regime a ser adotado os bens do cônjuges poderão ou não se comunicar.
Monteiro95 corrobora afirmando que: “Regime de bens é o complexo de normas que disciplinam as relações econômicas entre marido e mulher, durante o casamento”.
O Regime de bens a ser adotado no matrimônio tem o cunho de regular às relações, não só economicamente. A união de duas pessoas com o objetivo de constituir uma família traz muitas conseqüências, não visa somente a junção de duas pessoas com a finalidade única de adquirirem bens, mas, visa o bem estar da união conjugal.
Quando refere - se aos regimes matrimoniais de bens, Venosa96 ressalta que: “O casamento não deve possuir conteúdo econômico direto. No matrimônio, sobrelevam-se os efeitos pessoais entre os cônjuges e destes com relação aos filhos. No entanto, a união de corpo e alma do homem e da mulher traz
94 PEREIRA, Caio Mario da Silva, Instituições de direito Civil. V.5, 16ª ed. Rio de Janeiro, Forense, 2006, p.187.
95 MONTEIRO, Washington de Barros, Curso de direito Civil, V.2, 37ª ed. São Paulo, Saraiva, 2004, p.183.
96VENOSA, Silvio Salvo. Direito Civil, 2005, p.352
inexoravelmente reflexos patrimoniais para ambos, (...) Ainda, durante a vida matrimonial há necessidade de o casal fazer frente às necessidades financeiras para o sustento do lar. Cumpre, portanto, que se organizem essas relações patrimoniais entre o casal, as quais se traduzem no regime de bens. Ainda que não se leve em conta um cunho econômico direto no casamento, as relações patrimoniais resultam necessariamente da comunhão de vida.
Desse modo, o regime de bens entre os cônjuges compreende uma das conseqüências jurídicas do casamento.
Diante das definições expostas, entende-se que o regime de bens, é um conjunto de regras que tem por escopo disciplinar as relações patrimoniais entre marido e mulher, em relação aos bens com valoração econômica.
Da mesma forma que Diniz, Rodrigues
97entende que os interesses patrimoniais devem ser regulados por leis específicas, para garantir a união, por esse motivo foi instituído o pacto antenupcial que se realiza antes do casamento.
Conforme Wald
98, o regime matrimonial pode ser mais ou menos complexo, mas necessário.
A doutrina reconhece, pois, que o regime pode ser mais ou menos complexo, mas a sua existência, como quadro peculiar às relações conjugais, impõe-se como uma necessidade imperativa.
É evidente que seria muito difícil, atendendo-se à natureza especial dos vínculos que unem marido e mulher, aplicar-lhes sucessivamente os princípios gerais do direito das obrigações, do enriquecimento sem causa, da gestão dos negócios, do comodato e do mútuo, como se fossem estranhos. A intimidade do lar, o esforço comum realizado para assegurar o bem-estar da família exigem uma regulamentação própria que o casal fixa no momento da celebração do casamento.
97 RODRIGUES, Silvio, Direito Civil.2002, p.173
98 WALD, Arnoldo. O novo direito de família, 16ª ed, São Paulo, Saraiva, 2005, p.137
A adoção de um regime diferente do legal, que é o de comunhão parcial de bens, necessita de um contrato prévio, conhecido por
“pacto antenupcial”, que deve ser feito por escritura pública, e onde é feita a escolha do regime por eles adotado. O pacto antenupcial fica condicionado à ocorrência do casamento, se o mesmo não acontecer o pacto não surtirá nenhum efeito.
Rodrigues
99, assim define o que é pacto antenupcial:
Pacto antenupcial é o contrato solene, realizado antes do casamento, por meio do qual às partes dispõem sobre o regime.
Para regular esse instituto o Código Civil Brasileiro
100prevê em seu art. 1639, quanto ao regime a ser adotado pelos nubentes:
Art. 1639 - É lícito aos nubentes, antes de celebrado o casamento, estipular, quanto aos seus bens, o que lhes aprouver.
§ 1º O regime de bens entre os cônjuges começa a vigorar desde a data do casamento.