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Essa abordagem é confirmada em nosso corpus uma vez que, de um total de 1.628 ocorrências, 163 são da Construção Superlativa Prefixal Livre (CSPL), ou seja, 11% do total.
O Quadro 5 abaixo propõe a formalização da CSPL:
{Construção Superlativa Prefixal Livre
[signo 1Escopo]F1 [signo 2Modificador de Grau
]F2}M
Nome Construção Superlativa Prefixal Livre
M Sintagma X com valência combinada de F1 e F2.
F1 Escopo: não lexicalizado
F2 Modificador de Grau: morfema de grau (prefixo) Interpreta
ção
A Modificação de Grau promovida por F2 estabelece um valor escalar para F1 de modo a evocar o frame de Posição_máxima_ em_uma_escala.
Quadro 5: Constructo 5 – descrição informal da Construção Superlativa Prefixal Livre A configuração do Constructo 5 é uma descrição da Construção Superlativa Prefixal Livre (CSPL) em que, conforme observamos (cf. Quadro 5), a Construção-Mãe é um sintagma estruturado internamente pelas duas Filhas (F1 e F2): o Escopo (F1), não lexicalizado e o Modificador de Grau (que é o Elemento Evocador da Construção) com sua valência F2. A primeira Filha (F1) é uma instanciação nula, já que o slot não é preenchido, já a segunda Filha (F2) é um prefixo (super-, hiper-, ultra-, mega-, mini-, micro-, maxi-). As valências de F1 e F2 são combinadas para formar a valência da Construção-Mãe. A função de F2 é estabelecer um valor escalar para F1 de modo a evocar o frame Posição_máxima_em_uma_escala.
São exemplos do tipo:
(12) Mano! - Raios, delicioso chocolate coberto de passas. - Maldição. Devia ter comprado o {[megaModificador de Grau/Prefixo
]F2 [Instanciação NulaEscopo]F1}CSPL
(13) Sejam bem-vindas! Neste blog, você encontrará dicas de maquiagem, moda, unhas, ou seja, tudo que poderá ajudar você MULHER, a se tornar {[ULTRAModificador de Grau/Prefixo
]F2
[Instanciação NulaEscopo]F1}CSPL!
(14)Acho lindo o movimento que faz quando ao caminhar os babados se movem, e claro, o {[microModificador de Grau/Prefixo
]F2 [Instanciação NulaEscopo]F1}CSPL! Ah, uma boa joia e um bom perfume fecham o look!
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Construcionais (EC) – um EC Escopo ou núcleo graduável e um EC Modificador de Grau, que são os prefixos;
(ii) A categoria sintática do EC Escopo determina os subpadrões da Construção: a Construção Superlativa Prefixal Nominal (EC Escopo: substantivo e adjetivo); a Construção Superlativa Prefixal Verbal (EC Escopo: verbo) e a Construção Superlativa Prefixal Livre (EC Escopo: Instanciação Nula).
Em termos teóricos, a relevância do trabalho encontra-se na tentativa de sustentar, empiricamente, articulações entre a Morfologia Derivacional e a Gramática das Construções Cognitiva (GOLDBERG, 1995, 2006).
Referências
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MARTINS, C.; COSENZA, H. | I LINCOG (2015) 38-46
ESQUEMAS IMAGÉTICOS, METÁFORAS CONCEPTUAIS E METONÍMIAS CONCEPTUAIS NA PRODUÇÃO DE NARRATIVAS ORAIS DE CRIANÇAS EM
PERÍODO ESCOLAR: UMA BREVE ANÁLISE
Camila MARTINS (UFMG1) Henrique COSENZA (UFMG2) Resumo: De acordo com a Linguística Cognitiva (LC) a capacidade de linguagem não é um módulo especial das capacidades humanas, mas sim um continuum de todas as habilidades do ser humano.
Portanto, a LC não pressupõe que há uma dicotomia entre mente e corpo, a sua proposta é que a percepção sensório-motor é a base que estrutura o que se chama de pensamento e, portanto, o que se chama de linguagem. Para apoiar esta posição teóricos propuseram várias habilidades cognitivas conceituais que estruturam tanto a linguagem quanto o pensamento. Neste artigo vamos discutir a manifestação de três destas habilidades conceptuais: Esquemas Imagéticos, Metáforas Conceptuais e Metonímias Conceptuais. Para isso, foram analisados 38 narrativas orais de 19 alunos com idades entre 9 e13 anos de idade, estes eram estudantes de uma escola pública de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Este estudo tem como objetivo identificar expressões linguísticas que são ancorados por estruturas conceituais. Em vista disso, primeiro fez-se uma breve revisão da teoria que suporta os conceitos adotados neste trabalho, então explicitou-se a metodologia utilizada para identificar as expressões linguísticas. Seguindo apresentou-se a análise e discussão dos dados que encontrados no corpus. Finalmente, apresentou-se algumas considerações acerca dos fenômenos encontrados e alguns aspectos a serem investigados.
Palavras-chave: Linguística Cognitiva. Esquemas Imagéticos. Metáforas Conceptuais. Metonímias Conceptuais. Narrativas.
Abstract: According to Cognitive Linguistics (CL) the language ability is not a special module of the human capacities, it is posited that it is part of a continuum of all the abilities of human kind.
Therefore, CL does not presuppose that there is a dichotomy between mind and body, its proposal is that the sensory-motor perception is the basis of what structures what is called thinking and, therefore, what is called language. To support this position theorists have proposed several conceptual cognitive abilities which structure both our language and thinking. In this article it is going to be discussed the manifestation of three of these conceptual abilities: Image-Schemas, Conceptual Metaphors and Conceptual Metonymies. In order to do that, it was analyzed 38 oral narratives from 19 students aged from 9 to 13 years old, these were students of a public school in Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil.
