Maria Gabriela Silva Guimarães1, Rita do Socorro Uchôa da Silva2,3
1. Programa de Residência Médica em Clínica Médica da Fundhacre, Rio Branco-Acre. Programa de Residência Médica em geriatria, FEAES, Hospital idoso Zilda Arns, Curitiba, Paraná, Brasil;
2. Programa de Residência Médica em Clínica Médica, Hospital das Clínicas de Rio Branco, Rio Branco, Acre, Brasil;
3. Centro de Ciências da Saúde e do Desporto, Universidade Federal do Acre, campus Rio Branco, Acre, Brasil.
RESUMO
Objetivo: Conhecer o perfil de mortalidade dos idosos nos hospitais do Acre e compará-lo ao perfil nacional. Materiais e Métodos: Estudo descritivo baseado em dados contidos no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), obtidos através do DATASUS, o qual incluiu óbitos em pacientes a partir 60 anos, cujo local do óbito fora os hospitais do estado do Acre (Brasil) no período de janeiro de 2011 a dezembro de 2016. Resultados: Foram incluídos 7.991 idosos, sendo a maioria do gênero masculino, maiores de 80 anos, pardos, casados e sem nenhum grau de escolaridade. As principais causas de óbito foram as doenças do aparelho circulatório, seguido do aparelho respiratório, neoplasias e doenças endócrinas nutricionais e metabólicas. Identificou-se associação entre as principais causas de óbitos com as faixas etárias mais avançadas, assim como entre os óbitos por doença do aparelho circulatório com escolaridade e estado civil. Já nos óbitos por neoplasias, houve associação com o sexo masculino. Conclusão: Os óbitos hospitalares de idosos no estado do Acre apresentam perfil epidemiológico semelhante ao nacional, com exceção dos óbitos por neoplasias, sendo essas causas menos frequentes no Acre quando comparadas a nível nacional, o que pode ser em decorrência da maior dificuldade de confirmação diagnóstica das neoplasias.
Palavras-chave: Mortalidade, Idoso e Acre.
1. INTRODUÇÃO
De acordo com Ministério da Saúde (MS), a pessoa idosa é definida com idade superior a 60 anos (BRASIL, 2010). Durante a história da humanidade, observa-se, de forma gradual, uma diminuição da taxa de fecundidade e aumento da expectativa de vida,
crescendo assim, o número de pessoas com idades mais avançadas na população (AMARAL et al., 2004).
A Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê, que até em 2050, a população com idade de 60 anos ou mais, chegará a 2 bilhões, representando um quinto da população do planeta (ONU, 2018).
No Brasil, a maior taxa de mortalidade está concentrada nos extremos de idade, crianças menores de um ano e pessoas idosas (BRASIL, 2010). Além da transição demográfica, é evidenciada a transição epidemiológica, a mudança do perfil das causas de mortalidades e morbidades, a redução das doenças infectocontagiosas e o predomínio das doenças crônicas na população (BRASIL, 2010).
Com o envelhecimento populacional e aumento da expectativa de vida, observa-se uma mudança do perfil populacional dos pacientes brasileiros. Essa mudança promove um impacto direto nos serviços de saúde devido aos maiores gastos e atenção ao idoso, visto que, essa população apresenta maiores números de comorbidades associadas e piores prognósticos devido a doenças mais avançadas (SANTOS; BARROS, 2008).
O sistema de saúde brasileiro não está bem estruturado para atender as pessoas idosas devido à deficiência no atendimento ambulatorial e domiciliar e, muitas vezes, esses pacientes tem o primeiro atendimento em uma unidade hospitalar em estágio avançado de doença (SANTOS; BARROS, 2008).
As doenças cardiovasculares representam a principal causa de incapacidade e morte na população, tanto nos países desenvolvidos quanto nos países em desenvolvimento (FEIJÓ et al., 2006).
Apesar das principais causas de mortalidade no idoso, no Brasil, serem as doenças cardiovasculares (37,7%), neoplasias (16,7%) e doenças do aparelho respiratório (13%), as causas mais frequentes de internação hospitalar nessa mesma faixa etária diferem das principais causas de mortalidade, pois apesar da primeira causa de internação hospitalar serem as doenças cardiovasculares (24%), em segundo lugar estão as doenças respiratórias (16,4%), seguidas por doenças do aparelho digestivo (10,4%) (BRASIL, 2010).
