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posteriormente vieram a influenciar outros povos com referência a reparação de danos166.

Destarte, o Código de Napoleão trouxe a distinção entre a culpa delitual e a contratual, sendo que a partir deste momento, surge a idéia de responsabilidade civil fundada na culpa, a qual propagou-se nas legislações do mundo ocidental167.

VENOSA168 leciona:

A história da responsabilidade civil na cultura ocidental é exemplo marcante dessa situação absolutamente dinâmica, desde a clássica idéia de culpa ao risco, das modalidades clássicas de indenização para as novas formas como a perda de uma chance e criação de fundos especiais para determinadas espécies de dano.

No que diz respeito à responsabilidade civil e seu processo evolutivo do último século, alcançou espaços de apliabilidade insuspeitáveis, principalmente através da criação pretoriana, contribuição notável dos tribunais, ingressando por sua vez, no sentido de interferir nas relações humanas, acautelando e resguardando seus bens patrimoniais e morais de maneira acentuada e forte169.

De acordo com GAGLIANO e PAMPLONA FILHO171 ao analisar o artigo 186 do Código Civil Brasileiro, pode-se extrair os seguintes elementos ou pressupostos gerais da responsabilidade civil: a) conduta humana (positiva ou negativa); b) dano ou prejuízo; c) o nexo de causalidade.

De acordo com o ensinamento de STOCO172: “A idéia central, inspiradora dessa construção, reside no princípio multissecular do neminem laedere (a ninguém se deve lesar), uma das expressões primeiras do denominado ‘direito natural’”.

Assim, de acordo com o dispositivo legal outrora mencionado, o doutrinador STOCO apud AMARAL173 aduz que os pressupostos do ato ilícito são os seguintes: “um dever violado (elemento objetivo) e a imputabilidade do agente (elemento subjetivo)”.

Por outras palavras, é o ilícito figurando como fonte geradora de responsabilidade174.

2.3.1 Ação ou omissão do agente

O elemento primário de todo Ilícito é uma conduta humana e voluntária no mundo exterior175.

GAGLIANO e PAMPLONA FILHO176 ensinam que a ação (ou omissão) humana voluntária é pressuposto necessário para a configuração da responsabilidade civil, pois: “Trata-se, em outras palavras, da conduta humana, positiva ou negativa (omissão), guiada pela vontade do agente, que desemboca no dano ou prejuízo”.

171 GAGLIANO, Pablo Stolze; PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Novo curso de direito civil brasileiro:

responsabilidade civil. p. 23.

172 STOCO, Rui. Tratado de responsabilidade civil. p. 128.

173 STOCO, Rui. Tratado de responsabilidade civil. p. 124.

174 STOCO, Rui. Tratado de responsabilidade civil. p. 128.

175 STOCO, Rui. Tratado de responsabilidade civil. p. 131.

176 GAGLIANO, Pablo Stolze; PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Novo curso de direito civil brasileiro:

responsabilidade civil. p. 27.

Com o mesmo entendimento, leciona DINIZ177 que a responsabilidade civil requer:

existência de uma ação, comissiva ou omissiva, qualificada juridicamente, isto é, que se apresenta como um ato ilícito ou licito, pois ao lado da culpa, como fundamento da responsabilidade, temos o risco. [...] Ter-se-á ato ilícito se a ação contrariar dever geral previsto no ordenamento jurídico, integrando-se na seara da responsabilidade extracontratual [...], e se ela não cumprir obrigação assumida, caso em que se configura a responsabilidade contratual.

Assim, o núcleo fundamental é a noção de conduta humana, ou seja, a voluntariedade, que resulta da liberdade de escolha do agente imputável, com discernimento necessário para ter consciência daquilo que faz178.

Segundo STOCO179 “a lesão a bem jurídico cuja existência se verificará no plano normativo da culpa, está condicionada à existência, no plano naturalístico da conduta, de uma ação ou omissão que constitui a base do resultado lesivo”.

A responsabilidade do agente pode decorrer tanto de um ato próprio quanto ato de terceiro a quem esteja sob sua responsabilidade, bem como de coisas que estejam sob sua responsabilidade.

No caso de responsabilidade por ato próprio, fica configurado o que predispõe este instituto, ou seja, se um indivíduo por uma ação própria infringe preceito legal, prejudicando terceiro, é cediço que este deve reparar o dano cometido180.

Em outro plano, quando ocorre a responsabilidade por ato de terceiro, o dano causado a outrem não decorre de ato próprio, como por exemplo, no caso da responsabilidade dos pais com relação aos atos praticados por seus filhos menores181.

177 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: responsabilidade civil. p. 37.

178 GAGLIANO, Pablo Stolze; PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Novo curso de direito civil brasileiro:

responsabilidade civil. p. 27.

179 STOCO, Rui. Tratado de responsabilidade civil. p. 131.

180 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: responsabilidade civil. p. 37.

181 GAGLIANO, Pablo Stolze; PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Novo curso de direito civil brasileiro:

responsabilidade civil. p. 28.

Leciona STOCO182: “A omissão é uma conduta negativa. Surge porque alguém não realizou determinada ação. A sua essência está propriamente em não ter agido de determinada forma”.

Segundo ensina GAGLIANO E PAMPLONA FILHO183 a conduta positiva “traduz-se pela prática de um comportamento ativo, positivo, a exemplo do dano causado pelo sujeito que, embriagado, arremessa o seu veículo contra o muro do vizinho”.

Destarte, a indenização é conseqüência de uma ação ou omissão do lesante que infringe um preceito legal, norma contratual ou social, isto é, no caso de tal conduta ser praticada com abuso de direito184.

