Não obstante a presente pesquisa apresentar-se como primeiro estudo desse âmbito nesse setor econômico, portanto, limitações são constatadas.
O setor escolhido para a pesquisa, o ―camelódromo‖, é constituído na cidade de Balneário Camboriú em três áreas, e a pesquisa é realizada em apenas uma, ficando evidenciada à impossibilidade de se generalizar seus resultados.
Mas essa limitação não inviabiliza o projeto, uma vez que, o espaço pesquisado, localizado no entorno da Igreja Matriz, é o de maior representação econômica.
Pretendia-se abordar neste estudo a análise de registros contábeis destes estabelecimentos comerciais, porém, nenhum deles dispunha dos documentos para disponibilizar por não haverem esses registros.
Foram entregues 180 questionários aos empresários, porém, 15 destes não foram respondidos, totalizando 165 participantes.
4 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
Inicialmente é apresentada pesquisa documental, onde são descritos as informações obtidas junto aos registros da associação dos proprietários, levantados em 22 de outubro de 2007.
Assim sendo, foi possível identificar, pelos registros, a forma como são caracterizados, por artigo comercializado, a distribuição das lojas que compõe o espaço.
Conforme quadro 6, são apresentadas as especialidades por produtos que as lojas operam, bem como a quantidade de cada segmento existente atualmente.
Artesanato 4
Artigos de praia 3
Artigos Gaúchos 1
Artigos Indianos 2
Bebidas 6
Bijoux e semi-jóia 12
Bolsa e Acessórios 34
Brinquedos 12
Cd`s e Dvd`s 4
Celulares 11
Cosméticos 16
Cozinha 10
Eletrônicos e Informática 68
Ferramentas 2
Havaianas 3
Lingerie 2
Meias/bonés 5
Mix de utilidades (rádio-relógio, guarda-chuva) 7
Pesca 2
Pijamas 2
Relógio/ óculos 18
Roupa de cama 1
Roupa de Crianças 2
Roupas 33
Som automotivo/ tunning 1
Tennis 10
TOTAL DE LOJAS 271
QUADRO 6: Segmentos dos negócios por tipos de mercadorias vendidas nas lojas dos camelôs
Fonte: Pesquisa aplicada.
Percebe-se no quadro 6 a predominância de empresários nos ramos de eletrônicos e informática, representando cerca de 25% do total de lojas. Outros segmentos expressivos são: bolsas e acessórios, e roupas que juntos correspondem a outros 25% das lojas em operação.
Ainda encontra-se no espaço, porém fora do ―camelódromo‖, três lojas de alvenaria, que comercializam peças de decoração, bijuterias e roupas. Como também uma farmácia, uma livraria, uma creperia, uma cantina, uma sorveteria e uma banca de revistas, que por estarem instaladas nos arredores das lojas e seus corredores, não foram consideradas na pesquisa.
Para organização dessa infra-estrutura existe um síndico e todas as lojas pagam um condomínio, além de pagar o alvará anual para prefeitura e a luz consumida. O condomínio tem como objetivo cobrir os custos dos funcionários da feira, limpeza, vigilância e ainda benfeitorias. As decisões sobre melhorias e gestão do espaço é resolvida de forma democrática, em assembléias e reuniões, onde através de votações são deliberadas as ações e o regimento interno da feira. Cada loja tem a fração ideal do solo e pertence de fato e de direito ao proprietário. Assim aclarasse que os terrenos deixaram de ser públicos, ao serem adquiridos por volta do ano de 2.000 e logo e subdivididos em partes iguais.
O gráfico 01 mostra que de um total de 271 lojas, em sua maioria, 66% corresponde a classificação como loja simples, que compreende uma área de 2,0 x 2,0m, totalizando 4,0 m². Já as lojas consideradas duplas, que representam 29% do total, compreende a área de 4,0 x 2,0 m, totalizando 8 m². As lojas consideradas triplas perfazem 4% do total de lojas, compõem-se por 6,0 x 2,0 m. totalizando 12 m². As lojas denominadas quádruplas perfazem a área de 8,0 x 2,0 m. totalizando 16 m², que correspondem a 1% do total do espaço.
Gráfico 1: Disposição das lojas Fonte: Pesquisa aplicada
O segundo momento da pesquisa foi realizada entre os dias 24 de outubro à 01 de novembro de 2007, constitui-se da entrega de 180 questionários aos empresários que operam no espaço camelódromo, sendo que 15 não foram respondidos, totalizando 165 respondentes.
