não apenas por instituições financeiras internacionais e empresários, mas também por dirigentes sindicais e centrais de trabalhadores.
Por derradeiro, importante ressaltar que a luta dos trabalhadores não é mais em busca de novas conquistas, mas sim do mínimo já conquistado durante todos os tempos. Assim, há necessidade de um sindicato desvinculado de partidos políticos, para que não prevaleçam interesses partidários em detrimento dos interesses da categoria.
profissionais liberais exerçam, respectivamente, a mesma atividade ou profissão ou atividades ou profissões similares ou conexas177.
Como visto, no disposto do referido artigo, no Brasil, podem existir sindicatos de empregados e de empregadores. Nesse sentido, leciona Nacimento afirmando que
[...] há sindicatos que agrupam pessoas físicas, os sindicatos de trabalhadores, mas há outros que reúnem pessoas jurídicas, os sindicatos de empregadores. Desse modo, para não afastar da definição os sindicatos patronais, é que nela se afirma que sindicato é uma forma de pessoas físicas ou jurídicas178.
Explica Gomes que se pode conceituar sindicato de modo sintético ou analítico, ou seja:
a) sinteticamente, é uma associação livre de empregados ou de empregadores ou de trabalhadores autônomos para defesa dos interesses profissionais respectivos. Enunciando, apenas, a situação profissional dos indivíduos e o fim de defesa de seus interesses é uma definição superficial;
b) analiticamente, é o agrupamento estável de várias pessoas de uma profissão, que convencionam colocar, por meio de uma organização interna, suas atividades e parte de seus recursos em comum, para assegurar a defesa e a representação da respectiva profissão, com vistas a melhorar suas condições de vida e trabalho179.
Por sua vez, Pinto afirma que:
[...] após constatar que as definições, raramente, fazem alusão ao ponto que distingue as entidades sindicais das coalizões180, isto é, o caráter permanente, define sindicato como uma associação constituída, em caráter permanente, por pessoas físicas ou jurídicas para estudo e defesa de seus interesses afins e prestação assistencial a todo o grupo, além de outras atividades complementares que o favoreçam181.
Para Delgado, sindicatos são entidades associativas permanentes, que:
[...] representam trabalhadores vinculados por laços profissionais e laborativos comuns, visando tratar de problemas coletivos das respectivas
177 BRASIL. Decreto-Lei n. 5.452, de 1 de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho.
Disponível em: <http://.www.planalto.gov.br/ccivil/Decreto-Lei/Del5452.htm>. Acesso em: 21 fev. 2011.
178 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Compêndio de Direito Sindical. p. 602.
179 GOMES, Orlando; GOTTSCHALK, Élson. Curso de Direito do Trabalho. Rio de Janeiro: Forense, 2004.
p. 547.
180 Coalizão: É uma união temporária, com um objetivo específico, que é desfeita quando atingido o objetivo ou com a desistência de atingí-lo. Cf. CUNHA, Sérgio Sérvulo da. Dicionário compacto do direito. 4. ed. ver. e atual. São Paulo: Malheiros, 2005. p. 45.
181 PINTO, José Augusto Rodrigues. Direito sindical e coletivo do trabalho. p. 119.
bases representadas, defendendo seus interesses trabalhistas e conexos, com o objetivo de lhes alcançar melhores condições de labor e vida182
O conceito elaborado por Romita183 dispõe que “todo sindicato é uma associação cuja finalidade consiste na defesa dos interesses da classe que representa, quer morais quer econômicas”.
Na lição de Barros184, sindicato pode ser entendido como sendo “associação profissional devidamente reconhecida pelo Estado como representante legal da categoria”.
3.3.2 Funções do sindicato
No entendimento de Martins185, o sindicato exerce as funções de “representação negocial, econômica e assistencial do sindicato, além de receitas financeiras”.
No entanto, segundo Zangrando186. “os sindicatos, como entidades de primeiro grau, primeiramente e mais importante das funções do sindicato é justamente de defesa dos direitos e interesses coletivos e individuais da categoria, inclusive em questões judiciais e administrativas”.
Esta função encontra-se inserida no inciso III do art. 8º187 da Constituição Federal.
