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FORMULAS INFANTIS E SUAS PROPRIEDADES

LEITE MATERNO X LEITE DE VACA E FÓRMULAS INFANTIS

Ribeiro 6 Gabriela de Lima Rezende 7

2.5 FORMULAS INFANTIS E SUAS PROPRIEDADES

As fórmulas infantis são produtos lácteos, em forma liquida ou em pó, recomendadas somente mediante a impossibilidade do aleitamento materno, visto que, alguns nutrientes se assemelham aqueles presentes no leite humano, capazes de fornecer as necessidades nutricionais na infância, porém, não possuem propriedades fisiológicas semelhantes, tornando o lactente vulnerável a vários riscos à saúde (GNOATTO; BARATTO, 2018).

A escolha da fórmula, deve ser realizada por um profissional apto, pois irá depender de aspectos relacionados à fórmula, como: a composição nutricional, proximidade com o leite humano, a qualidade dos nutrientes adicionados e aqueles vinculados ao lactente, como: a idade e necessidades fisiológicas alteradas (PRANZL; OLIVEIRA, 2013).

Para a comercialização das fórmulas infantis, em sua maioria a base de proteína isolada do leite de vaca e/ou de soja, podendo ser hidrolisadas ou integras, são necessárias adaptações para torna-las adequadas para a alimentação dos lactentes, através da adição e adequação de todos os nutrientes essenciais (RUSSO, 2015).

As principais alterações em sua composição, consistem em reduzir a proporção de proteínas e eletrólitos, acréscimo de maltodextrina, sacarose, vitaminas e mineiras, modificação de alguns lipídios (principalmente os saturados) por óleo vegetal e em alguns casos são acrescidas proteínas solúveis e hidrolisadas para aumentar a digestão e absorção, principalmente de cálcio e fósforo (ROCHA et al., 2015).

Além disso, as fórmulas possuem a mesma densidade calórica que o leite humano, tem como principal carboidrato a lactose, são adicionados óleos vegetais devido, a semelhança na absorção dessas gorduras com as do leite materno e não contem colesterol, a quantidade de proteína é superior a encontrada no leite humano, sendo, a principal é a lactoalbumina, sendo que, 60% são de proteínas do soro e 40% de caseína e são enriquecidos com ferro, nucleotídeos, prebióticos, probióticos e vitaminas A, E, C, D, e complexo B (RÊGO; SILVA; FERREIRA, 2018).

Atualmente, apesar das modificações que as fórmulas infantis vêm sofrendo para se assemelharem com o leite materno, ainda são várias as contradições quanto a composição nutricional desse produto lácteo, visto que, alguns nutrientes irão variar quanto as marcas disponíveis no mercado. No entanto, as fórmulas infantis possuem maior conformidade com o leite materno em relação ao leite de vaca, conforme a tabela 3 (VIANA, 2018).

Tabela 3. Comparação dos nutrientes do leite humano, leite de vaca e fórmulas infantis.

Nutrientes Leite Humano Leite de Vaca Fórmulas Infantis Proteínas Quantidade

adequada, fácil digestão

Quantidade aumentada, difícil digestão devido a

relação caseína/proteínas do

soro

Melhor relação caseínas/proteínas do soro, melhor perfil de aminoácidos,

algumas fórmulas possuem redução proteica Lipídios Suficiente em

ácidos graxos essenciais, lipase

para digestão

Deficiente em ácidos graxos essenciais, não

apresenta lipase

Adição de ácidos graxos essenciais (ω3, ω6), diminuição

da gordura saturada e acréscimo de óleos vegetais Minerais Quantidade correta Pouca quantidade; mal

absorvido

Modificação nos teores, relação cálcio/ferro adequada favorecendo a mineralização

óssea Ferro e Zinco Pouca quantidade,

bem absorvido

Deficiente C, D e E Adicionado

Vitaminas Suficiente Deficiente Vitaminas não adicionadas

Prebióticos Suficiente Deficiente Adicionado

(frutoligossacarídeos e galactoligossacarídeos)

Probióticos Suficiente Deficiente Adicionado

Água Suficiente Necessário extra Pode ser necessária

Fonte: VIANA, 2018.

As fórmulas infantis, podem ser classificadas de acordo com a necessidade do público alvo, sendo elas: fórmulas infantis de partida, de seguimento e aquelas destinadas as necessidades dietoterápicas específicas, como fórmulas anti-regurgitamento, fórmulas para prematuros, fórmulas derivadas da soja, fórmulas isentas de lactose e hidrolisados proteicos (PANIAGO et al., 2017).