Portanto, é importante conhecer o perfil e as principais causas de mortalidade em idosos nos hospitais do Acre e compará-los ao perfil nacional, na tentativa de identificar fatores que possam estar interferindo nessa casuística.
2. MATERIAIS E MÉTODO
Estudo descritivo baseado em análise de dados secundários do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), obtido através do DATASUS (Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil).
Foram analisados óbitos de pacientes a partir de 60 anos de idade notificados no SIM, desde que o local de ocorrência fosse uma unidade hospitalar no Estado do Acre (Brasil) no período de janeiro de 2011 a dezembro de 2016.
As variáveis utilizadas foram ano da notificação, gênero, faixa etária, raça/cor, escolaridade, estado civil e causas do óbito de acordo com a Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados a Saúde (CID-10). As escolhas das variáveis foram de acordo com as seleções disponíveis no SIM estratificadas segundo a faixa etária avaliada do estudo.
Para análise estatística, utilizou-se o teste do Qui-Quadrado e Teste exato de Fisher visando comparar as frequências e analisar possíveis associações entre as variáveis. Foram considerados estatisticamente significantes valores de p ≤ 0,05. Variáveis que apresentavam alguma resposta ignorada não entraram na análise estatística.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A amostra foi constituída por 7.991 idosos que foram a óbito no período de 2011 a 2016 registrados nos hospitais do estado do Acre (Brasil), havendo média anual de 1.331 óbitos.
A maioria dos óbitos ocorreu em indivíduos do gênero masculino, maiores de 80 anos, pardos, casados e sem nenhum grau de escolaridade (Tabela 1).
As principais causas de óbito entre os idosos nos hospitais do Acre, de acordo com a classificação do CID-10, foram as doenças do aparelho circulatório, doenças do aparelho respiratório, neoplasias e doenças endócrinas nutricionais e metabólicas (Tabela 2).
Dentre as doenças do aparelho circulatório, as doenças cerebrovasculares foram as mais frequentes, enquanto dentre as doenças do aparelho respiratório, as infecções crônicas das vias aéreas inferiores e pneumonias foram responsáveis pelo maior número de óbitos hospitalares em idosos no Acre durante o período estudado. Dentre as neoplasias, os
tumores de traqueia, brônquios e pulmões foram os mais notificados, sendo a diabetes a principal causa de óbito dentre as causas endócrinas (Tabela 2).
Tabela 1 - Característica epidemiológicas dos 7.991 idosos que foram a óbito nas unidades hospitalares do Estado do Acre, 2011-2016.
Características n (%)
Faixa etária (anos) 60-69
70-79
≥80
2.209 (27,6) 2.651 (33,2) 3.131 (39,2) Sexo*
Masculino Feminino
4.568 (57,2) 3.422 (42,8) Raça
Parda Branca Preta Indígena Amarela Ignorado
5.151 (64,5) 1.754 (21,9) 375 (4,7)
75 (0,9) 32 (0,4) 604 (7,6) Escolaridade
Nenhuma 1-3 anos 4-7 anos 8-11 anos 12 ou mais Ignorado
2.850 (35,7) 1.701 (21,3) 740 (9,3) 377 (4,7) 159 (2,0) 2.164 (27,0) Estado Civil
Casado Viúvo Solteiro Outros
Separado judicialmente
2.526 (31,6) 2.109 (26,4) 1.319 (16,5) 367 (4,6) 317 (4,0)
Ignorados 1.353 (16,9)
Fonte: SIM, 2011-2016
* Faltou a informação sobre sexo em um idoso que foi a óbito
O “restante das neoplasias malignas” foi um termo utilizado pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), não especificando sua composição.
O termo “outros” citado entre as principais causas de óbitos na tabela 2 incluiu doenças do aparelho digestivo, doenças do aparelho geniturinário, algumas doenças infecciosas e parasitárias, causas externas, sinais e sintomas ou achados anormais no exame clínico e laboratoriais, doenças do sistema nervoso, doenças sangue e transtornos imunitário e outros.
