Ocorrem muitos efeitos jurídicos no casamento e são também muito complexos. Em geral a união conjugal gera efeitos não só jurídicos como efeitos morais.
Como relata Rizzardo
77sobre a relação matrimonial em sua obra.
[...] Há uma relação de mútua convivência, envolvendo uma unidade intrínseca dos cônjuges, que não podem estar casados concomitantemente com outras pessoas; uma reciprocidade de interesses na organização da vida e na obrigação de atitudes ou condutas individuais; e uma gama de direitos e deveres iguais, que disciplinam inclusive a liberdade pessoal e constituem um disciplinamento da vida em comum.
Afirma Diniz
78que o casamento gera efeitos jurídicos e os distribui em três situações:
76 VENOSA, Silvio Salvo. Direito Civil, 2005, p.48
77 RIZZARDO, Arnaldo. Direito de Família, 2005. p.167
78 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro, 2005,p 127
A primeira proclama que o matrimônio cria a família matrimonial, estabelece o vínculo de afinidade entre cada cônjuge e os parentes do outro e emancipa o consorte de menor idade (CC, art.
5º, parágrafo único, II). A segunda, de ordem pessoal, apresenta o rol dos direitos e deveres dos cônjuges e o dos pais em relação aos filhos. III) A terceira, alusiva aos efeitos econômicos, fixa o dever de sustento da família, a obrigação alimentar e o termo inicial da vigência do regime de bens, pois este começa a vigorar desde a data do casamento e é alterável ( CC, art. 1.639, §§ 1º e 2º).
Estas situações visam proteger a família e resguardar o patrimônio da mesma.
A noção de comunhão entre os cônjuges é a finalidade principal do casamento, se o mesmo for desfeito estas exigências deixam de existir, destituindo assim a finalidade do casamento.
Diante desses conceitos Rizzardo
79coloca - se de acordo com o art. 1.511 do Código Civil, são três campos onde esta comunhão ocorre.
Art. 1.511 - “Pelo casamento, homem e mulher assumem mutuamente a condição de consortes, companheiros e responsáveis pelos encargos da família”.
Nota-se que, diferentemente do Código de 1.916, há uma total equivalência na posição do homem e da mulher, que leva a formar a comunhão, que ambos se tratam, decidem e compartilham igualmente. Definitivamente afastada a posição da mulher como mera colaboradora. Ambos os cônjuges compartilharão da mesma sorte, unem-se nos destinos que passa a ter a vida e assumem mutuamente os compromissos e obrigações que exige a união.
Ensina Venosa
80que a união entre homem e mulher com as transformações ocorridas nos últimos séculos oferece novos contornos, como retrato o art. 226, § 5º da Constituição da República Federativa do Brasil de 1.988.
79 RIZZARDO, Arnaldo. Direito de Família, 2005. p.154
80 VENOSA, Silvio Salvo. Direito Civil, 2005, p.166
Art.226, § 5º-Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher.
Segundo Venosa81 este artigo refere-se não somente ao consórcio decorrente do casamento, mas também da união estável, cuja proteção vem descrita no § 3º, bem como no 4º, o qual se refere à entidade familiar formada por apenas um dos pais.
Decorrente do casamento que opera efeitos morais e patrimoniais leciona Rodrigues82, os quais geram regimes de bens para regular esta sociedade conjugal.
O Código de 1916 admite quatro diferentes regimes de bens, a saber: comunhão universal, comunhão parcial, separação e dotal;
e faculta às partes não apenas a livre escolha entre esses regimes, como também possibilita qualquer ajuste lícito sobre as relações patrimoniais. A adoção de qualquer regime de bens, exceto o da comunhão parcial, que resulta do silêncio das partes, deve ser avençada em pacto antenupcial, que é contrato solene, pois a lei lhe impõe a forma notarial.
Diz Rodrigues
83que foi adotado pelo legislador brasileiro a imutabilidade desses regimes de bens para proteger os interesses da união conjugal.
Ressalta ainda que o novo Código Civil manteve-se fiel, quanto aos sistemas mencionados no Código de 1.916.
