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5 . OS DIREITOS HUMANOS E MEIO AMBIENTE

5.7. CONCLUSÕES

fortalecimento da democracia constituem assunto de legítimo interesse internacional hoje em dia.98 Note-se, ainda, que as práticas democráticas devem prevalecer no plano internacional, inclusive para que as agências financeiras internacionais assumam a responsabilidade de prevenir a recessão econômica, o desemprego, o impacto negativo deles sobre os direitos humanos e as conseqüentes implicações ambientais. Esse aspecto não passou despercebido nos debates da Conferencia Global das Nações Unidas sobre o Direito ao Desenvolvimento como um Direito Humano, de 1990. Três anos depois, a Declaração de Viena conclamou a comunidade internacional “a envidar todos os esforços para ajudar a aliviar a carga da dívida externa dos países subdesenvolvidos” (parágrafo 12). E, mais recentemente, a Reunião da Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Social tratou de temas fundamentais:

erradicação da pobreza, expansão do emprego produtivo e intensificação da integração social (em especial dos grupos mais desfavorecidos).

O fortalecimento dos sistemas de proteção dos direitos humanos e de proteção do meio ambiente deve ser acompanhado pela promoção e proteção não-formal e não-institucionalizada dos direitos humanos e do meio ambiente no seio da sociedade civil. À participação pública e aos processos democráticos está reservada uma função importante no forta- lecimento da própria sociedade civil.99 O objetivo derradeiro é a criação de uma cultura de observância dos direitos humanos e de conservação do meio ambiente.

humanos e de deterioração do meio ambiente, que exigem respostas ou reparação e regulamentação. À abordagem global contemporânea dos direitos humanos e do meio ambiente corresponde uma proteção global ou integral.

Os direitos à informação e à participação democrática são de extrema importância nesse contexto, bem como a idéia elementar da solidariedade.

É decerto com base na solidariedade (mais do que na soberania) que os Estados — individualmente tão vulneráveis — vão conter o armamento nuclear, combater a fome e a pobreza da maioria de sua população, resistir a epidemias, recuperar-se dos desastres naturais e beneficiar-se com a transferência de tecnologia e com as comunicações internacionais.

A proteção do meio ambiente e a proteção dos direitos humanos ocupam a vanguarda do ordenamento internacional contemporâneo e nela com certeza permanecerão pelos próximos anos. Esses dois campos de proteção — ao suplantar as soluções clássicas jurisdicionais e espaciais (territoriais) do direito internacional público — convidam-nos a repensar os próprios fundamentos e princípios desse ramo do direito, assim contribuindo para a sua revitalização. Apenas dessa forma será possível promover sua adaptação a novas realidades e assegurar sua capacidade de enfrentar novos problemas. A proteção da pessoa humana e do meio ambiente demanda um enriquecimento do universo legal conceitual, a começar pela análise aprofundada e pelo desenvolvimento das seguintes noções: interesse comum da humanidade, jus cogens, obrigações erga omnes, satisfação das necessidades básicas humanas, responsabilidades comuns porém diferenciadas, desenvolvi- mento humano sustentável, igualdade intergeracional e direitos das futuras gerações, titularidade (no contexto do direito ao desenvolvimento como um direito humano e naquele dos direitos dos povos) e parceria global eqüitativa.

Mesmo o processo de formação e evolução do corpo normativo de proteção dos direitos humanos e do meio ambiente, marcado pela nova consciência global, beneficia-se hoje da contribuição de uma multiplicidade de novos atores que interagem no plano internacional (grupos, associações, organizações não-governamentais, formadores de opiniões, cientistas). Essa contribuição torna o processo de elaboração de leis, também parcialmente não institucionalizado, ao mesmo tempo mais dinâmico e complexo. O grau de participação intensiva dessa multiplicidade de novos atores, na esfera inter- nacional, fatalmente marcará o estabelecimento de novas bases conceituais

normativas para os regimes de proteção dos valores fundamentais e universais no direito internacional moderno.

Ao menos, é difícil duvidar que os vínculos entre a proteção dos direitos humanos e a proteção do meio ambiente não estejam claramente definidos hoje. Trata-se de dois grandes desafios do nosso tempo e de um interesse legítimo comum a toda a humanidade. De acordo com as decisões tomadas na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992 (CNUMAD, Rio de Janeiro) e na Conferência Mundial sobre Direitos Humanos de 1993 (Viena), espera-se que seja consolidado um sistema de monitoramento permanente acerca do respeito aos direitos humanos e ao meio ambiente (compreendendo também as medidas preventivas), tanto na esfera doméstica quanto internacional, já início deste novo século. O reconhecimento inequívoco, por parte da Conferência do Rio e da Conferência de Viena, quanto à legitimidade do interesse de toda a comunidade internacional com a proteção do meio ambiente e dos direitos humanos — por todos e em todo lugar — constitui um dos maiores legados dessas duas conferências mundiais, o que certamente irá acelerar a construção de uma cultura universal de observância dos direitos humanos e do meio ambiente.

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PARTE II .

No documento Direitos Humanos: novas dimensões e desafios (páginas 194-200)

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