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O segurado deve também “[...] zelar pela conservação de seu veículo e entregá-lo, quando for o caso, somente a pessoa habilitada, comunicando ainda ao segurador todo incidente que de algum modo aumente os riscos”305 sob pena de desobrigar o segurador do dever de indenizar306.

I - danos pessoais resultantes de radiações ionizantes ou de contaminações por radioatividade de qualquer combustível nuclear ou de qualquer resíduo de combustão de matéria nuclear;

II - multas e fianças impostas ao condutor ou proprietário do veículo e as despesas de qualquer natureza decorrentes de ações ou processos criminais; e

III - acidentes ocorridos fora do Território Nacional.308

Assim, estão cobertos pelo seguro DPVAT a morte, invalidez permanente e despesas de assistência médico-hospitalares.

É conveniente salientar que a Lei n. 11.482/07, não modificou as coberturas oferecidas pelo seguro DPVAT, mas sim, o quantum indenizável, o prazo para pagamento da indenização e os rol de beneficiários.

Destaca-se que no que concerne ao quantum indenizatório, a Lei 6194/74 fixava os valores das indenizações em salários-mínimos, todavia, a edição da Lei n. 6.205/75 vedou o “[...] reajuste de valores, indenizações e pensões tomando-se o salário mínimo como fator de correção monetária” 309. Posteriormente, a Constituição Federal de 1988, em seu art. 7°, IV, in fine veda a vinculação do salário mínimo a qualquer fim310. A partir de então,

[...] valendo-se da Lei n. 6.423/77 e de interpretação equivocada do art. 12 da Lei n. 6194/74, que deu competência ao Conselho Nacional de Seguros Privados – CNPS para através de suas resoluções, disciplinar e fixar tarifas aplicáveis ao seguro obrigatório, as companhias seguradoras, e, por conseguinte, os Consórcio DPVAT, têm como base para o pagamento das indenizações as resoluções periodicamente editadas por esse conselho [...].311

A Resolução no. 138/2005 fixou em seu art. 3° que e m caso de morte a indenização seria de R$ 13.479,48 (Treze mil, quatrocentos e setenta e nove reais e quarenta e oito centavos); em caso de invalidez permanente em até 13.479,48 (Treze mil, quatrocentos e setenta e nove reais e quarenta e oito centavos); e em caso de despesas de assistência médica e suplementares em

308 CONSELHO NACIONAL DE SEGURO PRIVADO. Resolução n. 154, 08 de

dezembro de 2006. Disponível em: www.susep.gov.br/textos/resol154.pdf . Acesso em 20 ago. de 2008.

309 MARTINS, Rafael Tárrega. Seguro DPVAT: seguro obrigatório de veículos automotores de vias terrestres. 3. ed. Campinas, SP: Servanda Editora, 2008. p.58

310 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988.

311 MARTINS, Rafael Tárrega. Seguro DPVAT: seguro obrigatório de veículos automotores de vias terrestres. 3. ed. Campinas, SP: Servanda Editora, 2008. p.58

até 2.695,90 (dois mil, seiscentos e noventa e cinco reais e noventa centavos).312

A referida Resolução contrariava a Lei n. 6.194/74 que fixava o valor da indenização em salário mínimo, o que ocasionou uma série de demandas judiciais. Ante estas demandas a jurisprudência tem sido unânime em afirmar que as normas infralegais emanadas pela SUSEP e pelo CNSP não se sobrepõem as espécies normativas (Leis n. 6.194/74, 8.441/92 e 11.482/07) elaboradas de acordo com o processo legislativo, e, portanto, hierarquicamente superiores. A incompatibilidade entre o disposto no art. 3°, “b”, da Lei n.

