Antes de iniciar a abordagem do presente tópico, é necessário conceituar o que são os beneficiários da Previdência Social, visando um melhor entendimento para o assunto e dos tópicos seguintes.
240 SANTOS, Leandro Luís Camargo. Curso de direito da seguridade social, p. 201.
241 CASTRO, Alberto Pereira de; LAZZARI, João Batista. Manual de direito previdenciário, p. 123.
242 CASTRO, Alberto Pereira de; LAZZARI, João Batista. Manual de direito previdenciário, p. 123.
243 MIRANDA, Jediel Galvão. Direito da seguridade social: direito previdenciário, infortunística, assistência social e saúde, p. 141.
Conforme o artigo 8º do Decreto n. 3.048, de 06/05/1999, “são beneficiários do Regime Geral de Previdência Social as pessoas físicas classificadas como segurados e dependentes, nos termos das Seções I e II deste Capítulo”244.
De acordo com MARTINEZ, beneficiários são sempre pessoas físicas. “Pessoas físicas filiadas e inscritas, isto é, perfeitamente identificadas e qualificadas junto ao INSS.
Autorizadas pela lei a exercitar o direito previdenciário”245.
Para MIRANDA, “beneficiários são aqueles a quem se destinam as prestações previdenciárias. São titulares do direito subjetivo de usufruir da proteção social contemplada pelo RGPS. [...] São de dois tipos os beneficiários do RGPS: segurados e dependentes”246.
Por fim, segundo HORVATH JÚNIOR e TANACA, “beneficiário é toda pessoa protegida pelo sistema previdenciário, seja na qualidade de segurado ou dependente. Os beneficiários são os sujeitos ativos das prestações previdenciárias”247.
Nesse diapasão, conclui-se que beneficiário é aquele que se beneficia das prestações da previdência social, ou ainda, aquele que é favorecido pelos benefícios oferecidos pelo RGPS.
3.2.1 Segurados
Para melhor entendimento do item em tela, é necessária a conceituação elaborada por alguns doutrinadores, confira-se a seguir.
De acordo com MARTINS, segurado “[...] é tanto o que exerce ou exerceu atividade remunerada, como aqueles que não exerce atividade (desempregado) ou que não tem remuneração por sua atividade (dona-de-casa)”248.
GIUSTI, em sua obra, leciona quanto à categoria de segurados, in verbis:
244 MARTINS, Sérgio Pinto. Legislação previdenciária. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2005, p. 70.
245 MARTINEZ, Wladimir Novaes. Curso de direito previdenciário: tomo II – previdência social. São Paulo:
LTr, 1998, p. 120.
246 MIRANDA, Jediel Galvão. Direito da seguridade social: direito previdenciário, infortunística, assistência social e saúde, p. 144.
247 HORVATH JÚNIOR, Miguel; TANACA, Priscila. Resumo jurídico de direito previdenciário, p. 25.
248 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito da seguridade social: custeio da seguridade social – benefícios – acidente do trabalho – assistência social – saúde, p. 312.
Os segurados da Previdência Social são as pessoas físicas que em decorrência de imposição legal ou por mera faculdade, filiam-se ao Regime Geral da Previdência para fins de com ele contribuir, visando, ou não, ao exercício de determinado benefício futuro. Com efeito, todos os segurados da Previdência Social têm também a qualidade de contribuintes249.
Para MIRANDA, segurados “[...] são pessoas físicas que se acham vinculadas à previdência social em decorrência do exercício de atividade remunerada ou em face do recolhimento de contribuições previdenciárias”250, e, nessa condição, são detentoras de direitos e deveres próprios da relação jurídica previdenciária.
CASTRO e LAZZARI, lecionam de forma minuciosa sobre os segurados do Regime Geral de Previdência Social, senão confira-se:
É segurado [...], de forma compulsória, a pessoa física que exerce atividade remunerada, efetiva ou eventual, de natureza urbana ou rural, com ou sem vínculo de emprego, a título precário ou não, bem como aquele que a lei define como tal, observadas, quando for o caso, as exceções previstas no texto legal, ou exerceu alguma atividade das mencionadas acima, no período imediatamente anterior ao chamado “período de graça”. Também é segurado aquele que se filia facultativa e espontaneamente à Previdência Social, contribuindo para o custeio das prestações sem estar vinculado obrigatoriamente ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS ou a outro regime previdenciário qualquer251.
