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pítulo junto aos nobres Mestres Profes- sores Francisco Aureliano Vidal, Adriana Mary de Carvalho Azevedo, Kissia Carva- lho e Geraldo Herbetet de Lacerda, e ao aluno Carlos Lisboa Duarte; e Capítulo 8 – “Contribuições do Software Cabri-Gé- ométre na Formação de Professores para o Ensino de Geometria Plana”, constante do livro intitulado Educação no Século XXI. Para essa produção, também tive a honra de participar conjuntamente com a Professora Kissia Carvalho e o monitor Igor de Souza Pereira.
São muitas pessoas e de diver- sos setores pelas quais tenho profundo apreço – todas envolvidas na resolução de problemas e desenvolvimento de no- vas perspectivas dos objetivos almejados, sendo, esses profissionais, portanto, pe- ças fundamentais para o bom funciona- mento da Instituição. Só tenho a agradecer a José de Arimatéia Tavares e a todos de seu setor da Coordenação de Controle Acadêmico, à Diretoria de Desenvolvi- mento do Ensino, na pessoa do professor Gastão Coelho de Aquino Filho; a Fran- cisco Augusto Vieira Filho, da Unidade Acadêmica de Formação Geral e Processos Especiais; a todas as professoras, em nome de Kissia Carvalho e a todos os profes- sores, em nome de Geraldo Herbetet de Lacerda pela colaboração; finalmente, à Diretora Geral do Campus, Profa. Lucrécia Petrucci.
Essa jornada representou um aprendizado significativo tanto no âmbito educacional quanto na perspectiva humana, pois é nítido e grandiosamente ho- nesto o companheirismo conjunto de todos os que fazem parte da Coordenação (ou da Área) de Matemática. Ter feito parte dessa equipe foi muito mais do que se pode retratar nas palavras que aqui deixo impressas, pois a união e colaboração conjunta dos professores só engrandeceram o meu profissionalismo bem como me despertaram para novos olhares educacionais desses novos tempos.
Licenciatura em Matemática.
No decorrer desse período, participei de eventos que me ajudaram a cres- cer, tanto de forma profissional como pessoal. Essa experiência também me fez amadurecer para enfrentar os obstáculos que, aqui, acolá, se fazem presentes.
Não posso deixar de relatar uma situação que ocorreu em sala de aula com um aluno do subsequente. Esse aluno não me aceitava como professora por dois motivos: um, pelo fato de ser mulher, e, o outro, por ser negra. Segundo ele, mulher é para estar em casa lavando, cuidando dos filhos e marido. Isso me fez pensar: Como, em pleno século XXI, ainda há pessoas que pensam dessa forma, com essa mentalidade que a mulher deve estar apenas em casa? Ele ainda não entendeu que a mulher pode estar onde ela quiser?
Relatei essa situação à Coordenadora do Curso de Matemática e ao Coor- denador do curso de Eletromecânica, no qual o aluno estava matriculado; eu fiz tal relato aos coordenadores porque acreditava que situações desse tipo não poderiam passar despercebidas nem ser ignoradas pela administração da Ins- tituição; ao mesmo tempo, pensei em me prevenir de algo que pudesse ferir minha integridade física moral, psicológica ou emocional. Ainda considerei a possibilidade de, também, assim como esse estudante, haver mais pessoas que pensam dessa forma, rejeitando fatos reais, como o de uma mulher negra mi- nistrar aulas de Matemática. No decorrer do semestre, ele desistiu do Curso, com a justificativa de que iria buscar algo com que se identificasse.
Passando o tempo fui conhecendo os alunos do Curso de Matemática e me familiarizando com todos. Comecei a incentivá-los para produzirem artigos e participarem de eventos. Em dezembro de 2019, junto com a Coordenadora do Curso, professora Kíssia Carvalho, acompanhei nove alunos ao II Congresso Re- gional de Ensino de Matemática em Mossoró-RN (II COREM), no qual oito alu- nos apresentaram trabalhos e um ministrou um minicurso: “Dobraduras com as cônicas: Uma alternativa para o ensino Médio”, o qual tive a honra de orien- tar. Nesse evento, conhecemos o professor João Bosco Pitombeira de Carvalho.
