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Da redução e analise de Dados

2.4 Procedimentos

2.4.2 Da redução e analise de Dados

Os dados foram transcritos para planilhas do SPSS de modo a realizar as análises previstas. Foram comparados os escores de exposição a violência (Questões sobre exposição a violência) e da avaliação do contexto (Escala de Avaliação de Satisfação e Segurança no local de moradia) dos grupos de moradores da Rocinha antes e depois da UPP através de testes U de Mann-Whitney.

Foi avaliada a possível mudança na medida de efeito da exposição a violência (Questões sobre exposição a violência), da avaliação do contexto (Escala de Avaliação de Satisfação e Segurança no local de moradia) sobre a orientação para o futuro (escore de desconto do futuro).

As entrevistas semi-estruturadas foram submetidas a análise de conteúdo (Bardin, 2016). As categorias foram definidas a partir perspectiva da Psicologia Evolucionista, que considera a segurança (imprevisibilidade ambiental) e a satisfação (disponibilidade de recursos) do ambiente importantes para uma orientação de estratégias adaptativas que são adotadas pelos indivíduos dentro dos seus locais de moradia.

De acordo com o que buscávamos analisar sobre as duas perguntas realizadas foram definidas cinco categorias: segurança, satisfação, ideia geral, estratégia e impacto.

 Segurança: Segundo o dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2009), segurança é a ação ou efeito de tornar(-se) seguro, estabilidade, firmeza. Estado, qualidade ou condição de quem ou do que está livre de perigos, incertezas, assegurado de danos e riscos eventuais. Situação que nada há a temer. Condição ou caráter do que é firme, seguro, sólido, ou daquele com quem se pode contar ou em quem se pode confiar. Para Ellis, Figueredo, Brumbach e Schlomer (2009) o risco ambiental (environmental harshness) são as características de morbidade e mortalidade para individuos.

Buscamos identificar a imprevisibilidade do ambiente em relação aos riscos experimentados na integridade física e psicológica dos indivíduos, podendo ser a violência física e-ou verbal. A percepção da segurança pode ser positiva (SGP), negativa (SGN) ou mista (SGM).

 Satisfação: Segundo o dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2009) satisfação é o ato ou efeito de satisfazer (-se). Contentamento, prazer advindo da realização do que se espera, do que se deseja. Para Ellis, Figueredo, Brumbach e Schlomer (2009) e a imprevisibilidade/escassez de recursos (resource scarcity). Identificamos a disponibilidade ou não de recursos no local de moradia através das condições de saúde, mobilidade urbana, educação, cultura (projetos sociais) e lazer. A percepção da satisfação pode ser positiva (STP), negativa (STN), ou mista (STM).

 Ideia Geral: Identificamos a ideia geral como uma representação geral, global sobre a comunidade analisada (Rocinha). A ideia geral sobre o contexto pode ser positiva (IGP), negativa (IGN) ou mista (IGM).

 Estratégia: Segundo o dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2009) estratégia são meios desenvolvidos para conseguir algo. Identificamos como recursos e comportamentos adotados pelos individuos na comunidade para uma melhor convivência e sobrevivência no local de moradia. Os sujeitos podem apresentar ou não essas estratágias nas entrevistas.

 Impacto: Segundo o dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2009) impacto é ato ou efeito de impactar, impressão ou efeito muito fortes deixados por certa ação ou acontecimento. Identificamos em relação a UPP qual foi o impacto do programa na vida dos individuos ou na comunidade analisada (Rocinha). A percepção sobre o impacto pode ser positiva (IP), negativa (IN), mista (IM) ou sem impacto (SI).

As entrevistas (N=52) foram analisadas por perguntas. Na pergunta 1 (Me fale sobre a sua vida na Rocinha) foram analisadas a presença ou ausência das seguintes categorias: Ideia Geral, Segurança, Satisfação e Estratégia; na pergunta 2 (Que impacto a UPP teve sobre a sua vida, em que aspectos, de que maneira) foram analisadas as seguintes categorias: Segurança, Estratégia e Impacto. Esta divisão das categorias por perguntas ocorreu após a primeira avaliação dos juizes de 20% do total das entrevistas em que se identificou que as categorias estavam mais bem distribuidas nas entrevistas conforme assinalado acima.

Foi utilizado o software para cálculo de Kappa ponderado desenvolvido pelo Laboratório de Epidemiologia e Estatística (LEE), disponível em http://www.lee.dante.br/kappa/Kappa.