Com relação a função a representativa o autor188 encontra-se inserida no art. 513189, alínea a, da CLT “representar, perante as autoridades administrativas e judiciárias os interesses gerais da respectiva categoria ou profissão liberal ou interesses individuais dos associados relativos á atividade ou profissão exercida”.
Com relação a função negocial, caracteriza-se pelo poder conferido aos sindicatos para ajustar convenções coletivas de trabalho nas quais serão fixadas regras a serem aplicáveis nos contratos individuais de trabalho dos empregados pertencentes à esfera de representação do sindicato pactuante (CLT, arts 513190, b, e art. 611191) O art. 8º192, inciso VI, da Constituição
182 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. p. 1325.
183 ROMITA, Arion Sayão. Direito Sindical brasileiro. p. 21.
184 BARROS, Alice Monteiro de. Curso de Direito do Trabalho. p. 1207.
185 MARTINS, Sergio Pinto. Fundamentos de Direito do Trabalho. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2003. p. 159.
186 ZANGRANDO, Carlos Henrique da Silva. Curso de Direito do Trabalho. p. 1483.
187 Art. 8º - [...] III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas; [...]. Cf. BRASIL. Constituição da República Federativa
do Brasil de 05 de outubro de 1988. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm>. Acesso em: 15 fev. 2011.
188 ZANGRANDO, Carlos Henrique da Silva. Curso de Direito do Trabalho. p. 1483.
189 BRASIL. Decreto-Lei n. 5.452, de 1 de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho.
Disponível em: <http://.www.planalto.gov.br/ccivil/Decreto-Lei/Del5452.htm>. Acesso em: 21 fev. 2011.
190 Art. 513 – [...] b, celebrar contratos coletivos de trabalho. Cf. BRASIL. Decreto-Lei n. 5.452, de 1 de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Disponível em:
Federal, do mesmo modo determinam a necessidade do sindicato participar das negociações coletivas quando da celebração de acordos coletivos de trabalho ou convenções coletivas de trabalho193.
A próxima função apresentada por Zangrando diz respeito a função conciliatória, através da Comissão de Conciliação Prévia criada no âmbito das empresas ou sindicatos, busca-se pacificar, pela transação os conflitos individuais do trabalho (CLT, art. 625-A194, com redação dada pela Lei n. 9.958/00); e) política, sendo essa o poder representativo dos sindicatos junto ao Estado e à sociedade195.
A última função dos sindicatos apresentada por Zangrando tem haver com a função arrecadadora, isso pois os sindicatos arrecadam diversas contribuições dos seus representantes e associados para o custeio de suas atividades (CLT, art. 578196, e CF, art. 8º, inciso IV197). Esta função consiste na imposição de contribuições a serem pagas aos sindicatos, que devem ser aprovadas pela assembléia e fixadas por lei. Portanto, são as mensalidades sindicais e descontos assistenciais, fixados nos estatutos, em convenções coletivas ou sentenças normativas. Delas resultam a receita sindical198.
<http://.www.planalto.gov.br/ccivil/Decreto-Lei/Del5452.htm>. Acesso em: 21 fev. 2011
191 Art. 611 - É facultado aos Sindicatos representativos de categorias profissionais celebrar Acordos Coletivos com uma ou mais emprêsas da correspondente categoria econômica, que estipulem condições de trabalho, aplicáveis no âmbito da emprêsa ou das acordantes respectivas relações de trabalho. Cf. BRASIL. Decreto-Lei n. 5.452, de 1 de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Disponível em:
<http://.www.planalto.gov.br/ccivil/Decreto-Lei/Del5452.htm>. Acesso em: 21 fev. 2011.
192 Art. 8º - [...]; VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho; [...]. Cf.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 05 de outubro de 1988. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm>. Acesso em: 15 fev. 2011.
