MORTALIDADE POR NEOPLASIA MALIGNA DO FÍGADO E VIAS
individuals who died in Brazil due to malignant neoplasms of the liver and / or intrahepatic biliary tract from 2008 to 2017. Methods: Descriptive study based on the analysis of secondary data from the Information System of Notifiable Diseases, obtained through the Informatics Department of the Unified Health System of Brazil, researched data by chapter II and category C22 of the International Classification of Diseases in the period from January 1, 2008 to December 31, 2017. Results: 86,905 deaths from liver cancer and / or intrahepatic bile ducts were recorded. As the southeastern and northeastern regions have the highest absolute number of cases, but assessing the mortality rate per 100 thousand inhabitants, the south and southeastern regions had the highest averages of records in the assessed area.
The most frequent general characteristics of the affected population: men aged over 60 years, married and with low education. Conclusion: Deaths due to liver neoplasms and intrahepatic bile ducts in Brazil during the study period occurred mainly among elderly men and those with low schooling.
Keywords: Hepatocellular carcinoma, Neoplasms and Mortality.
1. INTRODUÇÃO
Segundo as estimativas de incidência e mortalidade produzida pela agência internacional de pesquisa sobre câncer, as neoplasias malignas do fígado e das vias biliares intra-hepáticas representam, em conjunto, a quarta causa de óbito por câncer no mundo e a sexta neoplasia maligna mais comumente diagnosticada, constituindo-se na segunda causa de óbito por câncer entre os indivíduos do gênero masculino e a sexta causa no gênero feminino. Além disso, a principal causa de morte em 20 países do mundo, incluindo vários países no norte e oeste da África (Egito, Gâmbia, Guiné) e leste e sudeste da Ásia (Mongólia, Camboja e Vietnã) (FERLAY et al., 2019).
A grande maioria dos casos registrados, mundialmente, é causada pelo Carcinoma Hepatocelular (CHC) compreendendo de 75 a 85% e Colangiocarcinoma intra-hepático (10- 15%) pela maioria dos outros subtipos (SCHOTTENFELD et al., 2006). Os 5% restantes são tumores incomuns, como o Angiossarcoma primário hepático, o hemangioendotelioma epitelioide hepático, o hemangiopericitoma ou o linfoma hepático primário (GOMES et al., 2013). Os fatores de risco variam de acordo com a região, sendo os reconhecidos, de modo geral, para o CHC a infecção crônica pelo vírus da hepatite B (VHB) e/ou vírus da hepatite C (VHC), exposição à aflatoxina na dieta, doença hepática gordurosa não alcoólica (NASH), cirrose induzida por álcool, obesidade, tabagismo, diabetes tipo 2 e sobrecarga de ferro (SCHOTTENFELD et al., 2006a; SCHOTTENFELD et al., 2006b; PERZ et al., 2006;
CARRILHO et al., 2010). No Brasil, um estudo realizado de 2004 a 2019, mostrou como
fatores de riscos mais prevalentes, em ordem crescente, as hepatites C, B e etiologia alcoólica(CARRILHO et al., 2010).
Existem estratégias de prevenção e controle dos fatores de risco, dentre elas a vacinação contra a hepatite B desde 1982 (WHO, 2017), triagem sorológica para as hepatites virais nos doadores de sangue, o diagnóstico precoce e o tratamento dos portadores de hepatites virais crônicas, como também o rastreamento do câncer de fígado em populações risco (AMORIM, MERCHÁN, 2013).
O objetivo deste trabalho foi analisar as caraterísticas epidemiológicas dos indivíduos que foram a óbito no Brasil por neoplasia maligna do fígado e/ou vias biliares intra-hepáticas no período de 2008 a 2017.
2. MATERIAIS E MÉTODO
Estudo descritivo baseado na análise de dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), obtidos através do DATASUS (Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil), pesquisados dados pelo capítulo II (neoplasias) e categoria C22 (Neoplasia de fígado e vias biliares intra- hepáticas) da Classificação Internacional de Doenças (CID) no período de 1 de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2017.
As variáveis avaliadas foram: ano, região/Unidade da Federação, ano de notificação, gênero, faixa etária, raça/cor, escolaridade, região de residência do óbito e estado civil.
Para o cálculo de número de óbitos por 100 mil habitantes, utilizou-se dados provenientes das estimativas populacionais anuais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2019). Tais dados foram analisados no programa Excel 365.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
No Brasil, durante o período de janeiro de 2008 a dezembro de 2017, foram registradas 86.905 mortes por neoplasia de fígado e/ou vias biliares intra-hepáticas. Sendo as regiões sudeste e nordeste com maior número absoluto 38.691 e 22.263, respectivamente, porém avaliando a taxa de mortalidade por 100 mil habitantes, as regiões
sul e sudeste apresentaram os maiores registros, com uma média de 5,54 óbitos/100 mil habitantes e 4,63 óbitos/ 100 mil habitantes, respectivamente.