Para a análise da fidedignidade das categorizações com dois juizes independentes foi calculado o Kappa ponderado de Cohen. Para a pergunta 01 (Me fale sobre a sua vida na Rocinha), as respostas referentes a categoria Ideia Geral tiveram índice Kappa de 0,62 (p<0,05), indicando fidedignidade de entre satisfatório a bom. Para a categoria segurança, o índice Kappa foi de 0,83 (p<0,05), indicando excelente fidedignidade. Para a categoria satisfação, o índice Kappa foi de 0,03 (p>0,05), indicando fidedignidade pobre. A categoria estratégia, por sua vez, teve índice Kappa de 0,44 (p<0,05).

Para a pergunta 02 (Que impacto a UPP teve sobre a sua vida), as respostas referentes a categoria segurança receberam Kappa de 0,52 (p<0,05) considerado satisfatório. As respostas referentes a categoria estratégia obtiveram Kappa de 0,74 (p<0,05). Para as respostas referentes a categoria Impacto, o índice da Kappa 0,47 (p<0,05).

Tabela 2 - Índice de fidedignidade (Kappa ponderado de Cohen), p- valor e intervalo de 95% de confiança para as categorias da questão 01 (Me fale sobre a sua vida na Rocinha)

Kappa p-valor Intervalo de 95% de confiança

Ideia geral 0,62 0,00 0,39 – 0,85

Segurança 0,83 0,00 0,47 – 1,00

Satisfação 0,03 0,03 -0,22 – 0,28

Estratégia 0,44 0,02 0,08 – 0,80

Tabela 3 - Índice de fidedignidade (Kappa ponderado de Cohen), p- valor e intervalo de 95% de confianca para as categorias da questao 02 (Que impacto a UPP teve sob a sua vida e de que maneira)

Kappa p-valor Intervalo de 95% de confiança

Segurança 0,52 0,00 0,16 – 0,88

Estratégia 0,74 0,02 0,14 – 1,00

Impacto 0,47 0,00 0,19 – 0,74

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Seguindo a sequência das hipóteses feitas anteriormente nesta tese, os jovens moradores da Rocinha, após o processo (UPP) apresentariam escores significativamente menores de desconto do futuro do que os entrevistados antes da implantação desse processo.

O teste de Kolmogorov-Smirnov da variável dependente (Escore de Desconto do Futuro) não indicou violação do pressuposto de normalidade, portanto, para verificar esta hipótese, foi realizado o teste t de student para amostras independentes.

Os resultados não indicaram diferenças significativas na comparação dos scores de desconto do futuro antes (M= 4,98; DP= 2,28) e depois (M= 4,90; DP= 2,73) da implantação da UPP (t118= 0,15; p > 0,05).

Esses resultados sugerem que neste contexto da Rocinha o programa da UPP parece ter falhado em sua atuação na oferta de um ambiente mais seguro, o que não refletiu em diferenças antes e depois do programa implantado no que consiste a orientação dos jovens para o futuro. Para os moradores da Rocinha não houve mudanças com a entrada da UPP.

Essa não mudança e uma sensação de insegurança ainda presente na comunidade são fatores relevantes para a tomada de decisão e orientação de futuro. Conforme os pressupostos da teoria do desconto do futuro, um tipo de informação que pode afetar o desconto do futuro é a informação que indicará se este futuro acontecerá ou não. A dúvida referente à sua sobrevivência no dia seguinte é motivo para não se pensar muito sobre o futuro e investir esforços em uma orientação para o aqui e agora. O aumento da mortalidade em um grupo de referência aumenta a atração por ações arriscadas em busca de retornos rápidos, especialmente, se as fontes desta mortalidade em excesso são independentes da escolha do sujeito (Daly et al., 2001).

Analisando por sexo, separadamente antes e após a UPP, não foi encontrada diferença significativa nos escores de desconto do futuro de homens e mulheres antes (t38=1,48; p>0,05) e depois (t78=1,29; p>0,05) da implantação.

