autor, vez que ela não aparece elencada em seu rol de elementos, mas é tratada como parte do contrato e base de sua formação.90
A apólice “[...] deverá ser precedida de proposta escrita com a declaração dos elementos essenciais do interesse a ser garantido e do risco futuro assumido”.91
Quanto à titularidade a apólice pode ser nominativa, à ordem ou ao portador, salvo no seguro de pessoas que só poderá ser nominativa ou à ordem. 92
Se o risco for assumido em co-seguro a apólice deverá indicar o segurador que administrará o contrato e representará os demais. 93
João Marcos Brito Martins não considera o co-seguro um elemento do contrato em virtude de que, o segurado contrata com diversas seguradoras ao mesmo tempo frações da cobertura do seu interesse não existindo solidariedade entre as mesmas. Neste caso, as seguradoras podem emitir cada uma sua apólice, ou uma única, na qual constarão as responsabilidades percentuais de cada co-seguradora.94
securitária tratam deste assunto em diversos dispositivos, no entanto, para melhor compreensão os mesmos serão dispostos com base na doutrina e de maneira enumerativa.
1.6.1 Direitos e deveres do segurado
O segurado possui os seguintes direitos: a) receber a indenização, ou a quantia estipulada ou reparação do dano até o limite da apólice, dentro do risco previsto95; b) reter os prêmios atrasados e fazer outro seguro pelo valor integral, se o segurador estiver insolvente; c) não ver aumentado o prêmio, ainda que hajam agravado os riscos assumidos pelo segurador em virtude de fato alheio à sua vontade96; d) receber o reembolso de despesas feitas no interesse da seguradora para reduzir os prejuízos97; e) ser defendido judicialmente pela seguradora nos casos de responsabilidade civil, quando a reparação do dano estiver prevista na apólice98; f) exigir, a revisão do prêmio, quando a redução do risco for considerável, a fim de que haja adequação do contrato a nova realidade, ou se preferindo, solicitar sua resolução99.100
Em contrapartida são considerados deveres dos segurados: a) pagar o prêmio convencionado no prazo estipulado em decorrência do risco assumido pela seguradora ainda que não verificado o risco ao qual se
95 Art. 757 do Código Civil. (NEGRÃO, Theotônio; GOUVÊA, José Roberto Ferreira.
Código Civil e legislação civil em vigor. 26. ed. atual. Até 16 de janeiro de 2007.
São Paulo: Saraiva, 2007).
96 Art. 769 do Código Civil. (NEGRÃO, Theotônio; GOUVÊA, José Roberto Ferreira.
Código Civil e legislação civil em vigor. 26. ed. atual. Até 16 de janeiro de 2007.
São Paulo: Saraiva, 2007).
97 Art. 771 do Código Civil. (NEGRÃO, Theotônio; GOUVÊA, José Roberto Ferreira.
Código Civil e legislação civil em vigor. 26. ed. atual. Até 16 de janeiro de 2007.
São Paulo: Saraiva, 2007).
98 Art. 787 do Código Civil. (NEGRÃO, Theotônio; GOUVÊA, José Roberto Ferreira.
Código Civil e legislação civil em vigor. 26. ed. atual. Até 16 de janeiro de 2007.
São Paulo: Saraiva, 2007).
99 Art. 771 do Código Civil. (NEGRÃO, Theotônio; GOUVÊA, José Roberto Ferreira.
Código Civil e legislação civil em vigor. 26. ed. atual. Até 16 de janeiro de 2007.
São Paulo: Saraiva, 2007).
100 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: teoria das obrigações contratuais e extracontratuais. 22. ed.rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2006. p. 543- 544.
garantiu101;responder pelos juros moratórios102; abster-se de toda e qualquer possibilidade capaz de aumentar ou agravar o risco, objeto do contrato, sob pena de perda do direito à garantia securitária103;comunicar à seguradora circunstâncias alheias a sua vontade que possam agravar o risco104; comunicar à segurado a ocorrência do sinistro, tão logo saiba de sua ocorrência, tomando providências imediatas a fim de amenizar os prejuízos, sob pena de perda do direito à indenização105; provar os prejuízos advindos do sinistro; agir com lealdade, sinceridade e sem omissões intencionais, quando responder aos questionamentos necessários à avaliação do risco e determinação do prêmio, sob pena de perda do direito à garantia de pagar o prêmio vencido106;não transacionar com a vítima ou responsável pelos danos, sem prévio consentimento do segurador107.108
1.6.2 Direitos e deveres da segurada
101 Arts. 757 e 764 do Código Civil. (NEGRÃO, Theotônio; GOUVÊA, José Roberto Ferreira. Código Civil e legislação civil em vigor. 26. ed. atual. Até 16 de janeiro de 2007. São Paulo: Saraiva, 2007).
102 Art. 763 do Código Civil. (NEGRÃO, Theotônio; GOUVÊA, José Roberto Ferreira.
Código Civil e legislação civil em vigor. 26. ed. atual. Até 16 de janeiro de 2007.
São Paulo: Saraiva, 2007).
103 Art. 768 do Código Civil. (NEGRÃO, Theotônio; GOUVÊA, José Roberto Ferreira.
Código Civil e legislação civil em vigor. 26. ed. atual. Até 16 de janeiro de 2007.