2.3.2 Nexo de causalidade

O nexo de causalidade constitui um dos elementos essenciais da responsabilidade civil185.

DINIZ186 leciona:

O vínculo entre o prejuízo e a ação designa-se ‘nexo causal’, de modo que o fato lesivo deverá ser oriundo da ação, diretamente ou como sua conseqüência previsível. Tal nexo representa, portanto, uma relação necessária entre o evento danoso e a ação que o produziu, de tal sorte que esta é considerada como sua causa.

STOCO apud CAVALIERI FILHO187 ensina que “o conceito de nexo causal não é jurídico; decorre das leis naturais, constituindo apenas o vincula, a ligação ou relação de causa e efeito entre a conduta e o resultado”.

182 STOCO, Rui. Tratado de responsabilidade civil. p. 131.

183 GAGLIANO, Pablo Stolze; PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Novo curso de direito civil brasileiro:

responsabilidade civil. p. 29.

184 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: responsabilidade civil. p. 40.

185 STOCO, Rui. Tratado de responsabilidade civil. p. 145.

186 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: responsabilidade civil. p. 111.

187 STOCO, Rui. Tratado de responsabilidade civil. p. 145.

Segundo ensinam GAGLIANO E PAMPLONA FILHO: "Trata- se, pois, do elo etiológico, do liame, que une a conduta do agente (positiva ou negativa) ao dano”.

STOCO188 aduz que “é necessário que se estabeleça uma relação de causalidade entre a injuridicidade da ação e o mal causado. [...] O nexo causal se torna indispensável, sendo fundamental que o dano tenha sido causado pela culpa do sujeito”.

DINIZ189 adverte ainda acerca do nexo de causalidade que por ser “um dos pressupostos da responsabilidade civil, ele deverá ser provado. O onus probandi caberá ao autor da demanda”.

É importante esclarecer que na caracterização do nexo de causalidade, há de ser observadas algumas questões ditas essenciais, tais como a dificuldade em sua comprovação, bem como a identificação do fato originário do dano190.

2.3.3 Dano experimentado pela vítima

É evidente que para que se configure a responsabilidade civil, é necessário que do ato decorra dano a outrem, pois é um pressuposto para que haja obrigação de indenizar na esfera civil.

Segundo ensina STOCO191 “a doutrina é unânime em afirmar, como não poderia deixar de ser, que não há responsabilidade sem prejuízo. O prejuízo causado pelo agente é o ‘dano’”.

DINIZ192 por sua vez também demonstra a importância deste instituto: “O dano é um dos pressupostos da responsabilidade civil, contratual ou

188 STOCO, Rui. Tratado de responsabilidade civil. p. 146.

189 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: responsabilidade civil. p. 113.

190 VENOSA, Sílvio de Sálvio. Direito civil: responsabilidade civil. p. 47.

191 STOCO, Rui. Tratado de responsabilidade civil. p. 123.

192 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: responsabilidade civil. p. 61.

extracontratual, visto que não poderá haver ação de indenização sem a existência de um prejuízo”.

O dano é elemento essencial e indispensável à responsabilização do agente, seja essa obrigação originada de ato ilícito como de inadimplemento contratual, independente, ainda, de se tratar de responsabilidade objetiva ou aquiliana193.

VENOSA ensina194: “Sem dano ou sem interesse violado, patrimonial ou moral, não se corporifica a indenização. A materialização do dano ocorre com a definição do efetivo prejuízo suportado pela vítima”.

Neste sentido, a obrigação nasce no momento em que a lei ou preceito contratual são violados, decorrendo de tal conduta, o dano, que deverá ser reparado195.

O artigo 944 do Código Civil Brasileiro196 adverte que “a indenização mede-se pela extensão do dano”.

Esse elemento essencial da responsabilidade civil pode ainda ser definido como a lesão, ou seja, a destruição ou diminuição em qualquer bem ou interesse jurídico do lesado, a medida que deriva de um evento determinado, que acontece contra sua vontade197.

STOCO198 leciona sob sua subdivisão: “O dano pode ser ordem patrimonial, também dito material, ou de ordem moral”.

No dano material, não é possível o retorno ao statu quo ante, se indeniza pelo equivalente em dinheiro, enquanto o dano moral, por não ter

193 STOCO, Rui. Tratado de responsabilidade civil. p. 123.

194 VENOSA, Sílvio de Sálvio. Direito civil: responsabilidade civil. p. 33.

195 STOCO, Rui. Tratado de responsabilidade civil. p. 123.

196 BRASIL. Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Diário Oficial da União: Brasília, 2002.

197 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: responsabilidade civil. p. 64.

198 STOCO, Rui. Tratado de responsabilidade civil. p. 129.

equivalência patrimonial ou expressão matemática, se compensa com um valor convencionado, mais ou menos aleatório199.

No que diz respeito ao dano material, que também pode ser denominado dano patrimonial, este pode ser analisado segundo GAGLIANO E PAMPLONA FILHO200 sob dois aspectos:

o dano emergente – correspondente ao efetivo prejuízo experimentado pela vítima, ‘o que ela perdeu’; os lucros cessantes – correspondente àquilo que a vítima deixou razoavelmente de lucrar por força do dano, ou seja, ‘o que ela não ganhou’.

Em outro vértice, o chamado dano moral corresponde à ofensa causada a pessoa a parte subjecti, ou seja, atingindo bens e valores de ordem interna ou anímica, como a honra, a imagem, o bom nome, a intimidade, a privacidade, enfim, todos os atributos da personalidade201.

Diante disto, o dano essencialmente deve ser real e efetivo, sendo de extrema necessidade que a lesão, bem como que decorrente da conduta do lesante perante o lesado ocorra repercussão sobre a pessoa ou patrimônio desta202.

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