193 ZANGRANDO, Carlos Henrique da Silva. Curso de Direito do Trabalho. p. 1483.
194 Art. 625-A - As empresas e os sindicatos podem instituir Comissões de Conciliação Prévia, de composição paritária, com representante dos empregados e dos empregadores, com a atribuição de tentar conciliar os conflitos individuais do trabalho. Parágrafo único. As Comissões referidas no caput deste artigo poderão ser constituídas por grupos de empresas ou ter caráter intersindical. Cf. BRASIL. Decreto-Lei n. 5.452, de 1 de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Disponível em:
<http://.www.planalto.gov.br/ccivil/Decreto-Lei/Del5452.htm>. Acesso em: 21 fev. 2011.
195 ZANGRANDO, Carlos Henrique da Silva. Curso de Direito do Trabalho. p. 1483.
196 Art. 578 - As contribuições devidas aos Sindicatos pelos que participem das categorias econômicas ou profissionais ou das profissões liberais representadas pelas referidas entidades serão, sob a denominação do
"imposto sindical", pagas, recolhidas e aplicadas na forma estabelecida neste Capítulo. Cf. BRASIL. Decreto- Lei n. 5.452, de 1 de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Disponível em:
<http://.www.planalto.gov.br/ccivil/Decreto-Lei/Del5452.htm>. Acesso em: 21 fev. 2011.
197Art. 8º [...] - IV - a assembléia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, será descontada em folha, para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva, independentemente da contribuição prevista em lei; Cf. BRASIL. Constituição da República Federativa do
Brasil de 05 de outubro de 1988. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm>. Acesso em: 15 fev. 2011.
198 ZANGRANDO, Carlos Henrique da Silva. Curso de Direito do Trabalho. p. 1483.
Mesmo com todas a funções apresentadas, Nascimento inclui ainda no rol das funções do sindicato, a função assistencial, ou seja:
[...] é a atribuição conferida pela lei ou pelos estatutos aos sindicatos para prestar serviços aos seus representados, contribuindo para o desenvolvimento integral do ser humano. Há quem sustenta ser desvirtuamento das funções principais do sindicato o alargamento dessas contribuições. A CLT determina ao sindicato diversas atividades assistenciais, como colocação (art. 513199, parágrafo único); educação e fundação de cooperativas (art. 514200, parágrafo único), saúde e lazer (art.
592201), etc202
Por fim, observou-se que existe a necessidade do sindicato estar investido dos poderes de representação e dos interesses gerais da categoria de empregados ou de empregadores, pois apenas de forma supletiva admite-se que essa representação se estenda aos interesses individuais dos seus membros.
3.3.3 Natureza jurídica do sindicato
Muito se tem discutido na doutrina acerca da natureza jurídica do sindicato. Antes de tudo pode-se afirmar que o sindicato é uma pessoa jurídica. As divergências doutrinárias surgem quando se procura situar essa personalidade jurídica do sindicato dentro dos ramos do Direito.
O ponto de discussão, neste momento, é situar o sindicato como pessoa de direito público ou privado, sendo certo que existem correntes doutrinárias sustentando tanto uma como outra posição. Segundo Pinto203 “sua natureza jurídica é de direito privado, mesmo que possua, mediatamente, atribuições de direito público, dependendo do grau que tais atribuições lhe são feitas pela ordem jurídica em questão”.
199 Art. 513 – [...] Parágrafo Único. Os sindicatos de empregados terão, outrossim, a prerrogativa de fundar e manter agências de colocação. Cf. BRASIL. Decreto-Lei n. 5.452, de 1 de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Disponível em: <http://.www.planalto.gov.br/ccivil/Decreto- Lei/Del5452.htm>. Acesso em: 21 fev. 2011.
200 Art. 514 - São deveres dos sindicatos: [...] Parágrafo único - Os sindicatos de empregados terão, outrossim, o dever de: a) promover a fundação de cooperativas de consumo e de crédito; b) fundar e manter escolas do alfabetização e pré-vocacionais. Cf. BRASIL. Decreto-Lei n. 5.452, de 1 de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Disponível em: <http://.www.planalto.gov.br/ccivil/Decreto- Lei/Del5452.htm>. Acesso em: 21 fev. 2011.
201 Art. 592 - A contribuição sindical, além das despesas vinculadas à sua arrecadação, recolhimento e controle, será aplicada pelos sindicatos, na conformidade dos respectivos estatutos, usando aos seguintes objetivos: [...].