Dentre os 26 estados e o Distrito Federal, o Rio Grande do Sul foi o que apresentou maiores taxas de óbitos/ 100 mil habitantes durante todos os anos da série histórica (média 6,82 óbitos/ 100 mil habitantes) enquanto que o Estado do Amapá foi o responsável pelas menores taxas totalizando média de 2,33 óbitos/100mil habitantes durante a década. Por região o estado com maior e menor número de mortes por 100 mil habitantes em média, respectivamente, são na região norte: Acre (4,64) e Amapá (2,33), região nordeste:
Pernambuco (5,1) e Bahia (3,5), região Sudeste: São Paulo (5,06) e Minas Gerais (3,87), centro-oeste: Mato Grosso do Sul (3,98) e Mato Grosso (3,36), região sul: Rio Grande do Sul e Santa Catarina (4,55) (Figura 1).
Figura 2. Mapa do Brasil com média de óbitos/100 mil habitantes devido à neoplasia de fígado e vias biliares Intra-Hepáticas por Unidade da Federação, 2008 a 2017.
Fonte: SVS/MS/CGIAE - Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM/IBGE.
Nota-se o comportamento ascendente da taxa de mortalidade por 100 mil habitantes quando se analisa a série histórica de 2008 a 2017 nas diferentes regiões brasileiras. A região Norte apresentou menores taxas em todos os anos com maior registro em 2017, enquanto a região Sul se mostrou as maiores taxas (Figura 2).
Figura 2. Taxa de mortalidade por 100 mil habitantes devido à neoplasia de fígado e vias biliares intra-hepáticas segundo a Região Brasileira, 2008 a 2017.
Fonte: SVS/MS/CGIAE - Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM
Na tabela 1, observa-se com mais detalhes tal comportamento de ascensão nos números de óbitos por 100 mil habitantes por estado a cada ano: o Rio Grande do Sul, como comentado anteriormente, detém as maiores taxas todos os anos com pico em 2017 (8 óbitos/100mil hab.), Amapá com a menor média na década analisada, possui pico em 2012.
Destaque a Pernambuco que é o segundo com maior média de óbitos, seguido de São Paulo e Paraná.
Quanto as características gerais da população acometida, observa-se que 56,2%
(49.701) aconteceram em indivíduos do sexo masculino e 70,4% (61.172) com idade maior ou igual a 60 anos, além disso, 51,6% (40.880) eram casados, 57,26% (49.767) com escolaridade menor que 8 anos. O óbito ocorreu em 78,6% (68.278) em unidade hospitalar (Figura 3). Existem poucos registros entre os indígenas com maiores números na região norte, vê-se de forma detalhada as características epidemiológicas na Tabela 2.
Tabela 1. Taxa de mortalidade por 100 mil habitantes por neoplasia de fígado e vias biliares intra-hepáticas por Região e por Unidade da Federação, Brasil, 2008 a 2017.
Fonte: SVS/MS/CGIAE - Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM
Figura 3. Características gerais dos casos de óbitos por neoplasia de fígado e vias biliares intra-hepáticas, Brasil, 2008 a 2017.
Fonte: SVS/MS/CGIAE - Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM
Tabela 2. Casos de morte por neoplasia de fígado e vias biliares intra-hepáticas por regiões brasileiras, 2008 – 2017.
Fonte: SVS/MS/CGIAE - Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM
Em relação ao número absoluto de óbitos registrados no Brasil durante a década estudada, houve em 2008, notificação de 7.074 óbitos e em 2017, 10.201 mortes, representando um aumento de aproximadamente 44% (Figura 3). Entre os gêneros, também se observa essa mesma tendência de crescimento: no sexo masculino houve aumento de 48% e no sexo feminino de 38%, sendo maior prevalência de mortes no sexo masculino, como relatado anteriormente (Figura 3).
Figura 4. Número absoluto de mortes por neoplasias de fígado e vias biliares intra- hepáticas notificados no Brasil, 2008 a 2017.
Fonte: SVS/MS/CGIAE - Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM
Neste estudo o maior número de óbitos notificados por neoplasia de fígado e vias biliares intra-hepáticas foram entre os homens idosos, todavia o crescimento do número absoluto de mortes por essas causas ocorreu em ambos os sexos. Amorim et.al. (2013) no período de 1980 a 2010, no Brasil, encontraram características semelhantes: a tendência de mortalidade foi crescente para ambos os sexos, contudo, o coeficiente médio foi mais pronunciado para o sexo masculino e a faixa etária igual ou superior a 50 anos. Tais achados, também, estão em consonância com a literatura mundial, na qual as taxas de incidência e mortalidade por câncer de fígado são 2 a 3 vezes maiores entre os homens mais velhos na maioria das regiões do globo (FERLAY et al., 2019). Em relação à idade, associa-