Os segurados têm que possuir no mínimo 16 anos de idade, conforme diploma constitucional, exceto na condição de aprendiz a partir dos 14 anos de idade, conforme artigo 7º, XXXIII da CRFB/88252.
De acordo HORVATH JÚNIOR e TANACA, “os segurados são as pessoas que mantêm vínculo com a previdência social, decorrendo deste vínculo direitos e deveres”253. Os direitos evidenciam pela entrega da prestação previdenciária quando constatada a ocorrência
249 GIUSTI, Miriam Petri Lima de. Direito da seguridade social, p. 85.
250 MIRANDA, Jediel Galvão. Direito da seguridade social: direito previdenciário, infortunística, assistência social e saúde, p. 144.
251 CASTRO, Alberto Pereira de; LAZZARI, João Batista. Manual de direito previdenciário, p. 172.
252 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Obra coletiva de autoria da Editora Saraiva com a colaboração de Antonio Luiz de Toledo Pinto, Márcia Cristina Vaz dos Santos Windt e Lívia Céspedes. 3. ed.
atual. e ampl. São Paulo: Saraiva, 2007.
253 HORVATH JÚNIOR, Miguel; TANACA, Priscila. Resumo jurídico de direito previdenciário, p. 25.
do risco/contingência social protegida. E, os deveres decorrentes da representação pela obrigação de pagamento das contribuições previdenciárias.
Os segurados da Previdência Social são classificados em duas espécies em obrigatórios254 e facultativos255.
Conforme MIRANDA, em sua obra, dispõe que são segurados obrigatórios aqueles que, “[...] em virtude do exercício de atividade remunerada, de qualquer natureza, com ou sem subordinação, não abrangida por regime próprio de previdência social, encontram-se compulsoriamente vinculados ao RGPS”256.
O requisito básico para alguém ter a condição de segurado do RGPS é ser pessoa física, conforme o artigo 12 da Lei n. 8.212/91257. E, ainda, segundo CASTRO e LAZZARI, lecionam acerca do requisito para ser segurado obrigatório, não é qual é imprescindível “[...] o exercício de uma atividade com objeto ilícito não remunerado e lícito, pois o exercício de atividade com objeto ilícito não encontra amparo na ordem jurídica”258.
Segundo CASTRO e LAZZARI, lecionam em sua obra sobre o segurado facultativo, na qual dispõe que: “é a pessoa que desfruta que, não estando em nenhuma situação que a lei considera como segurado obrigatório, desejar contribuir para a Previdência Social, desde que seja maior de 14 anos259, e não esteja vinculado a nenhuma outro regime previdenciário”260.
Estas espécies de segurados estão dispostas no Decreto n. 3.048/99, em seus artigos 9º e 11, na qual dispõe sobre os segurados obrigatórios e facultativos.
3.2.2 Dependentes
Dependentes são “[...] as pessoas físicas expressamente designadas pela legislação como beneficiários do RGPS, cuja proteção social decorre do seu vínculo jurídico e
254 A relação integral está disposta no artigo 9º do Decreto n. 3.048/99.
255 A relação completa poderá ser analisada no artigo 11 do Decreto n. 3.048/99.
256 MIRANDA, Jediel Galvão. Direito da seguridade social: direito previdenciário, infortunística, assistência social e saúde, p. 144.
257 MARTINS, Sérgio Pinto. Legislação previdenciária, p. 18.
258 CASTRO, Alberto Pereira de; LAZZARI, João Batista. Manual de direito previdenciário, p. 172.
259 Segundo o Decreto n. 3.048/99, somente é a partir dos 16 anos de idade.
260 CASTRO, Alberto Pereira de; LAZZARI, João Batista. Manual de direito previdenciário, p. 198.
econômico com o segurado”261. O vínculo jurídico pressupõe dos laços de família ou relação de parentesco, ainda que por afinidade e o vínculo econômico por que é exigível que a pessoa eleita como dependente seja sustentada pelo segurado.
Nos ensinamentos de HORVATH JÚNIOR e TANACA, “a dependência para o Direito Previdenciário pode ser jurídica e econômica. A legislação previdenciária trata de dependentes presumidos e comprovados”262. Os dependentes presumidos são aqueles que
“[...] não precisam demonstrar a dependência econômica, apenas o liame jurídico entre eles e o segurado. Já os dependentes econômicos são aqueles que devem provar que vivem às expensas do segurado”263.
A existência de dependente de qualquer das classes constantes do artigo 16 da Lei n.