Cf. BRASIL. Decreto-Lei n. 5.452, de 1 de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho.
Disponível em: <http://.www.planalto.gov.br/ccivil/Decreto-Lei/Del5452.htm>. Acesso em: 21 fev. 2011.
202 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de Direito do Trabalho: história e teoria geral do trabalho:
relações individuais e coletivas de trabalho. p. 1044.
203 PINTO, Raymundo Antonio Carneiro. Enunciados do TST comentados. p. 230.
O sindicato é uma pessoa jurídica, sujeito de direitos e deveres, quanto a isto não resta dúvidas, como bem preceitua Nascimento204, visto que “o sindicato tem atribuições legais em decorrência das quais age como pessoa jurídica, inclusive com o direito de estar em juízo”. Nesse sentido, o entendimento da doutrina predominante, afirma que o sindicato é pessoa de direito privado.
O próprio autor205, cita como adeptos desta corrente: Russomano, Catharino, Waldemar Ferreira, Segadas Vianna, Délio Maranhão, Orlando Gomes e Elson Gottschalk. Defendendo posição oposta, cita Cotrim Neto. Portanto, para esta corrente, o sindicato é ente de direito privado, pois é criado em razão do interesse de um grupo de pessoas (trabalhadores ou empresários) com o objetivo de defender seus interesses.
A Constituição Federal em seu art. 8°206, inciso I, afirma que “a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão competente, vedadas ao Poder Público a ‘interferência e a intervenção’ na organização sindical”. A partir do momento em que o próprio inciso não admite a interferência ou intervenção Estatal, é possível afirmar que o sindicato é uma associação civil de natureza privada, autônoma e coletiva. Ora, as normas coletivas têm natureza privada; a associação é uma forma de exercício de direitos privados.
Afirma Nascimento que:
[...] em geral, o sindicato tem natureza de pessoa jurídica de direito público nos regimes totalitários, em que há controle do Estado sobre as associações sindicais, pois são criadas pelo Estado e defendem os interesses deste:
a) pela teoria do fim, o sindicato será de interesse público se destinado a cumprir interesses peculiares do Estado;
b) pela teoria da funcionalidade, leva-se em conta a atividade da pessoa, ou seja, se toda ela estiver controlada pelo Estado, inafastável a natureza pública da instituição; e
c) a teoria eclética combina caracteres das duas anteriores (vigilância e controle do Estado; atingimento de fins políticos etc) 207.
204 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Direito Sindical. p. 157.
205 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Direito Sindical. p. 157.
206 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 05 de outubro de 1988. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm>. Acesso em: 15 fev. 2011.
207 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Direito Sindical. p. 157.
Para Russomano, a natureza jurídica dos sindicatos não se enquadra nas duas doutrinas vigentes, ou seja:
[...] considerando-o pessoa sui generis, ou seja, nem pessoa de direito público nem de direito privado, admitindo uma terceira classificação, qual seja a de que o sindicato é pessoa de direito privado que exerce atribuições de interesse público, em maior ou menor amplitude, consoante a estrutura política do país e segundo o papel, mais ou menos saliente, que lhe seja atribuído208.
Como visto, por meio de todo o exposto, alguns doutrinadores defendem a tese do sindicato ser uma associação de direito público, outros de direito privado, há alguns até que defendem a tese do sindicato ser de natureza mista como Russomano.
Portanto, entende-se ser o sindicato personalidade jurídica de direito privado, isto porque, sendo o sindicato criado pela livre vontade de pessoas físicas ou jurídicas, que se unem para defesa de seus interesses, não há que se falar em intervenção de terceiros ou até mesmo do Estado no seu funcionamento e gestão, por isso e com base, também, no princípio da liberdade sindical, os sindicatos podem ser enquadrados como pessoas jurídicas de direito privado. É com relação a esta liberdade que os trabalhadores tem de se organizarem livremente, que será analisado apresentado o item seguinte.
3.3.4 Liberdade sindical
Liberdade sindical consiste no direito dos trabalhadores e empregadores de se organizarem e constituírem livremente seus sindicatos, sem qualquer interferência do Estado.