O casamento gera uma relação jurídica para os nubentes da qual decorrem direitos e deveres recíprocos.Tais deveres estão relacionados no Código Civil .
Prescreve o Código Civil no art. 1.566;
81 VENOSA, Silvio Salvo. Direito Civil, 2005, p.166
82 RODRIGUES, Silvio, Direito Civil. .2002, p. 130
83 RODRIGUES, Silvio, Direito Civil. .2002, p. 130
83 RODRIGUES, Silvio, Direito Civil. 2002, p.130
Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges:
I – fidelidade recíproca;
II – vida comum, no domicilio conjugal;
III – mútua assistência
IV – sustento, guarda e educação dos filhos;
V – respeito e consideração mútuos.
A seguir Venosa
84discorre sobre cada um dos itens citados pelo Código Civil.
a) Fidelidade recíproca – inciso I, art. 1.566 CC
A fidelidade recíproca é corolário da família monogâmica admitida por nossa sociedade. A norma tem caráter social, estrutural, moral e normativo, como é intuitivo. Contudo, embora atue em todas essas esferas, é também norma jurídica, porque sua transgressão admite punição nas esferas civil e criminal. [...] No campo civil, porém, a transgressão do princípio implica sanções, como a separação dos cônjuges com reflexos patrimoniais. A quebra do dever de fidelidade é o adultério que se consuma com a conjunção carnal com outra pessoa. Atos diversos do ato sexual podem caracterizar injúria grave, bastante para lastrear o pedido de separação.
b) Vida em comum, no domicílio conjugal, Inciso II, art. 1.566 CC.
A vida em comum, no domicílio conjugal, constitui outra decorrência do casamento. Este, entre os seus fins, inclui a satisfação dos sexos e a assistência mútua. Ora, tais finalidades, para se alcançarem, impõem, ordinariamente, a vida sob o mesmo teto.
84 VENOSA, Silvio Salvo. Direito Civil. 2005, p.166
Ressalta Rizzardo
85que tal dever decorre não somente da coabitação, possui um sentido mais amplo.
A vida em comum vai muito mais além de um simples relacionamento sexual – ou débito conjugal; compreende uma convivência de esforços, trabalhos, desejos e realizações. Da mesma forma, não expressa apenas em viverem os cônjuges sob o mesmo teto, ou a simples convivência, e nem o chamado Ijus in corpus de cada cônjuge sobre o do outro, que reflete mais o domínio egoístico das pessoas.
[...] A união de vida abrange os aspectos material e espiritual, isto é, a comunidade de vida sexual, a coabitação, sempre que possível na mesma casa, a participação de esforços e a convivência em todas as circunstâncias, o que não importa que devam os cônjuges residir constantemente no mesmo lar. Em determinadas situações, há necessidade de residência em locais separados, como quando um cônjuge exerce profissão em local distante e impróprio para a moradia da família; ou um dos cônjuges é portador de moléstia contagiosa86.
c) Mútua Assistência – inciso III, art. 1.566 CC.
É a obrigação dos cônjuges prestarem auxílio mútuo em todos os aspectos, morais, espirituais, materiais e econômicos. Envolve cuidados e apoio em todas as situações adversas, e infortúnios.
Amplo é o significado deste dever, abrangendo aspectos morais, espirituais, materiais e econômicos, numa reciprocidade de amparos e assistência que um cônjuge dever depositar no outro.
Corresponde ao conjunto de atitudes, gestos, atenção, desvelo, esforços, colaboração e trabalhos, que fazem da vida em comum uma verdadeira comunidade, em que dois seres vivem e batalham em conjunto, não em benefício da vida individual de cada um, mas em prol de ambos. Compreende o amor, o auxílio, o amparo mútuo – tudo dirigido para o bom entendimento, para a educação dos filhos e a felicidade comum da família.
85 RIZZARDO, Arnaldo. Direito de Família, 3 ed. 2005. p.171
86RIZZARDO, Arnaldo. Direito de Família, 2005. p.173.
Rodrigues
87aborda o mesmo assunto, mas de uma ótica um pouco diversa.
