3.2 Testes de Toxicidade
3.2.1 Cultivo e Testes com Wolffia brasiliensis
Quadro 8: Atividade peroxidásica em diferentes tempos de exposição de Wolffia brasiliensis (amostra zero, não submetida ao borbulhamento dos gases – primeiro teste).
- %. /
0
No quadro 9 são apresentadas as atividades da peroxidase da W.
brasiliensis no ponto Controle 1 e no Portão do Porto, quando as plantas foram submetidas aos gases coletados no primeiro teste.
Quadro 9: Atividade peroxidásica em diferentes tempos de exposição de Wolffia brasiliensis expostas nos pontos Controle 1 e Portão do Porto (primeiro teste).
- ) %
Em uma comparação entre grupos a partir do teste t de Student, os resultados entre os dois pontos amostrais não foram significativamente diferentes.
Porém em outra análise, comparando-se os resultados nos diferentes períodos de tempo observa-se que na primeira bateria do teste (nas primeiras seis horas de exposição), as amostras do ponto Controle mostraram uma maior atividade peroxidásica em relação às amostras do Porto, sendo que a atividade peroxidásica da amostra do Porto foi muito próxima à zero (quadro 9).
Ainda analisando-se amostras dos pontos Controle e Porto após 12 horas de exposição, nos dois pontos não foi observada nenhuma atividade e após
24 horas, a atividade das plantas expostas no Porto foi 0,01 maior em relação a atividade das espécies expostas no Controle 1 (quadro 09).
Brodoy (1995) apud Alves (2001), explica que os poluentes gasosos entram nas folhas principalmente através dos estômatos, desta forma suas dimensões e freqüência devem interferir na quantidade absorvida e, conseqüentemente, nos possíveis efeitos que a poluição provoca na planta. Da mesma maneira, Wellburn (1990) apud Alves (2001) relata que tais efeitos variam também em função de vários fatores como a concentração dos poluentes, o tempo de exposição, a idade da planta e intensidade luminosa, causando injúrias visíveis ou invisíveis.
O pH de todas as amostras variou entre 6 e 7 durante as 24 horas do teste.
Na segunda bateria de testes as amostras zero apresentaram os seguintes valores de atividades peroxidásica (quadro 10).
Quadro 10: Atividade peroxidásica em diferentes tempos de exposição de Wolffia brasiliensis (amostra zero, não submetida ao borbulhamento dos gases – segundo teste).
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Observa-se no quadro 10 que os valores variam de forma semelhante aos valores observados no quadro 7. Portanto, existe uma variação natural/metodológica na quantidade da atividade peroxidásica mensurada, a qual deve-se considerar quando das exposições definitivas desta planta aos poluentes.
No quadro 11 são apresentadas as atividades da peroxidase da W.
brasiliensis no ponto Controle 1 e no Portão do Porto, quando as plantas foram submetidas aos gases coletados no segundo teste.
Quadro 11: Atividade peroxidásica em diferentes tempos de exposição de Wolffia brasiliensis expostas nos pontos Controle 1 e Portão do Porto (segundo teste).
- ) %
Em uma comparação entre grupos (Controle 1 e Porto) com o teste t de Student, os resultados do quadro 10 não foram estatisticamente diferentes.
Contudo, analisando-se os diferentes tempos amostrais, nas primeiras 6 horas de exposição a amostra do ponto Controle apresentou atividade peroxidásica, enquanto que a amostra do ponto do Porto não apresentou atividade.
Em 18 horas de exposição ao ar, as amostras colhidas no ponto Controle apresentaram atividade peroxidásica menor em relação às amostras do Porto. Assim, após 18 h de exposição, a atividade peroxidásica da W. brasiliensis no ponto Controle 1 (Univali) foi de 0,015 unidades de absorbância, onde a média do ponto Controle foi de 0,021±0,017, enquanto a atividade no Portão do Porto, neste período foi de 0.075 unidades de absorbância.
Após 24 h de exposição, a atividade da peroxidase no ponto Controle 1 foi maior do que a atividade da enzima observada no Portão do Porto.
Assim, uma quantidade maior de dados é necessária para poder demonstrar estatisticamente a viabilidade de se utilizar a atividade peroxidásica da planta W. brasiliensis como indicador da qualidade do ar. Contudo, estes ensaios preliminares mostraram uma evidência de que isto seja possível, pois no ponto do Porto, onde se tem um grau maior de poluição, a atividade da enzima atingiu seu valor máximo de 0,075 unidades de absorbância.