Também se inclui aqui, ou seja, como liberdade sindical, o direito de ingressar ou de se retirar dos sindicatos. Utilizando-se da lição de Martins:
Liberdade sindical é o direito de os trabalhadores e empregadores se organizarem e constituírem livremente as agremiações que desejarem, no número por eles idealizado, sem que sofram qualquer interferência ou intervenção do Estado, nem uns em relação aos outros, visando à promoção de seus interesses ou dos grupos que irão representar. Essa liberdade sindical também compreende o direito de ingressar e retirar-se dos sindicatos. A liberdade sindical significa, pois, o direito de os trabalhadores e os empregadores se associarem, livremente, a um sindicato […]209.
208 RUSSOMANO, Mozart Victor. Princípios gerais de direito sindical. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000.
p. 55.
209 MARTINS, Sergio Pinto. Direito do Trabalho. p. 682.
Ainda, como ensina Monteiro a liberdade sindical poderá ser focalizada sob vários prismas:
[...] a) como o direito de constituir sindicatos; b) como o direito de o sindicato autodeterminar-se; c) como a liberdade de filiação ou não a sindicato e como c) a liberdade de organizar mais de um sindicato da mesma categoria econômica ou profissional dentro da mesma base territorial210. Nascimento, define “liberdade sindical, simplesmente como liberdade de associação”.
Porém, antes leciona que a liberdade sindical:
Significa o método epistemológico, de caráter didático, expositivo, do direito sindical e seus institutos. Pela forma conceitual, procura-se determinar o conteúdo da liberdade sindical e suas manifestações, bem como as garantias que devem ser estabelecidas para que, sem limitações que resultem em sua aniquilação, os sindicatos possam cumprir os seus objetivos maiores211. No entendimento de Barros, a liberdade sindical constitui:
[...] o alicerce sobre o qual se constrói o edifício das relações coletivas de trabalho com características próprias, ela se sobrepõe ao indivíduo isolado e implica em restrições à liberdade individual, quando submete esse homem isolado à deliberação do homem-massa que é a assembléia212.
Segundo Siqueira Neto213, para que haja liberdade sindical efetiva, “é necessário a existência de um ordenamento jurídico que viabilize o exercício dessa liberdade sem qualquer tipo de restrição, seja em relação à negociação coletiva e também em relação ao direito de greve”.
Neste modelo, prevalece o princípio da liberdade sindical. Sendo assim, trabalhadores e empregadores, principalmente os primeiros, não encontrarão nenhuma restrição por parte do Estado no que tange à sindicalização. Poderão livremente se filiarem à entidade sindical que melhor lhes parecer. Não há amarras legais, como a unicidade sindical e a sindicalização por categoria. O Estado, também, não intervêm na organização interna dessas entidades. Assim, seus membros gozam de total liberdade para o exercício do direito de sindicalização, claro, desde que esteja de acordo com o ordenamento jurídico e os interesses da coletividade. Não deve haver, portanto, abuso de direito.
210 BARROS, Alice Monteiro de. Curso de Direito do Trabalho. p. 1231.
211 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Direito Sindical. p. 115.
212 BARROS, Alice Monteiro de. Curso de Direito do Trabalho. p. 1157.
213 SIQUEIRA NETO, José Francisco. Liberdade sindical e representação dos trabalhadores nos locais de trabalho. São Paulo: LTr, 1999. p. 81.
Segundo Brito Filho, a definição de liberdade sindical pode ser entendida como sendo:
[...] o direito de trabalhadores (em sentido genérico) e empregadores de constituir as organizações sindicais que reputarem convenientes, na forma que desejarem, ditando suas regras de funcionamento e ações que devam ser empreendidas, podendo nelas ingressar ou não, permanecendo enquanto for sua vontade214.
No entender de Russomano215 o instituto da liberdade sindical deve ser vista como uma figura triangular. Pois, para ele “é inadmissível haver liberdade sindical sem sindicalização livre, autonomia e pluralidades sindicais”.
