3.2 A IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO INSTITUTO DA INTERVENÇÃO DE
3.3.6 Da aplicação do chamamento ao processo no processo do trabalho
242 BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho (12. Região). Processo nº 00648-2006-016-12-85-2. Agravante:
CIDASC – Companhia integrada de desenvolvimento agrícola de Santa Catarina. Agravado: Barbara Lizie Simas e outro. Relator: Lília Leonor Abreu. Florianópolis, 22 de agosto de 2008. Disponível em: <http:
//www.trt12.jus.br>. Acesso em: 11 abr. 2012.
243 BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho (12. Região). Processo nº 00648-2006-016-12-85-2. Agravante:
CIDASC – Companhia integrada de desenvolvimento agrícola de Santa Catarina. Agravado: Barbara Lizie Simas e outro. Relator: Lília Leonor Abreu. Florianópolis, 22 de agosto de 2008. Disponível em: <http:
//www.trt12.jus.br>. Acesso em: 11 abr. 2012.
244 BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho (12. Região). Processo nº 01822-2006-054-12-00-8 . Recorrente:
Magazine Luiza S.A.; Sindicato dos Empregados no Comércio de São José e Região.Recorrente: Magazine Luiza S.A.; Sindicato dos Empregados no Comércio de São José e Região. Relator: Lília Leonor Abreu.
Florianópolis, 22 de abril de 2009. Disponível em: <http: //www.trt12.jus.br>. Acesso em: 26 maio 2012.
O chamamento ao processo, última espécie de intervenção de terceiros na qual será analisado o posicionamento do Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região, quanto sua aplicação na esfera trabalhista, possui como objetivo o chamamento ao processo de um terceiro que inicialmente não foi demandado, para atuar no polo passivo da demanda. 245
Nos ensinamentos deixados pelos doutrinadores estudados constatou-se que muitos colidem entre si quanto à admissibilidade do chamamento ao processo na Justiça do Trabalho. Porém, não só doutrinariamente, mas também no âmbito jurisprudencial, que o chamamento é alvo de entendimentos diversos.
Demonstrando a divergência do Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região, tem-se decisão proferida pela Segunda Turma do mencionado Tribunal que não admitiu o chamamento ao processo no processo trabalhista, segundo jurisprudência assim ementada:
CHAMAMENTO AO PROCESSO. ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM. O chamamento ao processo nesta Justiça do Trabalho somente se justifica quando presente a hipótese prevista no inc. III do art. 77 do CPC. No presente caso, não se configura esta hipótese, visto que o terceiro apontado é parte ilegítima para figurar no polo passivo da demanda. 246
Da leitura do acórdão mencionado acima tem-se que, embora o Código de Processo Civil regule três hipótese de chamamento ao processo, no processo do trabalho só é cabível a hipótese do inciso III, que trata do chamamento ao processo de um sócio que não foi posto inicialmente no polo passivo da demanda. 247
Com a análise feita no âmbito jurisprudencial a respeito da (in) aplicação do instituto da intervenção de terceiros e suas espécies, contatou-se que além de certas modalidades de intervenção serem alvos de divergência doutrinariamente, também são em muitos casos alvos de entendimentos divergentes na jurisprudência.
245 SARAIVA, Renato. Curso de direito processual do trabalho. 8. ed. São Paulo: Método, 2011. p. 251.
246 BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho (12. Região). Processo nº 01464-2008-008-12-00-4 . Recorrente:
Elenice Vogt Borges. Recorrido: João Adelar da Silva - Me.; Maria Suely Eitelwein - Me. Relator: Edson Mendes de Oliveira. Florianópolis, 16 de junho de 2010. Disponível em: <http: //www.trt12.jus.br>. Acesso em:
26 maio 2012.