As questões propostas no questionário procuraram identificar o perfil econômico dos empreendedores, algumas características pessoais e demais aspectos sócio- demográficos.
Na primeira questão buscou-se identificar o percentual de lojas que são próprias de empresários e as que são locadas para esses, assim o gráfico 2, demonstra o atual formato das lojas com relação a alugadas e próprias. Onde percebe-se que a maioria, 64% são de empresários que alugam essas lojas e somente 36% são efetivamente proprietários.
66
% 29
%
4
% 1
%
Loja Simples Loja Dupla Loja Tripla Loja Quádrupla Disposição
36%
64%
Banca Própria Banca Alugada
Gráfico 2: Situação das lojas Fonte: Pesquisa aplicada
A pesquisa indicou que o camelódromo apresenta a liderança feminina, sendo maioria na administração das lojas com um percentual de 62% das mulheres diante de 38% dos homens, como apresenta o gráfico 03.
Sexo
62%
38%
Mulheres Homens
Gráfico 3: Participação por gênero nas lojas Fonte: Pesquisa aplicada
Lojas
Gênero
O gráfico 04 revela que a afluência de compras no Paraguai despertou o interesse de comerciantes oriundos daquele país, provocando a migração de estrangeiros que hoje compõe o quadro de lojas do camelódromo, num total de quinze. Composta por libaneses, chineses e argentinos
Nacionalidade
260 4
1 15
Brasileiros Chineses Argentinos Libaneses
Gráfico 4: Participação por nacionalidade Fonte: Pesquisa aplicada
Na questão escolaridade, o gráfico 05 mostra que apenas 48% possuem o segundo grau completo. Os demais estão divididos em: superior completo e incompleto, primeiro grau, e segundo grau incompleto e completo, percebe-se ainda que é significativa a porcentagem de empresários com apenas o 2º grau incompleto.
Os formados em curso superior se enquadram em: direito, administração, engenharia elétrica, economia, ou cursando cosmetologia, nutrição e outros com curso técnico de mecânica e enfermagem.
Escolaridade
14%
0%
14%
48%
14%
10%
1º grau incompleto 1º grau completo 2º grau incompleto 2º grau completo Superior incompleto Superior completo
Gráfico 5: Participação por escolaridade Fonte: Pesquisa aplicada
Quanto a faixa etária, o gráfico 06 mostra que a maioria dos empresários situa-se na faixa de 25 a 35 anos, totalizando 52%. Os demais se dividem em 22% para pessoas de 35 a 45 e 26% acima de 45 anos. Constatou-se ainda que vários empresários apresentam-se na condição de aposentados.
Os indicadores apresentam que o perfil do empreendedor no espaço, em sua maioria é bastante jovem, o que se enquadra com o dinamismo do processo operacional exigido pelo modelo de negócio.
Faixa Etária
52%
22%
26%
De 25 à 35 De 35 à 45 Acima de 45
Gráfico 6: Distribuição por faixa etária Fonte: Pesquisa aplicada
Com relação ao estado civil, o gráfico 07 indica que 70% dos empresários no espaço são casados, e em sua grande maioria possuem de 1 a 2 filhos.
Estado Civil
30%
70%
Solteira Casada
Gráfico 7: Distribuição por estado civil Fonte: Pesquisa aplicada
Com relação a questão apresentada no gráfico 08 sobre a satisfação geral em relação a todas as áreas da vida, 86% dos empresários responderam que estão satisfeitos contra 14% de insatisfeitos. A maioria relata que nunca estiveram tão bem, que podem dar conta da casa pagando as contas, dar educação para os filhos, pois em sua infância tiveram muitas limitações em virtude da falta de condições financeiras.
Satisfação Geral
86%
14%
Satisfeito Insatisfeito
Gráfico 8: Satisfação geral com o empreendimento Fonte: Pesquisa aplicada
Especificamente na questão financeira, usou-se uma escala que compreende de muitíssimo satisfeito á muito insatisfeito, uma adaptação da escala de Likert. Assim sendo, o gráfico 09 indica que a atual situação financeira, as opiniões distribuem-se em cinco variáveis predominando, com 37% das respostas, a indicação de satisfeito.