Tabela 2 - Estratificação das principais causas dos 7.991 óbitos hospitalares em idosos no Estado do Acre, 2011-2016.
Doenças causadoras de óbitos
Sexo Total
n (%) Masculin
o
Feminin o
Aparelho circulatório 1.419 1.052 2.471 (31,0)
Doenças cerebrovasculares 538 429 967 (39,2)
Outras doenças cardíacas 316 215 531 (21,5)
Doenças isquêmicas do coração 282 175 457 (18,5)
Doenças hipertensivas 234 199 433 (17,5)
Restante do aparelho circulatório 46 31 77 (3,1) Febre reumática aguda e doenças reumáticas
crônicas do coração
3 3 6 (0,2)
Aparelho respiratório 915 837 1.753* (21,9)
Doenças crônicas das vias aéreas inferiores 425 405 830 (47,4)
Pneumonia 398 355 754* (43,0)
Restantes das doenças do aparelho respiratório 91 76 167 (9,5)
Influenza (Gripe) 1 1 2 (0,1)
Neoplasias 794 495 1.289 (16,1)
Traqueia, brônquios e pulmões 152 103 255 (19,8)
Restante das neoplasias malignas 109 73 182 (14,1)
Estômago 106 49 155 (12,0)
Próstata 126 - 126 (9,8)
Fígado e vias biliares intra-hepáticas 77 38 115 (8,9)
Outros 224 232 456 (35,4)
Endócrinas, nutricionais e metabólicas 367 354 721 (9,0)
Diabetes mellitus 263 274 537 (74,5)
Desnutrição 61 39 100 (13,9)
Restante das doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas
43 41 84 (11,6)
Outros 1.073 684 1.757 (22,0)
Fonte: SIM, 2011-2016
*exclusão do sexo ignorado (n=1)
Observou-se uma tendência ao crescimento do número absoluto de óbitos a cada ano em relação às doenças do aparelho circulatório, respiratório e neoplasias, no entanto com relação às causas do aparelho endócrino notou-se uma aparente estabilização no número de óbitos por esses agravos (Figura 1).
Figura 1. Distribuição dos 6.234 óbitos hospitalares em idosos de acordo com o ano, causas de morte e a tendência das principais doenças responsáveis pelos óbitos nessa
população, Acre, 2011-2016.
Fonte: SIM, 2011-2016
Houve associação, predominantemente, entre a faixa etária mais avançada e os óbitos causados por doenças do aparelho circulatório, respiratório, neoplasias de próstata e a maioria das doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas. As únicas exceções foram os óbitos por doenças isquêmicas cardíacas, que apresentaram maior prevalência entre 70 a 79 anos, as demais neoplasias, que predominaram na faixa etária de 60 a 69 anos e a diabetes que leva à morte em percentuais semelhantes, independentemente da faixa etária (Tabela 3).
Nos óbitos causados por doenças do aparelho circulatório, além de idade como fator associado, identificou-se também associação com escolaridade e estado civil. Quanto maior a escolaridade, menor número de óbitos por essas causas. Em relação ao estado civil, casados e viúvos apresentaram número maior de óbitos com relação a tais doenças (Tabelas 4 e 5). Identificou-se associação entre os óbitos decorrentes das neoplasias e o sexo, havendo maior número entre indivíduos do sexo masculino (Tabela 6).
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500
2 0 1 1 2 0 1 2 2 0 1 3 2 0 1 4 2 0 1 5 2 0 1 6
Número de óbitos
Anos
Circulatório Respiratório Neoplasias
Endócrinas Linear (Circulatório) Linear (Respiratório) Linear (Neoplasias) Linear (Endócrinas)
Tabela 3. Causas de 5.528 óbitos em idosos associadas à faixa etária e às doenças que levaram ao desfecho fatal nessa população, Acre, 2011-2016.
