Neste item apenas deseja-se explicitar que o objetivo deste trabalho, além de trazer informações acerca do:
Conceito e histórico do crime abordados no 1º capítulo;
Conceitos e definições forenses e patológicas do estado puerperal, abordados no 2º capitulo; e
Conceitos e histórico do crime de infanticídio que serão abordados no 3º capítulo.
Tem por sua primordial meta trazer os casos em que mesmo sendo uma gravidez indesejada, podendo ser esta fruto de: uma gravidez totalmente imatura pela própria idade do casal, um adultério, um “acidente” por descuido de ambos, enfim, inúmeros casos, que acabam por perturbar a gestante, fazer com que devido a esta gravidez seu companheiro, marido, namorado ou amante, etc., a abandone, seus familiares a desprezem, seus amigos (as) se afastem, e até mesmo se tiver um emprego corra o risco de perde-lo ou o já tenha perdido, ou seja, que sua vida, decaia, ela encontre-se totalmente desprezada por todos, pela sociedade e acabe vendo como problema esta gravidez, passando inúmeras dificuldades durante a mesma, às vezes até mesmo fome, frio, necessidades diversas, e isso gere interiormente uma revolta tamanha que a faça sim querer a toda maneira se livrar de seu próprio filho, por mais cruel, desumano e bárbaro que seja este ato.
Mas pensaram também na barbárie que foi feita com a mulher? A sociedade, a mídia, as pessoas pensaram com a visão da mulher fragilizada? Com a gestante carregando em seu ventre o magnífico dom da vida?
Pensaram por mais indesejada que fosse essa gravidez ao invés de amparar-lhe, amar-lhe e informar-lhe que existem sim outras opções, opções estas de muitas
outras famílias querendo adotar crianças, ou até mesmo futuramente depois claro de muito estudo e minuciosamente disposto em nossa legislação de controlar a natalidade através do aborto desde que no máximo até o 3º mês de gestação, como já existe e é permitido em outros países.
Por que antes de acusar, não se pensou em fazer isso? Em dialogar, em compartilhar informação, amparo, carinho, enfim resolver? Claro que não! É mais fácil culpar, ferir, magoar uma pobre coitada mulher grávida, perdida, desamparada, desprezada.Da qual é óbvio, que além de toda explosão de sentimentos em seu coração, confusões em sua mente, se esta gestante já não sofre, sem saber, nenhum distúrbio de personalidade, depressão, angústia, agora com certeza irá sofrer e este, a cada dia crescerá envolto pela raiva, rancor e indignação, ao qual em um ato de amor, lhe trouxe como conseqüências perda, abandono e frustrações.
Nesse sentido traz Maggio108:
Certamente, a prenhez, por si só, é uma crise psicológica significante, pois, as parturientes, quando inquiridas, confessam receio do parto de uma disformose do recém-nascido ou de não serem boas mães, levando-se a crer que muitos destes temores são agravados e exagerados na falta de amparo adequado da família ou da comunidade médica.
E ainda Maggio109 citando Antonio Guariento reforça que através do resultado de uma pesquisa que aponta os elementos para a caracterização de população sob maior risco de psicose puerperal, quando presentes: brigas entre os pais; gravidez fora do casamento; medo de relações sexuais; aversão por relações sexuais, medo do marido; dependência ou submissão ao marido; marido autoritário e medo de morrer no parto. O referido risco da psicose puerperal é muito pequeno ou ausente, quando a parturiente tem: mãe presente e carinhosa; pai carinhoso; bondade do marido; desejo de ter o filho e desejo de cuidar do filho após o parto.
108 MAGGIO, Vicente de Paula Rodrigues. Infanticídio e a morte culposa do recém-nascido. cit.p.
69.
109 MAGGIO, Vicente de Paula Rodrigues. Infanticídio e a morte culposa do recém-nascido.
cit.p.69.
