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Diagnóstico por imagem

níveis de GGT podem estar elevados, mas existem poucas informações sobre a frequência e o grau de elevação. O nível de fosfatase alcalina (FA) também pode ser variável e atinge até duas vezes o limite superior da normalidade 1, 125, 257, 262.

A fosfatase alcalina pode estar aumentada até duas vezes o limite do normal 158. A GGT também pode estar elevada, mas os níveis de bilirrubinas e albumina mantêm-se dentro dos padrões de normalidade 124. Dixon; Bhatha e O'brien 263 reportaram a elevação da GGT como sensível marcador diagnóstico e preditivo da EHNA.

Como esperado, as medidas de capacidade funcional hepática não se alteram até a presença de cirrose e insuficiência hepática instaladas. O nível sérico de albumina e o tempo de protrombina alteram-se mais precocemente do que os níveis séricos de bilirrubina. Parâmetros hematológicos são, geralmente, normais, a menos que cirrose e hipertensão portal levem ao hiperesplenismo 158.

A ferritina sérica elevada não indica a sobrecarga de ferro em pacientes com DHGNA, mas pode representar um marcador de fibrose hepática. O acúmulo de ferro hepatocelular é associado à fibrose, mas não se correlaciona com mutações do gene HFE

253.

diagnóstico da DHGNA e sugerem a presença de esteatose, sem, no entanto, avaliar o grau de inflamação ou agressão hepática, presentes na EHNA 253. Com exceção para os casos de fibrose avançada, cirrose ou carcinoma hepatocelular, esses métodos de estudo de imagem apresentam grande acurácia diagnóstica. Do ponto de vista clínico, a ultrassonografia tornou-se o método mais prático, rápido e acessível 42. Aumento da ecogenicidade do parênquima hepático e atenuação do feixe posterior são os principais achados da esteatose hepática. A deposição de gordura no tecido hepático pode ser focal ou difusa. Esta última é classificada em graus I, II e III, de acordo com a intensidade do sinal ecogênico, que varia de leve a intenso. No grau II, há, adicionalmente, pequeno comprometimento da visão do diafragma e vasos intra-hepáticos, enquanto, no grau III, observa-se acentuada atenuação da penetração do feixe do ultrassom no segmento posterior do lobo hepático direito, o que torna impossível visualizar as referidas estruturas anatômicas. Segundo Bayard; Holt e Boroughs 124, a ultrassonografia apresenta sensibilidade de 82% a 89% e especificidade de 93% para identificar o infiltrado gorduroso hepático.

Estudo comparativo em pacientes obesos submetidos à cirurgia bariátrica avaliou o escore ultrassonográfico de gordura e o escore de gordura modificado baseado na ecogenicidade do parênquima hepático, na atenuação do feixe posterior, no borramento da parede da vesícula biliar, da veia porta e da veia hepática, correlacionando-os com escore histológico. Do total de pacientes, 29% obtiveram diagnóstico de esteatose, e 71%, esteato- hepatite; o escore modificado mostrou correlação positiva com achados histológicos de esteatose e fibrose (p<0.001), com sensibilidade de 72%, especificidade de 86%, valor preditivo positivo de 93% e acurácia de 76% 265.

A tomografia computadorizada e a ressonância nuclear magnética não são mais específicas para o diagnóstico da esteatose do que a ultrassonografia, e nenhum deles é

capaz de distinguir a esteatose simples da esteato-hepatite 266. O grau III, na tomografia computadorizada, pode ser diagnosticado de forma visual e subjetiva, devido à diminuição da atenuação do parênquima hepático ou determinado por uma atenuação hepática menor que a do baço, na fase pré-contrastada do exame 124.

Entretanto, avanços recentes significativos têm sido feitos em relação à tecnologia de ressonância magnética: a ressonância nuclear magnética (RNM) e a elastografia vêm se mostrando ferramentas diagnósticas precisas para a avaliação quantitativa não invasiva da esteatose hepática e da fibrose. Assim, elas podem ser alternativas adequadas à biópsia hepática para o diagnóstico da DHGNA, para identificação de populações de risco (EHNA e aqueles com fibrose hepática) e para a avaliação da resposta a intervenções terapêuticas.

A precisão do diagnóstico por meio da RNM foi validada por Idilman et al66 e Bannas et al

267, 268. Ambos demonstraram que as avaliações baseadas na RNM se correlacionam intimamente com a histologia avaliada percebida pela biópsia hepática. A consistência da aplicação em todas as subpopulações também foi validada por diversos estudos que demonstram que as características-chave (idade, sexo, índice de massa corporal), componentes da doença (inflamação histológica, coexistência de condições hepáticas, ou de deposição de ferro) e fatores técnicos (força do campo magnético) não têm qualquer impacto significativo em relação à precisão diagnóstica por avaliações de RNM na DHGNA 264.

Já a elastografia transitória mede a rigidez do parênquima hepático e usa ondas de baixa frequência (50Hz), cuja velocidade de propagação depende da elasticidade do tecido. Tem sido estudada como preditor válido para diagnosticar a presença de fibrose na DHGNA, considerada uma das consequências diretas da evolução da esteato-hepatite. Um grupo de análises de dados recentes demonstrou que este método tem uma alta precisão

no diagnóstico para identificar fibrose avançada. Embora não seja um requisito para o diagnóstico, a presença de fibrose pode ajudar a identificar pacientes com EHNA, pois quase 40% dos pacientes com EHNA irão progredir para estágios avançados de fibrose em menos de 3 anos. Por estas razões, tem sido sugerido que a biópsia do fígado deve ser realizada em todos os pacientes com DHGNA para identificar pacientes com EHNA mais cedo no curso da doença, de modo que intervenções terapêuticas possam ser adotadas para reduzir a morbimortalidade global 264.

Experiência com hepatite viral crônica sugere que os melhores resultados para o diagnóstico não invasivo de fibrose serão alcançados pela combinação de um índice clínico/bioquímico com elastografia 269-271. Nos pacientes com doença hepática, graus de esteatose podem atenuar a propagação da onda elástica, mas não a sua velocidade, que é parâmetro usado para medir a rigidez do parênquima. Correlação positiva entre a medida de resistência do tecido e o grau de severidade da fibrose em pacientes com DHGNA tem sido relatados 272.

Vuppalanchi et al 273 haviam sugerido que a quantificação da esteatose, por métodos de imagens, correlaciona-se significativamente com o grau da esteatose histológica, corroborando com a ideia de Chalasani et al 274 de que existe significativa relação entre severidade da sobrecarga lipídica hepática, inflamação lobular, fibrose em zona 3 e o diagnóstico definitivo de esteato-hepatite. Dessa forma, devem-se explorar os casos de esteatose severa, radiologicamente evidentes, uma vez que representariam risco de esteatofibro-hepatite em pacientes com doença gordurosa.

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