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A Constituição Federal de 1988 manteve o sistema confederativo de representação sindical, existente desde 1930, estabelecendo segundo Zangrando233 “uma ordenação hierárquico- descendente, formando uma espécie de estrutura piramidal; tendo no seu ápice as confederações, e na sua base os sindicatos”.

Com a promulgação da Lei n. 11.648 de 31 de março de 2008, dispondo sobre o reconhecimento formal das centrais sindicais, o sistema sindical brasileiro passou a dispor de um novo integrante, a central sindical a qual podem se associar quaisquer entidades sindicais, porém agindo de modo autônomo234”.

Nesse contexto, segundo Zangrando235 “a estrutura das entidades sindicais é feita em um sistema confederativo da representação sindical podendo ser exemplificado como uma pirâmide, onde na base se têm os sindicatos, acima destes, as federações, e acima destas, as confederações”.

230 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Direito Sindical. p. 221.

231 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Direito Sindical. p. 221.

232 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Direito Sindical. p. 221.

233 ZANGRANDO, Carlos Henrique da Silva. Curso de Direito do Trabalho. p. 1462.

234 ZANGRANDO, Carlos Henrique da Silva. Curso de Direito do Trabalho. p. 1462.

235 ZANGRANDO, Carlos Henrique da Silva. Curso de Direito do Trabalho. p. 1462.

As centrais sindicais não possuem natureza de entidades sindicais; são, apenas, associações de natureza civil.

Cumpre ressaltar, sobre a presente análise das entidades sindicais, com relação ao sindicato, haja vista, já ter sido explanado, no transcorrer do presente capítulo, a partir de agora tratar-se-á somente das federações, confederações e do mais novo integrante a central sindical.

Assim, na sequência serão brevemente analisados cada um destes integrantes.

3.4.1 Federações e confederações

As federações e as confederações são chamadas pela Consolidação das leis do Trabalho em seu art. 533236, como sendo “[...] associações sindicais de grau superior as federações e confederações organizadas nos termos desta lei”.

De acordo com o art. 562237, da CLT, as expressões ‘federação e confederação’, seguidas da designação de uma entidade econômica ou profissional, constituem denominações privativas das entidades sindicais de grau superior238.

Com relação as federações, segundo Magano239 “trata-se de uma organização de segundo grau”, composta como prevê o art. art. 534240, CLT, de no mínimo cinco sindicatos que representam a maioria absoluta de um grupo de atividades profissionais idênticas, similares ou conexas, tendo como base de atuação, via de regra, estadual. As federações têm como filiados pessoas jurídicas que são os sindicatos, não possuindo como sócias pessoas físicas dos sindicatos.

No que diz respeito a competência das federações pode-se afirmar segundo Guarnieri241, que seja o de coordenar com os interesses dos sindicatos a ela filiados, não tendo, porém, direito de representá-los”, como dispõe o parágrafo 3º do art. 534242, da CLT.

236 BRASIL. Decreto-Lei n. 5.452, de 1 de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho.

Disponível em: <http://.www.planalto.gov.br/ccivil/Decreto-Lei/Del5452.htm>. Acesso em: 21 fev. 2011.

237 Art. 562 - As expressões "federação" e "confederação", seguida da designação de uma atividade econômica ou profissional, constituem denominações privadas das entidades sindicais de grau superior. Cf. BRASIL.

Decreto-Lei n. 5.452, de 1 de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Disponível em:

<http://.www.planalto.gov.br/ccivil/Decreto-Lei/Del5452.htm>. Acesso em: 21 fev. 2011.

238 GUARNIERI, Bruno Marcos. Liberdade sindical: necessidade de reforma constitucional como imperativo de uma organização sindical democrática. São Paulo: LTr, 2004. p. 60.

239 MAGANO, Octávio Bueno. Organização Sindical Brasileira. p. 61.

240 Art. 534 - É facultado aos sindicatos, quando em número não inferior a 5 (cinco), desde que representem a maioria absoluta de um grupo de atividades ou profissões idênticas, similares ou conexas, organizarem-se em federação. Cf. BRASIL. Decreto-Lei n. 5.452, de 1 de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Disponível em: <http://.www.planalto.gov.br/ccivil/Decreto-Lei/Del5452.htm>. Acesso em: 21 fev.

2011.

241 GUARNIERI, Bruno Marcos. Liberdade sindical: necessidade de reforma constitucional como imperativo

Ressalta-se que as confederações são entidades funcionais de grau superior, representantes de categoria profissional ou econômica, de âmbito e representação nacional. E, organizam-se a partir da união de três federações, e possuem alcance nacional, conforme preconiza o art. 535243, da CLT, “as confederações organizar-se-ão com o mínimo de três federações e terão sede na Capital da República [...]”.

O objetivo da confederação é coordenar os interesses das federações, agrupando, nacionalmente, as atividades ou profissões, ou seja, enquanto a federação coordena interesses, via de regra, regionais, a confederação o faz nacionalmente244.

Importante ressaltar que a federação e a confederação não têm legitimidade para atuar diretamente na negociação coletiva, competência originária dos sindicatos. Aquelas, todavia, exercem uma função subsidiária, segundo a qual, não havendo sindicato da categoria na base territorial, pode a federação, e, à falta desta, a confederação, figurar na negociação245. As mesmas devem ser administradas pelos seguintes órgãos: Diretoria, Conselho de Representantes e Conselho Fiscal246.

Por fim, cumpre ressaltar que as confederações são organizações sindicais de maior grau numa determinada categoria. Diferem das centrais sindicais que estão acima das categorias; as confederações, ao contrário, atuam como órgãos representativos situados no âmbito de uma categoria apenas. Há, no Brasil, confederações, tanto de trabalhadores, quanto patronais.