247 BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho (12. Região). Processo nº 01464-2008-008-12-00-4 . Recorrente:
Elenice Vogt Borges. Recorrido: João Adelar da Silva - Me.; Maria Suely Eitelwein - Me. Relator: Edson Mendes de Oliveira. Florianópolis, 16 de junho de 2010. Disponível em: <http: //www.trt12.jus.br>. Acesso em:
26 maio 2012.
CONCLUSÃO
Como visto, o processo é o caminho para a solução de conflitos. Mediante o exercício do direito de ação, o indivíduo aciona o Estado, que por meio da jurisdição prestará a tutela jurisdicional. O Estado, deste modo, possui o poder e dever de prestar a tutela jurisdicional, por meio de um processo.
No processo do trabalho, assim como nos demais ramos do Direito Processual, o processo é formado por partes, que em suma são o autor e o réu.
Entretanto, o Direito Processual Civil regula que além das partes, terceiros interessados também podem participar do processo inicialmente formado pelo autor e pelo réu. Deste modo, verificou-se que o ingresso desses terceiros no processo já em curso, configura o instituto da intervenção de terceiros.
Especificamente no processo do trabalho, verificou-se, que a aplicação do instituto da intervenção de terceiros é alvo de entendimentos divergentes, tanto no âmbito doutrinário, quanto na esfera jurisprudencial, visto que alguns doutrinadores e magistrados são favoráveis à aplicação de tal instituto no âmbito da Justiça do Trabalho, ao passo que outros são contrários a tal aplicação.
Conclui-se, portanto, que a problemática enfrentada sobre a aplicação do instituto da intervenção de terceiros no processo do trabalho se dá em virtude da Justiça do Trabalho possuir institutos próprios, sendo exercida mediante a atuação de juízes especializados que possuem competência para processar e julgar litígios laborais. Portanto, quando surge a figura do terceiro no processo do trabalho, dúvidas nascem quanto a aplicação no processo do trabalho, de uma norma presente na legislação processual civil.
Com a elaboração do primeiro capítulo, no qual foi apresentado um estudo sobre jurisdição, ação e processo, constatou-se que a jurisdição é o poder/dever e função do Estado de prestar a tutela jurisdicional a todo o indivíduo que o invoque por meio do exercício do direito de ação. A tutela jurisdicional é prestada pelo Estado por meio de um processo.
Já na elaboração do segundo capítulo foi possível extrair que além das partes que formam originalmente um processo, terceiros interessados também
podem intervir no mesmo. Os terceiros se apresentam no processo através das modalidades de intervenção que compõem o instituto da intervenção de terceiros.
Ao longo da pesquisa pode-se observar que mesmo com a edição da Emenda Constitucional n. 45 de 08 de dezembro de 2004, que ampliou a competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar litígios, a intervenção de terceiros no processo do trabalho ainda é alvos de entendimentos divergentes.
Doutrinariamente constatou-se que a problemática imposta constitui diversidade de opiniões, algumas contrárias e outras favoráveis. Entretanto, mesmo que o estudo proposto esteja em constante conflito, prevalece ante o entendimento dos juristas estudados, ser possível a aplicação do instituto da intervenção de terceiros no processo trabalhista.
Mesmo após o advento da Emenda Constitucional n. 45 de 08 de dezembro de 2004, constata-se que o Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região entre os anos de 2008 a 2012 não tem enfrentado muito a problemática a respeito da aplicação ou não do instituto da intervenção de terceiros no processo trabalhista, haja vista a pequena quantidade de decisões proferidas pelo referido Tribunal a respeito de tal assunto. Mas, ainda que em pequeno número, prevalece frente às decisões encontradas o entendimento de não ser possível à aplicação de tal instituto no processo do trabalho.
De todo modo, com a elaboração do presente trabalho foi possível verificar que umas das modalidades de intervenção de terceiros que teve maior repercussão com a edição da Emenda Constitucional n. 45 de 08 de dezembro de 2004, foi a oposição. A oposição no processo do trabalho, ainda que com certa cautela, passou a ser admitida majoritariamente no âmbito doutrinário após a referida Emenda Constitucional, embora a jurisprudência dentro do marco teórico pesquisado, não tenha se manifestado a respeito de tal questão.