A posição defendida nesta monografia é a de que nos casos específicos como o acima referido, já sendo resultado de uma história de vida conturbada, tendo um relacionamento também complicado e ainda mais a mulher vir a engravidar e ser “abandonada” pelo seu companheiro, familiares e amigos, que isso lhe resulta sim uma perturbação psicológica, psíquica e física, fazendo com que o risco de ela cometer infanticídio eleve senão tiver cuidados e observações especiais.
É também de se levar em consideração que podem ocorrer estes casos em todas as classes sociais, porém ocorre com mais freqüência nas mulheres que possuem uma condição de vida mais baixa, pouco ou às vezes até mesmo nenhum estudo ou alfabetização, que tem que optar entre trabalhar a estudar para ajudar no sustento da família (quase sempre numerosa), e até mesmo ter o que comer.
De relevante importância ressaltar o que traz o artigo 6º da CRFB/1988:
Art. 6º. São direitos sociais a educação,a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social,a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.
Portanto, a CRFB/1988 prevê assistência de todas as formas a todas as pessoas, sendo estas o trabalho, lazer, educação, proteção à maternidade e infância, entre outras citadas acima, porém não se define se é culpa da quantidade de habitantes no Brasil, da má distribuição de renda ou do sistema, do Estado porque que os direitos garantidos pela CRBF/1988 não são prestados de forma homogênea, límpida e correta?!.
Também traz Benda apud Bodnar110 que:
O estado surgiu em razão de fatores históricos, como resultado de lutas e conquistas. Evolui gradativamente com o progresso e com o desenvolvimento cultural dos povos. Inicialmente foi massacrado pelo absolutismo – fase caracterizada pelo excesso de poderes
110 BODNAR, Zenildo. Curso Objetivo de Direito de Propriedade. Curitiba: Juruá, 2005, p.35.
conferidos ao soberano e da limitação de Direito e liberdade individuais -, depois evoluiu para o Estado constitucional de Direito em razão do qual ocorreu a ampliação das liberdades dos indivíduos e a limitação dos poderes, o qual passou a estar também sujeito à lei.
E Bodnar111 ainda frisa:
A CF/88, ao prescrever no artigo 1º que a República Federativa do Brasil se constitui em um Estado Democrático de Direito, fundamentado na dignidade da pessoa humana e tendo como objetivos, dentre outros, de construir uma sociedade: livre, justa, solidária e fraterna, estabeleceu uma ideologia que deve iluminar todo o ordenamento jurídico constitucional e infraconstitucional [...].
Ou seja, o Estado , assim como previsto na CRFB/1988 deve sim se preocupar com a sociedade de um modo geral, e fornecer-lhe infra- estrutura necessária a todos os setores, saúde, educação, alimentação, transportes, etc, para que a partir dessa evolução, uma população mais consciente, satisfeita e bem estruturada possa crescer, se desenvolver e diminuir índices de criminalidade, homicídios, entre outros males e violência que assolam nosso país.
Bodnar112 também traz que todo o direito deve estar voltado para garantir a dignidade da pessoa humana como valor e não apenas a serviço da satisfação de interesses individuais e egoístas; e que a tarefa maior do estado é garantir a todos a existência digna, conforme os preceitos da justiça social, e para que o ideal seja alcançado, os institutos e direitos também devem exercer funções relacionadas ao bem-estar da comunidade.
Por fim enfatiza-se que a gestante após consumar o crime de infanticídio, deve ser direcionado a um tratamento psiquiátrico e psicológico, para sua reintegração à sociedade e não ser trancafiada em uma prisão.
111 BODNAR, Zenildo. Curso Objetivo de Direito de Propriedade. cit. p. 36.
112 BODNAR, Zenildo. Curso Objetivo de Direito de Propriedade. cit. p. 37.
Traz Oldoni113 acerca do sistema carcerário que:
[...] O Estado nada está fazendo para mudar o atual quadro encontrado no sistema carcerário brasileiro. Esse sistema encontra-se falido e sua falência faz com que o jus puniendi seja desprezado pela organização informal dor reclusos.[...] O futuro de nossas prisões não pode ficar a mercê dos que nelas vivem. [...]
