De imediato, vislumbrei que a minha condição de licenciado em Matemá- tica, permitiria, como de fato veio a se concretizar, uma aproximação fecunda com os docentes e os discentes desse curso, dentro de uma perspectiva inicial de aprendizagem, compatibilizando uma possível e voluntária atuação docente com meus outros afazeres.
Já em 2013, começo a participar na elaboração de um projeto de Extensão que tinha como objetivo proporcionar o ensino de Matemática através da pro- posta metodológica Resolução de Problemas. Nesse projeto, sob a coordenação do professor Geraldo Lacerda e junto com a professora Edivaneide Gonzaga e o licenciando Gabriel Silva nos dispusemos a compartilhar conhecimentos de geometria plana a partir de quebra-cabeças feitos com palitos de fósforo.
Esse projeto, nomeado “Quebra-ca- beças com palitos de fósforo: um jeito lú- dico de ensinar geometria plana no Ensino Fundamental”, foi executado durante o ano de 2014, em uma parceria entre o IFPB Campus Cajazeiras e a Escola de Ensino Fundamental Jovelina Gomes, na cidade de Uiraúna (PB), tendo por público-alvo alunos do 6º ano, da Turma B, com um uni- verso de 16 alunos.
A professora regente da turma, Lu- ceni Morais, carinhosamente conhecida como Lila, encantou-se com a proposta e participou de forma ativa na aplicação das atividades em todos os encontros que com- puseram o projeto.
A finalização do projeto se deu com a apresentação de atividades, por parte dos alunos, durante evento realizado no Campus Cajazeiras. Tais atividades foram propostas com base nos momentos de sala de aula, um embrião da proposição de pro- blemas como meio para aprendizagem da Matemática.
No apagar das luzes desse mesmo ano, 2014, o aluno Gabriel Silva e eu, viven-
Figura 114 – Visita à Escola-Campo, para desenvolvimento da ação de Extensão. Da esquerda para a direita: Marcos Petrucci, Gabriel Silva, Geraldo Herbetet, Edivaneide Gon- zaga e Lucení Morais (2014)
Fonte: Acervo do autor.
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ciamos a oportunidade de socializarmos essa exitosa experiência no V Fórum Nacional de Licenciaturas em Matemática, que aconteceu nos dias 12 e 13 de de- zembro, na cidade de Londrina (PR), nas dependências do Campus da Universi- dade Estadual de Londrina (UEL).
À medida que a interação no Laboratório de Matemática se faz mais fre- quente, alguma inquietações surgem e, em função destas e da motivação dos docentes, começo a cursar o Mestrado Profissional em Ensino de Ciências e Ma- temática, com foco em Educação Matemática, no Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Educação Matemática (PPGECEM), da Universidade Es- tadual da Paraíba (UEPB), com atividades nos Campi de Campina Grande e Mon- teiro. Esse processo foi concluído no primeiro semestre de 2018.
Cumpre destacar a ampliação de horizontes que o mestrado me proporcio- nou ao possibilitar contato com um amplo leque de ricas temáticas e fartas dis- cussões nas aulas e nos momentos de socialização nas áreas de convivência onde brindávamos, uns aos outros, com as possibilidades das pesquisas de cada um.
Outro aspecto importante foi lidar com as críticas, às vezes não tão brandas, mas que nos trazem à realidade do estado inacabado – mas sempre aberto a contri- buições – em que se encontra o nosso trabalho, a nosso estado de pesquisador.
Outra contribuição relevante foi a oportunidade de participar de espaços de discussão e reflexão acerca da formação de professores e do ensino de Matemá- tica. Um destes espaços é o Grupo Caja- zeirense de Matemática, ambientado no IFPB Campus Cajazeiras.
