2.4 CONDIÇÕES DA AÇÃO
2.4.3 Interesse de Agir
Diz-se que está presente o interesse de agir quando o autor tem a necessidade de se valer da via processual para alcançar o bem da vida pretendido, interesse esse que está sendo resistido pela parte adversa, bem como quando a via processual lhe traga utilidade real, ou seja, a possibilidade de que a obtenção da tutela pretendida melhore na sua condição jurídica (NERY, 2006).
Alguns doutrinadores ainda falam em adequação da via processual eleita com a pretensão deduzida em juízo, o chamado interesse adequação. No entanto, mais adequado é entendimento da corrente doutrinária que exclui a adequação das classes de interesse de agir, considerando apenas o interesse necessidade e o interesse utilidade. Assim, o chamado "interesse-adequação", na verdade, seria requisito processual de validade objetivo intrínseco, sendo aqui tratado como um dos aspectos do respeito ao formalismo processual (NERY, 2006).
Nesse sentido, Carvalho (2005, p. 27), que, ao discorrer sobre o tema, ensina que:
Sustentamos, portanto, que o uso de um meio inadequado nunca pode significar falta de interesse. O interesse, pois, não pode ser confundido com o mero aspecto formal da adequação da providência requerida, até porque aquele que utilizou um provimento inadequado, por vezes, demonstra muito mais interesse – tanto substancial como processual -, do que aquele que fez uso do procedimento adequado.
O interesse de agir, segundo Theodoro Júnior (2003) não se confunde com o interesse substancial, ou primário, para cuja proteção se intenta a mesma ação. O interesse de agir, que é instrumental e secundário, surge da necessidade de obter através do processo a proteção ao interesse substancial. Entende-se, dessa maneira, que há interesse processual “se a parte sofre um prejuízo, não propondo a demanda, e daí resulta que, para evitar esse prejuízo, necessita exatamente da
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intervenção dos órgãos jurisdicionais”.
O interesse processual, a um só tempo, haverá de traduzir-se numa relação de necessidade e também numa relação de adequação do provimento postulado, diante do conflito de direito material trazido à solução judicial (THEODORO JÚNIOR, 2003).
É preciso sempre “que o pedido apresentado ao juiz traduza formulação adequada à satisfação do interesse contrariado, não atendido, ou tornado incerto”
(MARQUES, 1990, p. 176).
Falta interesse, em tal situação, “porque é inútil a provocação da tutela jurisdicional se ela, em tese, não for apta a produzir a correção argüida na inicial.
Haverá, pois, falta de interesse processual se, descrita determinada situação jurídica, a providência pleiteada não for adequada a essa situação” (GRECO FILHO, 1995, p. 81).
O direito de agir, direito de ação, conforme ensina Santos (2004), é distinto do direito material a que visa tutelar. A ação se propõe a obter uma providência jurisdicional quanto a uma pretensão e, pois, quanto a um bem jurídico pretendido pelo autor. Há, assim, na ação, como seu objeto, um interesse de direito substancial consistente no bem jurídico, material ou incorpóreo, pretendido pelo autor.
Mas há um interesse outro, que move a ação. É o interesse em obter uma providência jurisdicional quanto àquele interesse. Por outras palavras, há o interesse de agir, de reclamar a atividade jurisdicional do Estado, para que este tutele o interesse primário, que de outra forma não seria protegido. Por isso mesmo o interesse de agir se confunde, de ordinário, com a necessidade de se obter o interesse primário ou direito material pêlos órgãos jurisdicionais (SANTOS, 2002).
Diz-se, pois, que o interesse de agir é um interesse secundário, instrumental, subsidiário, de natureza processual, consistente no interesse ou necessidade de obter uma providência jurisdicional quanto ao interesse substancial contido na pretensão (SANTOS, 2002).
Basta considerar que o exercício do direito de ação, para ser legítimo, pressupõe um conflito de interesses, uma lide, cuja composição se solicita do Estado. Sem que ocorra a lide, o que importa numa pretensão resistida, não há lugar à invocação da atividade jurisdicional. O que move a ação é o interesse na composição da lide (interesse de agir), não o interesse em lide (interesse substancial) (SANTOS, 2002).
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O interesse, em regra, é uma relação desnecessidade, pois decorre da necessidade de se recorrer ao judiciário para a obtenção do resultado pretendido, uma vez que esse é o único modo que resta ao agente pretensor para obter o
"direito" reclamado (SCHLICHTING, 2002).
É também uma relação de adequação, uma vez que é inútil provocar a tutela jurisdicional se ela não for apta a produzir a correção da lesão argüida na inicial (SCHLICHTING, 2002).
Assim, não existe interesse no caso do autor requerer que o juiz declare que o credor de uma obrigação contida em um título de créditos tem o direito de exigir a cobrança deste, uma vez que tal direito já está implícito no comando emanado do título (SCHLICHTING, 2002).
Da mesma forma, pode não existir interesse processual no caso de, em uma ação de reintegração de posse, uma das partes pedir que o juiz declare, por sentença, que é o detentor do domínio, uma vez que o discutido é a posse, e não a propriedade, que pode ser até de um terceiro (SCHLICHTING, 2002).
O interesse, em algumas situações, pode ser de ordem material, como ocorre naquelas ações cautelares em que a finalidade é a obtenção de medidas urgentes que garantam a eficácia da materialidade da sentença que advirá de um processo de conhecimento ou de execução (SCHLICHTING, 2002).
Feitas estas considerações acerca do conceito de ação, bem como suas teorias, elementos e condições, passa-se agora, no segundo capítulo, para o estudo das intimações, citações e notificações, de modo a introduzir uma melhor compreensão acerca do assunto principal do presente trabalho.
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3 DAS COMUNICAÇÕES DOS ATOS PROCESSUAIS NO DIREITO PROCESSUAL CIVIL