6.194/74 e as normas legais que vedam o emprego do salário mínimo como parâmetro de correção de valor real da moeda inexiste vez que o montante indenizatório decorrente do seguro DPVAT não se confunde com qualquer espécie de índice de reajuste monetário. 313314315

Destaca-se que os sinistros ocorridos antes do início da vigência da Medida Provisória n. 340, em vigor a partir de 29 de dezembro de 2006 e da Lei n. 11.482, de 29 de dezembro de 2006, permanecem regulados pela Lei 6.194/74, em virtude do princípio da irretroatividade316. 317318

312 CONSELHO NACIONAL DE SEGURO PRIVADO. Resolução n. 138, 24 de novembro de 2005. Disponível em: www.susep.gov.br/textos/resol138.pdf . Acesso em 20 set. de 2008.

313 SANTA CATARINA. Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Apelação Cível n.

2008.049693-7, de Capital/Estreito,da Quarta Câmara Cível. Florianópolis, 31 de outubro 2008. Relator Eládio Torret Rocha. Disponível em

http://tjsc6.tj.sc.gov.br/jurisprudencia/ . Acesso em 01 nov. 2008

314 Neste sentido: SANTA CATARINA. Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

Apelação Cível n. 2004.035084-2, de Joinville. Florianópolis, 08 de abril de 2008.

Relator Wilson Augusto do Nascimento. Disponível em

http://tjsc6.tj.sc.gov.br/jurisprudencia/ . Acesso em 01 nov. 2008

315 SANTA CATARINA. Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Apelação Cível n.

2008.005902-1, de Rio do Sul,da Quarta Câmara Cível. Florianópolis, 25 de setembro 2009. Relator Eládio Torret Rocha. Disponível em

http://tjsc6.tj.sc.gov.br/jurisprudencia/ . Acesso em 30 out. 2008

316 Art. 6º da Lei de Introdução ao Código Civil – “A lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada.” § 2º - Consideram-se adquiridos assim os dirietos que o seu titular, ou alguém por ele, possa exercer, como aqueles cujo começo do exercício tenha termo prefixo, ou condição preestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. (NEGRÃO, Theotônio; GOUVÊA, José Roberto Ferreira. Código Civil e legislação civil em vigor. 26. ed. atual. Até 16 de janeiro de 2007. São Paulo: Saraiva, 2007)

317 No mesmo sentido: SANTA CATARINA. Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

Apelação Cível n. 2008.053268-0, de Tubarão. Florianópolis, 29 de outubro 2009.

A priori a problemática do quantum indenizatório teria sido resolvida com as alterações introduzidas pela Lei n. 11.482/07 que fixa os valores em reais, todavia, considerando que o salário mínimo vigente é de R$ 415,00 (quatrocentos e quinze reais), se a indenização fosse fixada em salário mínimo, conforme dispunha a Lei anteriormente, o valor a ser recebido pelo beneficiário seria o equivalente a R$ 16.600,00 (dezesseis mil e seiscentos reais), contudo, a indenização hoje prevista foi fixada em R$ 13.500,00 (treze mil e quinhentos reais). Ou seja, o fator de atualização empregado pela Lei n. 6.194/74 deixou de existir, ocasionando perda ao beneficiário319.

Em recente decisão proferida na Comarca de Juara, no Mato Grosso, o Juiz Douglas Bernardes Romão, declarou a inconstitucionalidade, de maneira incidente, da nova redação do art. 3° da Lei n. 6.1 94/74 introduzida pela Lei n.

11.482/2007 e pela Medida Provisória n. 340/2006, por entender que houve ofensa ao princípio da vedação do retrocesso320.

A doutrina jurídica consolidou o princípio da vedação de retrocesso, pelo qual, de forma resumida, se o ordenamento jurídico atingir determinado avanço em direitos fundamentais, não se torna compatível com a Constituição a supressão, por ato legislativo ou decisão judicial, do patamar atingido até então, tampouco a diminuição do direito já estabelecido.321 Assim, a modificação introduzida gerou retrocesso no âmbito dos direitos do segurado, parte mais fraca da relação contratual, vez que diminui o valor da indenização devida pela seguradora no caso da ocorrência do sinistro.

