Orientações futuras para jovens moradores de uma comunidade do município do Rio de Janeiro sujeita a políticas públicas de segurança: relação com variáveis psicológicas e socioculturais / Tânia Abreu da Silva Victor. Orientação futura de jovens moradores de uma comunidade da cidade do Rio de Janeiro sujeita a políticas de segurança pública: relação com variáveis psicológicas.
Desconto do Futuro
Considerando o processo ontogenético, os jovens podem correr riscos de acordo com a imprevisibilidade do ambiente em que vivem e um fator importante que influencia essas estratégias é o padrão de mortalidade extrínseca, que é o comportamento de indivíduos colocados em contextos mais hostis e violentos que pode mudar . (Del Guidice & Belsky, 2011; Ellis et al, 2012, Urtiga, 2010). Nesse sentido, estratégias e comportamentos de risco só podem ser considerados adaptativos ou não dependendo do contexto em que se manifestam.
Comunidade Violenta e Exposição a Violência
Os efeitos e as características da exposição à violência têm sido estudados com base na experiência de um indivíduo que foi vítima ou testemunha de violência (Cardia et al, 2012). Para avaliar a exposição à violência, o estudo (Cardia et al, 2012) utilizou um instrumento muito semelhante ao de Gorman-Smith e Tolan (1998) com itens sobre situações de violência direta (ser vítima) ou indireta (testemunhar) em última instância. anos. 12 meses.
Avaliação do contexto a partir de uma perspectiva evolucionista
Eles recomendam que pesquisas futuras possam oferecer definições mais explícitas da comunidade violenta e dados de medição psicométrica mais claros em relação à realidade analisada. Nesse sentido, observar o contexto no âmbito de uma perspectiva evolutiva significa levar em conta a importância dos aspectos que os sujeitos avaliaram com base nas pistas oferecidas pelo ambiente, especialmente aqueles relacionados a aspectos como segurança e disponibilidade de recursos que foram importantes para o processo de seleção natural e que garantem a sobrevivência e reprodução dos indivíduos. Esses mecanismos de avaliação contextual, produtos da história filogenética humana, caracterizam uma configuração da mente, moldada pela seleção natural, capaz de perceber sinais ecológicos de risco ou segurança, escassez ou abundância de recursos, e responder de forma adaptativa a tais sinais, ajustando seu ciclo de vida. (Ellis et al., 2009).
Na elaboração do manuscrito de validação do instrumento (Victor, Ramos, Seidl-de-Moura & Bastos, no prelo), foi realizada uma busca eletrônica nas bases de dados MEDLINE, ISI, para identificar instrumentos que já haviam sido utilizados na avaliação do local de residência. Web Of Science em Bireme maio de 2014. Dentre os estudos que demonstraram utilizar instrumentos para avaliar o local de residência, alguns aspectos são comuns: avaliação de condições físicas (pavimentação, esgoto, iluminação, etc.), serviços. O mais importante que a pesquisa realizada mostrou é que os instrumentos disponíveis não possuem uma base teórica clara, tratam apenas de temas relacionados às características do ambiente, levando em consideração os aspectos positivos ou negativos dos dispositivos da vizinhança que podem afetam a saúde física e mental dos indivíduos nesses contextos.
Para preencher essa lacuna, nos concentramos em construir e encontrar evidências da validade de uma escala brasileira para avaliar a satisfação e a segurança do bairro como local de residência, com base no referencial teórico da psicologia evolucionista. A característica da ESAA de distinguir contextos com base em duas dimensões, satisfação e segurança, sugere que o instrumento tem potencial para captar diferenças com base em critérios subjetivos, a componente psicológica da avaliação do contexto que não pode ser encontrada nos parâmetros objetivos que temos para avaliação. localização, como os índices de Gini e Atkinson (índices de desigualdade) e o IDH (índice de desenvolvimento humano). Segundo esses dados, no Brasil, moradores de uma mesma cidade podem ter ideias diferentes sobre o local onde moram devido ao caráter expressivo da situação.
Rocinha: um contexto de desenvolvimento
A maior parte das construções da Rocinha são de alvenaria, e a favela possui prédios de quatro a cinco andares, duas escolas públicas, diversas creches, unidades de saúde, supermercados, bancos, entre outros, que oferecem uma grande variedade de serviços. Lisboa (2014), analisando o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M), divulgado em 2013 para todos os municípios e, em 2014, para Unidades de Desenvolvimento Humano, Regiões de Cidades e Regiões Metropolitanas do Brasil, observou que apesar das comunidades que estão localizadas na segunda região mais desenvolvida, na Zona Sul do Rio, a realidade dessas comunidades não condiz com a dos bairros vizinhos. Um conjunto de medidas foram adotadas na tentativa de reduzir imediatamente a violência e a criminalidade, por meio da implantação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), mas incluídas nas políticas de segurança, nas políticas sociais e nas ações comunitárias (Carvalho & Silva, 2011).
As Unidades de Polícia Pacificadora baseiam-se na estrutura normativa de alguns decretos legislativos. Dentre estes destacamos o Decreto 42.727 de 30 de novembro de 2010, que permite a criação do Programa UPP Social e o Decreto 42.787 de 6 de janeiro de 2011, que permite a implantação, estruturação, funcionamento e funcionamento das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) no estado do Rio de Janeiro e dá outras providências. 1. - O programa “UPP Social” é criado no âmbito da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos para realizar ações especiais de promoção do desenvolvimento social em áreas pacificadas por Unidades de Polícia Pacificadora – UPP.