Foi encontrada correlação positiva da idade com o escore de desconto somente após a implantação da UPP, em que respondentes mais velhos apresentaram maiores escores de desconto (r= 0,28; p<0,05). Este é um resultado inesperado, considerando que a própria teoria do desconto do futuro considera que são os mais jovens que tendem a descontar mais o futuro (Daly & Wilson, 2005). Entretanto considerando a amostra deste estudo, após a implantação da UPP de jovens de idade média de 18,1 anos (DP = 2,73), sendo os mais velhos, 8% dos

jovens, entre 26 e 30 anos completos, acreditamos que a sensação de insegurança, percebida por parte deste grupo de jovens pode ser maior, tendo em vista que esta faixa etária ainda se encontra em um grupo de grande exposição a violência letal. São estatísticas presentes nos estudos de Waiselfisz (2015) o Mapa da violência, já comentadas. Mesmo com as políticas preventivas, lei do desarmamento dentre outras políticas de segurança pública, 59% dos jovens entre 15 e 29 anos morreram vítimas de armas de fogo, sendo de negros o maior grupo.

No estudo de Salata (2012) o fato de o indivíduo morar em favela aumenta consideravelmente suas chances de sofrer agressão fisica por parte de policiais. As análises mostraram também que os jovens (entre 16 e 25 anos de idade), pretos, do sexo masculino e moradores de favelas, são as maiores vítimas de violência policial.

Um modelo linear generalizado (GLM) foi utilizado para testar efeitos de interação das variáveis sexo e idade na comparação dos escores de desconto do futuro antes e depois da UPP. A variável sexo foi incluída como fator aleatório, a idade como covariada de ajuste e os grupos antes e depois da UPP como fator fixo. Os resultados do teste não indicaram efeito significativo da UPP (F (1,115) = 0,22; p>0,05; η=0,06), do sexo do respondente (F (1,115)=

53,97; p>0,05; η=0,98) ou do termo de interação entre UPP*Sexo do respondente (F (1,115)=

0,07; p >0,05; η= 0,00) sobre os escores de desconto do futuro, controlando pelo efeito da variável idade. Esse resultado confirma a análise desta variável no primeiro teste usado para comparar o escore do Desconto do Futuro antes e depois da UPP e não foi encontrado diferanças anteriormente, o que pode ser atribuido a mesma explicação em relação a percepção de não mudança com a entrada do programa da UPP por parte dos moradores da Rocinha.

Considerando a segunda hipótese, acreditávamos que haveria diferenças significativas nos escores de exposição eventos violentos para os jovens moradores da Rocinha e também para cada item de evento violento, antes e após UPP. O teste de normalidade indicou que a variável escore de exposição a eventos violentos não apresenta distribuição normal, portanto foi utilizado o teste U de Mann Whitney, opção não paramétrica para o teste t de student. O resultado do teste não indicou diferença significativa (U= 1575,5; p>0,05) nos escores de exposição a eventos violentos comparando os grupos entrevistados antes (M= 2,90; DP= 2,06) e depois da UPP (M= 2,90; DP= 2,21).

Este resultado mais uma vez sugere possível falha da UPP na comunidade da Rocinha em relação a segurança. De certa forma isso já era indicado pelos resultados de Vilarouca e Ribeiro (2016). Na mesma, somente 29% consideram o ambiente mais seguro na Rocinha pós UPP e 5% pensam que melhorou muito.

Apesar dos resultados para os escores de eventos violentos antes e após a UPP não serem significativos, conforme visto no teste anterior, quando comparados item a item antes e após do processo da UPP, são encontradas diferenças em algumas porcentagens, sendo algumas delas um pouco mais expressivas do que outras conforme segue a tabela a seguir.

Houve aumento em alguns itens como oferta de drogas, e ameaça de morte, mas diminuição em agressão verbal e física. O aumento na oferta de drogas é surpreendente, consierando-se os objetivos da UPP.

Tabela 4 - Porcentagens Item a Item dos eventos violentos

Antes UPP Após UPP

Não (%) Sim (%) Não (%) Sim (%)

Agressão verbal 25 75 36,3 64,8

Mudança por violência

59 41 57,5 42,5

Oferta de Drogas 72,5 27,5 58,8 41,3

Agressão Física 50 50 55 45

Ferido arma de fogo ou

faca 52,5 47,5 66,3 33,8

Ameaça de morte 75 25 67,5 32,5

Sequestro 100 0 95 5

Alguém próximo

assassinado 75 25 74,2 25,8

Apesar das expectativas desta pesquisa, os resultados acompanham os de Cardia e colaboradores (2012) que mostram que não houve queda nos índices de 2012 em relação a 2009, com relação a uso de armas de fogo e oferta de drogas. No estudo de Sento-Sé e Cano (2012) em outras comunidades com UPP, nas mortes violentas por homicídios dolosos e por intervenções policiais por comunidade houve uma queda de 75%. Entretando outros crimes cresceram em seus índices como lesões dolosas e ameaças. Crimes relativos a drogas e furtos aumentaram exponencialmente. Os autores problematizam esses índices, que podem estar associados a uma nova relação que se estabeleceu com os policiais e as comunidades com UPP. Apesar da incorporação das Delegacias de Polícia, ao programa de UPP como outra referência na notificação de crimes por parte dos moradores que são encaminhados pelos policiais das UPPs para realizarem uma ocorrência, a resistência por parte dos moradores a essa modalidade de comunicação de crime ainda é grande, considerando que as UPPs não