Doenças
Faixa etária (anos)
Total Valor p 60-69 (%) 70-79 (%) ≥ 80 (%)
Circulatório
< 0,01*
Doenças
cerebrovasculares
222 (23,0) 331 (34,2) 414 (42,8) 967 Outras doenças cardíacas 124 (23,4) 170 (32,0) 237 (44,6) 531 Doenças isquêmicas
coração
138 (30,2) 179 (39,2) 140 (30,6) 457 Doenças hipertensivas 81 (18,7) 153 (35,3) 199 (46,0) 433
Subtotal 2.388
Respiratório
0,01**
Doenças crônicas das vias aéreas inferiores
185 (22,3) 282 (34,0) 363 (43,7) 830 Pneumonia 152 (20,2) 213 (28,2) 389 (51,6) 754 Influenza
Subtotal
- (0,0) 1 (50,0) 1 (50,0) 2 1.586 Neoplasias
< 0,01*
Traqueia, brônquios e pulmão
114 (44,7) 94 (36,9) 47 (18,4) 255 Restante neoplasias
malignas
76 (41,8) 57 (31,3) 49 (26,9) 182 Estômago 67 (43,2) 62 (40,0) 26 (16,8) 155 Próstata 21 (16,7) 40 (31,7) 65 (51,6) 126 Fígado e vias biliares intra-
hepáticas Subtotal
54 (47,0) 39 (33,9) 22 (19,1) 115 833 Endócrinas, nutricionais
e metabólicas
< 0,01*
Diabetes mellitus 165 (30,7) 192 (35,8) 180 (33,5) 537 Desnutrição 10 (10,0) 32 (32,0) 58 (58,0) 100 Restante das doenças
endócrinas, nutricionais e metabólicas
Subtotal
21 (25,0) 25 (29,8) 38 (45,2) 84
721 Fonte: SIM 2011-2016. * Teste Qui- quadrado ** Teste Fisher
Tabela 4. Associação entre escolaridade e as causas dos 2.388 óbitos hospitalares em idosos devido a doenças do aparelho circulatório. Acre, 2011-2016.
Óbitos por doenças do aparelho circulatório
Escolaridade (anos) Valor de p
0 (%) 1-3 (%) 4-7 (%) 8-11 (%) 12 (%) Ign (%) Total
Doenças
cerebrovasculares 382 (39,5) 193 (20,0) 73 (7,5) 44 (4,6) 16 (1,7) 259 (26,8) 967
0,01*
Outras doenças
cardíacas 214 (40,3) 91 (17,1) 46 (8,7) 21 (4,0) 11 (2,1) 148 (27,9) 531 Doenças
isquêmicas do
coração 151 (33,0) 89 (19,5) 60 (13,1) 19 (4,2) 8 (1,8) 130 (28,4) 457 Doenças
hipertensivas 169 (39,0) 110 (25,4) 28 (6,5) 19 (4,4) 7 (1,6) 100 (23,1) 433
Total 2.388
Fonte: SIM 2011-2016, * Teste Qui- quadrado, Ign = Ignorado
Tabela 5. Associação entre estado civil e as causas de 2.388 óbitos hospitalares em idosos devido a doenças do aparelho circulatório. Acre, 2011-2016.
Doenças do aparelho circulatório
Estado civil
Valor p Solteiro (%) Casado (%) Viúvo (%) Separado (%) Outro (%) Ignorado (%) Total
0,02*
Doenças cerebrovasculares
165 (17,1) 286 (29,6) 241 (24,9) 37 (3,8) 45 (4,7) 193 (20,0) 967 Outras doenças
cardíacas
70 (13,2) 162 (30,5) 150 (28,2) 27 (5,1) 31 (5,8) 91 (17,1) 531 Doenças isquêmicas
coração
66 (14,4) 156 (34,1) 118 (25,8) 18 (3,9) 13 (2,8) 86 (18,8) 457 Doenças
hipertensivas
78 (18,0) 123 (28,4) 137 (31,6) 10 (2,3) 13 (3,0) 72 (16,6)
433
Total 2.388
Fonte: SIM 2011-2016. * Teste Qui- quadrado
Tabela 6 - Associação entre sexo e as causas de 833 óbitos hospitalares em idosos devido às neoplasias. Acre, 2011-2016.