Nesse contexto, o autor216 afirma que “não se pode falar em liberdade sindical absoluta sem se admitir que exista, em determinado sistema jurídico, sindicalização livre, autonomia sindical e em nosso juízo pluralidade sindical”.
Para Brito Filho217, a liberdade sindical deve ser dividida também, sob dois prismas: o individual e o coletivo. O primeiro englobaria as liberdades individuais de filiação, e não filiação e desfiliação e o segundo, das liberdades de associação, de organização, de administração e de exercício das funções.
3.3.5 Autonomia sindical
Sobre a autonomia sindical toma-se a lição de Barros afirmando que “é, portanto, o direito que têm os sindicatos de autodeterminação, de governar-se”. Pode-se dizer que é uma espécie da liberdade sindical, sendo consagrada na Convenção Internacional n. 87 da Organização Internacional do Trabalho - OIT, que conceitua como o direito de o sindicato elaborar seus estatutos e regulamentos administrativos, de eleger livremente seus representantes, de organizar sua gestão e sua atividade e de formular seu programa de ação218.
É a possibilidade de atuação do grupo organizado em sindicato, ao contrário de uma atuação individual realizada entre seus membros. Pelo Direito brasileiro, a autonomia sindical é restrita por categoria.
214 BRITO FILHO, José Cláudio Monteiro de. Direito Sindical: análise do modelo brasileiro de relações coletivas do trabalho à luz do direito comparado. p. 85.
215 RUSSOMANO, Mozart Victor. Princípios gerais de direito sindical. p. 52-53.
216 RUSSOMANO, Mozart Victor. Princípios gerais de direito sindical. p. 52-53.
217 BRITO FILHO, José Cláudio Monteiro de. Direito Sindical: análise do modelo brasileiro de relações coletivas do trabalho à luz do direito comparado. p. 85.
218 BARROS, Alice Monteiro de. Curso de Direito do Trabalho. p. 1167.
Pode-se dizer que autonomia é liberdade potencializada, é poder ser livre. Nesse contexto, toma-se os ensinamentos de Arouca, afirmando que a autonomia, num primeiro momento tem a ver com “a liberdade frente ao Estado, mas aí, não como poder concorrente e sim como direito de não se subordinar a seu comando, ficando a salvo, pois de qualquer ingerência em sua administração ou intervenção capaz de comprometer suas atividades219”.
A Constituição Federal em seu art. 8º220, inciso I, pondera que “a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical”. Nesse sentido, a leitura do referido inciso revela a adoção, pela Carta Magna, do princípio da autonomia sindical, como destaca Delgado:
Tal princípio sustenta a garantia de autogestão às organizações associativas e sindicais dos trabalhadores, sem interferências empresariais ou do Estado.
Ele se trata, portanto, da livre estruturação interna do sindicato, sua livre atuação externa, sua sustentação econômico-financeira e sua desvinculação de controles administrativos estatais ou em face do empregador221.
A autonomia sindical e mesmo a liberdade sindical dependem, necessariamente, do prestígio da autonomia coletiva de vontades que de fato democratiza as relações de trabalho e dá efetividade às negociações coletivas de trabalho222.
3.3.6 Unicidade e pluralidade sindical
No Brasil não há plena liberdade sindical, já que a Constituição Federal manteve a mesma linha das Constituições anteriores, restringindo alguns direitos, como unicidade sindical; base territorial mínima; sindicalização por categoria e sistema confederativo nas organizações sindicais. Porém, estas restrições não implicam em perda de direitos, já que leis servem para disciplinar, impondo uma ordem necessária, a fim de resguardar direitos fundamentais223.
Como visto, embora haja a aludida liberdade sindical, a própria Constituição Federal delimitou alguns parâmetros de regulamentação, como o princípio de unicidade sindical, estatuído no art. 8º, inciso II, in verbis: “é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representativa de categoria profissional ou econômica, na mesma ‘base territorial’,
219 AROUCA, José Carlos. Repensando o Sindicato. p. 67.
220 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 05 de outubro de 1988. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm>. Acesso em: 15 fev. 2011.
221 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. p. 47.
222 AROUCA, José Carlos. Repensando o Sindicato. p. 82.
223 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Direito Sindical. p. 221.