conseguiram eliminar o tráfico de drogas dentro das comunidades e o medo de retaliação da população local por parte dos traficantes é uma realidade. Ressalta-se que quando considerados os crimes como desaparecimento, esses também tiveram aumento significativo e isso é um dado preocupante por estarem sendo subestimados os homicídios por esta via.

Para a terceira hipótese, esperávamos uma relação positiva entre o escore de exposição a violência e o desconto do futuro para os dois grupos entrevistados antes e depois do processo de UPP. Quanto maior o escore de exposição a violência, maior o desconto. Para o teste desta hipótese foi utilizada a correlação de Pearson. Não foi encontrada correlação significativa entre as variáveis antes (r= -0,13; p >0,05) ou depois (r= 0,07; p >0,05) da UPP.

Isso pode ser explicado, talvez, por limitações do instrumento de exposição a violência e pelo fato de que, na verdade, não foram observadas mudanças.

A quarta hipótese considerava que haveria diferenças nos escores de avaliação do contexto para os jovens moradores da Rocinha, antes e após (UPP), para as duas dimensões analisadas, segurança e satisfação no contexto. Jovens entrevistados após o processo de UPP aprentarariam escores mais altos em ambas. O teste de normalidade indicou que as variáveis escore de satisfação e escore de segurança seguem uma distribuição aproximadamente normal, logo, para o teste desta hipótese foi realizado o teste t de student.

Os resultados indicaram que os escores de satisfação foram significativamente maiores após (M= 20,79; DP=5,39) do que antes (M= 18,38; DP= 4,73) da implantação da UPP (t117= -2,37; p <0,05). Confirmando o que os resultados anteriormente relatados vinham sugerindo, não foi encontrada diferença significativa nos escores de segurança (t118=-1,40; p >0,05) entre os grupos entrevistados antes (M= 19,15; DP= 4,48) e depois (M= 20,38; DP= 4,54).

Figura 1 - Escores relativos a segurança e satisfação, antes e depois da UPP.

Estes resultados mostram que o Programa de Unidade de Polícia Pacificadora, que propõe que a manutenção das comunidades já pacificadas requer a presença do Estado não só executando ações de segurança pública, mas também executando políticas sociais, atingiu algum resultado nesta comunidade. As pessoas relatam estar mais satisfeitas com o contexto em que vivem.

No estudo de Vilarouca e Ribeiro (2016), na Rocinha os resultados encontrados mostram que na avaliação dos serviços públicos após a UPP, os entrevistados atribuiram uma nota média de 5,6 (em 10). Os serviços incluíam: distribuição de energia e àgua, iluminaçao pública, educação pública, serviços de transporte, coleta de esgoto, pavimentação de ruas, saúde pública, programas cultutrais e espaços de laze dentro da comunidade.

Por fim, considerando as duas últimas hipóteses do estudo, esperávamos uma relação negativa entre os escores nas dimensões de segurança e satisfação da avaliação do contexto e o desconto do futuro. Quanto maior a sensação de segurança e satisfação, menor o desconto do futuro.

O teste utilizado para o teste desta hipótese foi a correlação de Pearson e não foi encontrada correlação significativa do escore de desconto do futuro com os escores de segurança (r= -0,05; p >0,05) e satisfação (r=0,06; p >0,05).

Resultado semelhante foi encontrado em uma amostra de 80 sujeitos (Victor, 2009) e a percepção de contexto não previu o desconto do futuro, mesmo quando essas percepções se apresentavam de maneira diferente entre os grupos, conforme o esperado, pior percepção do contexto para os jovens moradores de favela e melhor percepção para os não-moradores. Para este estudo, grupos de jovens moradores da Rocinha antes e após a UPP.

