coisa já detém titulo executivo independente do fundamento obrigacional ou real da pretensão.
A execução para a entrega de coisa certa, corresponde às obrigações de dar em geral, sendo indiferente a natureza do direito a efetivar, que para tanto pode ser real como pessoal.
Outro tipo de execução prevista em nosso ordenamento jurídico é a entrega de coisa incerta, com previsão legal nos artigos 629 à 631 do Código de Processo Civil, e, para esclarecer a respeito, colhe-se dos ensinamentos de RODRIGUES116:
Recebe tratamento parcialmente específico a execução para a entrega de coisa incerta. Esta forma executiva tem por objeto a apreensão de “coisas determinadas pelo gênero e quantidade”
(art. 629). A mesma noção é repetida no art. 243 do Código Civil de 2002. A coisa incerta exige previa individualização (escolha), que normalmente compete ao devedor, o qual “não poderá dar a coisa pior, nem será obrigado a prestar a melhor” (CC/2002, art.
244).
Excluem-se da execução das obrigações de dar coisa incerta, naturalmente, as de dinheiro, que, embora sendo fungíveis, são objeto de execução própria, a de quantia certa.
Outra modalidade de procedimento executivo a ser apontado é o da execução da obrigação de fazer, prevista nos artigos 632 e seguintes do Código de Processo Civil, para melhor entendimento sobre este tipo de procedimento executivo busca-se os dizeres de THEODORO117:
Em matéria de obrigação de fazer, entende-se por obrigações fungíveis “as que, por sua natureza, ou disposição convencional, podem ser satisfeitas por terceiro, quando o obrigado não as satisfaça”. São exemplos comuns as empreitadas de serviços rurais, como desmatamentos, plantio de lavouras, e as de limpeza ou reforma de edifícios. Por outro lado, infungíveis “são as prestações que somente podem ser satisfeitas pelo obrigado, em razão de suas aptidões ou qualidades pessoais”, como ocorre
116 RODRIGUES, Luiz Wabier, op cit, p.346.
117 THEODORO, Humberto Junior, op cit, p.264.
com o pintor celebre que se obriga a pintar um quadro e de maneira geral com todos os contratos celebrados intuitu personae.
Pode ocorrer que o contratante não preste o fato convencionado, ou que realize de modo incompleto ou defeituoso. Se isto acontecer, será lícito ao exeqüente requerer autorização judicial para concluir a obra ou repará-la (ar.636).
O Código de Processo Civil em seus artigos 642 e 643 trata da modalidade de execução por obrigação de não fazer, e, para melhor compreensão sobre essa modalidade de execução colhe-se da lição de THEORODO118:
Se o dever do obrigado é de abstenção, a prática do ato interdito por si só importa na inexecução total da obrigação. Surge para o credor o direito a desfazer o fato ou de ser indenizado quando os seus efeitos forem irremediáveis. È assim que dispõe o art. 642, onde se lê que, “se o devedor praticou ato, a cuja abstenção estava obrigado pela lei ou pelo contrato, o credor requererá ao juiz que lhe assine prazo para desfazê-lo”. Diante dessa situação, o processo executivo tenderá a uma das duas opções: desfazer o fato à custa do devedor ou indenizar o credor pelas perdas e danos (art. 643 e seu parágrafo único). No primeiro caso, teremos uma execução de prestação de fazer, e nos segundo uma de quantia certa.
A lei prevê que a execução por obrigação de não fazer pode ser fundada por título judicial ou extrajudicial.” A lei proíbe que o vizinho prejudique o outro com excesso de barulho, ou, contratualmente, uma pessoa se obriga com a outra a não construir prédio de certa altura para não prejudicar a visão de outro prédio: são exemplos de obrigações de não fazer que podem ser reconhecidas em sentença, mas também acertadas em título extrajudicial (art.
585,I).
Quanto a execução por quantia certa contra devedor solvente, esta encontra-se regulamentada nos artigos 646 e seguintes do Código
118. THEODORO, Humberto Junior, op cit, p.273.
de Processo Civil. A respeito das particularidades desta modalidade de procedimento executório busca-se sua finalidade nas palavras de FIDELIS119:
A finalidade da execução por quantia certa, em qualquer caso, é
“expropriar bens do devedor, a fim de satisfazer o direito do credor” (art. 646), e três são as modalidades de expropriação forçada do patrimônio do executado: a) arrematação em hasta publica de bens do devedor com vistas à a obtenção de dinheiro para ser entregue ao credor; b) adjudicação de bens em favor do credor; c) usufruto de bem imóvel ou de empresa em prol do credor ate a satisfação do crédito (arts. 647e 708 do CPC).