8.213/91 exclui do direito às prestações os das classes seguintes.
Segundo CASTRO e LAZZARI, “dependentes são as pessoas que, embora não contribuindo para a Seguridade Social, a Lei de Benefícios elenca como possíveis beneficiários do Regime Geral de Previdência Social – RGPS”264, tendo direito às seguintes prestações: pensão por morte, auxílio-reclusão, serviço social e reabilitação.
No entanto, MARTINEZ, dispõe em sua obra, acerca do dependente:
[...] dependente é a pessoa economicamente subordinada a segurado. Com relação a ele é mais próprio falar em estar ou não inscrito ou situação de quem mantém a relação de dependência ao segurado, adquirindo-a ou perdendo-a, não sendo exatamente um filiado, pois este é o estado de quem exerce atividade remunerada, embora não passe de convenção semântica265. Segundo a lição de FERREIRA e FERREIRA, dependentes “[...] são aquelas pessoas que se vinculam à Previdência Social de forma reflexa, ou seja, através do segurado”266.
261 MIRANDA, Jediel Galvão. Direito da seguridade social: direito previdenciário, infortunística, assistência social e saúde, p. 148.
262 HORVATH JÚNIOR, Miguel; TANACA, Priscila. Resumo jurídico de direito previdenciário, p. 38.
263 HORVATH JÚNIOR, Miguel; TANACA, Priscila. Resumo jurídico de direito previdenciário, p. 38.
264 CASTRO, Alberto Pereira de; LAZZARI, João Batista. Manual de direito previdenciário, p. 213.
265 MARTINEZ, Wladimir Novaes. Curso de direito previdenciário – tomo I – noções de direito previdenciário. São Paulo: LTr, 1997, p. 201-208.
266 FERREIRA, Rosni; FERREIRA, Deyse. Guia prático de previdência social. volume I. 3. ed. rev. atual. São Paulo: LTr, 1999, p. 59.
De acordo com CORREIA e CORREIA, dependentes são pessoas, “[...] indicadas em lei, que, por possuírem algum vínculo com o segurado, serão, para certos benefícios e serviços, abrangidos pela Previdência Social”267.
Conforme MARTINS enumera em sua obra, acerca dos dependentes, senão confira-se:
a. o(a) cônjuge ou companheiro(a), desde que haja vida em comum por mais de 5 anos, ou por período menor se da união resultou filho; b. o(a) filho(a) ou enteado(a), até 21 anos, ou maior de 21 anos quando incapacitado(a) física ou mentalmente para o trabalho; c. o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; d. o irmão, o neto ou bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos ou maior de 21 anos, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; e. os pais, os avós ou bisavós, desde que não aufiram rendimentos tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; f. o incapaz (louco, surdo-mudo e pródigo, assim declarado judicialmente) do qual o contribuinte seja tutor ou curador268.
A Lei n. 8.213/91, no artigo 16, elenca o rol de dependentes, divididos em três classes, a saber: Classe I – o cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 anos ou inválido; Classe II – os pais; Classe III – o irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 anos ou inválido269.
Nos balizados ensinamentos de SOUZA, os dependentes que se enquadram na primeira classe são chamados de preferenciais, sendo que esta dependência econômica dos constantes dessa classe são presumidas, e os das demais classes devem ser comprovadas. A existência de dependentes da primeira classe exclui o direito das classes seguintes. E, com a existência de dependentes da segunda classe, uma vez que não existentes na primeira classe, consequentemente exclui os da terceira classe270.
Vale salientar que já é pacificada nos tribunais271 a concessão de pensão a companheiro homossexual do segurado. Desta feita, para os fins de serem considerados dependentes preferenciais (da primeira classe), a união estável de homossexuais é válida. “A
267 CORREIA, Marcus Orione Gonçalves; CORREIA, Érica Paula Barcha. Curso de direito da seguridade social, p. 231.
268 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito da seguridade social: custeio da seguridade social, benefícios – acidente do trabalho – assistência social – saúde, p. 314.
269 MARTINS, Sérgio Pinto. Legislação previdenciária, p. 47.
270 SANTOS, Leandro Luís Camargo dos. Curso de direito da seguridade social, p. 207.
271 Neste sentido, no TRF-4ª Região, vide: AC n. 200071000093470/RS, Relator Ministro Quáglia Barbosa, DJU 06/02/2006.
este respeito a Instrução Normativa n. 57/01 dispõe sobre as regras para inscrição de companheiro homossexual como dependente, devendo ser efetuada diretamente no INSS”272. 3.3 DOS PERÍODOS DE CARÊNCIA PARA A OBTENÇÃO DOS BENEFÍCIOS
O período de carência é o número mínimo de contribuições indispensável para que o beneficiário faça jus ao benefício.