Neoplasias
Sexo
Valor p Masculino (%) Feminino (%) Total
Traqueia, brônquios e pulmão 152 (59,6) 103 (40,4) 255 Restante neoplasias malignas 109 (59,9) 73 (40,1) 182
Estômago 106 (68,4) 49 (31,6) 155 < 0,01*
Próstata 126 (100,0) 0 (0,0) 126
Fígado e vias biliares intra-hepáticas 77 (67,0) 38 (33,0) 115
Total 570 (68,4) 263 (31,6) 833
Fonte: SIM 2011-2016, * Teste Qui- quadrado.
A mortalidade hospitalar de idosos no Acre no período do estudo, ocorreu em maior proporção em indivíduos a partir de 80 anos, o que poderá ser explicado pelo aumento da expectativa de vida da população (BRASIL, 2010; DE LIMA et al., 2012), além de maior suscetibilidade fisiológica e imunológica dessa faixa etária (CARNEIRO et al., 2015).
De Lima et al.(2012) realizaram um estudo analisando perfil de mortalidade no idoso no nordeste brasileiro (1996 a 2007) e verificaram maior coeficiente de óbitos em idosos masculinos à semelhança do que ocorreu nesse estudo de óbitos em idosos no Estado do Acre. Tais achados poderão ser justificados pela maior busca das mulheres à unidade de saúde e o tratamento precoce de doenças contribuem para a diminuição da mortalidade nesse sexo (MAIA et al., 2006), além de menores exposições aos riscos ambientais e ocupacionais, homicídios e acidentes de causa externa (DE LIMA et al., 2012; DE LIMA et al., 2012), levando o que chamam de “feminização da velhice” (CAMARANO, 2002).
Sabe-se que os baixos níveis de instrução e analfabetismo estão associados a maior taxa de óbito em idosos (OMS, 2005; CARNEIRO et al., 2015). De Lima et al. (2014) realizaram uma revisão sistemática sobre mortalidade em idosos, evidenciaram que a desigualdade na saúde está relacionada com a desigualdade social. A presença de associação de rendas mais baixas com menores níveis de escolaridades justifica haver maior taxa de mortalidade em idosos que não possuíam nenhum nível de escolaridade9. Tais informações poderão embasar os achados de maior número de óbitos em idosos sem nenhuma escolaridade encontrados no Estado do Acre.
Dentre os idosos que foram a óbito em unidades hospitalares acreanas, os casados foram que apresentaram maior mortalidade, assim como o estudo de De Lima et al. (2012), o que poderá refletir a realidade da população acreana idosa, onde a maioria é casada(IBGE, 2019).
No estudo de Carneiro et al.(2015), realizado no Rio Grande do Norte entre 2001 e 2011, evidenciou-se como causas principais de óbitos em idosos, as doenças do aparelho circulatório e neoplasias, em ordem decrescente, assim como em outros estudos (CABRERA, et al., 2007; DE CARVALHO et al., 2007).Tal divergência em relação aos dados encontrados no Estado do Acre, no qual as neoplasias foram a terceira causa principal de mortalidade, poderia ser explicado devido a dificuldade de diagnóstico na região, visto que é necessário exames mais especializados e esses são escassos no local, havendo apenas uma unidade pública de saúde em todo território acreano que conta com serviço de anatomia patológica.
O Ministério da Saúde, através do boletim epidemiológico de hepatites virais de 2018, identificou Rio Branco (AC) como umas das capitais com maiores taxas de detecção de hepatite C no Brasil (BRASIL, 2018). Tal achado condiz com o fato das neoplasias de fígado figurarem entre as principais causas de cânceres em idosos no Acre, visto que, uma das complicações das hepatites crônicas, tanto pelo vírus da hepatite B quanto pelo vírus da hepatite C, é o hepatocarcinoma, correspondente a 80% dos casos de câncer de fígado (GUSMÃO et al., 2017; INCA, 2019).
Observando as principais causas de óbitos hospitalares em idosos no Acre, apresentaram, em sua maioria, associação com idade mais avançada (80 anos ou mais).