O dever dos cônjuges de se prestarem mútua assistência é o que manifesta de maneira mais vaga. BEVILÁQUA entende que tal dever não se circunscreve apenas aos cuidados pessoais nas enfermidades, mas, compreende o socorro nas desventuras, o apoio na adversidade e o auxílio constante em todas as vicissitudes da vida. Com essa abrangência mais ampla, a infração ao dever de mútua assistência pode ficar sem sanção, pois difícil será demonstrar a existência do dever de consolar um cônjuge e a recusa do outro em fazê-lo.
Todavia, em sentido estrito, como obrigação de assistir o consorte enfermo, é possível concretizar esse dever dos esposos. E se um deles negligencia no tratamento do outro, que se encontra enfermo, manifesta-se a injúria grave e há pressuposto para a separação judicial.
d) Sustento, guarda e educação dos filhos, inciso IV, art.1.566 CC.
Baseia-se este aspecto na necessidade de proteção à prole, não sendo esta, portanto, elemento essencial do matrimônio, mas um elemento finalístico da união conjugal.
Leciona Venosa88 sobre este aspecto.
[...] Embora a existência de prole não seja essencial, trata-se de elemento fundamental da existência conjugal. Incumbe a ambos os pais o sustento material e moral dos filhos. A orientação educacional é fundamental não só no lar; como também na escola, sendo ambas, em última análise, obrigações legais dos pais. O Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n.8.069/90) impõe igualmente aos pais o dever de sustento, guarda e educação da prole. A omissão desse dever terá implicações de caráter civil, como a imposição de prestar alimentos, e de caráter penal, podendo caracterizar crimes de abandono material e intelectual (arts. 244 e 246 do Código Penal).
87 RODRIGUES, Silvio, Direito Civil. 2002, p.131.
88 VENOSA, Silvio Salvo. Direito Civil. 2005, p.166.
Rodrigues
89quanto a este aspecto nos ensina sobre este inciso do art. 1.566 do Código Civil.
[...] O sustento e a educação dos filhos são deveres típicos que incumbem aos pais. A guarda, porém, é mais um direito que uma obrigação.
[...] A negligência a esse dever sujeita o inadimplente à suspensão ou perda do pátrio poder. E o mal pode ser remediado através de ação de alimentos em que o faltoso será condenado ao pagamento de uma pensão alimentícia, na qual incluirá o necessário ao sustento e à educação dos filhos.
A guarda dos filhos menores é uma prerrogativa dos pais. E dela só serão privados por sentença judicial, pois o juiz pode, excepcionalmente e tendo em vista o interesse dos menores, deferir à outrem que não àqueles a guarda dos filhos.
d) Dever de respeito e consideração recíproca, inciso V, art.
1.566, do CC.
Este novo item foi introduzido no atual Código Civil tendo sua natureza mais espiritual e aborda o relacionamento pessoal. De acordo com Rizzardo90 o respeito é norma intrínseca do casamento.
Respeito e consideração compreendem a atitude e a maneira elevada de alguém se dirigir à uma pessoa, com a qual convive ou se relaciona.
O respeito vai desde o cordial tratamento, a postura digna, a educação, a maneira de se portar, as atitudes corporais, a conduta social com as outras pessoas, o asseio, a expressão oral, e chega até a valorização do outro cônjuge em função de suas qualidades, profissão, preferências, gostos, tendências, inclinações, hábitos, costumes etc. A consideração decorre do respeito, exteriorizando-se no apreço, na forma de um cônjuge se dirigir ao outro, na valorização das qualidades, nas expressões
89 RODRIGUES, Silvio, Direito Civil. 2002, p.132.
90 RIZZARDO, Arnaldo. Direito de Família, 2005. p.176.
usadas quando dos relacionamentos e de convivência, na mútua colaboração nos afazeres domésticos, na apreciação das manifestações de expressão oral, não acompanhamento das preferências, na decisão não autoritária, no diálogo, na capacidade de ouvir.
[...] Releva-se desrespeito o cônjuge que freqüenta ambientes impróprios para uma pessoa casada, ou constantemente procura relacionamentos extraconjugais, ou participa de festas e reuniões íntimas com pessoas de sexo diferente, ou se expõe a atitudes ridículas, ou se envolve em algazarras e excessos.