Segundo o artigo 24 da Lei n. 8.213/1991 define carência como sendo “o número mínimo de contribuições mensais indispensáveis para que o beneficiário faça jus ao benefício, consideradas a partir do transcurso do primeiro dia dos meses de suas competências”273.
Neste sentido, FERREIA e FERREIRA explanam acerca da carência, senão confira- se:
[...] é o número de contribuições sociais mensais sem interrupção que determine a perda da qualidade de segurado, ou seja, é o período de contribuição exigido por lei para que o contribuinte adquira e mantenha a qualidade de segurado indispensável para que o beneficiário faça jus ao benefício274.
No mesmo sentido, OLIVEIRA dispõe em sua obra, que o período de carência é o
“[...] número de contribuições mensais indispensáveis para que o beneficiário faça jus ao benefício, consideradas a partir do transcurso do primeiro dia dos meses de suas competências”275.
É razoável e justificável, para que o sistema possa funcionar de forma saudável, a exigência de número mínimo de contribuições para que possam ser concedidos determinados benefícios previdenciários, já que o regime de previdência social é de caráter contributivo.
272 SANTOS, Leandro Luís Camargo dos. Curso de direito da seguridade social, p. 208.
273 MARTINS, Sérgio Pinto. Legislação previdenciária, p. 50.
274 FERREIRA, Rosni; FERREIRA, Deyse. Guia prático de previdência social, p. 82.
275 OLIVEIRA, Aristeu de. Manual prático da previdência social. 13. ed. São Paulo: Atlas, 2005, p. 310.
De acordo com SANTOS, “na previdência social a idéia é exatamente esta, para que o segurado tenha direito a benefícios, é necessário ter pago um número certo de contribuições mensais”276.
No entanto, CASTRO e LAZZARI afirmam que no período de carência, o beneficiário não tem direito à prestação previdenciária, senão confira-se:
Durante o período de carência, o beneficiário ainda não tem direito à prestação previdenciária. Como se cogita de previdência, isto é, cobertura de danos futuros e incertos, e não de seguridade, que seria a atividade de amparo a qualquer manifestação de necessidade decorrente de risco social, a presença do dano próprio momento da vinculação distorceria a finalidade do sistema e levaria a Previdência Social a tornar-se uma instituição de caráter assistencial277.
O caput do artigo 26 do Decreto n. 3.048/99 define período de carência como “[..] o tempo correspondente ao número mínimo de contribuições mensais indispensáveis para que o beneficiário faça jus ao benefício, consideradas a partir do transcurso do primeiro dia dos meses de suas competências”278.
Neste sentido, SANTOS explana que “o período de carência varia conforme o benefício pretendido, sendo de bom alvitre destacar que há benefícios isentos de carência, i. é, podem ser gozados desde a filiação do segurado”279.
A contagem do dia do início da contagem do período de carência é feito observando-se as regras que estão dispostas no artigo 28, do Decreto n. 3.048/99, na qual CASTRO e LAZZARI traduzem da seguinte forma:
- para o segurado empregado, trabalhador avulso e contribuinte individual (este a partir de abril de 2003, quando prestar serviços à empresa, que possui a obrigação de retenção e recolhimento): o primeiro dia do mês de filiação ao RGPS, ou seja, desde o primeiro dia do mês em que iniciou a execução de atividade remunerada nesta condição, sendo presumida a contribuição; - para o segurado empregado doméstico, contribuinte individual, (observado o disposto no §4º do art. 26 do Decreto n. 3.048/99), especial (este enquanto contribuinte individual na forma do disposto no §2º do art. 200 do mesmo Decreto), e facultativo, da data do efetivo
276 SANTOS, Leandro Luís Camargo dos. Curso de direito da seguridade social, p. 210.
277 CASTRO, Carlos Alberto Pereira de; LAZZARI, João Batista. Manual de direito previdenciário, 462.
278 MARTINS, Sérgio Pinto. Legislação previdenciária, 79.
279 SANTOS, Leandro Luís Camargo dos. Curso de direito da seguridade social, p. 210.
recolhimento da primeira contribuição sem atraso, não sendo consideradas para esse fim as contribuições recolhidas com atraso referentes a competências anteriores, observado, quanto ao segurado facultativo, o disposto nos §§3º e 4º do art. 11 do Decreto n. 3.048/99)280
Entretanto, nem todas as prestações reclamam um período prévio de carência.
