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Discussão dos resultados

A intitulação desta dimensão está relacionada predominantemente aos benefícios pessoais que o visitante adquire ao participar do evento (R.1 e R.4), que podem ser categorizados como benefícios intrínsecos. Entretanto, esta dimensão também aborda aspectos físicos da festa (R.1, R.2 e R.5), tais aspectos podem influenciar na relevância que o visitante atribui à sua visita ao evento.

Com o intuito de trazer maior veracidade à análise fatorial, optou-se por apresentar alguns dados estatísticos descritivos acerca das novas dimensões geradas. A Tabela 15 mostra as médias de cada dimensão, bem como o mínimo e o máximo utilizados na análise das mesmas.

Tabela 15 – Dados descritivos das dimensões extraídas da análise fatorial.

Dimensões Estatística descritiva

Mínimo Máximo Média

Organização 1 7 4,82

Estímulo 1 7 4,76

Relevância 1 7 5,36

Fonte: Elaborada pela autora, dados da pesquisa (2015).

O mínimo e o máximo apresentados na Tabela 15 representam a escala Likert de sete pontos, mesma escala utilizada nas seis dimensões iniciais. As médias também apresentam similaridades se comparadas as anteriores. A “relevância” foi a dimensão que resultou em uma maior média, seguidas das dimensões “organização”

e “estímulo”.

verificar a predominância do público feminino na festa de São João realizada na cidade de Campina Grande – PB.

A maioria dos visitantes participam da festa acompanhados da família, confirmando os estudos de Nóbrega (2012) ao discorrer que era de costume em tempo de festividades juninas as famílias se reunirem em frente as suas casas para dançar forró, pular fogueiras, comer comidas típicas da estação, participar de quadrilhas, enfim, festejarem o mês junino junto de seus familiares. Trata-se de uma festa familiar que não perdeu a essência, preservando tradições.

Tanto a região nordeste como a cidade de Campina Grande tiveram predominância quanto a origem dos visitantes. Esses dados vão ao encontro do apontamento feito pelo autor Araújo (1977) quando afirma que a celebração junina é realizada em todas as regiões brasileira, mas na região nordeste é mais intensa em significados e demonstrações.

Menezes (2012) discorre que o “Maior São João do Mundo” antes mesmo de se tornar uma atração turística atraindo milhares de visitantes, sempre fez parte da cultura campinense, justificando o predomínio de visitantes de Campina Grande.

Esses dados parecem confirmar os resultados sobre a frequência de visitas à festa, visto que foi constatado a dominância de visitantes que frequentam a festa cinco ou mais vezes.

Para investigar a relação entre as variáveis que formam a perspectiva do visitante foi realizada a correlação de Pearson, representando o primeiro objetivo proposto.

Nessa análise foi detectado que a dimensão “benefício” sofre maior influência da dimensão “motivação”. Isso ocorre por causa da forte relação que uma dimensão tem sobre a outra.

Essa relação pode ser justificada com os estudos de Kitterlin e Yoo (2014), onde apresentam que ao saber do motivo que leva um indivíduo a participar de um evento é possível desenvolver um planejamento efetivo, conseguindo uma estratégia mais vantajosa para o festival, por exemplo. Isso tem interferência direta na dimensão

“benefício”, uma vez que, de acordo com Deng et al. (2013) se trata das benfeitorias

obtidas a partir da visita ao evento. Logo, um visitante motivado a participar de um evento planejado para ele tem mais possibilidades de sair satisfeito, obtendo benefícios da visita.

Ainda sobre a correlação de Pearson verifica-se que as dimensões “instalações” e

“serviços” se relacionam. Explica-se essa relação pelo fato dos dois serem tratados como uma mesma categoria. Zucco, Moretti e Camargo (2014) aos discorrerem sobre a qualidade em serviços abordam que estes também são interpretados quanto a tangibilidade, portanto os serviços tangíveis retratam as instalações e os intangíveis à prestação de serviço propriamente dita.