O artigo 1.566 e seus incisos disciplinam os deveres conjugais norteando e dando apoio jurídico. Tais preceitos apóiam a instituição familiar.
De acordo com Venosa
91se desaparecem esses requisitos, é evidente que periclita a união conjugal. Pode a transgressão desses deveres gerar danos indenizáveis ao cônjuge inocente.
O matrimônio deve sempre obedecer aos requisitos formais exigidos por lei, para que a celebração possa ocorrer. Os cônjuges assumem os deveres legais e conjugais.
O regime matrimonial de bens no matrimônio é de grande importância, pois regula todas as relações a respeito do patrimônio adquirido pelos cônjuges. São vários os regimes de bens no matrimônio, o regime da comunhão universal, o regime da comunhão parcial, o regime da participação final nos aqüestos, regime da separação de bens, doações antenupciais.
Cada um dos regimes matrimoniais de bens acima citados será discorrido com profundidade no próximo capítulo.
91 VENOSA, Silvio Salvo. Direito Civil, 2005, p.168
CAPÍTULO 3
REGIMES MATRIMONIAIS DE BENS
3.1 CONCEITUAÇÃO
Os regimes matrimoniais de bens estão relacionados aos compromissos assumidos pelos cônjuges, compromissos esses de ordem patrimonial, os quais repercutem na vida em comum. O estabelecimento desses regimes, embora complexos, torna-se extremamente necessário na sociedade conjugal, mas ao se fazer uma pesquisa sobre os regimes matrimoniais de bens no Código Civil Brasileiro, observa-se que não há uma definição legal para os mesmos regimes.
Alguns doutrinadores os conceituam adequando-os ao Código Civil Brasileiro.
Diniz
92conceitua o regime matrimonial de bens:
É o conjunto de normas aplicáveis às relações e interesses econômicos resultantes do casamento. É constituído, portanto, por normas que regem as relações patrimoniais entre marido e mulher, durante o matrimônio.
O casamento visa, portanto, regular as relações referentes aos bens adquiridos ou aos que vierem a ser adquiridos por ambos durante a vida em comum.
Rodrigues
93comunga dos mesmos princípios que Diniz:
O regime de bens, como acima foi dito (v.n. 59, supra), é o estatuto que regula os interesses patrimoniais dos cônjuges durante o matrimônio.
92 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro, 2005,p 153
93 RODRIGUES, Silvio, Direito Civil. 2002, p.173
Pereira
94dispõe sobre os efeitos jurídicos do casamento alegando que os mesmos se dividem em dois grupos que são os pessoais e os patrimoniais. Para Pereira os efeitos pessoais relacionam-se com os direitos e deveres de ambos, e os efeitos patrimoniais referem-se aos aspectos econômicos.
O Casamento gera efeitos de duas ordens: pessoais e matrimoniais. Os primeiros enfeixam-se primordialmente no que dispõe os arts. 1566 a 1.570. Os efeitos patrimoniais ou econômicos em última análise condizem com o regime de bens adotado.
Quanto ao seu objetivo, do regime de bens pode resultar a comunicação, total ou parcial dos haveres dos cônjuges, ou a sua separação.
Dependo do regime a ser adotado os bens do cônjuges poderão ou não se comunicar.
Monteiro95 corrobora afirmando que: “Regime de bens é o complexo de normas que disciplinam as relações econômicas entre marido e mulher, durante o casamento”.
O Regime de bens a ser adotado no matrimônio tem o cunho de regular às relações, não só economicamente. A união de duas pessoas com o objetivo de constituir uma família traz muitas conseqüências, não visa somente a junção de duas pessoas com a finalidade única de adquirirem bens, mas, visa o bem estar da união conjugal.
