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DA RESPONSABILIDADE PELO VÍCIO DO PRODUTO OU DO SERVIÇO

No documento MONOGRAFIA PRONTA 03-06-09 - Univali (páginas 69-73)

os aludidos vícios; IV – a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos 245. Ao comentar os artigos acima citados do CDC, Luiz Antônio Rizzatto Nunes entende que os caputs desses artigos colocam “todos os partícipes do ciclo de produção como responsáveis direto pelo vício, de forma que o consumidor poderá escolher e acionar diretamente qualquer dos envolvidos, exigindo seus direitos [...]” 246.

Sendo assim, o autor supracitado, ainda relata que “todos os fornecedores são solidariamente responsáveis pelos vícios (e pelos defeitos, na medida de suas participações)”247.

Diante da Responsabilidade de reparar, João Batista de Almeida entende que “a responsabilidade pelo vício busca proteger a esfera econômica, ensejando tão-somente o ressarcimento segundo as alternativas previstas na lei de proteção” 248. No então, não se pode deixar de mencionar tais alternativas que estão dispostas no § 1º do artigo 18 do CDC:

§1° não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: I – a substituição do produto da mesma espécie, em perfeitas condições de uso; II – a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; III – o abatimento proporcional do preço 249. No entanto, para confirmação dessa Responsabilidade solidária entre todos os fornecedores do produto ou serviço pelo seu vício, menciona-se o Agravo de Instrumento de n. 2008.077940-8, de Blumenau/SC, onde podem responder solidariamente todos os fornecedores do produto:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO REDIBITÓRIA COM PEDIDO DE DEVOLUÇÃO DO PREÇO, OU, ALTERNATIVAMENTE, A SUBSTITUIÇÃO DO PRODUTO POR OUTRO DA MESMA ESPÉCIE.

DEFEITO EM VEÍCULO AUTOMOTOR NOVO. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA CONCEDIDA PARA O FIM DE DISPONIBILIZAÇÃO, PARA USO DA CONSUMIDORA ENQUANTO DURAR A AÇÃO, DE OUTRO VEÍCULO DE IDÊNTICAS CARACTERÍSTICAS. INSURGÊNCIA DA

245 BRASIL. Lei 8.078, de 11 de setembro de 1990: Código de defesa do consumidor. Disponível em: <

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8078.htm>. Acesso em: 25 de maio de 2009.

246 NUNES, Luiz Antônio Rizzatto, 1956- Comentários ao Código de Defesa do Consumidor, p. 240.

247 NUNES, Luiz Antônio Rizzatto, 1956- Comentários ao Código de Defesa do Consumidor, p. 241.

248 ALMEIDA, João Batista de. Manual de direito do consumidor/ João Batista de Almeida. – 2. ed. rev. e atual. – São Paulo: Saraiva, 2006, p. 68.

249 BRASIL. Lei 8.078, de 11 de setembro de 1990: Código de defesa do consumidor. Disponível em: <

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8078.htm>. Acesso em: 25 de maio de 2009.

REVENDEDORA. PRESENÇA, CONTUDO, DE PROVA ROBUSTA E INEQUÍVOCA ACERCA DAS FALHAS MECÂNICAS DETECTADAS, E, BEM ASSIM, DO FUNDADO RECEIO DE DANO IRREPARÁVEL OU DE DIFÍCIL REPARAÇÃO. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO DESPROVIDO.

Revela-se razoável, adequada e por isso mesmo defensável a decisão do juiz que, frente à densidade e robustez da prova reunida dando conta da existência de grave defeito mecânico em camioneta com 4 (quatro) meses de uso, vendida à consumidora com provável defeito de fabricação - o qual, aliás, não encontrou, junto à revendedora, a devida e esperada sanação - com base no art. 18 do CDC concede-lhe antecipação da tutela para, em ação redibitória, obrigar a concessionária a disponibilizar, ao Consumidor, enquanto durar o processo, veículo de idênticas características e em perfeitas condições de uso 250.

Contudo, é de suma importância mencionar alguns trechos do presente recurso onde frisasse a solidariedade da Responsabilidade entre todos os fornecedores, destacando a lição de Claudia Lima Marques, citada pelo Desembargador Eládio Torret Rocha:

Sobre o tema, [...] “quanto aos vícios por inadequação, o dispositivo mais importante é o art. 18 do CDC, o qual institui em seu caput uma solidariedade entre todos os fornecedores da cadeia de produção, com relação a reparação do dano (...). assim, respondem pelo vício do produto todos aqueles que ajudarem a colocá-lo no mercado, desde o fabricantes (que fabricou o produto e o rótulo), o distribuidor, ao comerciante (que contratou com o consumidor)” 251.

Sendo assim, para Arruda Alvim, Thereza Alvim, Eduardo Alvim e James Marins citados por Cláudio Bonatto e Paulo Valério Dal Pai Moraes, respondem solidariamente o fabricante e o comerciante do produto, simultaneamente pela totalidade do pedido, no mesmo processo em litisconsórcio passivo dos dois 252.