São Paulo: Saraiva, 2007).
104 Art. 769, §§1° e 2°do Código Civil. (NEGRÃO, Theot ônio; GOUVÊA, José Roberto Ferreira. Código Civil e legislação civil em vigor. 26. ed. atual. Até 16 de janeiro de 2007. São Paulo: Saraiva, 2007).
105 Art. 771, parágrafo único do Código Civil. (NEGRÃO, Theotônio; GOUVÊA, José Roberto Ferreira. Código Civil e legislação civil em vigor. 26. ed. atual. Até 16 de janeiro de 2007. São Paulo: Saraiva, 2007).
106 Arts. 765 e 766 do Código Civil. (NEGRÃO, Theotônio; GOUVÊA, José Roberto Ferreira. Código Civil e legislação civil em vigor. 26. ed. atual. Até 16 de janeiro de 2007. São Paulo: Saraiva, 2007).
107 Art. 795do Código Civil. (NEGRÃO, Theotônio; GOUVÊA, José Roberto Ferreira.
Código Civil e legislação civil em vigor. 26. ed. atual. Até 16 de janeiro de 2007.
São Paulo: Saraiva, 2007).
108 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: teoria das obrigações contratuais e extracontratuais. 22. ed.rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2006. p. 544- 547.
São direitos da seguradora: a) receber o prêmio na forma contratada109; b) isentar-se do dever de indenizar quando provado que o segurado agiu dolosamente, ou quando a apólice tenha caducado por falta de pagamento, ou ainda quando a ocorrência se deu em virtude de vício intrínseco da coisa110;c) responder apenas pelos riscos que assumiu 111; d) sub-rogar-se, se pagar indenização, no direito contra o autor do sinistro, podendo reaver o que desembolsou112; e) merecer a lealdade e boa-fé do segurado, do início ao término do contrato113; f) reajustar o prêmio para que este corresponda ao risco assumido; g) exonerar-se de suas responsabilidade em de mora no pagamento do prêmio, se o sinistro ocorrer antes de sua purgação114.115
De outro lado são deveres da seguradora: a) indenizar o segurado dos prejuízos sofridos e cobertos pelo contrato; b) aceitar a cessão do seguro e pagar a indenização a terceiro116; c) pulverizar risco por meio de co-seguro e resseguro; d) não comprometer-se com responsabilidade cujo valor seja superior aos seus limites técnicos; e) cumprir com as obrigações advindas da mora ou da desvalorização da moeda com a respectiva atualização monetária
109 Art. 757 do Código Civil. (NEGRÃO, Theotônio; GOUVÊA, José Roberto Ferreira.
Código Civil e legislação civil em vigor. 26. ed. atual. Até 16 de janeiro de 2007.
São Paulo: Saraiva, 2007).
110 Arts. 763, 778, 766, 784 e parágrafo único do Código Civil. (NEGRÃO, Theotônio;
GOUVÊA, José Roberto Ferreira. Código Civil e legislação civil em vigor. 26. ed.
atual. Até 16 de janeiro de 2007. São Paulo: Saraiva, 2007).
111 Art. 776 do Código Civil. (NEGRÃO, Theotônio; GOUVÊA, José Roberto Ferreira.
Código Civil e legislação civil em vigor. 26. ed. atual. Até 16 de janeiro de 2007.
São Paulo: Saraiva, 2007).
112 Art. 786, §§ 1º e 2º do Código Civil. (NEGRÃO, Theotônio; GOUVÊA, José Roberto Ferreira. Código Civil e legislação civil em vigor. 26. ed. atual. Até 16 de janeiro de 2007. São Paulo: Saraiva, 2007).
113 Art. 765 do Código Civil. (NEGRÃO, Theotônio; GOUVÊA, José Roberto Ferreira.
Código Civil e legislação civil em vigor. 26. ed. atual. Até 16 de janeiro de 2007.
São Paulo: Saraiva, 2007).
114 Art. 763 do Código Civil. (NEGRÃO, Theotônio; GOUVÊA, José Roberto Ferreira.
Código Civil e legislação civil em vigor. 26. ed. atual. Até 16 de janeiro de 2007.
São Paulo: Saraiva, 2007).
115 OLIVEIRA, Celso Marcelo de. Teoria geral dos contratos de seguro. Campinas, SP: LZN, 2006. p. 475-477.
116 Art. 166 do Código Civil. (NEGRÃO, Theotônio; GOUVÊA, José Roberto Ferreira.
Código Civil e legislação civil em vigor. 26. ed. atual. Até 16 de janeiro de 2007.
São Paulo: Saraiva, 2007).
da indenização devida117; f) pagar o prêmio em dobro, se não houver má fé do segurado118; g) defender o segurado e tomar as providências necessárias para eliminar ou reduzir os efeitos maiores do risco, desde que o segurado tenha lhe comunicado algum fato incidente; h) tomar as medidas necessárias logo que souber do sinistro; i) pagar, diretamente, ao terceiro prejudicado a indenização pelo sinistro quando o seguro for de responsabilidade legalmente obrigatório119.120