Corroborando com tais achados, Maia et al. (2006) identificaram que idades mais avançadas foram indicadores de risco para mortalidade devido a maior probabilidade de doenças crônicas ou incapacidade nessa faixa etária.
A associação entre óbitos hospitalares em idosos no Acre por neoplasias com o sexo masculino provavelmente ocorreu devido ao perfil de cada tipo de câncer. De acordo com Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de estômago apresenta maior epidemiologia em idosos do sexo masculino, câncer de fígado e pulmão apresentam também intima relação com o tabagismo, um dos fatores de risco para desenvolvimento (DE LIMA et al., 2014; INCA, 2019), sendo o tabagismo e/ou exposição ao tabaco, mais comum nos homens, aumentando o risco para desenvolvimento e desencadeamento da doença nesse sexo.
Artigos relacionados a óbitos em idosos na região norte são escassos mostrando a
à mortalidade são preveníveis e/ou minimizados com políticas de saúde direcionados a essa faixa etária.
4. CONCLUSÃO
Nesse estudo acreano houve limitações para análise em virtude de se tratar de dados secundários obtidos no SIM, podendo ter havido preenchimentos incorretos, gerado subregistros ou informações diferentes da realidade, o que pode ter limitado a criação de um perfil epidemiológico mais fidedigno da população idosa que morre nas unidades hospitalares do Acre.
Conclui-se, portanto, que os idosos que foram a óbito, nas unidades hospitalares no estado do Acre, apresentaram perfil epidemiológico semelhante ao encontrado no Brasil, ou seja, idade mais avançada, geralmente homens e baixo nível de escolaridade.
As principais causas de óbito, em relação a categoria CID-10, as neoplasias apresentam um pouco menos de destaque em relação ao padrão nacional, havendo coincidência com índices nacionais entre as demais causas de óbitos.
5. REFERÊNCIAS
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Cad Saúde Pública, v.20, n.6, p.1617-1626, 2004.
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Brasília, DF, 2010.
BRASIL. Ministério da Saúde. Hepatites Virais. Brasília, DF, 2018.
CABRERA, M.A.S.; DE ANDRADE, S.M.; WAJNGARTEN, M. Causas de mortalidade em idosos: Estudo de seguimento de nove anos. Geriatria & Gerontologia, v.1, n.1, p.14-20, 2007.
CAMARANO, A.A. Envelhecimento da população brasileira: uma contribuição demográfica. IPEA. Rio de janeiro, 2002.
CARNEIRO, T.O.; RODRIGUES, W.M.; COSTA, K.L. Diferenciais de mortalidade por causas nas faixas etárias limítrofes de idosos. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v.18, N.1, P.85-94, 2015.
DE CARVALHO, M.H.R.; DE CARVALHO, S.M.R.; LAURENTI, R.; PAYÃO, S.L.M.
Tendências de mortalidade de idosos por doenças crônicas no município de Marília- SP, Brasil: 1998 a 2000 e 2005 a 2007. Epidemiol Sev Saúde, v.23, n.2, p.347-354, 2014.
DE LIMA, V.S.; PESSOA, E.A.C.; PESSOA, M.F.M.A. Determinantes sociais de mortalidade do idoso: uma revisão sistemática da literatura. Rev Bras Epidemiol, Suppl D.S.S, p.178- 193, 2014.
DE LIMA, V.S.; PESSOA, M.F.M.A.; PESSOA, E.A.C.; FEITOSA, C.L. Perfil de mortalidade do idoso: análise da evolução temporal em uma capital do Nordeste brasileiro de 1996 a 2007. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v.15, n.3, p.433-441, 2012.
FEIJÓ, C.A.R.; BEZERRA, I.S.A.M.; JÚNIOR, A.A.P.; MENESES, F.A. Morbimortalidade do Idoso Internado na Unidade de Terapia Intensiva de Hospital Universitário de Fortaleza.
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GUSMÃO, K.E.; et al. Perfil clínico-epidemiológico da Hepatite C na região Norte do Brasil entre 2012-2015. Revista Patologia de Tocantins, v.4, n.2, p.41-45, 2017.
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