0,00 5,00 10,00 15,00 20,00 25,00

Antes Depois

Segurança Satisfação

As entrevistas e as duas perguntas feitas para os moradores após a implantação da UPP, pergunta 1 (Me fale sobre a sua vida na Rocinha) e pergunta 2 (Que impacto a UPP teve sobre a sua vida, em que aspectos, de que maneira) foram analisadas em termos de frequência para a evocação das categorias de cada pergunta conforme as tabelas a seguir. :

Tabela 5 - Frequência de evocação das categorias e subcategorias nas respostas a pergunta 1 (Me fale sobre a sua vida na Rocinha) (N=52)

N (%)

Ideia Geral

Ausente 2 (3,8) Negativa 7 (13,5) Mista 14 (26,9) Positiva 29 (55,8)

Segurança

Ausente 31 (59,6) Negativa 17 (32,7) Mista 2 (3,8) Positiva 2 (3,8)

Satisfação

Ausente 41 (78,8) Negativa 3 (5,8) Mista 1 (1,9) Positiva 7 (13,5) Estratégia Nao 40 (76,9)

Sim 12 (23,1)

Estes números indicam que quando consideradas as subcategorias para Ideia Geral verificamos que pouco mais de 50 % tem uma ideia geral positiva em relação a Rocinha.

Considerando a segurança quase 60% dos moradores não relataram nada que se referia a segurança, 33% indicaram pontos negativos relacionados a esta categoria.

Os exemplos a seguir, dois primeiros para a categoria Ideia Geral e os dois últimos para a categoria segurança demostram que os moradores da Rocinha tem uma boa relação com a comunidade, entretanto quando considerados os aspectos da segurança em alguns momentos verifica-se uma nostalgia pelo período anterior a UPP.

Minha vida na Rocinha é muito feliz, alegre, muita paz e amor. (UPP/R32, 19 anos – homem)

Eu moro na Rocinha desde pequeno. Sempre gostei da Rocinha, lá é muito bom, os bailes, tudo era bom na Rocinha, é muito bom, gostava de soltar pipa, jogar bola, brincar, era muito bom, era um lugar muito bonito. Pra mim a rocinha é muito bom. (UPP/R33, 19 anos – homem)

tiroteio as vezes, coisas que acontecem no meio dos becos. Antigamente no horário comercial não tinha jovem usando droga, cheirando pó, agora tem. (UPP/ R19, 17anos – mulher)

Quando criança era legal, mas atualmente, com a violência não é tão boa. (UPP/R30, 20 anos – homem)

A categoria satisfação quase não foi mencionada pelos entrevistados e as poucas evocações 13,5%, relataram aspectos positivos na disponibilidade de recursos na Rocinha.

Porém a Rocinha é um lugar bom, com muitas e muitas oportunidades de vida (cursos, escolas). (UPP/R36, 16 anos – mulher)

as vezes vou aos restaurantes e a biblioteca, faço aula de dança e passeios pela comunidade, gosto de mostrar para os meus amigos que moram em outros locais que não é tão horrível quanto eles pensam. (UPP/R57, 20 anos – mulher)

Para a categoria Estratégia, quando estão respondendo apenas a esta primeira pergunta sobre a Rocinha, poucos relataram adotar estratégias para viver na comunidade.

Pratico meu Muay Thay, meu lazer e fico em casa ajudando minha mãe. (UPP/R28, 19 anos – homem)

Não passo muito tempo aqui na Rocinha. (UPP/R30, 20 anos – homem)

Praticamente não saio muito na rua, mas sei de tudo que se passa por lá. (UPP/R43, 16 anos – homem)

Tabela 6 - Frequência de evocação das categorias e subcategorias nas respostas a pergunta 2 (Que impacto a UPP teve sobre a sua vida, em que aspectos, de que maneira) (N=52)

N (%)

Segurança

Ausente 13 (25,0)

Negativa 28 (53,8)

Mista 4 (7,7)

Positiva 7 (13,5)

Estratégia

Nao 51 (98,1)

Sim 1 (1,9)

Impacto

Ausente 5 (9,6)

Sem impacto 11 (21,2)

Negativo 20 (38,5)

Misto 6 (11,5)

Positivo 10 (19,2)

Para esta segunda pergunta, para as subcategorias da categoria segurança, mais de 50% consideram a UPP como um evento negativo. Poucos relatam estratégias levando em consideração a essa situação de UPP. Na categoria Impacto, as subcategorias ficaram bem distribuidas entre sem impacto e impacto positivo e quase na mesma proporção o impacto foi visto como negativo. Ausência de impacto e impacto misto também apresentaram quase a mesma proporção, entretanto menor que as outras subcategorias. Estes números podem indicar pouca homogeneidade em relação ao programa de pacificação por parte dos jovens entrevistados após a pacificação na Rocinha.

