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“Alguns anos se passaram e os governos federal, estadual e municipal criaram vários mecanismos para coibir aquela prática que, aparentemente, atingia grande parte das empresas brasileiras ativas. O conceito inicial destas mudanças passa pelo denominado e-governo. Segundo estudo divulgado pela Secretaria para Assuntos Fiscais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o e-governo “é resultado de uma mudança estrutural radical das relações entre o governo e os cidadãos e as empresas, provocada pela introdução das novas tecnologias da informação e comunicação na administração pública.” O objetivo da implementação desta

“mudança radical” é bastante claro: fiscalizar de forma eficiente os atos realizados pelos contribuintes brasileiros, quer pessoas jurídicas, quer físicas.”

Pode-se concluir que a implantação da nota fiscal eletrônica trará á sociedade em geral inúmeros benefícios, como a diminuição significativa da sonegação fiscal, visto que, a emissão da nota fiscal eletrônica tem como um de seus objetivos a informação imediata sobre as operações comerciais, redução de sonegação e de utilização de papel.

3.4 PROCEDIMENTO DA PENHORA SOBRE O FATURAMENTO DA

empresa a insolvência, resguardando, assim como a atividade desta como também preservando direito de terceiros que dela dependem.

Conforme ressalta NEGRÃO180 o Superior Tribunal de Justiça tem decidido da seguinte forma:

Admitindo a penhora do faturamento mensal da empresa até trinta por cento da receita: STJ- 2ª T., REsp 287.603, rel. Min. Peçanha Martins, j. 1.4.03,não conheceram, v.u., DJU 26.5.03, p. 304; RT 692/88, 695/107, 813/293, JTJ 165/242,291/492. No sentido de que o limite é de vinte por cento do faturamento de qualquer negócio”. STJ-1ª T., Med. Caut. 2.753, rel. Min. Gomes de Barros, J. 20.9.01, julgaram procedente, v.u., DJU 5.11.01, p. 79.

Admitindo a penhora incidente “sobre 20% do faturamento liquido”: Bol. AASP 2.416/3.461. Determinando a penhora do faturamento “no módico percentual de 5%, à míngua de outros bens penhoráveis”: STJ- 1ª T., REsp 515.208, rel. Min. Luiz, j.

20.11.03, negaram provimento, um voto vencido, DU 17.5.04, p.120.

Resta claro a preocupação do julgador ao conceder a penhora sobre o faturamento da empresa devedora. Com a implantação da nota fiscal eletrônica, o julgador, antes de determinar a referida penhora, poderá requerer antecipadamente informações à Fazenda Pública para obter com exatidão o faturamento mensal desta, podendo fixar percentual adequado ao caso concreto.

2. As atribuições do depositário judicial.

Importante voltar à atenção a nomeação de depositário e suas atribuições, que restam de grande importância, pois a este será atribuído a responsabilidade de submeter à aprovação judicial, conforme o disposto no §3º, do artigo 655–A181, do Código de Processo Civil:

Na penhora de percentual do faturamento da empresa executada, será nomeado depositário, com atribuição de submeter à aprovação judicial a forma de efetivação da constrição, bem como de prestar contas mensalmente, entregando ao exeqüente as

180 NEGRÃO,Theotônio e GOUVEA, José Roberto F. op cit,p.854.

181 BRASIL. Código de Processo Civil. 8.ed. São Paulo. Saraiva. p. 439.

quantias recebidas, a fim de serem imputadas no pagamento da dívida.

A figura do depositário é legalmente obrigatória e indispensável para a realização desta modalidade de penhora, no entanto, pode este ao tentar acompanhar o desenvolvimento da atividade econômica da empresa executada, ser levado a erro sobre a verdadeira situação econômica da empresa, motivado pelo administrador desta, por engano próprio ou até mesmo movido por emoção.

Observando o Projeto Nota Fiscal Eletrônica, pode-se dizer que a possibilidade de erro ou desvio de conduta na apuração da movimentação financeira da empresa seria consideravelmente remota, visto que, o projeto da NF-e, visa obter as informações com exatidão e em tempo real da operação comercial realizado pela empresa.

3. Outros benefícios do sistema de Nota Fiscal Eletrônica.

Cabe ressaltar ainda, que a implantação da NF-e, trará benefícios tanto para o credor, que terá a transparência da verdadeira situação financeira da empresa devedora, ao depositário, que poderá exercer suas atribuições munido de informações precisas, levando ao credor além dos valores penhorados, a transparência de seus serviços e ao julgador, que poderá atribuir à penhora percentuais sobre informações precisas.

Considerável também poderá ser a agilidade na realização da penhora, uma vez que, o depositário conhecendo os valores a serem penhorados terá seu trabalho significativamente simplificado,e,conseqüentemente reduzindo tempo e custos.