Quando refere - se aos regimes matrimoniais de bens, Venosa96 ressalta que: “O casamento não deve possuir conteúdo econômico direto. No matrimônio, sobrelevam-se os efeitos pessoais entre os cônjuges e destes com relação aos filhos. No entanto, a união de corpo e alma do homem e da mulher traz
94 PEREIRA, Caio Mario da Silva, Instituições de direito Civil. V.5, 16ª ed. Rio de Janeiro, Forense, 2006, p.187.
95 MONTEIRO, Washington de Barros, Curso de direito Civil, V.2, 37ª ed. São Paulo, Saraiva, 2004, p.183.
96VENOSA, Silvio Salvo. Direito Civil, 2005, p.352
inexoravelmente reflexos patrimoniais para ambos, (...) Ainda, durante a vida matrimonial há necessidade de o casal fazer frente às necessidades financeiras para o sustento do lar. Cumpre, portanto, que se organizem essas relações patrimoniais entre o casal, as quais se traduzem no regime de bens. Ainda que não se leve em conta um cunho econômico direto no casamento, as relações patrimoniais resultam necessariamente da comunhão de vida.
Desse modo, o regime de bens entre os cônjuges compreende uma das conseqüências jurídicas do casamento.
Diante das definições expostas, entende-se que o regime de bens, é um conjunto de regras que tem por escopo disciplinar as relações patrimoniais entre marido e mulher, em relação aos bens com valoração econômica.
Da mesma forma que Diniz, Rodrigues
97entende que os interesses patrimoniais devem ser regulados por leis específicas, para garantir a união, por esse motivo foi instituído o pacto antenupcial que se realiza antes do casamento.
Conforme Wald
98, o regime matrimonial pode ser mais ou menos complexo, mas necessário.
A doutrina reconhece, pois, que o regime pode ser mais ou menos complexo, mas a sua existência, como quadro peculiar às relações conjugais, impõe-se como uma necessidade imperativa.
É evidente que seria muito difícil, atendendo-se à natureza especial dos vínculos que unem marido e mulher, aplicar-lhes sucessivamente os princípios gerais do direito das obrigações, do enriquecimento sem causa, da gestão dos negócios, do comodato e do mútuo, como se fossem estranhos. A intimidade do lar, o esforço comum realizado para assegurar o bem-estar da família exigem uma regulamentação própria que o casal fixa no momento da celebração do casamento.
97 RODRIGUES, Silvio, Direito Civil.2002, p.173
98 WALD, Arnoldo. O novo direito de família, 16ª ed, São Paulo, Saraiva, 2005, p.137
A adoção de um regime diferente do legal, que é o de comunhão parcial de bens, necessita de um contrato prévio, conhecido por
“pacto antenupcial”, que deve ser feito por escritura pública, e onde é feita a escolha do regime por eles adotado. O pacto antenupcial fica condicionado à ocorrência do casamento, se o mesmo não acontecer o pacto não surtirá nenhum efeito.
Rodrigues
99, assim define o que é pacto antenupcial:
Pacto antenupcial é o contrato solene, realizado antes do casamento, por meio do qual às partes dispõem sobre o regime.
Para regular esse instituto o Código Civil Brasileiro
100prevê em seu art. 1639, quanto ao regime a ser adotado pelos nubentes:
Art. 1639 - É lícito aos nubentes, antes de celebrado o casamento, estipular, quanto aos seus bens, o que lhes aprouver.
§ 1º O regime de bens entre os cônjuges começa a vigorar desde a data do casamento.
Existem quatro tipos de regimes matrimoniais de bens, e é facultado aos nubentes a escolha de um deles para regular as relações econômicas no casamento,
3.2 PRINCÍPIOS QUE REGEM OS REGIMES MATRIMONIAIS DE BENS.
Os princípios que regem o casamento de acordo com Diniz
101são três:
1 – O da variedade de regime de bens, visto que a norma não impõe um só regime matrimonial aos nubentes, pois oferece-lhes
99 RODRIGUES, Silvio, Direito Civil. 2002, p.173
100 ANGER, Anne Joyce, Mini Vademecum de direito, 1ª ed. São Paulo, Rideel, 2004, p. 565
101 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro, 2005, p 154
quatro tipos diferentes: o da comunhão universal; o da comunhão parcial; o da separação; e o da participação final do aqüestos.