This study aims to identify linguistic expressions which are anchored by conceptual structures. To do so it was first made a brief review of the theory which support the concepts used in this study, then it was explained the methodology used to identify the linguistic expressions. Following, it was presented the analysis and the discussion of the data founded in the corpus. Finally it was presented some consideration of important founded aspects and some aspects to be further investigated.
Keywords: Cognitive Linguistics. Imagery spaces. Conceptual metaphors. Conceptual metonymy.
Narratives.
1. Introdução
Para se produzir ou interpretar expressões linguísticas, de acordo com a linguística cognitiva, corrente teórica em que se enquadra esse estudo, demanda-se a utilização de habilidades psicológicas gerais como, por exemplo, memória, atenção e percepção; bem como a realização de processos do tipo categorização, abstração, mapeamento, projeção e integração conceitual. Todo esse processamento, entretanto, ocorre de uma forma rotineira e,
1 Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil, [email protected].
2Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil, [email protected] .
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principalmente, inconsciente. Além disso, para essa corrente teórica, o significado que se dá e a interpretação que se faz das coisas dependem do modo como o mundo é apreendido e experienciado por cada um de nós. Nossa utilização da linguagem, então, envolve uma série de operações mentais subjacentes, que se baseiam primordialmente em nossas experiências corpóreas e sensório-motor; e as expressões linguísticas são a parte visível da comunicação a partir da qual se torna possível analisar tais operações mentais subjacentes. (TENUTA, 2010).
A Linguística Cognitiva é um campo amplo e variado. Seus domínios perpassam, por exemplo, a Teoria dos Espaços Mentais (FAUCONNIER, 1994; e outros); a Teoria da Metáfora Conceptual de (LAKOFF e JOHNSON, 1980; KÖVECSES 2010, entre outros);
entre vários outros. (AZEVEDO, 2006). Identificar todos esses elementos seria, portanto, uma tarefa infindável. Por isso, os aspectos a serem investigados têm de ser delimitados. Nesse estudo, por exemplo, o que delimita os domínios a serem investigados deriva de nossa curiosidade acerca da produção de metáforas e afins em narrativas de crianças. Por este motivo, embora se compreenda que os domínios da Linguística Cognitiva sejam bem mais amplos e diversificados, pretende-se nesse estudo analisar fenômenos que de alguma forma – seja por motivá-la ou a ela se subjazer – se relacionam à metáfora. E tais fenômenos manifestaram-se em nosso corpus como Esquemas Imagéticos, Metáfora Conceitual e Metonímias.
A organização do presente estudo, então, se deu a partir do intuito de melhor organizar a forma de tratamento de tais aspectos em no corpus investigado. Para tal, primeiramente faremos uma discussão acerca dos fenômenos supracitados, entretanto, antes de chegarmos às vias de fato, discutiremos um pouco a respeito das peculiaridades do corpus que tínhamos. O corpus em análise constitui-se de narrativas orais de crianças de faixa etária entre 9 (nove) e 13 (treze) anos, no total foram coletadas narrativas de 19 indivíduos (alunos do Centro Pedagógico – CP, da UFMG) e cada um desses indivíduos produziu um total de 2 (duas) narrativas. Ao todo, então, o corpus constitui-se de 38 (trinta e oito) narrativas. É importante que se tenha em mente, entretanto, que na perspectiva dessa pesquisa, os estudos da narrativa são, conforme Azevedo (2006), reveladores aspectos que são recorrentes da história humana, ou seja, que são mais que um recurso literário. A narrativa, nesse estudo, é vista como uma capacidade cognitiva básica.
Tendo em vista as peculiaridades do corpus analisado, decidiu-se analisar o trabalho de Siqueira (2004) que dedicou-se ao estudo da produção infantil, ao se fazer tal análise descobriu-se, por exemplo, que ao contrário do que se pensávamos – respaldados por Piaget (1973) – a produção infantil pode sim ser um campo fértil para o estudo de fenômenos mais criativos tais como: metáforas, metonímias, entre outros. Pois tais conceitos, são, como pontuam Lakoff e Johnson (1980), fenômenos conceptuais e não puro adorno linguístico. A falácia em que nos encontrávamos, então, será desfeita no primeiro tópico da revisão teórica.
Partiu-se, então, para conceitualização dos elementos que subjazeram as construções linguísticas que se manifestaram em nosso corpus. Trataram-se, então, pelo viés da Linguística Cognitiva, os fenômenos: Esquemas Imagéticos, Metáfora Conceptual e Metonímia.
Em seguida, a metodologia utilizada para análise do corpus será analisada. Essa, por sua vez, foi realizada de forma muito simples e objetiva; pois consistiu-se de um tratamento manual dos dados a fim se encontrar, como dito anteriormente, elementos do domínio cognitivo que se relacionam as metáforas. Os dados foram observados e analisados por três pesquisadores iniciados no estudo da cognição, e têm, portanto, confiabilidade.
A partir daí partiu-se para análise propriamente dita e para uma breve discussão dos dados. Isso foi feito, tendo por base teórica os elementos discutidos no item “Revisão Teórica”
do presente artigo.
Por fim, nas considerações finais serão relatadas algumas das descobertas desse estudo
MARTINS, C.; COSENZA, H. | I LINCOG (2015) 38-46
bem como serão pensadas algumas possibilidades de estudos futuros. Tais estudos seriam importantes porque a partir deles poder-se-ia levantar evidências que comprovem que todos os fenômenos aqui encontrados fazem parte do nosso sistema conceptual e estão fortemente enraizados em narrativas em geral, e não em narrativa que, como a desse corpus, tiveram algum estímulo visual e/ou que foram produzidas por crianças.