Ao devedor é previsto o direito de opor-se à execução por meio de embargos, conforme o disposto no artigo 736 do Código de Processo Civil. As informações prestadas com exatidão pela Fazenda Pública serão de relevante importância, caso este venha a alegar nos embargos o excesso de penhora.

Diante da analise das possíveis mudanças positivas na realização da penhora sobre percentual do faturamento da empresa executada com a implantação da nota fiscal eletrônica, faz parecer que a realização desta modalidade de penhora restará mais precisa e ágil que na modalidade de nota fiscal de papel atualmente utilizada pelas empresas.

A presente pesquisa teve como objetivo investigar a penhora na execução por quantia certa sobre o faturamento da sociedade limitada após adoção do sistema de nota fiscal eletrônica, à luz da legislação vigente, da doutrina e da jurisprudência.

O interesse pelo tema se deu em razão da preocupação do legislador para conceder esta espécie de execução em não levar a empresa executada a insolvência prejudicando além desta, terceiros que dela dependem, como empregados, pequenas empresas terceirizadas.

O primeiro capítulo tratou de buscar na doutrina a história da sociedade limitada, o seu surgimento no ordenamento jurídico brasileiro, visando conceituar este tipo de sociedade empresária, e as formas previstas em lei para a sua constituição. Preocupou-se também em apontar a responsabilidade civil dos sócios e da própria sociedade limitada.

O segundo capítulo procurou apontar as varias espécies de execução apontando de forma sucinta algumas de suas características. Colheu- se na legislação vigente os requisitos, os procedimentos e os componentes das vias executivas, com atenção maior para a execução por quantia certa.

No terceiro e último capítulo, a atenção foi voltada para a penhora, apontando seus objetivos, limites e sua previsão legal. O faturamento da sociedade limitada também foi abordado neste capítulo para possibilitar melhor entendimento sobre o patrimônio da empresa executada a ser penhorado nesta espécie de penhora. Abordou ainda o sistema de nota fiscal eletrônica, com fundamentos em seu projeto, esquadrinhando sua conceituação e visando demonstrar suas características e objetivos.

Retoma-se por fim aos problemas e as hipóteses apresentadas à pesquisa. O primeiro problema questionava acerca da regência legal da Sociedade Limitada acerca da disciplina a responsabilidade civil dos

sócios e da sociedade. O desenvolvimento da pesquisa no primeiro capítulo demonstrou que a legislação vigente trata de forma distinta a responsabilidade da sociedade, pessoa jurídica, e a responsabilidade de seus sócios, pessoas naturais e/ou jurídicas, confirmando, por conseguinte, a primeira hipótese que disciplinava a regência pela legislação nacional de responsabilidade civil distinta das pessoas dos sócios em relação a sociedade em decorrência da adoção pela legislação nacional da teoria da personalidade jurídica das pessoas jurídicas.

O segundo capítulo ao estudar as vias executivas, tratou sobre o segundo problema apresentado a pesquisa. O estudo abordado neste capítulo confirmou a segunda hipótese da pesquisa ao constatar que o atual processo civil prevê a utilização de procedimentos distintos para execução forçada de títulos considerados executivos extrajudiciais e judiciais, admitindo-se, neles, a execução das diversas espécies de obrigações.

Por fim a tema principal da pesquisa apresou-se no terceiro e último problema ao questionar se a legislação brasileira admitiria a penhora sobre o faturamento das empresas? E, em sendo possível tal circunstância, qual o procedimento a ser seguido em caso de penhora sobre o faturamento após a adoção do sistema de faturamento eletrônico? O estudo abordado, principalmente, no terceiro capítulo esclareceu o problema abordado, constatando que o entendimento jurisprudencial que tem limitado a aplicação desta espécie de penhora fixando percentuais que variam entre 5% a 20% sobre o faturamento da empresa executada, no entanto, após a implementação da nota fiscal eletrônica, o julgador munido de informações precisas poderá fixar percentuais de acordo com a verdadeira situação econômica da empresa devedora, agilizado a satisfação do credito do credor, confirmando por conseguinte a terceira e última hipótese.

Ainda destaca-se que quanto às atribuições e responsabilidades do depositário, estas terão significativas mudanças com a implementação da nota fiscal eletrônica, pois entende-se que resultante das informações do controle fiscal por parte da Receita Federal, facilitará seu trabalho para elaborar o plano de penhora, além de poder demonstrar transparência no trabalho realizado por este.

Diante dos objetivos apontados no projeto da nota fiscal eletrônica, resta claro que o procedimento da penhora sobre o faturamento da sociedade limitada deverá ser mais ágil e eficaz na sua realização.

Por fim destaca-se que a presente pesquisa não tem caráter exauriente, mas constitui-se num ensaio que objetiva provocar maiores reflexões e estudo acerca do tema.

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