Independe de carência a concessão das seguintes prestações, conforme estabelece o artigo 26, da Lei n. 8.213/91281, senão confira-se:
Art. 26. Independe de carência a concessão das seguintes prestações:
I – pensão por morte, auxílio-reclusão, salário-família e auxílio-acidente;
II – auxílio-doença e aposentadoria por invalidez nos casos de acidente de qualquer natureza ou causa e de doença profissional ou do trabalho, bem como nos casos de segurado que, após filiar-se ao Regime Geral de Previdência Social, for acometido de alguma das doenças e afecções especificadas em lista elaborada pelo Ministérios da Saúde e do Trabalho e da Previdência Social a cada três ano, de acordo com os critérios de estigma, deformação, mutilação, deficiência, ou outro fator que lhe confira especificidade e gravidade que mereçam tratamento particularizado;
III – os benefícios concedidos na forma do inciso I do art. 39, aos segurados especiais referidos no inciso VII do art. 11 desta Lei.
IV – serviço social;
V – reabilitação profissional;
VI – salário-maternidade para as seguradas empregada, trabalhadora avulsa e empregada doméstica.
No caso de perda da qualidade do segurado, as contribuições anteriores a essa data somente serão avaliadas para efeito de carência depois que o segurado contar, desde que tenha um número mínimo de contribuições, conforme preceitua o artigo 27, do Decreto n. 3.048/99:
Art. 27-A. Havendo perda da qualidade de segurado, as contribuições anteriores a essa perda somente serão computadas para efeito de carência depois que o segurado contar, a partir da nova filiação ao Regime Geral da Previdência Social, com, no mínimo, um terço do número de contribuições exigidas para o cumprimento da carência definida no art. 29.
280 CASTRO, Carlos Alberto Pereira de; LAZZARI, João Batista. Manual de direito previdenciário, 462-463.
281 MARTINS, Sérgio Pinto. Legislação previdenciária, 50.
Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput ao segurado oriundo de regime próprio de previdência social que se filiar ao Regime Geral de Previdência Social após os prazos a que se refere o inciso II do caput e o
§1º do art. 13.
No tocante a perda da qualidade do segurado, CASTRO e LAZZARI esclarece que:
Havendo perda da qualidade de segurado, as contribuições anteriores a essa data só serão computadas para efeito de carência depois que o segurado contar, a partir da nova filiação à Previdência Social, com, no mínimo, um terço do número de contribuições exigidas para o cumprimento da carência definida para o benefício a ser requerido, aplicando-se a mesma regra do filiado a outro regime de previdência social que venha a se filiar ao RGPS após os prazos do chamado “período de graça”. Tal disposição, presente desde que a edição original da Lei n. 8.213/91, não foi revogada porque a Medida Provisória n. 242/2005 não chegou a ser apreciada a tempo pelo Congresso Nacional282.
Para melhor entendimento da perda de qualidade do segurado, exemplifica-se um caso hipotético, na qual o segurado tenha vertido 8 contribuições antes da perda da qualidade do segurado. Para ter direito ao beneficio do auxílio-doença decorrente de causa diversa da elencada no art. 26, II, da Lei n. 8.213/91, necessita voltar a contribuir e, após verter contribuições por 4 meses poderá somar as 8 contribuições realizadas anteriormente. Se, ao final do quarto mês, for acometido de incapacidade que lhe impeça de exercer as atividades habituais, terá direito ao benefício, haja vista que somará 12 contribuições (8 (anteriores) + 4 (atuais)).
Para o segurado em categorias diferenciadas de empregado e contribuinte individual, desde que não tenha perdido essa qualidade e desde que comprovado recolhimento de contribuições em todo o período, “[...] é contado para efeito de carência todo o período de atividade desde a filiação como empregado, mesmo que, quando na categoria de contribuinte individual, tenha efetuado recolhimentos em atraso”283.
282 CASTRO, Carlos Alberto Pereira de; LAZZARI, João Batista. Manual de direito previdenciário, 466-467.
283 CASTRO, Carlos Alberto Pereira de; LAZZARI, João Batista. Manual de direito previdenciário, 467.