Para uma maior discussão dos efeitos ocasionados em vegetais na exposição ao dióxido de enxofre, vale observar os estudos de Moraes et al.
caminho para o mar na região de Cubatão, onde a alta acumulação de enxofre em amostras de espécies de Psidium guajava e Psidium cattleyanum refletia a presença de concentrações fitotóxicas de SO2 e outros compostos sulfurosos.
Domingos et al. (1998); Klumpp et al. (1998, 2002 apud MORAES et al., 2002) observaram a mesma tendência em estudos de biomonitoramento com L.
multiflorum e T. pulchra.
Clorofila “a”
As plantas de W. brasiliensis nas amostras do ponto zero continham, na primeira bateria de testes, os seguintes valores de clorofila “a”
apartir da absorbância (quadro 12):
Quadro 12: Conteúdo de clorofila “a” nas amostras zero de Wolffia brasiliensis na primeira bateria de testes.
ZERO inicial t(6) t(12) t(18) t(24)
Cl (630nm) 0,202 0,054 0,015 0,042 0,453 Cl (647nm) 0,263 0,089 0,018 0,047 0,495 Cl (664nm) 0,373 0,115 0,025 0,056 0,710 Cl (750nm) 0,091 0,033 0,022 0,019 0,168 Cl total (µg/ml) 3,068 0,884 0,042 0,393 5,896
Nota-se no quadro 12 que a planta W. brasiliensis apresenta uma variação grande na quantidade de clorofila “a” ao longo de 24 h. Nota-se uma diminuição no conteúdo da clorofila “a” durante as primeiras 18 h, seguida de um aumento considerável ao final de 24 h. Isto pode ser explicado em parte pela sensibilidade desta planta às condições ambientais, e principalmente, pela metodologia de coleta das plantas para análise, a qual merece um estudo mais aprofundado, pois os resultados com tal variabilidade, demonstram que esta coleta é o passo crítico ao se quantificar a clorofila nessa espécie vegetal.
Nos quadros 13 e 14 são apresentadas as quantidades de clorofila
“a” da W. brasiliensis no ponto Controle 1 (Univali) e no Portão do Porto, quando as plantas foram submetidas aos gases coletados no primeiro teste.
Quadro 13: Conteúdo de clorofila “a” nas amostras do ponto Controle 1 (Univali) de Wolffia brasiliensis na primeira bateria de testes.
CONTROLE 1 inicial t(6) t(12) t(18) t(24)
Cl (630nm) 0,202 0,101 0,037 0,055 0,516 Cl (647nm) 0,263 0,158 0,037 0,06 0,515 Cl (664nm) 0,373 0,221 0,081 0,074 0,749 Cl (750nm) 0,091 0,054 0,022 0,021 0,169 Cl total ((µg/ml) 3,068 1,815 0,675 0,565 6,312
O mesmo fenômeno observado para as amostras zero também é observado nas plantas expostas aos gases do ponto Controle 1 (Univali), isto é, nas primeiras 18 h de exposição há uma diminuição do conteúdo clorofiliano e após 24 h observa-se um aumento considerável nesse conteúdo.
Quadro 14: Conteúdo de clorofila “a” nas amostras do Portão do Porto de Wolffia brasiliensis na primeira bateria de testes.
O que foi discutido para as amostras do ponto Controle 1 (Univali) também é válido para o conteúdo clorofiliano das amostras expostas no Portão do Porto, em intensidades muito parecidas.
As plantas de W. brasiliensis nas amostras do ponto zero continham, na segunda bateria de testes, os seguintes valores de clorofila “a”
apartir da absorbância (quadro 15):
PORTO inicial t(6) t(12) t(18) t(24)
Cl (630nm) 0,202 0,072 0,068 0,117 0,611 Cl (647nm) 0,263 0,107 0,066 0,127 0,647 Cl (664nm) 0,373 0,160 0,089 0,163 0,918 Cl (750nm) 0,091 0,042 0,027 0,045 0,206 Cl total 3,068 1,296 0,671 1,266 7,726
Quadro 15: Conteúdo de clorofila “a” nas amostras zero de Wolffia brasiliensis na segunda bateria de testes.