Outrossim, importante registrar que seguro obrigatório passa a vigorar a partir do faturamento da nota fiscal do veículo em nome de seu proprietário vez que o segurado possui direito a cobertura independentemente do Relator Marcus Tulio Sartorato. Disponível em

http://tjsc6.tj.sc.gov.br/jurisprudencia/ . Acesso em 30 out. 2008

318 SANTA CATARINA. Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Apelação Cível n.

2008.005902-1, de Rio do Sul,da Quarta Câmara Cível. Florianópolis, 25 de setembro 2009. Relator Eládio Torret Rocha. Disponível em

http://tjsc6.tj.sc.gov.br/jurisprudencia/ . Acesso em 30 out. 2008

319 MARTINS, Rafael Tárrega. Seguro DPVAT: seguro obrigatório de veículos

automotores de vias terrestres. 3. ed. Campinas, SP: Servanda Editora, 2008.p. 55-56.

320 JUIZ declara inconstitucionalidade de artigo sobre seguro obrigatório.

Disponível em: http://www.tj.mt.gov.br/conteudo.aspx?IDConteudo=6603 . Acesso em 29 jul. 2008.

321 JUIZ declara inconstitucionalidade de artigo sobre seguro obrigatório.

Disponível em: http://www.tj.mt.gov.br/conteudo.aspx?IDConteudo=6603 . Acesso em 29 jul. 2008.

pagamento do seguro obrigatório. O proprietário de veículo 0 (zero) kilometro, por exemplo, no caminho percorrido da concessionária até o DETRAN mais próximo pode se envolver em um acidente de trânsito, e, mesmo sem ter pago o prêmio estará acobertado pelo seguro DPVAT.322

Tendo sido discorrido sobre a forma de fixação do quantum indenizatório, se em salário ou em reais, passa-se a investigar o arbitramento do valor indenizável de acordo com o sinistro ocorrido.

Em se tratando de indenização em caso de morte não há divergência, a lei fixa o quantum indenizatório de maneira precisa. Se o acidente de trânsito houver ocorrido antes da entrada em vigor da Medida Provisória n. 340/2006, o valor da indenização será o equivalente a 40 (quarenta) salários mínimos, já se este ocorreu posteriormente o valor será de R$ 13.500,00 (treze mil e quinhentos reais).323

Já no que se refere à indenização por invalidez permanente, a norma fixava e, ainda fixa, o montante em até determinado valor. O pagamento da indenização é realizado com base em laudo médico e o quantum fixado na tabela utilizada pelas seguradoras, para indenização da cobertura de invalidez permanente nos seguros de acidentes pessoais constante no anexo 1 deste trabalho.

Esta tabela apresenta percentuais mínimos a serem considerados sobre a importância segurada por órgão ou membro lesado a serem considerados nas condições gerais dos segurados que possuam a garantia de invalidez por acidente.324

Na falta de indicação do percentual de redução e sendo informado apenas que houve redução mínima, média ou máxima a indenização é calculada, respectivamente, na base de 25%, 50% ou 75%. Caso a lesão não esteja prevista na tabela, a indenização é fixada com base na diminuição

322 Art. 4° Resolução n. 154, 08 de dezembro de 200 6 (CONSELHO NACIONAL DE SEGURO PRIVADO. Resolução n. 154, 08 de dezembro de 2006. Disponível em:

www.susep.gov.br/textos/resol154.pdf . Acesso em 20 ago. de 2008).

323 RIZZARDO, Arnaldo. A reparação nos acidentes de transito. Revista dos Tribunais.

P. 219-220

324 SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS. Disponível em

http://www.susep.gov.br/menuatendimento/seguro_pessoas_consumidor.asp#ac_pess oais . Acesso: 25 set. 2008.

permanente da capacidade física do segurado, independentemente de sua profissão. Os dados estéticos não dão direito a indenização. 325

Ocorrendo invalidez de mais de um membro ou órgão, ou duas ou mais lesões em um mesmo membro, os percentuais serão somados não podendo ultrapassar 100% do valor da indenização326, no caso do DPVAT, R$ 13.500,00 (treze mil e quinhentos reais).

