3. GESTÃO DE RISCOS PARA REDUÇÃO DE DESASTRES
Grupo Subgrupo
Geológicos Terremoto, emanação vulcânica, movimento de massa e erosão.
Hidrológico Inundações, enxurradas e alagamentos.
Meteorológico Sistemas de grande escala/escala regional, tempestades, temperaturas extremas.
Climatológico Seca.
Biológico Epidemias, infestações/pragas.
Fonte: adaptado de CLASSIFICAÇÃO E CODIFICAÇÃO BRASILEIRA DE DESASTRES (COBRADE).
A classificação também fala nos desastres tecnológicos, os quais são oriundos de ações humanas, também chamados de desastres Humanos ou Antropogênicos (TOMINAGA;
SANTORO; AMARAL, 2009), os quais se subdividem em desastres com substâncias radioativas, desastres com produtos perigosos, Incêndios urbanos, Obras Civis, transportes de passageiros, e carga não perigosa. Os desastres humanos ou antropogênicos, no entanto, não serão objeto da presente pesquisa. Os desastres naturais também podem ser classificados de acordo com a sua intensidade:
Nível Intensidade Situação
I Desastres de pequeno porte, também chamados de acidentes, onde os impactos causados são pouco importantes e os prejuízos pouco vultosos. (Prejuízo menor que 5% PIB municipal)
Facilmente superável com os recursos do município.
II De média intensidade, onde os impactos são de alguma importância e os prejuízos são significativos, embora não sejam vultosos.
(Prejuízos entre 5% e 10% PIB municipal).
Superável pelo município, desde que envolva uma mobilização e administração especial.
III De grande intensidade, com danos importantes e prejuízos vultosos. (Prejuízos entre 10% e 30%
PIB municipal).
A situação de normalidade pode ser restabelecida com recursos locais, desde que complementados com recursos estaduais e federais. (Situação de Emergência – SE).
IV De muito grande intensidade, com impactos muito significativos e prejuízos muito vultosos.
(Prejuízos maiores que 30% PIB municipal).
Não é superável pelo município, sem que receba ajuda externa. Eventualmente necessita de ajuda internacional. (Estado de Calamidade Pública – ECP)
Fonte: TOMINAGA; SANTORO;AMARAL, 2009.
Além de vidas perdidas, os desastres trazem graves prejuízos econômicos. Na figura abaixo é possível verificar o total de danos causados por desastres no Brasil no ano de 2017:
Quadro 4 - Desastres Naturais
Quadro 5- classificação dos desastres quanto a intensidade
Fonte: Caderno Técnico de gestão integrada de riscos e desastres
De acordo com Nunes (2015), ―Nas últimas duas décadas, de cada cinco desastres naturais no mundo dois foram inundações; elas responderam por 56% dos afetados, ocupando a quarta posição em vítimas fatais e a terceira em prejuízos econômicos‖. No Brasil não é diferente:
No Brasil, os principais fenômenos relacionados a desastres naturais são derivados da dinâmica externa da Terra, tais como, inundações e enchentes, escorregamentos de solos e/ou rochas e tempestades (Figura 1.3). Estes fenômenos ocorrem normalmente associados a eventos pluviométricos intensos e prolongados, nos períodos chuvosos que correspondem ao verão na região sul e sudeste e ao inverno na região nordeste. De acordo com EM-DAT, o Brasil encontra-se entre os países do mundo mais atingidos por inundações e enchentes, tendo registrado 94 desastres cadastrados (segundo os critérios já comentados) no período de 1960 a 2008, com 5.720 mortes e mais de 15 milhões de pessoas afetadas (desabrigados/desalojados).
Considerando somente os desastres hidrológicos que englobam inundações, enchentes e movimentos de massa, em 2008 o Brasil esteve em 10º lugar entre os países do mundo em número de vítimas de desastres naturais, com 1,8 milhões de pessoas afetadas (TOMINAGA; SANTORO;AMARAL, 2009)
Fonte: Secretaria Nacional da Defesa Civil
A figura mostra que, de acordo com a Defesa Civil, na região sudeste, em especial o estado do Rio de Janeiro, objeto da presente pesquisa, os desastres naturais que ocorrem com mais freqüência são as inundações e deslizamentos.
Fonte: Secretaria da Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro
Fonte: Secretaria da Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro Fonte: Secretaria da Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro
Figura 4 - Principais Desastres no Brasil
Figura 5 - Regiões de provável inundação ERJ
A defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro aponta, ainda, que o maior risco de desastres naturais hidrológicos ocorrem entre os meses de dezembro e fevereiro.