Bem complicada e triste de se ver, não proteje, mata morador, esculacha, bem difícil.

(UPP/R16, 25 anos - mulher)

Uma melhora parcial, mas com mudanças que procuram melhorar. (UPP/R26, 19 anos – homem)

No começo foi horrível, com muitos policiais agredindo moradores e os desrespeitando, mas depois de um tempo as coisas se tranquilizaram e ficou um lugar melhor de morar. (UPP/R39, 17 anos – homem)

Com a implantação da UPP (Unidade de Policia Pacificadora) houve uma melhora significativa dos constantes tiroteios e confrontos de facções rivais. (UPP/R70, 17 anos – homem)

A UPP não obteve impacto nenhum. (UPP/R61, 16 anos – mulher)

Importante ressaltar que algumas categorias tiveram indices de fidedignidade pobre e médio e com isso os resultados indicados devem ser observados com cautela como é o caso da categoria satisfação. Entretando optou-se por mantê-las, tendo em vista que, para análises exploratórias das categorias com outros instrumentos presentes neste projeto, resultados interessantes foram encontrados sendo discutidos a seguir.

O teste qui-quadrado de associação indicou que não houve diferença significativa entre homens e mulheres na comparação nas categorias para a pergunta 1 (Me fale sobre a sua vida na Rocinha), Ideia Geral (x23= 2,38; p>0,05), Segurança (x23= 2,75; p >0,05), Satisfação

(x23= 1,43; p>0,05) e Estratégia (x21= 2,16; p >0,05). Para a pergunta 2 (Que impacto a UPP teve sobre a sua vida, em que aspectos, de que maneira), Segurança (x23= 2,33; p >0,05), Estratégia (x21= 1,10; p >0,05) e Impacto (x24= 2,41; p >0,05).

Considerando a idade, o teste Kruskal Wallis indicou que não houve diferença significativa na comparação nas categorias para a pergunta 1 (Me fale sobre a sua vida na Rocinha), Ideia Geral (x23= 3,54; p> 0,05), Segurança (x23= 3,19; p>0,05), Satisfação (x23= 6,02; p>0,05), Estratégia (x21= 0,05; p >0,05). Para a pergunta 2 (Que impacto a UPP teve sobre a sua vida, em que aspectos, de que maneira), Segurança (x23= 0,20; p >0,05), Estratégia (x21= 0,94; p >0,05) e Impacto (x24= 3,82; p >0,05).

Estes resultados nos apontam que os jovens desta amostra, independente da idade e do sexo não diferem muito em relação as suas impressões sobre a comunidade da Rocinha e sobre a implantação da UPP.

Buscando averiguar algumas associações entre os escores do Desconto do Futuro, da Escala de Avaliação de Satisfação e Segurança no local de moradia (escores de satisfação e segurança), com as categorias das perguntas 1 e 2 os resultados encontrados foram:

Com relação a pergunta 1 (Me fale sobre a sua vida na Rocinha), a análise estatística por meio do teste Kruskall Wallis não indicou associação significativa entre o escore de desconto do futuro dos respondentes e a evocação das categorias referentes a Ideia Geral (x23= 1,21; p> 0,05), Segurança (x23= 0,66; p> 0,05), Satisfação (x23= 4,27; p> 0,05) e Estratégia (U=163,50; p> 0,05)

Para a pergunta 2 (Que impacto a UPP teve sobre a sua vida, em que aspectos, de que maneira), os resultados não indicaram diferenças significativas entre o escore de desconto do futuro dos respondentes e as categorias de evocação dos respondentes referentes a Segurança (x23= 1,29; p> 0,05), Estratégia (U=12,00; p> 0,05) e Impacto (x24= 4,35; p> 0,05).

Os resultados mostram que para essa segunda associação do desconto do futuro com outra maneira de avaliação do contexto através das entrevistas que geraram as categorias assinaladas, a avaliação dos entrevistados ainda é bastante reticente em relação ao contexto da Rocinha, considerando esta nova realidade com UPP.

Com relação à pergunta 1 (Me fale sobre a sua vida na Rocinha), a análise por meio do teste Kruskall Wallis indicou associação significativa entre a evocação das categorias referentes a Ideia Geral e o escore de satisfação dos respondentes (x23= 10,11; p <0,05).

Indicando que os participantes que relataram ideias gerais positivas também apresentaram escores mais elevados de satisfação com o local de moradia.

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