ZERO inicial t(6) t(12) t(18) t(24) Peso 0,03 0,03 0,03 0,03 0,03 Cl (630nm) 0,565 0,538 0,346 0,304 0,367 Cl (647nm) 0,584 0,597 0,372 0,327 0,394 Cl (664nm) 0,798 0,825 0,472 0,428 0,508 Cl (750nm) 0,177 0,201 0,143 0,105 0,445 Cl total 6,701 6,758 3,530 3,470 0,831
O que foi discutido anteriormente para os resultados do quadro 11 também é válido para os resultados do quadro 15, mas nesse caso, a variabilidade entre as medidas são maiores, tendendo haver uma diminuição na quantidade de clorofila “a” após 24 h sem exposição ao borbulhamento dos gases.
Nos quadros 16 e 17 são apresentadas as quantidades de clorofila
“a” da W. brasiliensis no ponto Controle 1 (Univali) e no Portão do Porto, quando as plantas foram submetidas aos gases coletados no segundo teste.
Quadro 16: Conteúdo de clorofila “a” nas amostras do ponto Controle 1 (Univali) de Wolffia brasiliensis na segunda bateria de testes.
CONTROLE inicial t(6) t(12) t(18) t(24) Peso (g) 0,03 0,03 0,03 0,03 0,03 Cl (630nm) 0,565 0,512 0,456 0,730 0,512 Cl (647nm) 0,584 0,546 0,499 0,800 0,580 Cl (664nm) 0,798 0,748 0,653 1,070 0,774 Cl (750nm) 0,177 0,183 0,173 0,262 0,185 Cl total 6,701 6,110 5,163 8,709 6,345
Quadro 17: Conteúdo de clorofila “a” nas amostras do Portão do Porto de Wolffia brasiliensis na segunda bateria de testes.
PORTO inicial t(6) t(12) t(18) t(24) Peso (g) 0,03 0,03 0,03 0,03 0,03 Cl (630nm) 0,565 0,334 0,019 0,363 0,536 Cl (647nm) 0,584 0,380 0,765 0,388 0,585 Cl (664nm) 0,798 0,526 0,267 0,515 0,768 Cl (750nm) 0,177 0,130 0,271 0,131 0,200 Cl total 6,701 4,291 4,136 6,111
Os resultados dos quadros 16 e 17 são bem mais interessantes para se analisar de forma preliminar. Assim, o conteúdo em clorofila “a” no ponto Controle 1 (Univali) diminui consideravelmente após 12 h de exposição aos gases, enquanto que nas amostras do Portão do Porto, essa diminuição considerável aconteceu já nas primeiras 6 h e continuou até as 18 h. No ponto Controle, após 18 h de exposição, o conteúdo em clorofila “a” na planta W.
brasiliensis já era maior do que o conteúdo inicial, sendo que após 24 h de exposição, os valores voltaram a ser iguais aos do início. O mesmo que aconteceu para as amostras do Portão do Porto. Assim, fica evidente que a planta W. brasiliensis nesse ponto amostral sofre uma perda no conteúdo de clorofila já nas primeiras 6 h de exposição recuperando o mesmo conteúdo 24 h depois.
Para o caso das plantas expostas no ponto Controle 1 (Univali), houve um aumento no conteúdo clorofiliano após 18 h e uma consequente perda após 24 h.
Estes resultados preliminares demonstram o potencial de se utilizar a planta W. brasiliensis como um indicador bioquímico de efeitos provocados pelos poluentes gasosos livres de SO2 borbulhados na água, pois este foi absorvido antes que os gases chegassem nas plantas. Os efeitos dos poluentes nas plantas podem ser injúrias invisíveis em um primeiro momento, pois embora não se evidencie nenhum sinal óbvio de dano, ocorre redução no crescimento da planta, o que pode ser observado pela quantificação da clorofila, uma vez que afetando as trocas gasosas, e conseqüentemente a fotossíntese, ocorre um decréscimo no suprimento de carboidratos e de reguladores de crescimento (KOZLOWSKI et al. 1991 apud ALVES, 2001).
pH
Durante a primeira bateria de testes, as amostras iniciaram o teste com pH 6, permanecendo nesse valor até as 12 horas de exposição nas amostras do Controle, enquanto que nas amostras do Porto, o pH alterou para 7 até o final das amostragens e nas amostras zero até as 12 horas de exposição, voltando a pH 6 após 24 horas. Na segunda bateria de testes todas as amostras mostraram pH 7, durante toda exposição. Assim, com uma variação de uma unidade, não se pode relacionar/explicar as variações nos valores do conteúdo de clorofila “a”
observados, dando a entender que as variações no conteúdo clorofiliano são por causa da presença dos gases poluentes.