No mesmo sentido, para finalizar, segue o entendimento o desembargador que proferiu a decisão, mencionando que:

250 BRASIL. Tribunal de Justiça. Agravo de Instrumento nº 2008.077940-8/SC. QUARTA CÂMARA DE DIREITO CÍVEL. (19/02/09). Des. Relator Eládio Torret Rocha. Disponível em:

http://app.tjsc.jus.br/jurisprudencia/acnaintegra!html.action?qTodas=&qFrase=&qUma=&qNao=&qDataIni=&q DataFim=&qProcesso=2008.0779408&qEmenta=&qClasse=&qRelator=&qForo=&qOrgaoJulgador=&qCor=FF 0000&qTipoOrdem=relevancia&pageCount=10&qID=AAAG%2B9AALAAA1IBAAB. Acesso em: 25 de maio de 2009.

251 BRASIL. Tribunal de Justiça. Agravo de Instrumento nº 2008.077940-8/SC. QUARTA CÂMARA DE DIREITO CÍVEL. (19/02/09). Des. Relator Eládio Torret Rocha. Disponível em:

http://app.tjsc.jus.br/jurisprudencia/acnaintegra!html.action?qTodas=&qFrase=&qUma=&qNao=&qDataIni=&q DataFim=&qProcesso=2008.0779408&qEmenta=&qClasse=&qRelator=&qForo=&qOrgaoJulgador=&qCor=FF 0000&qTipoOrdem=relevancia&pageCount=10&qID=AAAG%2B9AALAAA1IBAAB. Acesso em: 25 de maio de 2009.

252 1995 apud BONATTO, Cláudio; MORAES, Paulo Valério Dal Pai. Questões controvertidas no Código de Defesa do Consumidor: principiologia, conceitos, contratos, p.136.

Pouco importa, ademais, que a causa do problema observado no automóvel advenha da fabricação do veiculo, já que ela, enquanto comerciante que o disponibilizou no mercado, haverá de responder objetivamente pelo dano face ao cliente, podendo ao depois, obviamente, voltar-se contra quem supostamente tenha sido o responsável pelo Vício 253.

Após definir a quem cabe o dever de indenizar o consumidor pelo vício do produto enquadrado nos arts 18 e 19 do CDC, passasse a esclarecer a Responsabilidade Civil Objetiva do Fornecedor de Serviço pelo Vício do Serviço na Relação de Consumo.

Contudo, Luiz Antônio Rizzatto Nunes ainda relata que o dever de reparar o dano causado é solidário, não extinguindo a responsabilidade dos demais que indiretamente tenham participado da relação de consumo 254.

Por fim, Domingos Afonso Kriger Filho, quanto aos responsáveis de indenizar o consumidor pelos vícios de qualidade por inadequação e pelos vícios de quantidade, entende que o comerciante também é o responsável principal, respondendo solidariamente, salvo quando for comercializado in natura, sem processamento e quando os produtos forem pesados na presença do consumidor 255.

4.2.1 Da Responsabilidade Civil Objetiva do Fornecedor de Serviço pelo Vício do Serviço na Relação de Consumo

Como foi visto anteriormente, o fornecedor e prestador de serviços são responsáveis pelos vícios de qualidade e quantidade sendo que esses vícios venham a tornar o produto ou o serviço impróprio, lhes diminuindo o valor.

O artigo 20 do CDC trata da responsabilidade do fornecedor de serviço pelo vício do serviço, perante os vícios de qualidade que tornem impróprio o serviço prestado ao consumidor:

Art. 20. O fornecedor de serviços responde pelos vícios de qualidade que os tornem impróprios ao consumo ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade com as indicações constantes da oferta ou

253 BRASIL. Tribunal de Justiça. Agravo de Instrumento nº 2008.077940-8/SC. QUARTA CÂMARA DE DIREITO CÍVEL. (19/02/09). Des. Relator Eládio Torret Rocha. Disponível em:

http://app.tjsc.jus.br/jurisprudencia/acnaintegra!html.action?qTodas=&qFrase=&qUma=&qNao=&qDataIni=&q DataFim=&qProcesso=2008.0779408&qEmenta=&qClasse=&qRelator=&qForo=&qOrgaoJulgador=&qCor=FF 0000&qTipoOrdem=relevancia&pageCount=10&qID=AAAG%2B9AALAAA1IBAAB. Acesso em: 25 de maio de 2009.

254 NUNES, Luiz Antônio Rizzatto, 1956- Comentários ao Código de Defesa do Consumidor, p. 294.

255 KRIGER FILHO, Domingos Afonso. A responsabilidade civil e penal no código de proteção e defesa do consumidor, p. 81.

mensagem publicitária, podendo o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: I – a reexecução dos serviços, sem custo adicional e quando cabível; II – a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; III – o abatimento proporcional do preço 256.

Luiz Antônio Rizzatto Nunes esclarece, ao comentar o Código de Defesa do Consumidor, quem é, de fato, o responsável pelos serviços prestados de forma inadequada:

Ao contrário do estabelecido nos arts. 18 e19, nos quais aparecem como sujeitos os “fornecedores”, assim no plural, aqui no art. 20 há designação do termo no singular: “fornecedor”. Dessa forma, é de entender que a lei se refere ao fornecedor direto dos serviços prestados. E isso é adequado, na medida em que o serviço é sempre prestado diretamente ao consumidor por alguém. E é essa pessoa, quer seja física quer seja jurídica, a responsável 257. Sendo assim, os responsáveis pelos serviços prestados, são somente os Fornecedores de tais serviços prestados diretamente ao Consumidor.

4.3 DA RESPONSABILIDADE CIVIL DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS PÚBLICOS

No documento MONOGRAFIA PRONTA 03-06-09 - Univali (páginas 69-73)