Quanto à assistência constatou-se com análise das decisões apresentadas no presente trabalho, que a jurisprudência só veio firmar, o já mencionado entendimento majoritário da doutrina no sentido de admitir tal modalidade de intervenção de terceiros no processo trabalhista. Deste modo, não restaram dúvidas quanto sua aplicação no processo do trabalho, sendo ela plenamente compatível com o processo trabalhista, devendo apenas observar se o interesse do assistente é
jurídico.
Ainda, outra observação importante está voltada a aplicação da nomeação à autoria no processo do trabalho. A corrente majoritária da doutrina é no sentido de não admitir sua aplicação no processo do trabalho. Na jurisprudência do Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região não foram encontradas decisões a respeito de tal assunto entre os anos de 2008 a 2012, sendo, portanto, discutida somente na esfera doutrinária.
Muito importante também é a observação a respeito da denunciação da lide no processo trabalhista, pois muito embora a OJ 227 do Tribunal Superior do Trabalho que considerava a denunciação da lide incompatível com o processo trabalhista, tenha sido cancelada, ainda assim a denunciação da lide é alvo de grandes divergências. No âmbito doutrinário a denunciação da lide é admitida pela maioria dos juristas no processo trabalhista. Já na jurisprudência do Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região, a denunciação da lide também é admitida de forma majoritária, mas somente quando o litígio versar sobre relação de trabalho, sendo, portanto inaplicável nos conflitos de natureza civil.
Foi possível constatar também que quanto à modalidade de intervenção de terceiros denominada chamamento ao processo, o entendimento majoritário, tanto da doutrina, quanto da jurisprudência, é no sentido de admitir tal modalidade na Justiça do Trabalho, mas somente na hipótese do chamamento ao processo de todos os devedores solidários, quando aquele for alvo único no processo. Nos demais casos do chamamento ao processo, o entendimento doutrinário, bem como o jurisprudencial é no sentido de que estes são incompatíveis com o processo trabalhista.
Assim, com base nos ensinamentos dos doutrinadores mencionados e com base nas decisões proferidas pelo Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região, somos levados a acreditar que não há necessidade da criação de uma Legislação específica para tratar do instituto da intervenção de terceiros no processo do trabalho. Acredita-se que a legislação processual civil que rege tal instituto já seja suficiente para regulá-lo, ainda mais que, quando há lacuna na legislação processual trabalhista, aplica-se a legislação processual civil.
Confirma-se, portanto, as hipóteses que se vão ao encontro da aplicação do instituto da intervenção de terceiros no processo do trabalho, uma vez que, com a ampliação da competência da Justiça do Trabalho, a mesma passou a processar e julgar litígios que decorrem das relações de trabalho, não ficando mais restritas aos conflitos oriundos da relação de emprego. Além disso, o instituto da intervenção de terceiros é compatível com o processo do trabalho, em face do princípio da subsidiariedade, uma vez que, a legislação trabalhista nada fala sobre este instituto, sendo ele regulado exclusivamente pelo Código de Processo Civil que é fonte subsidiária do processo trabalhista.
Porquanto, não se confirma a hipótese que caminha no sentido de não admitir a aplicação do instituto da intervenção de terceiros no processo trabalhista, uma vez que tal instituto constitui forma legítima de intervenção.
Enfim o papel do instituto da intervenção de terceiros no processo do trabalho é de suma importância. Portanto, é imprescindível que se faça uma reflexão a respeito de tal problema, haja vista que após a ampliação da competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar litígios, os conflitos não estão mais centrados entre os trabalhadores, de modo que um terceiro que também tenha interesse no objeto discutido no processo, também dele pode participar.Além disso, com o decorrer da pesquisa foi possível constatar que a intervenção de terceiros no processo do trabalho constitui forma regular do direito de ação, mais uma razão pela qual deve ser admitida no processo do trabalho.
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