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Conceituando empreendedorismo e empreendedor

2.2 Empreendedorismo

2.2.1 Conceituando empreendedorismo e empreendedor

Quem é um empreendedor? O que é empreendedorismo? O que é uma trajetória empreendedora? Perguntas como estas feitas com frequência e refletem o crescente interesse nacional e internacional nos empreendedores, quem são eles e como causam impacto em uma economia? Apesar de todo esse interesse, ainda não surgiu uma definição concisa e internacionalmente aceita (HISRICH ; PETERS, 2006).

O quadro 7, apresenta o histórico de conceitos que permite iniciar uma compreensão sobre o tema.

Origina-se do francês: significa AQUELE QUE ESTÁ ENTRE ou ESTAR ENTRE (intermediário).

Idade Média: participante e pessoa encarregada de projetos de produção em grande escala.

Século XVII: pessoa que assumia riscos de lucro (ou prejuízo) em um contrato de valor fixo com o governo.

1725: Richard Cantillon – pessoa que assume riscos é diferente da que fornece capital.

1803: Jean Baptiste Say – lucros do empreendedor separados dos lucros de capital.

1876: Francis Walker – distinguiu entre os que forneciam fundos e recebiam juros e aqueles que obtenham lucro com habilidades administrativas.

1934: Joseph Schumpeter – o empreendedor é um inovador e desenvolve tecnologia que ainda não foi testada.

1961: David McClelland – o empreendedor é alguém dinâmico que corre riscos moderados.

1964: Peter Drucker – o empreendedor maximiza oportunidades.

1975: Albert Schapero – o empreendedor toma iniciativa, organiza alguns mecanismos sociais e econômicos, e aceita riscos de fracasso.

1980: Karl vésper – o empreendedor é visto de modo diferente por economistas, psicológicos, negociantes e políticos.

1983: Gifford Pinchot – o intra-empreendedor é um empreendedor que atua dentro de uma organização já estabelecida.

Quadro 7 – Desenvolvimento da teoria do empreendedorismo e do termo empreendedor:

Fonte: Hisrich 1986 (apud HISRICH ; PETERS, 2006, p 28).

Tem-se o entendimento de Hisrich 1985 (apud HISRICH e PETERS, 2006) que definiu o empreendedorismo como um processo de criar algo novo, diferente e com valor, com dedicação de tempo e esforço, assumindo os riscos financeiros, psicológicos e sociais que corresponderem e receber as conseqüentes recompensas da satisfação econômica e pessoal.

Além disso, o empreendedorismo é “atividade com propósito de iniciar, manter e aumentar uma unidade de negócios voltada ao lucro, para a produção ou distribuição de bens e serviços”. (Cole (apud HASHIMOTO, 2006)

Chiavenato (2004, p. 22) descreve que:

A unidade de negócios, objeto do empreendedorismo, é “um esforço organizado por determinadas pessoas para produzir bens e serviços, a fim de vendê-los em um determinado mercado e alcançar recompensa financeira pelo seu esforço.

Assim, o empreendedorismo é um conceito de ação positiva para realizar uma idéia inovadora, de forma a gerar riqueza, na criação de uma empresa ou no desenvolvimento de uma já existente, assumindo riscos e recompensas e possuindo algumas características.

Vale ressaltar que, em quase todas as definições de empreendedorismo, conforme o desenvolvimento da teoria desde 1.725 há um consenso de que se trata

de espécie de comportamento que envolve (1) tomar iniciativa, (2) organizar e reorganizar mecanismos sociais e econômicos para transformar recursos e situações para proveito prático (3) aceitar riscos ou fracassos (HISRICH ; PETERS, 2006). Estes comportamentos remontam o conceito do agente do empreendedorismo, o empreendedor.

Na tentativa de acompanharem as mudanças que estão ocorrendo atualmente impulsionadas pela globalização, pelos avanços tecnológicos e pela revolução das comunicações, empreendedores estão sendo incentivados a criarem seus próprios negócios. O Brasil é um dos países com maior número de empreendedores em todo o mundo. A cada ano, mais empresários decidem abrir seu próprio negócio. Mas, segundo estatísticas, a maioria não chega ao quinto ano de atuação. Atribuem-se os fracassos ao próprio empreendedor, que geralmente não compreende o mercado em que atua e acaba fazendo escolhas erradas (DORNELAS, 2001).

Este movimento que vem ocorrendo está impulsionado tanto pelas necessidades devido ao desemprego tecnológico, provocado pela automação e robotização de processos empresariais, quanto pelas oportunidades que este novo ambiente vem se destacando.

Dolabela (2006, p.25) afirma que, “o empreendedor é o motor da economia, um agente de mudanças”, o autor reforça que o ambiente também interfere no seu desempenho.

O empreendedor é um ser social, produto do meio em que vive (época e lugar). Se uma pessoa vive em um ambiente em que ser empreendedor é visto como algo positivo, terá motivação para criar seu próprio negócio.

(DOLABELA, 2006, p.25)

Assim, toda empresa, seja ela de pequeno, médio ou grande porte, surge da idéia e esforço de alguém que toma a iniciativa e a responsabilidade pessoal pelos riscos inerentes ao novo negócio. Este alguém é denominado de empreendedor. Em uma explicação ampla, Hisrich ; Peters (2006, p.29) expõem que:

Para os economistas, um empreendedor é aquele que combina recursos, trabalho, materiais e outros ativos para tornar seu valor maior do que antes;

também é aquele que introduz mudanças, inovações e uma nova ordem.

Para um psicólogo, tal pessoa é geralmente impulsionada por certas forças.