As fórmulas infantis de partida são aquelas usadas para assegurar as necessidades nutricionais dos lactentes saudáveis no decorrer dos primeiros meses de vida (0 a 6 meses), na impossibilidade do aleitamento materno. Já as fórmulas infantis de seguimento, são utilizadas por lactentes saudáveis, de seis a doze meses incompletos. Desenvolvidas a partir do leite de vaca desnatado, para reduzir o teor de proteínas, acrescentando carboidratos e óleos vegetais, com regulação da proporção de minerais. A comparação entre os dois tipos de fórmulas está representada na tabela abaixo (VIANA, 2018).

Tabela 4. Composição das Fórmulas Infantis segundo a Legislação vigente RDC n°

43/2011 e a RDC n° 44/2011.

Fórmulas Infantis Para Lactentes

Fórmulas Infantis de Seguimento

Observações Valor energético Mínimo 60 Kcal; máximo de 70 Kcal

(em 100ml do produto pronto para consumo)

Devem conter as quantidades adequadas de nutriente para o público a que se destina Lipídios

(g/100kcal)

4,4 a 6,0 4,0 a 6,0 Gorduras e óleos

hidrogenados não podem ser utilizados; ácido linoleico:

0,07g a 0,33g; ácidos alfa- linolênico: mínimo 0,012g Proteínas

(g/100kcal)

1,8 a 3,0 (Proteína láctea) 2,25 a 3,0

(Proteína de soja ou mistura)

1,8 a 3,5 (Proteína láctea) 2,25 a 3,5

(Proteína de soja ou mistura)

Devem conter quantidade disponível de cada aminoácido essencial e semi-essencial no mínimo igual ao contido na proteína de referência (leite humano)

Carboidratos (g/100kcal)

9,0 a 14,0

(não é permitido frutose e mel)

9,0 a 14,0

(é permitido frutose e mel)

Somente lactose, maltose, sacarose, glicose, xaropes, maltodextrina e amidos estão permitidos

Outros constituintes

O conteúdo de vitaminas, minerais e outras substâncias deve atender ao disposto na Resolução especifica; É permitido o uso de outros ingredientes opcionais para adequar a formulação ao esquema alimentar apropriado.

Fonte: VIANA, 2018.

Segundo Russo (2015), para aqueles lactentes que possuem alterações fisiológicas, patologias temporárias ou permanentes, que irão afetar as necessidades nutricionais destes, é indicado o uso de fórmulas infantis destinadas a necessidades dietoterápicas específicas. Em casos de refluxo gastresofágico, as fórmulas utilizadas são compostas de amido para aumentar seu espessamento, maiores quantidades de caseína pelo efeito tampão e menor proporção lipídica aumentando o esvaziamento gástrico.

As fórmulas para os prematuros possuem alto valor energético, já que, as necessidades são maiores e sua capacidade gástrica menor; além de, quantidades aumentadas de proteínas e minerais; redução da proporção de lactose e composição de 50% dos lipídeos de triglicerídeos de cadeia média, pois o organismo ainda não possui capacidade para digerir e absorver totalmente as gorduras (OWNS; LABUSCHAGNE;

LOMBARD, 2017).

Há também, aquelas fórmulas isentas de lactose utilizadas em casos de lactentes intolerantes à lactose, sendo substituído pela maltodextrina, um oligossacarídeo que auxilia na absorção de cálcio, magnésio e zinco, evitando gases, diarreia e má absorção. Já em casos de alergia a proteína do leite de vaca são recomendadas as fórmulas de proteína

isolada de soja, ou seja, fórmulas poliméricas e completas, isentas de proteínas do leite de vaca e de lactose (CARNEIRO; CARVALHO; PIRES, 2016).

E os hidrolisados proteicos recomendados em casos de alergia conjunta da proteína do leite de vaca e de soja, síndromes disarbsortivas, hipoalbuminemia e na reabilitação de pacientes críticos. São fórmulas completas, semi-elementares e hipoalérgicas, onde a proteína encontra-se degradada em peptídeos e aminoácidos livres (RÊGO; SILVA;

FERREIRA, 2018).

2.6 DESVANTAGENS DAS FÓRMULAS INFANTIS COMPARADAS AO LEITE HUMANO