1º - As Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), criadas para executar ações especiais relacionadas com a pacificação e a preservação da ordem pública, destinam-se a aplicar a filosofia do policiamento de proximidade nas áreas designadas para o seu funcionamento. A proposta das Unidades de Polícia Pacificadora é de uma força policial próxima da comunidade e não apenas repressiva. Segundo o relatório “Os Donos do Morro: Uma análise exploratória do impacto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Rio de Janeiro, Sento-Sé e Cano (2012), revelou que a presença de traficantes de drogas juntamente com a polícia das UPPs oficiais, apesar da percepção geral do fim do domínio do tráfico de drogas.
Questões da Pesquisa
Hipóteses
1 - Os jovens moradores da Rocinha apresentam pontuações de descontos futuros significativamente mais baixas após o processo (UPP) do que aqueles entrevistados antes da implementação deste processo. 2 – Existem diferenças significativas nos escores de exposição a eventos violentos dos jovens residentes na Rocinha, bem como para cada item de evento violento, antes e depois da UPP. 3 - Existe uma relação positiva entre o escore de exposição à violência e o desconto futuro para os dois grupos entrevistados antes e depois do processo de UPP.
4 - Existem diferenças nos resultados da avaliação do contexto dos jovens moradores da Rocinha, antes e depois (UPP), levando em consideração as duas dimensões analisadas, segurança e satisfação no contexto. 5 – Existe uma relação negativa entre a pontuação na dimensão de segurança da avaliação do contexto e os descontos para o futuro. 6 – Existe uma relação positiva entre a pontuação na dimensão satisfação da avaliação do contexto e o desconto para o futuro.
Objetivos
Questões Éticas
Participantes
Instrumentos
Desconto Futuro: Pares de sentenças monetárias baseadas no método de Kirby e Marakovic (1996) para quantificar descontos futuros: Os participantes são apresentados a uma série de pares de escolhas entre uma quantia menor de dinheiro que se espera que seja entregue após um curto intervalo (geralmente hoje) e uma soma maior. de dinheiro que será entregue após um longo intervalo de tempo. Quando a soma dos pontos de uma quantia menor de dinheiro entregue após um intervalo curto é maior que a soma de uma quantia maior de dinheiro entregue após um intervalo mais longo, consideramos que o sujeito está descontando o futuro. Perguntas de Exposição à Violência: (EV) - Com base na Entrevista de Exposição à Violência, a subescala da Entrevista CYDS sobre Estresse e Enfrentamento (Tolan & Gorman-Smith, 1991, em Tolan & Gorman-Smith, 1998) lista oito itens específicos relacionados a vitimização ou testemunho de violência.
Os oito itens respondidos (sim e não) referem-se a eventos ocorridos nos últimos doze meses, como homicídio, sequestro, agressão verbal ou física e uso de drogas. A soma das respostas sim é uma medida de exposição à violência, quanto maior a soma das respostas sim, maior o nível de exposição. Esta versão foi desenvolvida no Centro de Estudos da Violência da USP, mas não foi possível obter maiores dados sobre sua adaptação.
Esse formato foi adotado levando em consideração o desconforto que os participantes sentiam quando solicitados a gravar as entrevistas ou mesmo anotá-las pelo entrevistador. A mesma situação de desconforto em responder perguntas abertas foi identificada no estudo de Sento-Sé e Ignácio Cano (2012), onde foram utilizadas diferentes formas de captação de entrevistas.
Procedimentos
De coleta de dados
Da redução e analise de Dados
Identificamos a disponibilidade ou não de recursos no local de residência por meio de condições de saúde, mobilidade urbana, educação, cultura (projetos sociais) e lazer. Isso indica que os participantes que relataram ideias gerais positivas também apresentaram maiores índices de satisfação com sua residência. Não foi encontrada correlação significativa entre as categorias Ideia geral e resultados de segurança e residência.
Este trabalho representa um primeiro passo no desenvolvimento de uma Escala de Avaliação de Satisfação e Segurança Doméstica (EASS) que integra evidências conceituais e psicométricas. É proposto um instrumento para avaliação subjetiva do local de residência através de duas dimensões teoricamente importantes para a psicologia evolucionista: satisfação e segurança. Sugerem-se os seguintes passos para validação da escala, concluindo-se que a EASS é uma medida consistente e pode ser útil em futuros estudos de avaliação do local de residência.
Com base nessas características que influenciam as estratégias de vida dos indivíduos, entendemos que, ao avaliar o contexto de desenvolvimento, tanto a imprevisibilidade do ambiente quanto a disponibilidade de recursos se expressam por meio das dimensões de segurança e satisfação com o local de trabalho, o lar. Considerando o exposto, o objetivo deste estudo é construir e buscar evidências de validade de um instrumento de avaliação de satisfação e segurança na residência com quadro evolutivo e adequado à realidade brasileira. Serão apresentados: a) o modelo teórico da psicologia evolucionista para avaliação da residência, com ênfase nas dimensões de satisfação e segurança; b) revisão da literatura sobre instrumentos existentes; c) o processo de construção e investigação da validade da escala proposta.
Refletindo sobre o construto satisfação residencial no âmbito teórico da psicologia evolucionista, acreditamos que a satisfação é um deles. Na tentativa de preencher essa lacuna, o objetivo do presente estudo é construir e buscar evidências da validade de uma escala brasileira para avaliar a satisfação do bairro e a segurança residencial, baseada no referencial teórico da psicologia evolucionista.