Quanto às penas alternativas, representam elas uma possibilidade a mais de reeducação e de reingresso do preso à sociedade.
Portanto, torna-se claro que além do defasado sistema carcerário que se encontra no Brasil, este seria inviável para aprisionar uma mulher após passar por um choque tão forte, e esta necessitaria de outros cuidados, e o estado puerperal como isenção de pena, é uma idéia, uma alternativa para a mulher que consumar o crime de infanticídio, pois não existe previsão legal para o mesmo.
No próximo capítulo serão tratados acerca do crime Infanticídio, seu histórico, conceitos semânticos, doutrinários e legais, sua competência, a questão da co-autoria, e também o enfoque e atenções dados pela mídia neste ano de 2006 a este crime, o qual começou com o caso da mulher que jogou seu filho num rio, após sair do hospital.
113 OLDONI, Fabiano. As Relações De Poder Entre Os Detentos Do Presídio Público De Itajaí (A Morte Como Exteriorização Maior Deste Poder). Novos estudos Jurídicos.Ano VI – nº: 13 – p. 128, outubro/ 2001.
CAPÍTULO 3
HISTÓRICO, CONCEITOS E CLASSIFICAÇÕES SOBRE O CRIME DE INFANTICÍDIO
3.1 BREVE HISTÓRICO SOBRE O CRIME DE INFANTICÍDIO
O Infanticídio é antigo, porém sua punição e sanção como crime é mais recente, conforme Maggio114:
A expressão infanticídio (do latim: infanticidium) sempre teve no decorrer da história, o significado de morte de criança, especialmente do recém-nascido. Sua prática era comum entre os povos primitivos para evitar que crianças fracas e deformadas continuassem a viver, visando, assim, a constituição de uma raça saudável e vigorosa.
No início dos tempos as crianças que nasciam com alguma deformidade física eram consideradas inaptas de permanecerem nas tribos, por necessitarem de cuidados especiais e não poderem proporcionar zelo e segurança ao seu clã, sendo portanto mortas.
Nesse sentido esclarece Gomes115:
Matar ou expor recém-natos, pelos mais variados motivos, entre eles honra, fervor religioso ou deficiência física, foi prática freqüente desde a Antigüidade.[...] Na Grécia e Roma antigas, a criança era propriedade dos pais. Os recém-nascidos normais eram protegidos, porém os defeituosos podiam ser expostos para morrer de fome ou sede; aqueles que pudessem servir de desonra para a família, teriam o mesmo destino.[...]A criança que nascia era levada ao pai que, ao levantá-la nos braços e exibi-la, concedia-lhe o direito à vida; se a colocasse deitada, decretada sua morte (jus vitae et nescis). O Direito Romano somente passou
114 MAGGIO, Vicente de Paula Rodrigues. Infanticídio e a morte culposa do recém-nascido.
cit.p.23.
115 GOMES, Hélio. Medicina Legal. cit. p. 497.
a considerar como crime a morte do filho, pelo pai, por influência dos ideais cristãos, a partir de Justiniano. Os concílios preocuparam-se com os recém-nascidos e retiraram dos pais o direito de vida e morte.[...] O infanticídio passou a ser encarado como homicídio comum, pai ou mãe que cometessem o delito, estavam sujeitos a terríveis punições. Sendo a mãe criminosa, era enterrada viva, queimada ou empalada[...]A concepção de punir severamente mães infanticidas perdurou por toda a Idade Média.
As idéias humanistas surgidas no século XVIII trouxeram o abrandamento das penas desses criminosos. Desde então, passaram a ser vistos com uma certa boa-vontade, conato que ficasse provado terem agido por alguma causa moral, e não por perversidade ou egoísmo.[...]A tendência de considerar o infanticídio como uma forma especial de homicídio passou a ser aceita na maioria dos países, levando-se em conta tanto os motivos de honra quanto condições psicológicas “sui generes”
determinadas pelo parto e puerpério.