Enquanto estou a cursar o mestrado, sou convidado por alguns professores (Ma- ria José Alves da Silva, Geraldo Herbetet de Lacerda e Kissia Carvalho), para comparti- lhar orientações de Trabalhos de Conclu- são de Curso (TCC), ocasião em que pude ter contato com as muitas ideias dos estu- dantes e com as quais busquei contribuir para organizá-las, fomentar tantas outras, sempre concebendo a ideia de que fazer pesquisa é construir conhecimento.
Entre as orientações que realizei, des- taco dois trabalhos: um deles é o estudo “A Escola e as pessoas com necessidades educa- tivas especiais: mapeando realidades acerca da inclusão de pessoas com deficiência”, no qual os autores realizaram um exaustivo le-
Figura 115 – Defesa de TCC dos Concluintes Fátima No- gueira e Gabriel Silva. Da esquerda para a direita: Geraldo Herbetet, Marcos Petrucci, Gabriel Silva, Fátima Nogueira, Kissia Carvalho e Maria das Neves (2017)
Fonte: Acervo do autor.
zeiras (PB), relativo às condições das escolas da rede municipal de ensino.
O outro trabalho é de autoria do dis- cente Ronniery Silva. O autor desenvolveu sua pesquisa fazendo uso da Metodologia de Ensino-Aprendizagem-Avaliação de Ma- temática através da Resolução de Proble- mas, com o intuito de construir uma pro- posta para o ensino de trigonometria com o uso dessa prática.
Ainda em 2017, coordeno um Proje- to de Extensão que concretizou a parceria entre UEPB, IFPB e a Secretaria Municipal de Educação de Cajazeiras (PB). onde atuei como Pesquisador/Formador dos profes- sores de Matemática que atuam na Rede Municipal de Educação de Cajazeiras. Essa ação nos oportunizou vivenciar a pesqui- sa colaborativa, até então um arcabouço teórico em minha mente, associada a um grupo de estudos colaborativos compos- to por mim e pelos dezessete professores participantes, buscando refletir acerca do cotidiano escolar, apoiados na Metodolo- gia de Ensino de Matemática Através da Resolução de Problemas. Neste cenário, de acordo com a aceitação dos participan- tes, trazíamos discussões e propostas para estimulá-los a desbravar o mundo novo no papel de professor-pesquisador.
Em 2018, um desafio foi a integração do X ENCONTRO PARAIBANO DE EDUCAÇÃO MATEMÁTICA e o V ENCONTRO CAJAZEI- RENSE DE MATEMÁTICA, realizados simul- taneamente, no período que compreendia os dias 12 a 14 de setembro. Por meio dessa combinação de eventos, pudemos expandir os horizontes para os pesquisadores da Ma- temática Pura e Aplicada e para os da Edu- cação Matemática.
Figura 116 – Defesa de TCC do Concluinte Ronniery Silva. Da esquerda para a direita: Marcos Petrucci, Kissia Carvalho, Ronniery Silva, Ramon Formiga e Aureliano Vida (2019) Fonte: Acervo do autor.
Figura 117 – Abertura do X EPBEM e do V ECMAT. Da es- querda para a direita: Marcos Petrucci, Rogéria Gaudên- cio, Lourdes Onuchic, Roger Huanca, Lucrécia Petrucci e Samya Lima (2018)
Fonte: Acervo do autor.
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Após a conclusão do mestrado, con- tinuando firme nas atividades acadêmicas, 2019 se mostrou um ano profícuo, em que pude participar de diversas ações e eventos intimamente ligados à Matemática e à Edu- cação Matemática, em âmbitos nacional e internacional.
Ademais, em parceria com o Dr. Rodi- ney Santos, coordenei uma pesquisa intitu- lada “A Educação Matemática e a constru- ção da cidadania: o que desvela a produção acadêmica dos licenciandos do IFPB Cam- pus Cajazeiras”, a qual se estendeu pelo período de 13 de abril de 2019 a 31 de de- zembro de 2019. Nesse estudo, mapeamos, em um primeiro momento, os TCCs dos úl- timos cinco anos, com a intenção de traçar um perfil da produção acadêmica com foco na contribuição do ensino de Matemática como agente ativo na construção do cida- dão, agente de mudanças na sociedade onde está inserido.