A Profa. Kíssia Carvalho logo o convidou a participar do Encontro Cajazeirense de Matemática (ECMAT). Voltando dessa viagem, já tínhamos outra atividade no Campus: uma Mesa Redonda intitulada “Matemática e Ciências Exatas: Uma questão de Gênero?” Essa mesa foi organizada por Kíssia Carvalho. Segundo ela:
“A mesa tem como objetivo juntar o IFPB a uma tendência mundial que é discus- são sobre mulheres na Matemática, Ciências Exatas e tecnologia”.
O evento aconteceu em dezembro, no Auditório do Campus Cajazeiras.
Cada membro da banca teve vinte minutos para fazer sua exposição. Contamos com a presença em massa do Curso de Matemática. Essa noite, para mim, foi um momento ímpar, pois, no momento da minha fala, contei toda a minha jorna- da não só como professora mas também como estudante. Principalmente como mulher negra, contei fatos marcantes que poderiam ter me feito desistir da gra-
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duação e do meu sonho de um dia ser professora. Esse foi um momento emo- cionante. Não tinha ideia de que essa fala faria a diferença na vida de algumas alunas que vieram me procurar logo depois que o evento terminou relatando sua trajetória. Com esse evento, percebi quanto a minha presença na institui- ção, em particular no Curso de Matemática representava muito não só por ser mulher mas especialmente pelo fato de ser negra.
Fomos seguindo o semestre termi- nando um ciclo e iniciando outro. Nessa nova jornada, tivemos uma surpresa que até hoje ainda nos atinge. Precisamente em março, fomos informados de que as nossas atividades presenciais estavam suspensas devido à pandemia do novo coronavírus (COVID-19) e que seriam, daquela data em diante, realizadas de forma remota. Para se chegar a essa decisão, foram necessárias várias reuniões e estudos, a fim de se defi- nir de que forma os alunos iriam participar dessas aulas. Alguns cursos sobre ensino a distância foram oferecidos aos professores que ainda não tinham nenhuma ou tinha pouca familiaridade com essa modalidade de ensino. Em julho, as aulas começaram, então, de forma remota.
Dessa forma, o VII ECMAT não foi rea- lizado na mesma data como de costume, só acontecendo, devido à situação, e de forma online, em outubro. Foi-me dada a oportu- nidade de trabalhar tanto na organização do evento como avaliando trabalhos.
Até chegar essa data, a Coordenação do VII ECMAT propôs uma série de lives cha- mada de “Esquenta ECMAT”, acontecendo a cada quinze dias. Em uma delas, estive como mediadora, trabalhando a “Ludici- dade no ensino de Matemática”. A convidada foi a Professora Ma. Aylla Gabriela Paiva de Araújo, da UERN.
No primeiro dia do VII ECMAT, estive como mediadora da Mesa Redonda:
“Mulheres na Ciência e Mulheres na Matemática”, que teve como convidadas as Professoras Ma. Angélica de Freitas Alves da UFERSA e Ma. Aylla Gabriela Paiva de Araújo (UERN). Nesse evento, contamos com a presença de 22 participantes.
Figura 112 – Algumas participantes da Mesa Redonda que teve como tema “Matemática e Ciências Exatas: Uma ques- tão de Gênero?”. Da direita para a esquerda, estão a Profa.
Drª Taciana Araújo, Profa. Esp. Lilia Gonçalves, Profa. Drª Yane Lisley Araújo,Profa. Ma. Kíssia Carvalho e a Profa. Drª Eva Campos. (2019)
Fonte: Acervo da Profa. Lilia Gonçalves.
clusão do Curso (TCC) que teve como título: “A História do Sistema Indo-Arábico e a Invenção do Zero: A Utilização da História em Quadrinhos como Proposta Didática”.
Só tenho a agradecer à Instituição, em particular ao Curso de Licenciatura em Matemática e à professora Kíssia Carvalho, a qual não foi só uma colega de trabalho, mas uma amiga que ganhei. Agradeço também por cada oportunidade que me foi dada, desde a produção de trabalhos diversos junto com os alunos, de dar meu testemunho como mulher negra, de organizar eventos, de mediar rodas de conversa abordando temas bastante pertinentes para o nosso cresci- mento profissional e pessoal. Enfim, ainda que estivesse bastante satisfeita com todo o ritmo de trabalho e de produtividade no Campus, não pude concluir meus dois anos de contrato, por ter passado na seleção do mestrado com bolsa.
Despedi-me, então, com a alegria da sensação de dever cumprido.