Quando correlacionadas o “tema” e o “conteúdo do evento”, últimas dimensões da imagem, percebe-se que o “tema” sofre influência do “conteúdo do evento”, que, por sua vez, tem relação com os “serviços” prestados. Isso se justifica pelo fato do

“tema” ser um dos aspectos mais importantes para imagem do evento, pois a partir dele todos os outros elementos do evento são criados (SALEM; JONES; MORGAN, 2004), isso inclui as exposições e atrações oferecidas aos visitantes, aqui denominadas como “conteúdo do evento”. Estas atrações, quando apresentadas ao público, são tratadas como serviços e avaliadas quanto a satisfação, justificando assim a relação do conteúdo com os serviços prestados.

O segundo objetivo específico buscou, através da análise de cluster, identificar diferentes perfis de visitantes e suas percepções a respeito do evento. Com isso foram detectados dois perfis distintos com opiniões similares, àqueles satisfeitos com a imagem da festa e àqueles insatisfeitos.

Os homens compreendem o grupo que tende a estar mais insatisfeitos quando questionados sobre os aspectos que formam a imagem do evento. Eles se demonstraram mais críticos, pois o perfil masculino tende a perceber melhor os detalhes da organização de eventos. Consequentemente, as mulheres julgaram os aspectos de maneira mais positiva, pois demonstraram-se mais sensibilizadas e contentes com o evento em geral. Entretanto, por mais que os dois grupos tenham opiniões diferentes sobre as mesmas coisas, o aspecto que obteve menor nota na avaliação foi a dimensão “instalação”.

A regressão logística, representada pelo terceiro objetivo, foi aplicada com a finalidade de identificar qual dos aspectos analisados sobre a imagem tem maior influência na explicação da satisfação do visitante. Através da equação gerada foi visto que a “instalação”, o “conteúdo do evento” e o “tema” foram as dimensões mais significativas para a satisfação dos visitantes da festa de São João de Campina Grande. Logo, as atividades e exposições ofertadas ao público, os elementos gerais da festa – que giram em torno do tema junino – e as instalações são os responsáveis pela satisfação dos participantes.

Contudo, pode-se considerar que os resultados alcançados com a análise de cluster estão em discrepância com a equação logística, no que tange a dimensão

“instalação”. Em uma análise esse aspecto obteve a pior avaliação e em outra foi considerado uma das dimensões que mais influencia (positivamente) na satisfação do visitante.

Ao analisar essa dimensão separadamente pode-se observar que há um contraponto, pois ao mesmo tempo que ela obteve a pior média dentre as outras dimensões, também possui uma variável que ocupa a terceira melhor avaliação dentro da imagem de eventos. Numa outra perspectiva, no estudo de Deng et al.

(2013) foi visto que a dimensão “instalação” obteve uma das melhores avaliações quando julgada polos visitantes do evento.

O último objetivo específico buscou examinar a dinâmica da percepção dos visitantes e como se agrupam essas opiniões em dimensões, para isso foi aplicada a análise fatorial. O modelo inicial possui 24 variáveis distribuídas em seis dimensões.

Diante da análise fatorial foram desconsideradas cinco variáveis e houve a redução de seis para três dimensões, denominadas: (1) Organização, com oito variáveis; (2) Estímulo, com seis variáveis e (3) Relevância, com cinco variáveis. Esse resultado é concomitante à análise de Santos, Zucco e Kraus (2015), em que, após a aplicação da análise fatorial, também foram geradas novas três dimensões para futuras análises da imagem de evento.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O conjunto de percepções que um indivíduo tem a respeito de um evento pode ser interpretado como a imagem do mesmo. Essa imagem só pode ser construída a partir da visita do indivíduo somada as associações que o mesmo faz sobre o evento. A fim de investigar empiricamente os estudos acerca da imagem de eventos, optou-se por uma festa bastante popular no Brasil, a festa de São João.

Com o intuito de saber como se apresenta a construção da imagem de um evento, foi analisada a imagem da festa de São João realizada na cidade de Campina Grande – PB na percepção de seus visitantes.

Em função do objetivo proposto, foi decidido desenvolver a pesquisa em cinco etapas. A primeira é a introdução, que contextualizou o problema e abordou os objetivos do trabalho. A segunda refere-se ao estado da arte, responsável pelo embasamento teórico da pesquisa. A terceira etapa diz respeito ao método e às técnicas metodológicas necessárias para a aplicação e desenvolvimento da pesquisa. A quarta etapa descreveu os resultados alcançados e a discussão dos mesmos. A última etapa consiste das considerações finais e nela será abordada, de forma resumida, os resultados alcançados além das limitações e recomendações do estudo.

