• Nenhum resultado encontrado

EDUCAÇÃO FISCAL

No documento ISBN: 978-65-5825-005-0 (páginas 86-89)

APRENDIZADO

2.1 EDUCAÇÃO FISCAL

Educar para a cidadania é um desafio para os estudiosos do assunto.

Observa-se que de um ponto de vista mais abrangente, praticamente tudo o que ocorre em nossa vida, tem alguma repercussão no exercício de sua cidadania.

Para Pablo Gentili (1995, p. 145), compreender a ação de educar para o exercício da cidadania significa saber, primeiramente, qual é a nossa percepção sobre cidadania. Para este autor, a cidadania é compreendida com base em dois pontos de vista, muito embora dependentes: a cidadania como ―condição legal‖ e como ―atividade desej vel‖.

Quanto à cidadania como ―condição legal‖, est ligada a comunidade pol tica em que os indivíduos possuem direitos assegurados por lei ou por norma jurídica.

Gentili (1995, p. 145) destaca uma afirmativa de Thomas Marshall, ao considerar a cidadania a garantia do indivíduo de considerar-se parte integrante de uma comunidade de sujeitos iguais. Assegurar esse pressuposto corresponde, quase sempre, à concessão de direitos.

Já no que se relaciona a qualidade da ―atividade desej vel‖, Gentili 1995, p.

145) destaca que a cidadania se volta para um conjunto de valores comuns que aproximam as pessoas e lhes confere uma percepção de pertencimento a uma determinada comunidade. Essa perspectiva se preocupa em desenvolver nas pessoas uma infinidade de valores: liberdade, igualdade, autonomia, solidariedade, tolerância, desobediência aos poderes totalitários e respeito à diversidade, às diferenças e às identidades diversas.

Observa-se que o controle social é entendido para Carvalho (1995, p. 8) como uma ―expressão de uso recente e corresponde a uma moderna compreensão de relação Estado-sociedade, onde a esta cabe estabelecer práticas de vigilância e

85

controle sobre aquele‖. O controle social tem por objetivo ―contribuir com a garantia de que os recursos arrecadados pelo governo por meio dos tributos sejam utilizados na consecução de políticas públicas que atendam às demandas da sociedade, a leg tima propriet ria dos recursos p blicos‖ ROCHA, 2014, p. 157

Os desafios propostos atualmente para um desenvolvimento equilibrado da relação envolvendo o Estado e os cidadãos compõem, em um cenário social, objetivos recomendados para uma adequada proposta que envolve uma reflexão tributária e compreensão da realidade fiscal vivenciada no país.

A imagem negativa da administração fiscal, relacionada à falta de transparência fiscal, afeta o comportamento dos cidadãos. A relação entre a conscientização, por parte do contribuinte, e as decisões conflituosas, tomadas pelo Estado, seria efetivamente reduzida se existisse um insistente processo de formação de ambas as partes.

A educação fiscal é resultado de uma formação sistêmica, voltada à conscientização do contribuinte sobre o papel social do tributo. Na interpretação desse autor a educação fiscal é parte do contexto geral da educação, parte da ciência da pedagogia, uma vez que se preocupa com os problemas da sociedade e suas possíveis soluções, de acordo com Bujanda (1967) apud Gomes (2012).

Em nosso país, a Constituição Federal de 1988 deixou evidente que a educação, além de visar o pleno desenvolvimento das pessoas e de sua qualificação para o trabalho, deve, também, prepará-la para o exercício da cidadania, quando da edição de seu artigo 205 que a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, deve ser promovida e incentivada com a colaboração da sociedade. Da mesma maneira, a Lei Federal 9.394/96, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB estabeleceu em seu art. 2º, que a finalidade da educação, construída nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e a sua qualificação para o trabalho.

De acordo com os parâmetros curriculares nacionais que serve como referenciais para que o sistema educacional do país para balizar-se e propiciar à educação que caminhe rumo ao processo de construção da cidadania, tendo como objetivo atingir a igualdade de direitos entre os cidadãos (LAVOR, 2003).

86

Vale destacar que o Programa Nacional de Educação Fiscal – PNEF foi desenvolvido pelo governo federal para promover e institucionalizar a Educação Fiscal para o pleno exerc cio da cidadania, uma vez que para seus articuladores ―[...]

é um trabalho de sensibilização da sociedade para a função socioeconômica do tributo‖. O PNEF originou-se em 1996 quando foi lançado o programa de conscientização tributária para despertar a prática da cidadania.

Posteriormente, em 1999, tornou-se o Programa Nacional de Educação Fiscal – PNEF, e em 2002 foi finalmente regulamentado como Programa Nacional de Educação Fiscal – PNEF, através da Portaria Interministerial do Ministério da Fazenda – MF e MEC nº 413/02 de 31 de dezembro de 2002. O PNEF está sendo disseminado em todo o país sob a coordenação da Escola de Administração Fazendária - ESAF, Ministério da Fazenda e Ministério da Educação (BORGES et.al., 2013, p. 41).

Em 2012 aconteceu a 1ª Conferência Nacional sobre Transparência e Controle Social. Ambas as conferências (2010 e 2012), focaram-se na formação cidadã para as próximas décadas. Expressas pela vontade popular e pelos desafios vivenciados pela administração pública, a realidade política brasileira se mostra cada vez mais voltada para a gestão participativa e consciência política dos seus cidadãos, construindo um estado social com mentalidades cívicas de novas disposições sociais.

Até início do último triênio de 2014, o Brasil ocupou, dentre os 30 países com maior carga tributária, a posição de pior retorno de arrecadação em prol de benefícios à sociedade. Com alto grau de arrecadação e baixo nível de retorno, o país ficou atrás de países como Uruguai e Argentina (AMARAL, OLENIKE, AMARAL, 2013).

Diante disso, a educação fiscal apresenta-se como um processo necessário para formação da opinião da sociedade perante o conhecimento, significado e aplicabilidade do tributo. Com isso, preocupado com a temática, o Estado propõe ações e políticas públicas com a finalidade de promover a conscientização dos cidadãos e estreitar os laços que ligam o estado e a população.

Reis, Pfitscher e Casagrande 2012, p. 41 reforçam que ―em decorr ncia das novas imposições legais ao ente público, a ação estatal sofreu modificações, o que afetou o dia a dia da sociedade‖.

87

É preciso que tenha a percepção do dever fundamental de pagar impostos pode-se afirmar com Nabais (2007), que o imposto não é mero poder do Estado, nem simples sacrifício do indivíduo, mas consiste numa contribuição indispensável para a vida em comunidade, organizada em Estado. É o preço da sociedade organizada. Não pode ser visto apenas como uma carga, senão também como a garantia de uma liberdade (ESTEVAN, 2002).

Vale salientar que num Estado fiscal, dependente da arrecadação, o imposto não é um fim em si mesmo, mas um meio do Estado cumprir seus objetivos, um

―instrumento de realização das tarefas finais do Estado‖ NABAIS, 2012, p. 227 . Dessa forma, essa ação promovida pela UNIESP em prol da educação fiscal, e da percepção do dever fundamental de pagar impostos é que motiva esse projeto de pesquisa a desenvolver esse curso de extensão, continuando a disseminar a informação sobre a nota cidadã, fazendo com que o cidadão seja partícipe no processo de construção de uma sociedade mais justa, a partir de uma atitude proativa, assertiva, opinativa, sendo determinante na escolha dos novos papéis que devamos exercer dentro de nossa sociedade.

No documento ISBN: 978-65-5825-005-0 (páginas 86-89)