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Discussão dos resultados

No documento PPGTH DOUTORADO EM TURISMO E - Univali (páginas 117-120)

resultados fornecem uma compreensão dos mecanismos dentro do processo de enfrentamento dos turistas que experimentaram os paradoxos da assimilação / isolamento social, atenção / distração tecnológica, amor / ódio à marca, dinâmicas engajadoras/desengajadoras e gestão competente/incompetente. As estratégias de enfrentamento, envolvem esforços focados no problema e na emoção. O coeficiente das estratégias de enfrentamento na relação direta com a confiança foi positivamente maior que os elementos positivos dos paradoxos que se ligam diretamente com a confiança, demonstrando que os turistas tiveram maior confiança na atração turística, envolvendo assim esforços para: explorar novas e diferentes experiências que pudessem ser úteis, explorar novas maneiras de viver as experiências que antes não tinha em mente, concentração nos benefícios que obtém com a experiência e aproveitando ao máximo o que a experiência oferece.

Por fim, os resultados indicam que os turistas conseguem lidar com questões paradoxais em suas experiências turísticas, baseando-se na relação entre o processo de enfrentamento e a confiança na atração turística. Especificamente, os resultados mostram que as estratégias de enfrentamento estão mais fortes e significantes, na relação com a avaliação do desafio, que contribuiu para um maior coeficiente de confiança. Esses resultados são consistentes contribuindo com o estudo dos paradoxos na literatura do turismo (ASHWORTH e PAGE, 2011; MÜLLER, 2017), especificamente os paradoxos em experiências turísticas.

4.5.1 Implicações teóricas

Este estudo oferece indícios de algumas implicações acadêmicas para o campo do turismo e suas áreas correlatas. Em primeiro lugar, este estudo contribui significativamente com as pesquisas sobre paradoxos em experiências turísticas, examinando empiricamente a relação estrutural entre os paradoxos nas experiências turísticas, processos de enfrentamento e confiança. A experiência avaliada é o foco de grande parte da pesquisa de experiência em turismo (CUTLER e CARMICHAEL, 2010) onde as experiências são definidas como sendo dentro de uma pessoa que está envolvida com um evento (PINE e GILMORE, 1999), deixando esses indivíduos com impressões memoráveis (GRAM, 2005). As descobertas desta pesquisa demonstram que os turistas experimentam paradoxos, vendo positivamente as tensões como um desafio que melhore suas experiências e como uma ameaça que prejudica seu bem-estar. O modelo pode ser aplicado com outros paradoxos, verificando seu impacto no processo de enfrentamento e confiança.

Em segundo lugar, este estudo contribui para a pesquisa sobre a adoção do uso do processo de enfrentamento nas experiências turísticas como uma lente teórica robusta para examinar a experiência dos turistas sob a influência de tensões e estresse. Este estudo propôs e testou empiricamente o modelo de pesquisa baseado na teoria do enfrentamento (LAZARUS e FOLKMAN, 1984) e no modelo de experiência do cliente (VEHOERF et al., 2009). Os resultados indicam que o comportamento de enfrentamento dos turistas tem relação significativa entre as avaliações e as estratégias de enfrentamento na exposição das situações adversas. Portanto, este estudo oferece excelentes perspectivas sobre a pesquisa sobre o processo de enfrentamento em experiências turísticas.

Os resultados das experiências turísticas são experimentais, intangíveis e imprevisíveis (OSTI; TURNER; KING, 2009). Na experiência do cliente, as emoções são um componente importante (SHAW, 2005; LAURING, 2013). Este estudo visualiza o paradoxo experimentado por turistas, que após se dedicam no processo de enfrentamento, que tem efeito sobre sua confiança. As hipóteses H4a e H4b demonstra que as estratégias de enfrentamento dos turistas preveem adequadamente as avaliações da ameaça e do desafio, antes da tomada de decisão. Especificamente, os resultados indicam que a avaliação da ameaça é significativamente negativa às estratégias de enfrentamento (-0,12) e a avaliação do desafio está significativamente positiva às estratégias de enfrentamento (0,40).

E finalmente, em terceiro lugar, este estudo oferece um teste empírico que identifica uma relação importante para o aumento da confiança do turista ao experimentar tensões e estresse, demonstrando a reação dos turistas ao efeito dos paradoxos, em sua escolha no processo de enfrentamento, seja nas avaliações de ameaça e do desafio ou estratégias de enfrentamento focadas no problema e na emoção. Este estudo, baseando na tese central de Lazarus e Folkman (1984), supôs que as avaliações de desafio e ameaça estavam positivamente associadas às estratégias de enfrentamento focadas no problema e na emoção. Os resultados mostraram que a avaliação do desafio é mais e significativamente relacionada às estratégias de enfrentamento (coeficiente de caminho = 0,40, p <0,001), do que a avaliação da ameaça (coeficiente de caminho = -0,12, p <0,001).

As estratégias de enfrentamento, demonstraram sua contribuição para o estudo da confiança em turismo, pois foi mais forte e significante (H5a) (coeficiente de caminho = 0,35, p <0,001), que os elementos positivos dos paradoxos nas experiências turísticas (H1a) (coeficiente de caminho = 0,30, p <0,001), (H1b) (coeficiente de caminho = 0,18, p <0,01), (H1c) (coeficiente de caminho = 0,16, p <0,01), não menosprezando seus resultados, mas reconhecendo esse resultado significativo.

4.5.2 Implicações práticas

O estudo evidencia que os turistas percebem suas experiências paradoxais na atração turística. Como demonstrado nas descobertas desta pesquisa, eles possuem confiança na atração turística, mas ela varia de acordo com o paradoxo experimentado e após os turistas desenvolverem um processo de enfrentamento, com base nos elementos negativos da experiência paradoxal.

As hipóteses H2a, H2b, H2c, H2d, H2e, H3a, H3b, H3c, H3d e H3e oferecem evidências empíricas do impacto negativo dos paradoxos nas experiências turísticas, desencadeando a avaliação da ameaça e do desafio. Neste sentido, no momento da avaliação os turistas decidiram a experiência paradoxal ameaçava ou não o seu bem-estar. Essas descobertas sugerem que os profissionais que atuam diretamente no turismo e demais gestores devem criar estratégias para que os turistas evidenciem paradoxos, entendendo que o desafio a ser experimentado que constitui importante etapa para o seu bem-estar. As avaliações criam as possibilidades dos turistas em se envolver mais com a experiência, por meio das estratégias de enfrentamento, e consequentemente possibilitam mais confiança na atração turística.

Enfim, as preocupações que surgem nos turistas/visitante, devido o reconhecimento dos paradoxos, não devem ser desconsideradas. O reconhecimento de que algo pode interferir negativamente no bem-estar, neste estudo, pode causar um resultado de baixa confiança, pois os turistas reconhecem as ameaças, mas hesitam em desenvolver estratégias de enfrentamento, diferentemente quando avaliam como um desafio. Portanto, é necessário aprender a lidar com os paradoxos nas experiências turísticas, para que os turistas as vejam como uma forma de ter novas experiências que contribuem com seu bem-estar.

No entanto, eliminar ou reduzir a identificação dos paradoxos como ameaças, pelos turistas, pode ser uma estratégia importante para aumentar a confiança. Uma vez que é reconhecido como um desafio os turistas desenvolvem estratégias que incentivem a continuar na experiência, resultado em maior confiança. São necessárias estratégias que façam com o turista lide cada vez melhor com as experiências criando impacto positivo.

No documento PPGTH DOUTORADO EM TURISMO E - Univali (páginas 117-120)