Nesse mesmo ano, participei de dois eventos importantes para a minha área de estudo e de pesquisa. O primeiro, em maio, a XV Conferência Interamericana de Educa- ção Matemática (XV CIAEM), em Medellín (CO), em companhia do Prof. Dr. Rodiney Santos e da aluna Ana Trigueiro. Nessa Conferência apresentei dois trabalhos que foram frutos do entrelaçamento do projeto de Extensão realizado em 2017 e das orien- tações de pesquisa recebidas do Dr. Roger Huanca. Nessa ocasião, apresentei os textos
“O trabalho colaborativo na formação continuada de professores de Matemáti- ca: uma aproximação entre Universidade e Escola Básica” e “Resolução de Pro- blemas e Modelização Matemática na Sala de Aula”.
Foi mais um momento de universalizar as nossas expectativas e voltar cheio de ideias, bem como experienciar o contato com outra cultura, outro povo, outro meio acadêmico, vivências que enriquecem a formação profissional e crescimento pessoal.
Figura 118 – Participação na XV Conferência Interamerica- na de Educação Matemática, Medellín (CO). Da esquerda para a direita, estão Rodiney Santos, Ana Trigueiro e Mar- cos Petrucci (2019)
Fonte: Acervo do autor.
Matemática (XIII ENEM), com o relato de experiência intitulado “A formação do professor de matemática: relato de uma parceria entre a Universidade e a Escola Básica vivenciada na cidade de Cajazeiras/PB”, fruto da aplicação de uma aula construída coletivamente em nosso grupo de estudos.
Para fechar o ano de forma exitosa e motivadora, tenho a oportunidade de ministrar uma disciplina no curso de Pós-Graduação Lato Sensu ofertado pelo IFPB, a Especialização em Matemática – Cajazeiras. Conduzir a disciplina Ava- liação e Indicadores Educacionais, com carga horária de 30 horas-aula, em um ambiente de resolução de problemas, construindo os saberes e proporcionan- do reflexão, oportunizou ouvir, refletir e rever minha caminhada em busca da construção do conhecimento. Devo destacar que contei com o apoio incondi- cional dos docentes do curso, em especial do professor Valdeci Teófilo Moreno, titular da disciplina no período anterior.
Desde março de 2020, vivenciamos um cenário caótico, em função da pan- demia da COVID-19, que tem se abatido sobre a humanidade, exigindo de nós re- siliência e capacidade de nos reinventarmos. Em nosso país, algumas decisões, ou a falta delas, agravaram e fizeram o cenário se arrastar até este momento em que finalizo estes escritos. Nestas circunstâncias, em que as atividades estão se desenvolvendo de forma não presencial, tive oportunidade de contribuir com a organização do VII ECMAT, ano passado, todo de forma virtual, bem como na preparação do VIII ECMAT, em andamento.
Destarte, a aproximação com o cenário da Licenciatura em Matemática do IFPB Campus Cajazeiras tem se mostrado contínua e profícua, criando um ci- clo virtuoso que associa aprendizagem e contribuição numa espiral crescente e processual. A filosofia observada, desde a coordenação até os docentes, é cen- trada na busca por um contínuo processo de saber mais para melhor contribuir, contemplando os aspectos cognitivos e atitudinais em uma formação que busca contemplar compreensão de conceitos, fluência nos procedimentos, competên- cias em estratégias, adequação de raciocínio e atitudes positivas frente ao ensi- no e à aprendizagem de Matemática.
Essa filosofia impacta, sobremaneira, no egresso que a Licenciatura entre- ga às salas de aula de Matemática. Um profissional cônscio da necessidade da aprendizagem ao longo da vida, construindo práticas que promovam atividade e protagonismo do aluno em sua aprendizagem, por meio de uma ação voltada para a melhoria nas condições existentes e, esperamos, nos resultados obtidos.