A partir da pesquisa aplicada é possível constatar que a festa é caracterizada por um público predominantemente feminino oriundo da própria cidade de realização do evento, Campina Grande, cidade do estado da Paraíba. Foi identificado que o perfil feminino tende a avaliar as dimensões da imagem do evento de maneira mais positiva.

De acordo com a metodologia adotada, os aspectos que fazem parte da imagem de um evento são: benefício, instalações, serviços, tema, conteúdo do evento e motivação. Portanto, são esses os aspectos que fazem parte da construção da imagem da festa de São João.

O “benefício” foi a dimensão melhor avaliada pelos participantes da festa (5,47) e está relacionada com as benfeitorias que o evento gera para o visitante. De acordo com os entrevistados, a festa satisfaz a curiosidade dos mesmos, melhora o relacionamento com amigos e parentes, além de proporcionar a oportunidade de conhecer pessoas novas.

O “conteúdo do evento” está relacionado com as atividades, apresentações e exposições ofertadas ao público e foi a dimensão com a segunda melhor avaliação dos participantes, com média 4,94. O “tema”, que é um dos aspectos primordiais do evento, pois através dele todos os elementos do evento são pensados e criados, foi a terceira dimensão melhor avaliada (4,85).

O motivo que leva o indivíduo a participar da festa de São João, representado pela dimensão “motivação” recebeu a terceira pior avaliação, com (4,81). Já a segunda pior avaliação foi para os “serviços” (4,76). Apesar da presteza e simpatia, foi avaliada a falta de profissionalismo e preparação dos prestadores de serviços da festa.

O pior aspecto avaliado na festa foi a dimensão “instalações”, com 4,15 de média.

Os visitantes julgaram insuficientes as áreas de descanso, a limpeza e adequação dos banheiros e a segurança do evento. Entretanto, houve um contraponto nesta dimensão, visto que possui uma variável que ocupa a terceira melhor avaliação dentro da imagem de eventos. Se trata da apropriação e suficiência dos pontos de bebidas destinados à festa. Por conta disso, talvez, justifica-se a presença dessa dimensão como um dos aspectos que compõem a satisfação dos visitantes da festa.

Em resumo, pela proximidade das médias, é perceptível a importância dessas dimensões na análise da imagem de um evento. A partir das médias de cada dimensão foi possível calcular a média geral da imagem da festa de São João de Campina Grande, compreendida em 4,84. Isso representa que a construção da imagem da festa de São João de Campina Grande – PB como um todo obteve uma avaliação média-alta.

Este trabalho tem alto valor para os gestores e para a comissão organizadora do evento, pois além de avaliar o perfil e a satisfação dos visitantes, aborda aspectos da imagem da festa como um todo. Resultando em possíveis melhorias para edições futuras e, ainda, podendo ser utilizado como fonte de informação na hora de desenvolver um planejamento efetivo mais focado em seu público-alvo.

Embora o estudo tenha alcançado com sucesso os objetivos – geral e específicos –, apresenta algumas limitações como qualquer outra pesquisa científica. A primeira limitação diz respeito a técnica de amostragem não-probabilística por conveniência, que consiste na seleção de visitantes que a pesquisadora teve acesso, ou seja, não permitindo a generalização dos dados encontrados.

A segunda e última limitação refere-se ao tempo destinado à aplicação da pesquisa.

Por questões de tempo a pesquisa ocorreu em apenas em sete dias de festa, não contemplando todo o festival, que ocorre durante um mês inteiro. Podendo haver algum tipo de diferença quanto às respostas e ao perfil dos visitantes se entrevistados nos demais períodos da festa.

A partir da análise fatorial o estudo gerou uma nova escala para avaliar a imagem de um evento. Recomenda-se para novas pesquisas que essa escala seja aplicada em outra edição da festa de São João, ou até mesmo em outros festivais para validar de fato esse novo instrumento. Sugere-se ainda, a aplicação desta pesquisa com os turistas e com moradores de maneira separada, para haver a comparação entre as percepções sobre o mesmo evento.

Por fim recomenda-se, para futuras pesquisas, analisar a imagem da festa de São João de Campina Grande e sua relação com a imagem pretendida pelos gestores do evento. Buscando assim, identificar se a imagem pretendida é a mesma que os visitantes percebem sobre a festa.

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