3.3 DIREFENÇA ENTRE VÍCIO E DEFEITO
Já no que diz respeito a inadequação do produto ou serviço, Domingos Afonso Kriger Filho, ainda relata que “a mesma tem a ver com o fim a que se destinam os produtos, cabendo avaliar qual é o critério de avaliação desta inadequação” 189.
Os vícios também podem ser aparentes ou ocultos, Rizzatto Nunes traz essa distinção ao comentar o CDC:
Os aparentes ou de fácil constatação, como o próprio nome diz, são aqueles que aparecem no singelo uso e consumo do produto (ou serviço). Ocultos são aqueles que só aparecem algum ou muito tempo após o uso e/ou que, por estarem inacessíveis ao consumidor, não podem ser detectados na utilização ordinária 190.
Por fim, Roberto Basilone Leite relata que “no caso de vício do serviço, os efeitos são a sua reexecução sem custo adicional, a restituição da quantia paga ou abatimento do preço”191.
Após um breve relato sobre vícios do produto ou serviços, passasse agora a uma pequena explicação do que é defeito do produto e serviço.
3.3.2 Defeito do Produto e do Serviço
Luiz Antônio Rizzatto Nunes entende que o defeito pressupõe o vício. No entanto “há vício sem defeito, mas não há defeito sem vício” 192 sendo que “o vício é uma característica inerente, intrínseca do produto ou serviço em si” 193.
Na conceituação de defeito, Roberto Basilone Leite, por sua vez, entende como sendo
“imperfeições de natureza grave, capazes de causar dano à saúde ou à segurança do consumidor”194.
Logo, Luiz Antônio Rizzatto Nunes, conclui que:
189 KRIGER FILHO, Domingos Afonso. A responsabilidade civil e penal no código de proteção e defesa do consumidor, p. 80.
190 NUNES, Luiz Antônio Rizzatto, 1956- Comentários ao Código de Defesa do Consumidor, p. 183.
191 LEITE, Roberto Basilone. Introdução ao direito do consumidor: os direitos do consumidor e a aplicação do código de defesa do consumidor, p. 139.
192 NUNES, Luiz Antônio Rizzatto, 1956- Comentários ao Código de Defesa do Consumidor, p. 183.
193 NUNES, Luiz Antônio Rizzatto, 1956- Comentários ao Código de Defesa do Consumidor, p. 183.
194 LEITE, Roberto Basilone. Introdução ao direito do consumidor: os direitos do consumidor e a aplicação do código de defesa do consumidor, p. 139.
O defeito é o vício acrescido de um problema extra, alguma coisa extrínseca ao produto ou serviço, que causa um dano maior que simplesmente o mau funcionamento, não-funcionamento, a quantidade errada, a perda do valor pago – já que o produto ou serviço não cumpriram o fim ao qual se destinavam. O defeito causa, além desse dano do vício, outro ou outros danos ao patrimônio jurídico material e/ou moral do consumidor 195.
No § 1º, artigo 12 do Código de Defesa do Consumidor, traz o conceito de defeito e as circunstâncias relevantes da seguinte forma:
§ 1º O produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele legitimamente se espera, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais: I – sua apresentação; II – o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam; III – a época em que foi colocado em circulação 196.
Contudo, Rizzatto Nunes completa que o consumidor é mais atingido nas hipóteses de defeito do produto e do serviço, constituindo assim, o acidente de consumo 197.
Nesse mesmo sentido, Domingos Afonso Kriger Filho entende o defeito como causador do acidente de consumo, sendo ele o elemento principal da Responsabilidade Civil Objetiva. No entanto todo produto e serviço apresentam uma margem de insegurança, cabendo ao juiz determinar o grau dessa insegurança, analisando dentre outros fatores, sua apresentação, o uso e o risco que razoavelmente dele se espera 198.
Roberto Basilone Leite, no que tange a Responsabilidade Civil adquirida pela insegurança que o produto traz, relata que “os defeitos classificam-se em defeitos juridicamente irrelevantes e defeitos juridicamente relevantes” 199, sendo que os defeitos juridicamente irrelevantes não acarretam para o fornecedor a obrigação de reparação perante o consumidor.
Já os defeitos juridicamente relevantes, para o autor acima citado, causam o acidente de consumo. Essa “repercussão externa ou a manifestação danosa do defeito juridicamente
195 NUNES, Luiz Antônio Rizzatto, 1956- Comentários ao Código de Defesa do Consumidor, p. 183.
196 BRASIL. Lei 8.078, de 11 de setembro de 1990: Código de defesa do consumidor. Disponível em: <
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8078.htm>. Acesso em: 25 de maio de 2009.
197 NUNES, Luiz Antônio Rizzatto, 1956- Comentários ao Código de Defesa do Consumidor, p. 183.
198 KRIGER FILHO, Domingos Afonso. A responsabilidade civil e penal no código de proteção e defesa do consumidor, p. 74.
199 LEITE, Roberto Basilone. Introdução ao direito do consumidor: os direitos do consumidor e a aplicação do código de defesa do consumidor, p. 139.
relevante é chamada de fato do produto ou fato do serviço” 200, acarretando, assim, a Responsabilidade Civil do Fornecedor.
No caput dos artigos 12 e 14 do CDC, estão elencados os defeitos juridicamente relevantes os dividindo em três categorias destacadas por Roberto Basilone Leite:
a) os defeitos de criação, relativos ao projeto e à fórmula; b) os defeitos de produção, relativos à fabricação, construção, montagem, manipulação e acondicionamento; c) os defeitos de informação, relativos à publicidade, apresentação e informação insuficiente ou inadequada 201.
Sendo assim, segue o caput dos artigos acima mencionados:
Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informação insuficiente ou inadequadas sobre sua utilização e riscos 202. (grifou-se).
Art. 14. [...] defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos 203. (grifou-se)
Por fim, não se considera defeituoso o produto, “pelo fato de outro de melhor qualidade ter sido colocado no mercado” 204, no que estabelece o §2°, do artigo 12 do Código de Defesa do Consumidor.
Contudo, pode-se estabelecer a diferença entre vício e defeito, sendo que o primeiro traz para o consumidor um prejuízo somente ao patrimônio, tornando o produto ou serviço impróprio ou inadequados para o fim destinado ao seu uso. Já o defeito, traz, não só um prejuízo econômico, mas também um prejuízo moral ao consumidor, pondo em risco sua saúde e segurança.
200 LEITE, Roberto Basilone. Introdução ao direito do consumidor: os direitos do consumidor e a aplicação do código de defesa do consumidor, p. 140.
201 LEITE, Roberto Basilone. Introdução ao direito do consumidor: os direitos do consumidor e a aplicação do código de defesa do consumidor, p. 140.
202 BRASIL. Lei 8.078, de 11 de setembro de 1990: Código de defesa do consumidor. Disponível em: <
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8078.htm>. Acesso em: 25 de maio de 2009.
203 BRASIL. Lei 8.078, de 11 de setembro de 1990: Código de defesa do consumidor. Disponível em: <
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8078.htm>. Acesso em: 25 de maio de 2009.
204 BRASIL. Lei 8.078, de 11 de setembro de 1990: Código de defesa do consumidor. Disponível em: <
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8078.htm>. Acesso em: 25 de maio de 2009.
4 A RESPONSABILIDADE CIVIL DOS FORNECEDORES EM FACE DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR
4.1 DA RESPONSABILIDADE CIVIL PELO FATO DO PRODUTO OU DO SERVIÇO