Agora visualizando uma evolução histórica acerca do Infanticídio, também discorre Maggio116 que:
Analisando a evolução do tratamento jurídico do infanticídio, observa-se, nitidamente, três períodos distintos: um período de permissão ou indiferença; um período de reação em favor do filho recém nascido e um período de reação em favor da mulher infanticida. [...] Neste primeiro período [...] (do século VII ªC. ao século V), o pai da família tinha direito de vida ou morte sobre os filhos e demais dependentes, incluindo mulheres e escravos.[...] O segundo período, de feição inteiramente oposta ao anterior (do século V ao século XVIII, destacava-se pela visível reação jurídica em favor do filho recém-nascido, onde as mães [...] eram punidas com penas severíssimas.[...] O terceiro período, o moderno ou atual (a partir do século XVIII, surgiu pela nítida reação jurídica em favor da mulher infanticida, decorrente de idéias humanitárias, o delito passou a ser tratado com certos privilégios.
Nota-se, portanto que o crime existe desde os primórdios dos tempos, porém com o passar dos anos evoluiu, tanto sua concepção na sociedade como sanções aplicadas a ele.
116 MAGGIO, Vicente de Paula Rodrigues. Infanticídio e a morte culposa do recém-nascido. cit.p.
40, 41 e 43.
E ainda discorre Noronha117:
[...] O infanticídio teve, através de épocas, considerações diversas. Em Roma, como se vê das Institutas de Justiniano (Liv.
IV, Tít. XVIII, §6º), foi punido com pena atroz, pois o condenado era cosido em um saco com um cão, um galo, uma víbora e uma macaca, e lançado ao mar ou ao rio. No direito medieval, a Carolina (Ordenação de Carlos V), art. 131, impunha o sepultamento em vida, o afogamento, o empalamento ou a dilaceração com tenazes ardentes. Foi no século XVIII, sobretudo, que o delito passou a ser considerado mais brandamente, e hoje, não obstante vozes em contrário, é orientação comum das legislações e também a seguida pelos Códigos pátrios.
Em suma, no princípio o infanticídio era o ato de tirar violentamente a vida do recém-nascido, sendo que este ato era de livre arbítrio do pai da criança, sendo consumado se esta fosse de alguma maneira fraca, debilitada ou deficiente ou o mesmo não a aceitasse como seu filho.
O crime de Infanticídio era punido, antigamente com penas severíssimas aditadas a crueldade, independente de quem o praticasse seja a mulher, o homem ou um terceiro,
Porém com a evolução dos tempos, este crime começou a ter uma visão mais humanitária, ao qual por volta de 1830 já era visto o delito com uma certa atenuação de pena, e então foi acrescentado às legislações o estado em que a mulher se encontrava, e que este ficando comprovado não lhe seriam mais dispostas penas tão severas ou mesmo torturas (como traz Noronha acima, acerca das Institutas de Justiniano), e sim levado em consideração seu estado, a motivação pela qual esta consumou o crime e lhe abrandada a pena.
3.1.2 BREVE EVOLUÇÃO HISTÓRICA NO BRASIL DO CRIME DE INFANTICÍDIO Analisar-se-á agora, de forma breve, a evolução histórica do crime de infanticídio no Brasil, Damásio118 leciona que:
117 NORNOHA, E. Magalhães. Direito Penal. cit., p. 45.
118 DAMÁSIO, E. De Jesus. Direito Penal-Parte Geral. cit. p. 105 e 106.
A legislação penal brasileira, através dos estatutos repressivos de 1830, 1890 e 1940, tem conceituado o crime de infanticídio de formas diversas. O CCrim de 1830, em seu art. 192, determinava:
“Se a própria mãe matar o filho recém-nascido para ocultar a sua desonra: Pena – prisão com trabalho por 1 a 3 anos...’. A sanção penal era bem mais branda que a imposta ao homicídio, causando a seguinte contradição: o legislador considerava infanticídio o fato 9homicídio0 cometido por terceiros e sem motivo de honra, impondo a pena de 3 a 12 anos, enquanto o homicídio simples possuía sanção mais severa, atingindo até a pena de morte.[...]O CP de 1890 definia o crime com a proposição seguinte: “Matar recém-nascido, isto é, infante, nos sete primeiro dias de seu nascimento, quer empregando meios diretos e ativos, quer recusando à vítima os cuidados necessário à manutenção da vida e a impedir sua morte” (art. 298, caput). O preceito secundário da norma incriminadora impunha a pena de prisão celular de 6 a 24 anos. O parágrafo único cominava pena mais branda “Se o crime for perpetrado pela mãe, para ocultar a desonra própria”.[...]
Alcântara Machado estendia o privilégio a outras pessoas além da mãe da vítima: “Matar infante durante o parto ou logo depois deste para ocultar a desonra própria ou de ascendente, irmã ou mulher”.[...] O CP de 1940 adotou critério diverso, acatando o de natureza psicofisiológica da influência do estado puerperal. A conduta que se encerra no tipo vem contida no preceito primário do art. 123: “Matar, sob influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após: Pena – detenção de 2 a 6 anos”. Assim, o infanticídio, em face da legislação penal vigente, não constitui mais forma típica privilegiada de homicídio, mas delito autônomo com denominação jurídica própria.[...]
Conforme Damásio acima citado, este trouxe uma panorâmica acerca da evolução da legislação penal brasileira, dispondo acerca dos que estava previsto no CCrim de 1830, em seu art. 192, no CP de 1890, em seu art. 298 , caput e o CP de 1940, com seu art. 123, que é o utilizado atualmente pelo Brasil.
Explicitando também de forma bem clara que após toda a repressão e crueldade com que era tratada a mulher infanticida o legislador visualizou o sofrimento por qual essa passava, atenuando-lhe a pena.
E ainda traz França119:
A legislação vigente adotou como atenuante no crime de infanticídio o conceito biopsíquico do estado puerperal, justificado pelo trauma psicológico e pelas condições do processo fisiológico do parto desassistido – angústia, aflição, dores, sangramento e extenuação, cujo resultado traria o estado confusional capaz de levar ao gesto criminoso. [...] A exposição de motivos do Código Penal de 1940 justifica o infanticídio como delictum exceptum, quando praticado pela parturiente sob a influência do estado puerperal, afirmando:” Essa clausula, como é obvio, não quer significar que o puerpério acarrete sempre uma perturbação psíquica: é preciso que fique averiguado ter esta realmente sobrevindo em conseqüência daquele, de modo a diminuir a capacidade de entendimento ou de auto-inibição da parturiente.[...]
Nota-se então que tanto na evolução histórica, quanto na própria evolução brasileira, e das legislações em vigor, o infanticídio deixou de ser visto e considerado um crime punível com estrema brutalidade, e passou-se a ver que quando comprovada que a parturiente praticou o crime sob influência do estado puerperal merecia uma atenuação por estar totalmente fora de seu juízo normal e mentalmente abalada.
3.2 CONCEITO SEMÂNTICO DO CRIME DE INFANTICÍDIO
O crime de infanticídio, num conceito semântico, conforme o Dicionário Aurélio120 é:
Assassínio de recém-nascido. Morte dada voluntariamente a uma criança. Bras. Jur. Morte do próprio filho, sob a influência do estado puerperal, durante o parto ou logo depois.
Por ser uma conceituação prática e simples, não há muito que acrescentar senão que o infanticídio é a morte do recém-nascido provocada pela própria mãe, durante, após ou logo depois do parto, mas sob influencia do estado puerperal.
119 FRANÇA, Genival Veloso de. Medicina Legal. cit. p. 189.
120 Dicionário Aurélio Eletrônico. Cd Room. Versão 3.0 Ano 1999.
3.3 CONCEITO E POSICIONAMENTO LEGAL DO CRIME DE INFANTICÍDIO Já conforme a estipulação legal, prevista no CP, este no caput de seu art. 123, estipula que:
Art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após:
Pena - detenção, de 2 (dois) a 6 (seis) anos.
