1.5 PROCESSO - CONSIDERAÇÕES INICIAIS
1.5.2 Procedimento
Muito se falou até agora de processo como o caminho, o meio, que o Estado, quando provocado pelo direito de ação, utiliza-se para o exercício da jurisdição. Cumpre agora verificar como esse caminho é composto/formado.
Enquanto o processo é a forma pela qual o Estado presta a tutela jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação, criado através de uma relação processual. 85
Procedimento é, portanto, “sinônimo de rito do processo, ou seja, ‘o modo e a forma por que se movem os atos no processo’”. 86
Para Cássio Scarpinella Bueno, procedimento é:
o lado extrínseco, palpável, sensível e constatável objetivamente, pelo qual se desenvolve o ‘processo’ ao longo do tempo.
Procedimento é a forma específica de manifestação, de organização, de estruturação do próprio processo, dos diversos atos e fatos relevantes para o processo (e, por isto, atos e fatos processuais) ao longo do tempo.87
O procedimento se subdivide em procedimento comum e em procedimentos especiais. O procedimento comum pode ser ordinário ou sumário, conforme menciona o artigo 272, caput, do Código de Processo Civil. 88
1.5.2.1 Procedimento Comum
84 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo, GRINOVER, Ada Pellegrini, DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. 26. ed. rev. e atual. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 345.
85 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Teoria geral do direito processual civil e processo de conhecimento.
50. ed. Rio de Janeiro: Forene, 2009. p. 324.
86 AMARAL SANTOS apud THEODORO JÚNIOR, Humberto. Teoria geral do direito processual Civil e processo de conhecimento. 50. ed. Rio de Janeiro: Forene, 2009. p. 46.
87 BUENO, Cássio Scarpinella. Curso sistematizado de direito processual civil: teoria geral do direito processual civil. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 470.
88 MARINONI, Luiz Guilherme. Curso de processo civil: processo de conhecimento. 6. ed. rev., atual. e ampl.
da obra Manual do processo de conhecimento. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 61.
Procedimento comum é aquele que se aplica a todas as causas, com exceção apenas daquelas em que se determina um rito próprio ou específico, ou seja, o procedimento comum será utilizado sempre que não houver um procedimento especial. Deste modo, o procedimento comum se subdivide em dois ritos, o ordinário e o sumário. 89
O procedimento ordinário é aquele aplicado nas situações das quais não cabe o procedimento sumário e nem qualquer procedimento especial. Desta forma,
“as normas do procedimento ordinário incumbe, assim, o papel de ‘enchedoras das lacunas da lei no trato de outros processos, na medida em que não lhes apague a especialidade’”. 90
Além disso, o procedimento ordinário é o mais completo e mais apto à realização do processo de conhecimento, tendo em vista que, é o que proporciona maior amplitude de atuação as partes e ao magistrado, na busca da verdade real. 91
Para tanto, “o procedimento ordinário desdobra-se em quatro fases: a postulatória, a de saneamento, a instrutória e a decisória”. Referidas fases nem sempre conseguem ser visualizadas separadamente em um processo, pois, às vezes interpenetram, mas, continuam a desenvolver suas atividades. 92
Porém, o legislador em busca de um procedimento mais célere que o ordinário, criou um novo procedimento, o chamado procedimento sumário. 93
O procedimento sumário tem por objetivo propiciar um tratamento mais simples e rápido a alguns conflitos de interesses, mais precisamente as causas que não excedam determinado valor e, naquelas, cuja natureza mais se adéqua ao procedimento simplificado. 94
89 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Teoria geral do direito processual civil e processo de conhecimento.
50. ed. Rio de Janeiro: Forene, 2009. p. 324.
90 PONTES DE MIRANDA apud THEODORO JÚNIOR, Humberto. Teoria geral do direito processual civil e processo de conhecimento. 50. ed. Rio de Janeiro: Forene, 2009. p. 324.
91 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Teoria geral do direito processual civil e processo de conhecimento.
50. ed. Rio de Janeiro: Forene, 2009. p. 326.
92 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Teoria geral do direito processual civil e processo de conhecimento.
50. ed. Rio de Janeiro: Forene, 2009. p. 326.
93 MARINONI, Luiz Guilherme. Curso de processo civil: processo de conhecimento. 6. ed. rev., atual. e ampl.
da obra Manual do processo de conhecimento. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 61.
94 MARINONI, Luiz Guilherme. Curso de processo civil: processo de conhecimento. 6. ed. rev., atual. e ampl.
da obra Manual do processo de conhecimento. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 61.
Desta forma, o procedimento sumário não será observado nos casos em que esteja previsto procedimento especial, ou se tratar de “ações relativas ao estado e a capacidade das pessoas”. 95
1.5.2.2 Procedimento Especial
Acompanhando o procedimento comum há os procedimentos especiais.
Os procedimentos especiais são aqueles utilizados, como próprio nome revela, para processar causas especiais. Podem-se citar como exemplo de procedimento especial, os Juizados Especiais previstos na Lei 9.099, de 26 de setembro de 1995, nos quais predominam os princípios da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade. 96
Além disso, os procedimentos especiais recebem esta denominação, pois
“apresentam regras diferenciadas na organização de seus atos processuais ao longo do tempo quando comparados com os procedimentos comuns, e mais especificamente, com o procedimento ordinário”. 97
O procedimento especial pode ser de jurisdição contenciosa ou de jurisdição voluntária, sendo que a primeira “referem-se à solução de litígios” e a última “apenas à administração judicial de interesses privados não-litigiosos”. No rito de jurisdição voluntária, não há processo, apenas procedimento, nos quais o juiz não exerce função jurisdicional, mas “tão-só administrativa tendente à formação de negócios jurídicos em que a lei houve por bem exigir a participação de órgão da justiça para aperfeiçoamento e eficácia”. 98
Em se tratando do procedimento de jurisdição contenciosa, tudo o que neles se encontra efetivamente é, quase sempre, “uma simbiose de cognição e
95 MARINONI, Luiz Guilherme. Curso de processo civil: processo de conhecimento. 6. ed. rev., atual. e ampl.
da obra Manual do processo de conhecimento. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 61.
96 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Teoria geral do direito processual civil e processo de conhecimento.
50. ed. Rio de Janeiro: Forene, 2009. p. 324.
97 BUENO, Cássio Scarpinella. Curso sistematizado de direito processual civil: teoria geral do direito processual civil. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 472.
98 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Teoria geral do direito processual civil e processo de conhecimento.
50. ed. Rio de Janeiro: Forene, 2009. p. 325.
execução, gerando, numa só relação processual, um complexo de atividades que configuram as chamadas ações executivas ‘latu sensu’”. 99
Tratada a jurisdição, a ação e o processo de forma suficiente a ser possível a compreensão de suas generalidades e finalidades, passa-se a expor um estudo sobre a intervenção de terceiros no processo, delimitando-se mais o objeto de estudo.
99 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Teoria geral do direito processual civil e processo de conhecimento.
50. ed. Rio de Janeiro: Forene, 2009. p. 325.
2 INTERVENÇÃO DE TERCEIROS
Feitas as consideração sobre jurisdição, ação e processo, parte-se para a análise do instituto da intervenção de terceiros, apresentando suas diversas formas de intervenção.
Salienta-se que, a intervenção de terceiros ocorre via de regra no processo de conhecimento, podendo em algumas hipóteses ocorrer no processo de execução. No entanto, o presente trabalho é apenas atento ao processo de conhecimento.