– a necessidade de obter ou conseguir algo, experimentar, realizar ou talvez escapar à autoridade de outros. Para alguns homens de negócios, um empreendedor pode ser um aliado, uma fonte de suprimento, um cliente ou

alguém que cria riqueza para outros, assim como encontra melhores maneiras de utilizar recursos, reduzir o desperdício e produzir empregos que outros ficarão satisfeitos em conseguir.

Em resumo os empreendedores são os indivíduos que dão início a um novo negócio, mediante a criação de micro, pequena ou média empresa. Além de enfrentarem os desafios inerentes à atividade fim das mesmas. A chave para a capacidade empreendedora é a capacidade de identificar, explorar e capturar o valor das oportunidades de negócio. Em termos práticos, a oportunidade pode ser definida como um conceito negocial que, se transformado em produto ou serviço oferecido por uma empresa e resulta em lucro.

2.2.1.1 Empreendedor x Empresário

Azevedo (1994) argumenta que o empreendedor é aquele indivíduo capaz de desenvolver novos projetos e que assume a responsabilidade de conduzir um negócio, de tal forma que esse empreendimento funcione e alcance sucesso. É o que se dá na criação de empresas, indivíduos processam recursos, trabalho, materiais e outros de forma a obter um produto ou resultado de maior valor que os insumos iniciais.

Neste sentido, para empreender um novo negócio, existem algumas características que irão diferenciar o empreendedor de apenas um empresário.

Enquanto que um empresário será todo aquele que possua uma empresa ou tenha investido capital e recursos para abertura de um negócio, cujo objetivo principal é o retorno financeiro (lucro). O empreendedor, conforme o conceito apresentado é aquele indivíduo que se envolve na criação ou desenvolvimento do negócio, sendo reconhecido por características que serão abordadas.

Destacam-se na figura 3, os principais traços de comportamento do empreendedor:

Figura 3 – Principais traços de comportamento do empreendedor.

Fonte: Maximiano (2006, p. 4).

Segundo Maximiano (2006, p.4):

Há inúmeras vantagens concretas em criar e operar um negócio próprio. O empresário não tem chefe e depende de suas próprias decisões. Pode inovar e experimentar novas idéias em seu negócio, estimulado por sua criatividade ou pela concorrência. Tem perspectivas de ganhos financeiros consideráveis, se alcançar êxito, o que lhe trará o reconhecimento da comunidade. No entanto, há aspectos desfavoráveis que convém considerar, como conviver com a instabilidade das eventuais mudanças no ambiente externo.

Em resumo, o empreendedor é a pessoa responsável por idealizar e realizar coisas novas, que lhe traga vantagens desafiadoras e total liberdade de conduzir seu próprio negócio, e o empresário é o individuo que investe recursos em um negócio com o propósito de obter um retorno esperado.

2.2.1.2 O empreendedorismo no Brasil

No Brasil, o empreendedorismo começou a ganhar força na década de 1990, durante a abertura da economia. A entrada de produtos importados ajudou a controlar os preços, uma condição importante para o país voltar a crescer, mas

trouxe problemas para alguns setores que não conseguiam competir com os importados, como foi o caso dos setores de brinquedos e de confecções, por exemplo. Para ajustar o passo com o resto do mundo, o país precisou mudar.

Empresas de todos os tamanhos e setores tiveram que se modernizar para poder competir e voltar a crescer. O governo deu início a uma série de reformas, controlando a inflação e ajustando a economia, em poucos anos o país ganhou estabilidade, planejamento e respeito. A economia voltou a crescer. Só no ano 2000, surgiu um milhão de novos postos de trabalho. Investidores de outros países voltaram a aplicar seu dinheiro no Brasil e as exportações aumentaram. Ano a ano, as micro e pequenas empresas ganham mais espaço e importância na economia.

Hoje, de cada 100 empresas brasileiras, 95 são micro ou pequenas empresas. Juntas elas empregam cerca de 40 milhões de trabalhadores, mais da metade de toda mão-de-obra do país. Os números são grandes, mas o espaço para crescimento é ainda maior.

Na percepção de Dornelas (2005, p.26):

O movimento do empreendedorismo no Brasil começou a tomar forma na década de 1990, quando entidades como Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e Softex (Sociedades Brasileira para exportação de Software) foram criadas. Antes disso, praticamente não se falava em empreendedorismo e em criação de pequenas empresas.

Neste contexto o Sebrae tem como objetivo oferecer suporte e apoio desde o início do negócio até quando o empreendedor necessitar de algum tipo de consultoria no sentido de buscar melhorias. Também oferecem soluções em educação empreendedora, por meio de treinamentos, atendimentos individualizados e programas para aperfeiçoamento dos processos gerenciais e desenvolvimento de habilidades de liderança e do comportamento empreendedor (ROSA, 2004).

As micros e pequenas empresas são um dos principais pilares de sustentação da economia brasileira, que pela sua enorme capacidade geradora de empregos, quer pelo infindável número de estabelecimentos desconcentrados geograficamente. Elas estão presentes em todas as partes do país, concorrendo com as médias e grandes, disputando a preferência do mercado consumidor pelos seus produtos (CHIAVENATO, 2004).

Para esse autor, evolução da sociedade, dos clientes, fornecedores e público relacionado, põe em cheque, a capacidade dos novos empreendedores manterem

ativas as suas empresas na tênue linha da estabilidade. Por isso, o conhecimento dos conceitos de administração, os instrumentos e técnicas de gestão são de fundamental importância para quem pretende se iniciar no mundo dos negócios.

Estes conceitos e técnicas podem e devem ser aplicados pelas micro e pequenas empresas, principalmente as que estão iniciando suas atividades, proporcionando com isso uma melhor gestão para o crescimento sustentável em um ambiente de alta competitividade .

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