3.4.2 Centrais sindicais

As centrais sindicais no entendimento de Cassar247 “são orgãos classistas, que representam e coordenam classes trabalhadoras, para ajudar no diálogo político-econômico. Sendo necessário

de uma organização sindical democrática. p. 60.

242 Art. 534 - [...]; Parágrafo 3º - É permitido a qualquer federação, para o fim de lhes coordenar os interesses, agrupar os sindicatos de determinado município ou região a ela filiados, mas a união não terá direito de representação das atividades ou profissões agrupadas. Da mesma forma, as confederações coordenam os interesses das federações filiadas, fazendo o agrupamento das atividades e das profissões em nível nacional. Cf.

BRASIL. Decreto-Lei n. 5.452, de 1 de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho.

Disponível em: <http://.www.planalto.gov.br/ccivil/Decreto-Lei/Del5452.htm>. Acesso em: 21 fev. 2011.

243 BRASIL. Decreto-Lei n. 5.452, de 1 de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho.

Disponível em: <http://.www.planalto.gov.br/ccivil/Decreto-Lei/Del5452.htm>. Acesso em: 21 fev. 2011.

244 BRITO FILHO, José Cláudio Monteiro de. Direito Sindical: análise do modelo brasileiro de relações coletivas do trabalho à luz do direito comparado. p. 108.

245 BRITO FILHO, José Cláudio Monteiro de. Direito Sindical: análise do modelo brasileiro de relações coletivas do trabalho à luz do direito comparado. p. 108.

246 GUARNIERI, Bruno Marcos. Liberdade sindical: necessidade de reforma constitucional como imperativo de uma organização sindical democrática. p. 63.

247 CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do Trabalho. p. 989.

para o reconhecimento de tal entidade a filiação mínima de cem sindicatos em cinco regiões do pais.

Na lição de Nascimento248, “são chamadas também de uniões ou confederações, são as entidades que possuem maior representatividade de trabalhadores na organização sindical. São entidades de cúpula”. Situam-se, na estrutura sindical, acima das confederações, federações e sindicatos.

As centrais sindicais existem e atuam há vários anos, mas faltava um instrumento legal para o reconhecimento dessa atuação, foi o que ocorreu com a publicação da Lei n. 11.648 de 31 de março de 2008, ficando assim as centrais sindicais formalmente regularizadas como entidades gerais de representação dos trabalhadores.

De acordo, com o art. 1º249 da referida lei, “reputa-se a central sindical a entidade associativa de direito privado formada pela organização sindical dos trabalhadores”.

Acerca da situação hierárquica das centrais sindicais em relação aos sindicatos, confederação e federações, afirma Cassar250, que “a doutrina pátria não consente e entende que não há espaço para as centrais sindicais no país, diante da proibição constitucional de pluralidade sindical”.

Zangrando discorda da previsão legislativa atribuida as centrais sindicais, afirmando que:

O legislador ordinário ao posicionar as centrais sindicais em patamar superior ao das organizações sindicais, conferindo-lhes poder e legitimidade excepcionais, deveria ter lembrando da necessidadede antes modificar a Constituição Federal251.

Em contraponto, Nascimento252 assevera a constitucionalidade desta previsão legal, pois para este “[...] a Carta impõe a unicidade sindical na categoria e não acima dela (posição das centrais sindicais), isto quer dizer que, o sistema admite, segundo suas palavras, a pluralidade na cúpula e impõe a unicidade na base sindical”.

248 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Direito Sindical. p. 197.

249 Art. BRASIL. Lei n. 11.648, de 31 de março de 2008. Dispõe sobre o reconhecimento formal das centrais sindicais para os fins que especifica, altera a Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto- Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, e dá outras providências. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11648.htm>. Acesso em: 20 mar. 2011.

250 CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do Trabalho. p. 989.

251 ZANGRANDO, Carlos Henrique da Silva. Curso de Direito do Trabalho. p. 1473.

252 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Direito Sindical. p. 197.

As centrais sindicais têm mais expressão atualmente que a grande maioria dos sindicatos, participando das principais negociações coletivas. Porém, apesar da enorme amplitude, não possuem natureza sindical, não possuindo seus diretores proteção ao emprego como os dirigentes sindicais.

Assim, deu-se por encerrada a explanação feita neste capítulo e com base nas disposições doutrinárias acima referidas, passa-se, ao capítulo seguinte, sobre a análise das negociações coletivas do trabalho e sua aplicabilidade na indústria textil de Santa Catarina por meio de uma amostragem referente ao período de 2006 a 2011, tema central deste trabalho monográfico.

4 NEGOCIAÇÃO COLETIVA DO TRABALHO E SUA

APLICABILIDADE NA INDÚSTRIA TEXTIL E DE VESTUÁRIO DE SANTA CATARINA: uma amostragem referente ao período de 2006 a

2011

Como visto no capítulo anterior, o Direito Coletivo do Trabalho, tem como finalidade a regulação de interesses trabalhistas dos grupos diretamente interessados, considerando as suas particularidades, ou seja, categoria econômica, condições de trabalho, etc. Nesse contexto, a negociação coletiva tem sido considerada o melhor sistema para solucionar os problemas que, frequentemente, surgem entre o capital e o trabalho, não apenas para fixar salários e estabelecer condições laborais, mas, também, para regular todas as relações de trabalho entre empregador e empregado. O resultado destas negociações pode ser a convenção coletiva ou o acordo coletivo de trabalho.

Assim, com base neste entendimento, mister se faz assimilar, os conceitos, procedimentos e peculariedades das negociações, com o fito de asseguar a plena compreensão do tema do presente trabalho monográfico.

4.1 A NEGOCIAÇÃO COLETIVA COMO MEIO DE SOLUÇÃO DOS CONFLITOS