NA MATERNIDADE BÁRBARA HELIODORA NO ESTADO DO ACRE
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
3.2 DISCUSSÃO
para o retorno da hemodinâmica basal para dar continuidade ao procedimento. A grande quantidade de inserções da sonda leva ao aumento da chance de trauma nas mucosas, bronco espasmo e a hipoxemia. Portanto observa-se que não há a estudos com contagem do tempo total da aspiração, apenas o período que cada inserção deve durar.
A bradicardia observada durante o procedimento de aspiração ocorreu em 55% dos RNs após alguns segundos de desconexão do tubo do ventilador acompanhando a queda de SPO2. Segundo Reisinho (2001), a bradicardia pode ser ocasionada pela estimulação de seio carotídeo, podendo também levar a arritmias devido a estimulação destes receptores a nível de arvore brônquica, esôfago e faringe. Adicionalmente Nielson (1990) afirma que o procedimento de aspiração gera irritação nas vias aéreas ocasionando estimulação vagal, com consequente broncoespasmo. Complementarmente, a pressão negativa da sonda diminui a oferta de oxigênio aos pulmões gerando desta forma microatelectasias. A atelectasia é gerada como consequência do broncoespasmo fazendo com que o paciente desenvolva hipoxemia, que associada a estimulação vagal, provoca graves bradicardias, com vasoconstrição coronariana comprometendo severamente o débito cardíaco e o abastecimento de sangue aos tecidos.
A queda da saturação ocorreu em 75% dos pacientes entubados durante o procedimento de aspiração traqueal devido a interrupção da ventilação mecânica para poder realizar o procedimento, tendo em vista que os pacientes eram aspirados por sistema de aspiração aberto. Após a queda da saturação, esses RNs tiveram que ser reconectados ao sistema de ventilação para solucionar a hipoxemia gerada pelo procedimento, e desconectados novamente para se retirar completamente as secreções presentes no tubo.
Os pacientes não eram hiperoxigenados antes do procedimento.
Nesta perspectiva Barnes e Kirchhoff (1986) e Stone (1990) corroboram com os resultados encontrados nesta pesquisa relatando que a queda da SPO2 pode ser gerada por vários fatores, como o tempo de duração da sucção, a relação entre o tamanho da cânula endotraqueal e a sonda de aspiração, o fluxo e a pressão da sucção, a desconexão do tubo do ventilador, as condições clínicas do paciente e até mesmo inserção de soro intratraqueal. Relata ainda que com o passar dos anos, evidenciou-se alguns métodos para se prevenir a hipoxemia durante o procedimento de aspiração, incluindo-se a hiperoxigenação antes do procedimento, e a utilização de um sistema de aspiração endotraqueal fechado onde se realiza o procedimento sem interromper a ventilação mecânica.
Portanto, é importante alertar os profissionais que realizam este procedimento, para que se atentem na prevenção de hipoxemia através das técnicas citadas pelos autores acima, e ainda focando no procedimento para que o mesmo seja realizado na maior brevidade possível.
Com relação a ausculta pulmonar, evidenciou-se que 25% dos RN apresentavam algum tipo de ruído adventício antes do procedimento de aspiração traqueal, e após o procedimento apenas 5% permaneceram com ruídos, mostrando a eficácia do procedimento no que diz respeito a presença de secreção. Um dos critérios utilizados para realização da aspiração é determinada, essencialmente pela ausculta pulmonar de tórax, para se confirmar a presença de secreções e até mesmo o surgimento de tampões nas vias aéreas inferiores. Desta forma, evitando realizar o procedimento sem benefícios ao paciente. Alguns autores relatam que a ausculta deve ser realizada de 2/2 horas para verificar a necessidade de realização da aspiração (ZEITOUN et al., 2001; KNOBEL, 1998;
DREYER; ZUNIGÂ, 2005; NETTINA, 1998).
Diante dos resultados encontrados acerca da ausculta pulmonar em relação ao procedimento de aspiração, juntamente com as informações relatadas pelos autores, pode- se estabelecer que a ausculta pulmonar pode ser um importante instrumento para definir a necessidade da realização do procedimento. No presente estudo apenas 25% dos pacientes apresentavam ruídos adventícios, entretanto todos foram submetidos à aspiração, caindo para 5% o quantitativo de pacientes que apresentavam ruídos após o procedimento. Contudo, sugere-se que o procedimento é hábil, mas pode estar sendo realizado de forma empírica.
Devido os diferentes modos ventilatórios utilizados nesses neonatos o dado FR foi excluído da pesquisa por não se tratar de um dado controlado pelo RN e sim pelo ventilador.
E com relação a PA não havia equipamento e monitorização adequada na unidade para realizar a aferição durante o procedimento, não havendo controle da mesma.
4. CONCLUSÃO
Após a coleta e análise dos dados, concluímos que dentre as alterações observadas as que mais se mostraram instáveis foram FC e SPO2, que levam esses neonatais a um quadro de bradicardia e hipoxemia durante o procedimento de aspiração traqueal. Além
disso observamos que o tempo de duração do procedimento não pode ser destacado como errôneo pois a literatura não apresenta a contagem total do procedimento de aspiração.
O uso da técnica de aspiração traqueal precisa ser avaliado de acordo com a necessidade do neonato para evitar as alterações por este artigo estudada. Vale ressaltar a importância de um profissional fisioterapeuta em uma unidade de terapia intensiva já que é o responsável pelo desenvolvimento da técnica.
O presente estudo demostrou o tempo total do procedimento de aspiração, sendo o primeiro estudo a demostrar este método, servindo de parâmetro para os profissionais da área. Desta forma sugerimos a importância de novas pesquisas que compute o tempo total desta técnica, não apenas a duração de cada inserção, para melhor esclarecimento.
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