Assim, ficaria ao crivo de um médico, ou junta médica fixar o grau de invalidez e a SUSEP arbitrar o quantum indenizatório o que na visão da jurisprudência constitui verdadeira arbitrariedade vez que não se pode graduar a invalidez permanente:

Ação de cobrança. Seguro obrigatório (dpvat). Invalidez permanente. Importância devida de quarenta salários mínimos independentemente do grau de invalidez. Direito ao recebimento da indenização. Desnecessidade de prova pericial. Inocorrência de prescrição. Súmula 14 das turmas recursais. 1. Havendo comprovação da incapacidade, é o Juizado Especial Cível competente para apreciar a matéria relativa ao pagamento de seguro DPVAT, inexistindo complexidade de prova que pudesse afastar tal competência.

2. Não se pode graduar a invalidez permanente, sendo inviável a limitação da indenização com base em Resolução editada pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP). 3.

Devido assim o pagamento do valor integral do seguro na importância de quarenta salários mínimos. Sentença confirmada por seus próprios fundamentos. Recurso improvido.

327

A Jurisprudência do Tribunal de Justiça de Santa Catarina segue no mesmo sentido:

Ação de cobrança de complementação de seguro obrigatório (DPVAT). Acidente de trânsito. Suscitada a carência de ação por falta de interesse de agir em decorrência da plena quitação dada pelo beneficiário. Recibo da quantia efetivamente paga que não importa renúncia ao direito de postular em juízo a diferença. Preliminar afastada. Invalidez permanente

325 SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS. Disponível em

http://www.susep.gov.br/menuatendimento/seguro_pessoas_consumidor.asp#ac_pess oais . Acesso: 25 set. 2008.

326 SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS. Disponível em

http://www.susep.gov.br/menuatendimento/seguro_pessoas_consumidor.asp#ac_pess oais . Acesso: 25 set. 2008.

327 RIO GRANDE DO SUL. Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Recurso Cível Nº 71001759620, Primeira Turma Recursal Cível, Turmas Recursais, Porto Alegre, 30 de outubro de 2008. Relator: Ricardo Torres Hermann. Disponível em:

http://www.tj.rs.gov.br/site_php/jprud2/ementa.php . Acesso em 04 nov. 2008.

comprovada através de laudo pericial. Desnecessidade de realização de outra perícia médica. indenização devida no valor de r$ 13.500,00. Quantia arbitrada pelo juízo a quo com base nas alterações da Lei n.º 6.194/74 realizadas pela lei n.º 11.482/07. Normas da CNSP e da SUSEP. Inaplicabilidade.

Irrelevância da extensão da incapacidade laborativa do segurado. Correção monetária fixada desde a data da ciência inequívoca do sinistro. Pleito da ré para que o termo inicial fosse a data do ajuizamento da demanda. impossibilidade. Erro material quanto à especificação do dia em que a ré teve notícia do acidente. Correção de ofício. Litigância de má-fé da seguradora configurada. Reconhecimento ex officio. Sentença mantida. Recurso desprovido.328 Apelação Cível n. 2008.051384-8, de Blumenau

Considerando que a Lei n. 6.194/74 alterada pela Lei n. 11.482/07 não trouxe qualquer tabela ou indicação de modelo para aplicação da indenização por invalidez permanente, não cabe ao CNSP, legislar a respeito, em função de sua posição hierarquicamente inferior a Lei. Assim a jurisprudência tem se manifestado em atribuir o valor máximo de indenização independentemente da extensão da incapacidade laborativa.

Por fim, para ter acesso ao reembolso das despesas de assistência médica e suplementares à vítima deverá anexar ao requerimento às notas e recibos comprovando os gastos. A seguradora só se eximirá da cobertura securitária, se a fraude ficar robustamente comprovada. 329