Este último substitui o antigo regime dotal, que como ensinava Orlando Gomes, era não-comunitário apenas no que concernia à parte relativa aos bens constitutivos do dote, porém nada impedia que os bens extradotais pertencessem em comum aos consortes;
todavia, era totalmente separatório, se referidos bens pertencessem, com exclusividade, ao consorte que os houvesse adquirido. Daí se infere que, relativamente ao objeto das relações patrimoniais entre cônjuges, prevalece o critério da comunicação ou o da separação dos seus patrimônios.
São vários os regimes de bens existentes possibilitando aos cônjuges adotar o que melhor lhes convier.
2. O da liberdade dos pactos antenupciais, que decorre do primeiro, pois permite - se aos nubentes a livre escolha do regime que lhes convier, para regulamentar os interesses econômicos decorrentes do ato nupcial, já que, como não estão adstritos à adoção de um daqueles tipos, acima mencionando um regime misto ou especial, sendo-lhes lícito, ainda, estipular cláusulas, desde que respeitados os princípios de ordem pública, os fins e a natureza do matrimônio. É o que determina o art. 1.639 do Código Civil Brasileiro. (...) Reza, ainda, o parágrafo único do art. 1.640 do Código Civil Brasileiro que “poderão os nubentes, no processo de habilitação, optar por qualquer dos regimes que este Código regula”. Necessário se torna, porém, que estipulem, mediante pacto antenupcial. (CC, arts. 1.653 a 1.657), o regime de suas preferências.
Os pactos antenupciais são estabelecidos antes do casamento e possibilita aos nubentes a escolha do regime de bens a ser adotado e que regulará as relações patrimoniais após o matrimônio.
3. O da mutabilidade justificada do regime adotado (CC, art.
1.639, § 2º) no curso do casamento e dependente de autorização judicial, em substituição ao da imutabilidade do regime matrimonial (CC de 1.916), pelo qual toda e qualquer modificação do regime matrimonial, após a celebração do ato nupcial, estava proibida, para dar segurança aos consortes e terceiros.
A mutabilidade, de acordo com o Código Civil de 2002 poderá ocorrer na constância o matrimônio, desde que haja autorização judicial.
(...) O Supremo Tribunal Federal (RF, 124:105) passou a entender que o princípio da inalterabilidade do regime matrimonial de bens não era ofendido por pacto antenupcial que estipulasse que, na hipótese de superveniência de filhos, o casamento com separação se convertesse em casamento com comunhão. E, na Súmula 377, admite a comunicação de bem adquirido durante o casamento pelo esforço comum, mesmo que o regime fosse o da separação de bens, evitando enriquecimento indevido, com a dissolução do casamento.
(...) O regime de bens que era inalterável, afora pequenas exceções introduzidas jurisprudencialmente, pode hoje se modificado mediante decisão judicial, a requerimento de ambos os consortes, acatando-se as razões por eles apresentadas no pedido, ressalvados os direitos de terceiros.
Os regimes matrimoniais de bens sofreram algumas modificações com o advento do Código Civil Brasileiro de 2002. Na opinião de Diniz
102existem três princípios diferentes, todos eles tratando da forma como será regulada a sociedade conjugal.
Nesse sentido Pereira
103define em duas as categorias dos regimes matrimoniais de bens.
a) O regime de bens no casamento ora provém da convenção, ora da lei. Diz-se, então, que pode ser “convencional” ou “legal”. As legislações nem sempre tratam o assunto com a liberalidade de nosso direito, pois que algumas não permitem aos nubentes estipulá-lo com liberdade. Ao revés, costuma dispor a lei com exclusividade a propósito de cada um, franqueando às vezes aos interessados optar por um dos regimes legais, sem lhes permitir a estipulação de cláusula de redação própria, e nem ao menos combinar os princípios regulamentares de um ou de outro.
Cumpra, entretanto, destacar na categoria legal, o que impõe aos cônjuges com caráter de obrigatoriedade. É a separação, quando
102 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro, 2005,p 154.
103PEREIRA, Caio Mario da Silva, Instituições de direito Civil. 2006, p.188.