A citação produz efeitos de ordem material e processual. O art. 219, caput, CPC, estabelece que a citação válida torna prevento o juízo, induz litispendência, faz litigiosa a coisa, constitui em mora o devedor e interrompe a prescrição. O art. 263, 2ª parte, atribui vários destes efeitos “à propositura da ação, e não à citação em si, conquanto esclareça que apenas se operam, quanto ao réu, depois que for validamente citado”. Consoante Moreira (1991) se tratam de efeitos cuja produção se subordina a uma condição (legal) suspensiva.
Os efeitos comuns à citação válida têm início a partir deste comparecimento do réu, apresentando a sua defesa.
Assim, contestando a ação, sem argüir a nulidade da citação, esta argüição torna-se preclusa, não podendo mais o autor impugnar a validade do processo baseado nela (MOREIRA, 1991).
Considera-se suprida tanto a falta quanto a nulidade da citação com o comparecimento do réu, para apresentar resposta.
Se este comparecimento do réu visar apenas a argüição de nulidade da citação, e sendo esta declarada pelo juiz, o réu será considerado citado quando for intimado, pessoalmente ou por seu procurador, da decisão que reconheceu a nulidade, decorrendo daí os efeitos da citação válida.
3.4.1 Prevenção do juízo
A prevenção do juízo é a atribuição de competência a um juiz para decidir
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uma causa, quando vários outros juizes também poderiam ser igualmente competentes. Ocorre nos casos de competência concorrente, quando vários juizes poderiam conhecer da causa. A competência concorrente está prevista nos §§ 1º, 2º, 3º e 4º, do art. 94, CPC:
Art. 94. [...]
§ 1º Tendo mais de um domicilio, o réu será demandado no foro de qualquer deles.
§ 2º Sendo incerto ou desconhecido o domicilio do réu, ele será demandado onde for encontrado ou no foro do domicilio do autor.
§ 3º Quando o réu não tiver domicílio nem residência no Brasil, a ação será proposta no foro de domicílio do autor. Se este também residir fora do Brasil, a ação será proposta em qualquer foro.
§ 4º Havendo dois ou mais réus, com diferentes domicílios, serão demandados no foro de qualquer deles, à escolha do autor.
O art. 95, segunda parte, do CPC, que prevê que o autor pode optar pelo foro do domicílio ou de eleição, quando o litígio não versar sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, posse, divisão e demarcação de terras e nunciação de obra nova; e o parágrafo único do art. 100, do CPC, que prevê que será competente o foro do domicílio do autor ou do local do fato, nas ações de reparação de dano sofrido em razão de delito ou acidente automobilístico; também tratam da competência concorrente.
O juízo que primeiro realizar a citação em uma das causas, torna-se prevento para esta e todas as demais causas conexas, que poderiam ser conhecidas por outros juízes.
No entanto, Theodoro Júnior (2003, p. 241) afirma que há um caso em que a prevenção opera antes mesmo da citação: é o da concorrência de competência entre juizes que têm a mesma competência territorial (titulares de diversas varas de uma comarca), quando então, basta o despacho da inicial para tornar prevento o juiz (art. 106, CPC).
3.4.2 Litispendência
Trata a litispendência da existência de duas ou mais ações tendo as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. Observa-se a litispendência
“quando se reproduz ação anteriormente ajuizada” (art. 301, § 1º, CPC).
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Consiste a litispendência em tomar completa a relação processual trilateral em torno da lide. Por força da litispendência, o mesmo litígio não poderá voltar a ser objeto, entre as partes, de outro processo, enquanto não se extinguir o feito pendente (THEODORO JÚNIOR, 2003).
Havendo a citação válida em um dos processos, o outro será extinto, em razão da litispendência, sem julgamento do mérito (art. 267, IV e V, CPC).
Theodoro Júnior (2003) salienta que com a litispendência, o direito processual procura: a) evitar o esperdício de energia jurisdicional que derivaria do trato da mesma causa por Parte de vários juizes; e b) impedir o inconveniente de eventuais pronunciamentos judiciários divergentes a respeito de uma mesma controvérsia jurídica.
3.4.3 Litigiosidade da coisa
Proposta a ação, inicia-se a litigiosidade, assim, por exemplo, a coisa, objeto da ação, após a realização da citação válida, não poderá mais ser alienada ou alterada, sob pena de haver fraude à execução (art. 593, CPC). Ela se torna vinculada à decisão que será proferida no processo.
Assevera Theodoro Júnior (2003) que, através da litigiosidade, o bem jurídico disputado entre as partes se toma vinculado à sorte da causa, de modo que, entre outras consequências, não é permitido aos litigantes alterá-lo, nem aliená-lo, sob pena de atentado ou fraude à execução.
A oponibilidade, perante terceiros, da litigiosidade depende, todavia, de prévia inscrição da citação no Registro Público, ou de prova de má-fé do estranho ao processo (THEODORO JÚNIOR, 2003).
Assim, se não houver a anotação nos registros do bem, de que o mesmo encontra-se sob discussão judicial, não poderá se arguir, futuramente, inoponibilidade do terceiro de boa-fé.
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3.4.4 Mora
A citação válida constitui o devedor em mora, se esta ainda não houver decorrido do simples vencimento da obrigação (art. 960, CCB).
Explica Theodoro Júnior (2003) que quando a mora não é de pleno direito (a que decorre do simples vencimento da obrigação), a citação inicial apresenta-se como equivalente da interpelação, atuando como causa de constituição do devedor em mora. Trata-se, portanto, de um efeito material da citação.
3.4.5 Interromper a prescrição
Prevê o § 1º do art. 219, CPC, que a citação válida faz retroagir a interrupção da prescrição à data da propositura da ação. O mesmo efeito ocorre quanto aos prazos extintivos.
Porém, deve o autor promover a citação do réu nos dez dias seguintes ao despacho que a ordenou, não ficando prejudicada pela demora do próprio poder judiciário (art. 219, § 2º, CPC).
Este prazo poderá ser prorrogado em até noventa dias, “se a dilatação estiver dependendo de diligência” a cargo do autor (THEODORO JÚNIOR, 1997).
Escoados estes prazos, e não sendo realizada a citação, não estará interrompida a prescrição ou o prazo extintivo (como a decadência), conforme o § 4º do art. 219, CPC.
Transcorridos os prazos dos §§ 2º e 3º do art. 219, CPC, e não havendo ainda ocorrido a prescrição ou extinção do direito, o efeito interruptivo ocorrerá na data em que a citação válida se realizar.