Pode-se concluir, pela escala, como indicador médio. Outro detalhe que chama a atenção, é que apresenta o índice de 21% de insatisfeitos e 21% de muito satisfeito.
Satisfação Financeira
14%
21%
37%
21%
7%
Muitíssimo Satisfeito Muito Satisfeito Satisfeito Insatisfeito Muito Insatisfeito
Gráfico 9: Satisfação financeira.
Fonte: Pesquisa aplicada
O estilo de vida atualmente percebido indica em sua maioria no gráfico 10, o estilo conservador em 42% dos empresários. Já consideram que vivem no estilo moderado 31%. Já se consideram como estilo liberal um total de 27%. Percebe-se houve a identificação de que quem vive no estilo liberal são os empresários enquadrados na faixa entre 25 á 35 anos.
Destaca-se ainda que os conservadores, com inclinação tradicionalista, perfazem a maioria dos empresários. Assim as idéias muito inovadoras, ou que se sobrepõe aos conceitos já concebidos e enraizados, podendo encontrar certa dificuldade na sua concepção.
Gráfico 10: Distribuição por estilo de vida Fonte: Pesquisa aplicada
Em relação ao futuro, o gráfico 11 mostra que 92% dos empresários informam serem conscientes da realidade, mas sonhadores, representando a grande maioria. Porém 8% informaram estarem totalmente descrentes com relação a um futuro promissor.
Com relação ao futuro
92%
8%
Consciente da realidade, mas sonhador
Totalmente descrente de um futuro promissor nos dias de hoje
Gráfico 11: Concepção do futuro Fonte: Pesquisa aplicada
Com relação à questão de experiências anteriores em empreendimentos, o gráfico 12 mostra que 71% já empreenderam algum tipo de negócio antes. Já 29% estão na
Estilo de Vida
42%
31%
27%
Conservador Moderado Liberal
sua primeira experiência empresarial. Todos assinalaram indicaram que tiveram experiência nos ramos de: comércio e prestação de serviços, e indústria.
Gráfico 12: Distribuição por estilo de vida Fonte: Pesquisa aplicada
A questão do gráfico 13 procura identificar as razões porque os empreendedores decidiram iniciar um empreendimento no camelódromo, apresentou uma distribuição mais equilibrada. A resposta predominante é de que 33% afirmam que o principal motivo é porque um parente já havia empreendido no camelódromo. 21% dos pesquisados acreditaram que o empreendimento no camelódromo seria um negócio rentável. Já para 18% empreenderam por acaso, sem planejamento prévio. Para 14% a razão de desemprego e para a opção de uma renda foi o indicador maior Percebem-se ainda alguns registros de lojas que ficaram de herança para familiares.
Distribuição por estilo de vida
29
%
71
%
Não Sim
18%
14%
14%
21%
33%
Por acaso Desemprego Foi planejado
Na época era o negócio mais rentável
Já tinha parentes no ramo
Gráfico 13: Motivo do início da atividade no camelódromo Fonte: Pesquisa aplicada
No gráfico 14 a pesquisa buscou identificar se os empresários possuíam outros empreendimentos além da loja no camelódromo, assim 86% dos empresários possuem somente esse negócio. E, 14% informaram que operam outro empreendimento.
Outros empreendimentos
14%
86%
Sim Não
Gráfico 14: Outros empreendimentos Fonte: Pesquisa aplicada
Motivo do início da atividade
Uma das questões, socialmente muito discutida, é quanto à origem dos produtos disponibilizados no camelódromo. Criando certo preconceito com relação à procedência duvidosa no aspecto legal.
A pesquisa limitou-se a identificar a origem das mercadorias comercializadas no camelódromo, não abrangenda aspectos legais, dessa forma constatou-se que 70%
delas são importadas e 30% adquiridas no mercado nacional, como mostra o gráfico 15.
Tipo de Mercadorias
30%
70%
Nacional Importada
Gráfico 15: Tipo de mercadorias Fonte: Pesquisa aplicada
Com relação à perspectiva futura sobre a permanência ou não no camelódromo, a pesquisa indicou no gráfico 16 que 45% dos empresários pretendem expandir suas lojas. Entretanto 44% pretendem sair do camelódromo e ir para um comercio nos moldes tradicionais na cidade. Contudo 11 % dos empresários não responderam a questão, portanto pode-se concluir que estão de certa forma, indecisos quanto ao futuro de seu negócio.
