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CONSIDERAÇÕES FINAIS

No documento Profa. Cinthia Pires dos Santos (páginas 126-132)

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7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao dar início a presente pesquisa, tínhamos um desejo de contribuir com um ensino de Língua Portuguesa que reconhecesse as várias possibilidades de uso da língua, nos mais diferentes contextos sociais, uma vez que há décadas, os professores de Língua Portuguesa têm- se dedicado exclusivamente ao ensino da norma-padrão. Esse modelo de ensino idealizado, fragmentado e distante dos alunos tem, sem dúvida, ocasionado-lhes uma desmotivação e uma baixa autoestima linguística, pois os estudantes não se veem ou não se reconhecem nesse processo de ensino e aprendizagem. A partir dessa realidade, pensamos em uma intervenção didático-pedagógica que pudesse se apropriar das contribuições da Sociolinguística Educacional como uma postura em sala de aula e, não somente, para tratar de questões associadas à heterogeneidade da língua como um conteúdo específico a ser trabalhado a partir de um capítulo do livro didático.

Dessa forma, o nosso objetivo geral era proporcionar, em sala de aula, reflexões acerca da heterogeneidade linguística e das diferentes formas que a língua pode ser usada, de modo que o falante se adeque linguisticamente às diversas situações sociocomunicativas em que esteja inserido. Para isso, elaboramos e aplicamos uma proposta didático-pedagógica que teve como princípio a pesquisa em sala de aula e que conduziu os estudantes a desenvolverem uma consciência a respeito da heterogeneidade da língua em uso e da necessidade de adequação linguística a partir do poema-slam. Tal objetivo se mostrou tão desafiador quanto gratificante.

Apresentamos como produto final, um Caderno de Atividades direcionado aos estudantes das séries finais do Ensino Fundamental e com orientações e sugestões ao professor da Educação Básica.

A escolha pelo trabalho com o poema-slam aconteceu porque esse gênero textual/discursivo favorece uma discussão oportuna diante da língua: de um lado, a presença da variação linguística e a possibilidade de discussões a respeito da adequação da língua a situações comunicativas diversas; de outro, a oportunidade de dar voz a uma comunidade, por vezes silenciada pela classe dominante. Entendemos, dessa maneira, que a língua é uma ferramenta de poder e de identidade e, por isso, deve estar presente nas aulas de LP de modo a contribuir para a formação de leitores/escritores conscientes e determinados a lutarem por uma transformação social.

Tratando-se dos objetivos específicos, tínhamos como propósito promover os letramentos científico e crítico dos alunos a partir de uma pesquisa (socio)linguística em sala de aula, tendo como objeto de estudo a língua materializada no gênero textual/ discursivo

poema-slam e, dessa forma, despertar a criticidade e a reflexão acerca de temáticas sociais, como o racismo, desigualdade, drogas, violência, intolerância, discriminação entre outros.

Ademais, a fim de contribuir para o desenvolvimento da consciência e da adequação linguísticas a partir de contextos reais de uso da língua, promovemos o protagonismo juvenil a partir da produção textual dos poemas slams e de sua oralização.

Acreditamos que os nossos objetivos (geral e específicos) foram alcançados de forma exitosa. Tivemos uma participação positiva em todas as oficinas e isso se estendeu também para o dia da culminância desta pesquisa – momento em que dez alunos declamaram seus poemas slams no pátio da escola. O empenho, o envolvimento e a capacidade dos alunos foram perceptíveis e, além disso, puderam mostrar à comunidade escolar as diversas possibilidades de uso da língua, ora representada por variedade cultas, ora por variedades populares, a depender dos contextos sociocomunicativos.

Durante a elaboração e a aplicação da proposta didática, verificamos que as nossas questões de pesquisa iam sendo construídas a cada oficina. Certamente os alunos finalizaram essa pesquisa tendo a compreensão de que a língua varia e está em contínuo processo de transformação, já que ela é um fenômeno vivo e acompanha a situação discursiva e a intenção do falante. Essas constatações foram feitas por meio das contribuições da Sociolinguística Educacional (Cf. BORTONI-RICARDO, 2004; 2005; BAGNO, 2013) e da Pedagogia da Variação linguística (Cf. FARACO, 2008; FARACO e ZILLES, 2015).

Projetamos uma proposta didática inovadora, em que os alunos tiveram contato com variedades cultas e populares da língua por meio de reportagens, notícias, poemas, vídeos de poemas slams, podcasts relacionados ao poema-slam, artigo de opinião, músicas etc. Dessa forma, a aprendizagem foi construída diante de um protagonismo, ou seja, os nossos alunos tornaram-se construtores de seus próprios conhecimentos por meio da pesquisa em sala de aula e dessa forma, os letramentos crítico e científico foram colocados em prática.

Vale ressaltar que a nossa pesquisa está apoiada nas propostas da BNCC (BRASIL, 2018), especialmente no que tange às competências e habilidades que abrangem o ensino de LP, por isso fizemos uma revisão documental desse documento normativo, já que ele serve como referência para a educação básica de todo o Brasil. Os destaques dessa revisão documental foram para a Área de Linguagem, dentro do componente de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental – Séries Finais; o Eixo de Análise Linguística/Semiótica, por se tratar de um eixo transversal aos demais eixos (Oralidade, Leitura e Produção Textual), com atenção para questões que envolviam a temática da Variação Linguística; e o Campo de Práticas de estudo e pesquisa.

Quanto à metodologia, utilizamos a pesquisa-ação (Cf. THIOLLENT, 1996), porque é a metodologia de pesquisa orientada pelo PROFLETRAS, com vistas a uma proposta didática de intervenção. Na pesquisa-ação, tivemos uma interação e um envolvimento entre pesquisador e participantes de maneira a estreitar as lacunas entre teoria e prática e, assim, promover ações transformadoras a partir de conhecimentos adquiridos. Nessa direção, a nossa proposta de intervenção aconteceu por meio de oficinas, criadas e pensadas a partir do tripé sentir, pensar e agir, propostas por Arriada e Vale (2012).

Enfim, como produto final, apresentamos um Caderno de Atividades com as oito oficinas elaboradas e aplicadas nesta pesquisa. Esse material está direcionado aos alunos das Séries Finais do Ensino Fundamental e com orientações e sugestões para o professor, com vistas à promoção de um ensino de língua materna sintonizado à BNCC (BRASIL, 2018), especialmente no que refere a um ensino de língua que favoreça a consciência e adequação linguísticas dos estudantes da Educação Básica. Esperamos, dessa forma, motivar outros professores de Língua Portuguesa e convidá-los a refletirem um ensino a partir de atividades didático-pedagógicas voltadas para a realidade dos estudantes e que contribua para a formação de cidadãos capazes de agir de forma crítica, reflexiva e verdadeiramente atuantes em suas práticas sociais de linguagem.

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