Fonte: Secretaria da Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro
Fonte: Secretaria da Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro
Figura 6- Época de maior incidência de Inundação no ERJ
Figura 7 - População potencialmente atingida por inundações ERJ
O EM DATE confirma essa informação e, de acordo com buca realizada, nos últimos 20 anos os principais desastres ocorridos no estado do Rio de Janeiro foram de natureza hidrológica, em decorrência da chuva, incluindo inundações, enxurradas e de natureza geológica, envolvendo deslizamentos de terra:
Ano Tipo de desastre
Localização Mortos Desabrigados Total de afetados Total de Danos('000 US$) 2000 Inundação Rio de Janeiro capital,
Volta Redonda, Barra Mansa, Resende.
26 70000 70000
2001 Inundação Rio de Janeiro capital, Petrópolis, Paracambi, Duque de Caxias, Belford Roxo, Niterói, Japeri, Bom
Jardim.
50 1946 $68.865,00
2002 Deslizamento Angra Dos Reis 74 1500 1500 $16.571,00
2002 Deslizamento Teresópolis 13
2003 Inundação Rio de Janeiro 54 10410 10511
2006 Inundação Rio de Janeiro capital 12 2009 Inundação Rio de Janeiro, Cachoeiras
de Macacu, Nova Friburgo, Angra dos Reis
16 1048
2009 Deslizamento Ilha Grande 74 1000 $183.141,00
2009 Inundação Três Rios, Tangua, Belford Roxo, Duque de Caxias,
Valença, Nova Iguaçu, Natividade
3 200 200
2010 Inundação Niterói, São Gonçalo 256 74938 $248.533,00
2011 Inundação Nova Friburgo, Petrópolis, Teresópolis
900 45000 $1.204.635,00
2013 Inundação Xerem 4 200000 $2.326,00
2013 Inundação Petrópolis, Mangaratiba, Niterói, Angra dos Reis, Xerem, Duque de Caxias
30 1510 $1.745,00
2013 Inundação Belford Roxo, Duque de Caxias, Nilópolis, Nova Iguaçu, Queimados, Rio de
Janeiro e São João de Meriti
2 2000
2018 Inundação Rio de Janeiro 4 250 $10.791,00
2018 Deslizamento Niterói, Rio de Janeiro 15 300 300
2019 Inundação Rio de Janeiro 10 4500
2020 Inundação Rio de Janeiro estado 4 152
2022 Inundação Petrópolis cidade e região serrana
8 800
2022 Inundação Angra dos Reis, Paraty, Mesquita, Duque de Caxias, Cachoeiras de
Macacu
23 31500
Fonte: The EmergencyDatabase (EM-DAT) (2022)
Tabela 2 - Ocorrência, Perdas e danos no Rio de Janeiro (2000 a 2022)
Os principais desastres ocorridos no Estado do Rio de Janeiro, portanto, podem possuem a seguinte definição:
Grupo Subgrupo Tipo Subtipo Definição
Geológico Movimento
de Massa Deslizamento Solo e/ou lama
São movimentos rápidos de solo ou rocha,apresentando superfície de ruptura bem definida,de duração relativamente curta, de massas de terreno geralmente bem definidas quanto ao seuvolume, cujo centro de gravidade se desloca parabaixo e para fora do talude.
Frequentemente,os primeiros sinais desses movimentos são a
presença de fissuras.
Geológico Movimento de Massa
Corridas de Massa
Solo/lama
Ocorrem quando, por índices pluviométricos
excepcionais, o solo/lama, misturado com aágua, tem comportamento de líquido viscoso, deextenso raio de ação e alto poder destrutivo.
Rocha/detrito
Ocorrem quando, por índices pluviométricosexcepcionais, rocha/detrito, misturado com aágua, tem comportamento de líquido viscoso, deextenso raio de ação e alto poder destrutivo.
Hidrológico Inundações ____ ____
Submersão de áreas fora dos limitesnormais de um curso de água em zonas quenormalmente não se encontram submersas.
O transbordamento ocorre de modo gradual,geralmente ocasionado por chuvas prolongadasem áreas de planície.
Hidrológico Enxurradas ____ ____
Escoamento superficial de alta velocidadee energia, provocado por chuvas intensas econcentradas, normalmente em pequenasbacias de relevo acidentado. Caracterizada pelaelevação súbita das vazões de determinadadrenagem e transbordamento brusco da calha fluvial. Apresenta grande poder destrutivo.
Hidrológico Alagamento ____ ____
Extrapolação da capacidade de escoamento desistemas de
drenagem urbana e
conseqüenteacúmulo de água em
ruas, calçadas ou
outrasinfraestruturas urbanas, em decorrência deprecipitações intensas.
Fonte: adaptado de CLASSIFICAÇÃO E CODIFICAÇÃO BRASILEIRA DE DESASTRES (COBRADE).
Quadro 6 - Definição Principais Desastres Naturais ERJ
A imagem a seguir, demonstra de forma clara a diferença entre os tipos de desastres hidrológicos:
Fonte: CNM, 2015.