Gráfico 16: Novos projetos Fonte: Pesquisa aplicada
Um dos motivos desencadeadores da pesquisa foi o de constatar a correlação existente entre receita bruta e retirada de pró-labore médio das lojas agrupadas por ramo de atividade. O quadro 7 apresenta a compilação das informações obtidas.
Segmentos Receita Bruta (Mês) Pró-labore (Mês)
Artesanato R$ 7.000,00 R$ 1.000,00
Artigos de praia R$ 7.000,00 R$ 1.000,00
Artigos Gaúchos R$ 7.000,00 R$ 1.000,00
Artigos Indianos R$ 10.000,00 R$ 2.000,00
Bebidas R$ 40.000,00 R$ 3.500,00
Bijoux e semi-jóia R$ 8.000,00 R$ 2.000,00
Bolsa e Acessórios R$ 12.000,00 R$ 3.000,00
Brinquedos R$ 10.000,00 R$ 3.000,00
CD's e DVD's Originais R$ 20.000,00 R$ 3.000,00
Celulares R$ 40.000,00 R$ 4.500,00
Cosméticos R$ 8.000,00 R$ 2.000,00
Cozinha R$ 6.000,00 R$ 1.000,00
Eletrônicos e Informática R$ 80.000,00 R$ 5.500,00
Ferramentas R$ 12.000,00 R$ 2.500,00
Havaianas R$ 8.000,00 R$ 2.000,00
lingerie R$ 7.000,00 R$ 1.500,00
Meias/bonés R$ 8.000,00 R$ 2.000,00
Mix de utilidades R$ 7.000,00 R$ 1.500,00
Pesca R$ 8.000,00 R$ 2.000,00
Pijamas R$ 8.000,00 R$ 1.500,00
Planos Futuros
44
% 45
% 11
%
Mudar do Camelódromo Expandir no
Camelódromo Não responderam
Relógio/ óculos R$ 12.000,00 R$ 3.000,00
Roupa de cama R$ 8.000,00 R$ 2.000,00
Roupa de Crianças R$ 10.000,00 R$ 2.500,00
Roupas R$ 10.000,00 R$ 2.500,00
Som automotivo/ tunning R$ 13.000,00 R$ 2.000,00
Tênis R$ 8.000,00 R$ 2.000,00
Quadro 7: Relação faturamento x pró-labore Fonte: Pesquisa aplicada
O quadro 08 apresenta uma média de receitas durante um mês de baixa temporada, segundo alguns relatos este quadro pode duplicar seus valores em épocas de Natal ou de veraneio, quando a cidade está lotada de turistas.
Quanto á contratação de empregados, a pesquisa indicou no gráfico 17 que, embora feita em época de sazonalidade baixa, 75% dos comerciantes disseram não ter empregados, mas contratam novos funcionários na temporada de verão. Dos 25%
que têm funcionários indicaram um total de 136 funcionários no momento em que a pesquisa foi aplicada.
Possue funcionários
25%
75%
Sim Não
Gráfico 17: Indicador de funcionários Fonte: Pesquisa aplicada
Na questão 17 o objetivo, pela percepção dos empresários, foi identificar qual o maior problema enfrentado. O indicativo da maioria foi referente à incapacidade de administração do espaço ―camelódromo‖ pelo síndico. Na visão de alguns empresários acaba provocando a estagnação do espaço. Outra questão percebida é
o preconceito com relação aos demais comerciantes da cidade, bem como as questões da concorrência desleal entre os participantes do espaço.
Com relação às questões 18 e 19, procurou-se obter opinião sobre como vai estar o
―camelódromo‖ daqui a 10 anos. Diversos relatos foram apresentados, dentre estes a resposta que mais esteve presente foi com relação a visão do espaço como um centro comercial, e as mudanças na infra-estrutura, lojas de alvenaria, teto alto, que diminuísse os impactos do sol, fariam diferença na percepção e na satisfação dos clientes.
Por outro lado, há um consenso entre alguns empresários em conservar a estrutura atual do ―camelódromo‖. Acreditam que uma nova infra-estrutura poderia despersonalizar o ―camelódromo‖, e, que exigirá altos investimentos, permanecendo neste negócio apenas os que tiverem suporte financeiro para tal.