Ou seja, a legislação vigente estipula ser um crime, porém este cometido sob uma circunstância bastante especial, que primeiramente é a mulher gestante, e o fato desta consumar o crime durante ou logo após o parto, ou seja durante ou logo após a concepção de seu filho, porém restando provada a influência do estado puerperal, que lhe trouxe total desordem mental, lhe impossibilitando, assim, discernimento sobre seus atos e conseqüências.
3.4 CONCEITO DOUTRINÁRIO DO CRIME DE INFANTICÍDIO
E no conceito de Mirabete121, Infanticídio é:
O infanticídio será na realidade um homicídio privilegiado, cometido pela mãe contra o filho em condições especiais.
Entendendo o lesgilador, porém, que é ele fato menos grave que aqueles incluídos no art. 121, §1º , e na linha de pensamento de Beccaria e Feuerbach, definiu-o em dispositivo à parte, como delito autônomo e denominação jurídica própria, cominando-lhe pena sensivelmente menor que a do homicídio privilegiado.
Ou seja, Mirabete traz que é um crime autônomo com cominação de pena exclusiva, levando-se em conta as condições especiais que ele se consuma e as condições em que se encontra o sujeito ativo no delito.
Já Damásio122 entende que existem três critérios para a definição do crime de Infanticídio, sendo estes: 1.Psicológico – revogado CP de
121 MIRABETE, Julio Fabrini. Manual de Direito Penal- Parte Especial.cit. p. 88.
122 DAMÁSIO, E. De Jesus. Direito Penal-Parte Especial. Cit. p. 106.
1.969; 2. Fisiopsicológico: CP vigente; e Misto: anteprojeto Hungria. Traz então que:
De acordo com o critério psicológico, o infanticídio é descrito tendo em vista o motivo de honra. Ocorre quando o fato é cometido pela mãe a fim de ocultar desonra própria. Era o critério adotado pelo CP de 1969. [...] Nos termos do critério fisiopsicológico, não é levada em consideração a honoris causa, isto é, motivo de prestação da honra, mas sim a influência do estado puerperal. É o critério de nossa legislação penal vigente.[...] De acordo com o critério misto, também chamado composto, leva-se em consideração, a um tempo, a influência do estado puerperal e o motivo de honra. Era o critério adotado no Anteprojeto de CP de Nélson Hungria.
Damásio acima frisa que o critério fisiopsicológico, é o da legislação vigente, que é a honoris causa 123 a qual leva em consideração a preservação da honra, mas sempre sob a influência do estado puerperal.
E conforme Noronha124 o infanticídio é o crime da genitora, da puérpera. É, portanto, a mãe que se acha sob a influência do estado puerperal.
Ou seja, é o crime cometido pela mãe do recém-nascido, sob influência do estado puerperal.
Para que não reste dúvidas, é feita a docimasia125 pulmonar no neonato, sendo esta um exame realizado por peritos, no pulmão do feto, que detectam se este nasceu com vida ou não, para poderem assim concluir que houve a consumação do crime de infanticídio.
Na parturiente também é feito um exame, conforme traz Gomes126:
123 Honoris Causa – (Latim) Por motivo honorífico, para render homenagem; título honorífico dado a pessoa ilustre, nacional ou estrangeira. [SIQUEIRA, Luiz Eduardo e Anne Joyce Angher.
Dicionário Jurídico. 6 ed. São Paulo: Rideel, 2002. p. 80.]
124 NORONHA, E. Magalhães. Direito Penal. cit., p. 45.
125 “Docimasia: [...]Exame, avaliação, para prova oficial e/ou judicial. [...] Docimasia pulmonar:
Méd. leg. Verificação para determinar se um feto chegou a respirar, ou não.[...]”.[Dicionário Aurélio Eletrônico. Cd Room. Versão 3.0 Ano 1999.]
126 GOMES, Hélio. Medicina Legal. cit. p. 508.