THEODORO120 esclarece que “para efeito da adoção do rito processual em questão só é insolvente aquele que já teve sua condição de insolvência declarada por sentença, de maneira que, na pratica, um devedor pode ser acionado sob o rito da execução do solvente, quando na realidade já não o é.”
O Código de Processo Civil em seus artigos 748 e seguintes prevê a execução por quantia certa contra devedor insolvente. Esta modalidade de execução apresenta características diferente das demais, uma vez que o devedor não possui bens suficientes para responder pela obrigação. Para melhor compreensão RODRIGUES121 ensina que:
A execução por quantia certa contra devedor insolvente é o processo executivo destinado a, dentro do possível, satisfazer em igualdade de condições os credores do devedor não empresário (pessoa física ou jurídica) que deixa de ter, em sua esfera de responsabilidade patrimonial, bens suficientes para responder por suas dívidas (art. 748) É a “falência civil”- denominação que deve ser adotada com cautela, uma vez que há significativas diferenças entre as disciplinas da execução universal contra o insolvente civil e contra o insolvente que é empresário pessoa física ou sociedade empresária (esta ultima regulada precipuamente pela Lei 11.101/2005, que substituiu o Dec.- lei 7.661/45).
A execução contra devedor insolvente é processo autônomo, de caráter principal, que não se confunde com o mero incidente de concurso singular de cerdores (instaurável na execução por quantia certa contra devedor
119 FIDELIS, Ernani dos Santos, op cit, p.118.
120THEODORO, Humberto Junior, op cit, p. 284.
121 RODRIGUES, Luiz Wabier, op cit, p.415.
solvente, quando há varias penhoras ou garantias sobre o mesmo bem- v.
capitulo 11).
Os bens públicos, isto é, os pertencentes à União, Estado e Municípios, são legalmente impenhoráveis. Daí a impossibilidade de execução contra a Fazenda nos moldes comuns, ou seja, mediante penhora e expropriação.
“Prevê o Código de Processo Civil, por isso, um procedimento especial para as execuções por quantia certa contra a Fazenda Pública, o qual tem natureza própria de execução forçada, visto que se faz sem penhora e arrematação, vale dizer, sem expropriação ou transferência forçada de bens. Realiza-se por meio de simples requisição de pagamento, feita entre o Poder Judiciário e o Poder Executivo, conforme dispõem os arts. 730 e 731 do Código de Processo Civil.
Acerca da execução contra a Fazenda Pública, cabe mencionar os títulos executivos que podem ensejar essa modalidade de execução. Dispõe RODRIGUES122 que:
Em regra, o título executivo nessa modalidade de execução é o judicial, ou seja, sentença condenatória transitada em julgado.
Aliás, o art. 100, caput, da Constituição Federal expressamente menciona “os pagamentos devidos pela Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, em virtude de sentença judiciária.”Todavia, há decisões entendendo ser viável a execução contra a Fazenda Pública aparelhada com título extrajudicial, sob o fundamento de que os títulos executivos extrajudiciais se equiparam à sentença condenatória transitada em julgado, não sendo obrigatoriedade do reexame necessário (art. 475, II). Argumenta-se que não parece justo obrigar o credor, que já tem título executivo extrajudicial, a ajuizar ação de conhecimento, para obter aquilo que já tem: título executivo. Nessa linha, o STJ editou a Súmula 279, admitindo execução fundada em título extrajudicial contra a Fazenda.
O mesmo não acontece com as sociedades de economia mista e as empresas públicas organizadas pelo Poder Público para a prática de operações em concorrência com as empresas privadas. A essas a Constituição manda aplicar o regime próprio das empresas privadas, inclusive quanto as obrigações trabalhistas e tributárias.
122 RODRIGUES, Luiz Wabier, op cit, p.430.
A execução de prestação alimentícia esta prevista nos artigos 732 e seguintes do Código de Processo Civil. “A execução da prestação dos alimentos pode ser feita seguindo o rito procedimental do CPC, quando se tratar de título extrajudicial ou título judicial que não tenha seguido o rito da Lei nº 5.478/1968. Assim, pelo CPC, segue-se a regra do art. 475-Q, combinado com os arts. 732 e segs., no que couber.” 123
Como pode ser observado, a lei prevê diversas espécies de execução, que tem por objetivo atender as diferentes espécies de obrigação constituídas por titulo judicial ou extrajudicial. Observados as espécies de execução previstas em lei, e apontadas as suas principais particularidades, volta- se a atenção à execução por quantia certa, ora objeto da presente pesquisa.