• Nenhum resultado encontrado

ENTREVISTAS COM AS CERTIFICADORAS

A pergunta 1 pretende identificar na certificadora o tipo de profissional que é responsável pela aplicação do RAC nas empresas. A certificadora A informou que seleciona profissionais da área de alimentos com formação em engenharia de alimentos, engenharia química, biologia e em segurança de alimentos. A certificadora B mencionou que trabalha com dois profissionais na aplicação do RAC, um que verifica os aspectos formais do RAC e o outro um agrônomo e/ou engenheiro de alimentos.

A pergunta nº 2 trata da capacitação que as certificadoras recebem para aplicação do RAC nas empresas. A certificadora A relatou que interpreta o RAC para sua aplicação na empresa e o profissional da certificadora que vai na empresa recebe orientação com base nesta interpretação. A certificadora B mencionou também que interpreta o RAC e complementou que para as certificações voluntárias o Inmetro não realiza treinamentos no RAC. A certificadora B mencionou que o regulamento contém informações de caráter geral que

10 O detalhamento deste roteiro de entrevistas encontra-se no Anexo B

devem ser interpretadas para facilitar a sua aplicação, citando como exemplo que o RAC exige que as empresas estejam em dia com as suas obrigações ambientais. A certificadora é a responsável também por buscar estas informações com os órgãos competentes.

A pergunta nº 3 caracteriza as empresas do segmento de cachaça que obtiveram a certificação do seu produto e as suas diferenças em relação a outros segmentos avaliados . A certificadora A observou que a empresa avaliada por elas é de pequeno porte e só avaliou, até o momento, um produtor de cachaça. Segundo a certificadora A, esta empresa não tinha um sistema de gestão da qualidade implementado e o processo de adequação ao regulamento foi demorado.

A certificadora A informou também que o segmento de cachaça é pulverizado e tem dificuldades para se adequar ao RAC. Segundo esta certificadora, em evento de agronegócios realizado no interior de São Paulo, com a colaboração do Sebrae, verificou-se que das 50 empresas de cachaça participantes somente duas ou três tinham condições de serem certificadas. A certificadora A complementou que muitas destas empresas não atendem à legislação básica para sua criação formal (legalização), sendo assim não atendem aos pré- requisitos básicos para conseguir a certificação do produto.

A certificadora B mencionou que as empresas de cachaça avaliadas por ela são de micro e pequeno porte e informou que os proprietários destas empresas são donos de outras empresas nas áreas de construção civil, publicidade, etc. Sendo assim, estes proprietários consideram a empresa de cachaça com uma atividade secundária, ou seja quase um “hobby”.

Segundo a certificadora B, estas empresas cumpriram as exigências do RAC com uma certa facilidade, pois trabalham com agrônomos e químicos que fazem a análise de solo e da água. Algumas das empresas avaliadas tiveram o requinte de contratar consultoria de uma universidade pública para verificar os tipos de cana que se adaptam aos tipos de solo. Uma das empresas contratou um químico que está fazendo doutorado com especialidade em cachaça para ser o responsável pelo alambique. A certificadora B mencionou também que todas as empresas avaliadas têm acesso à internet e muitas delas incentivam os seus empregados a cursarem uma universidade. As empresas avaliadas no decorrer das suas entrevistas assinalaram também as mesmas informações relatadas acima pelas certificadoras.

A pergunta 4 investiga se as certificadoras têm necessidades de informação adicional do Inmetro ou de outras instituições para completar o processo de aplicação do RAC. A certificadora A relatou que, em auditoria inicial nas empresas, sentiu necessidade de informações sobre o selo de conformidade do Inmetro, ou seja mais informações relacionadas à sua confecção e à qualificação da gráfica. A certificadora A mencionou também a dificuldade de identificar laboratórios que realizassem o ensaio do carbamato de etila. Para resolver esta questão, a certificadora A recorreu ao Inmetro e localizou esta informação na base de dados de laboratórios acreditados que se encontra no site do Inmetro.

A certificadora A informou que o laboratório acreditado para o ensaio do carbamato de etila encontra-se no Estado de Pernambuco. Esta certificadora fez também contatos com laboratórios de São Paulo para verificar o interesse destes em integrar a Rede Brasileira de Laboratórios de Ensaios Acreditados pelo Inmetro. Segundo a certificadora A a preocupação principal destes laboratórios foi em relação à demanda por este serviço, já que micro e pequenas empresas nem sempre podem arcar com estes custos.

A certificadora B necessitou de informação pertinente à regulamentação e legislação ambiental que diferem de Estado para Estado, e também à legislação referente ao Ministério da Agricultura (onde o produto é registrado) e ao Ministério da Saúde, onde o regulamento exige padrões de potabilidade para a água utilizada na fabricação da cachaça. A certificadora informou que busca estas informações nos sites dos Ministérios mencionados, pois o Inmetro não detalha informações que não são da sua competência. Sendo assim, seguem estas informações categorizadas abaixo:

Tabela 11 - Necessidades de informações das certificadoras Necessidades de informação Tipo da informação

Selo da conformidade do Inmetro Informação técnica e organizacional Laboratórios acreditados Informação técnica e organizacional Legislação e regulamentação de órgãos

regulamentadores

Informação técnica e organizacional

Fonte: Elaboração própria

A pergunta 5 indaga sobre as fontes de informação institucionalizadas e não institucionalizadas utilizadas hoje para acesso a estas informações. A certificadora A informou que consultou os laboratórios, inclusive os laboratórios em São Paulo qualificados pelo Ministério da Agricultura, como também os laboratórios acreditados pelo Inmetro que realizam alguns ensaios solicitados pelo RAC. Outras fontes mencionadas foram as associações, Sebrae, uma especialista em alimentos que presta serviço para a certificadora e trabalha na Universidade Estadual do Estado de São Paulo, o site do Inmetro que contém informações sobre o selo de conformidade do Inmetro e por fim os técnicos da própria certificadora que trabalham com outros segmentos de produtos (troca de informações internas).

A certificadora B obteve as suas informações através de fontes não institucionalizadas como contatos pessoais, por telefone e email com órgãos reguladores, e também internet. As fontes institucionalizadas contatadas por esta certificadora foram os laboratórios de ensaios contatados através da Coordenação Geral de Acreditação (CGCRE) e a Divisão de Programas de Avaliação da Conformidade ( DIPAC) do Inmetro.

A pergunta nº 6 investiga as principais dificuldades no acesso às informações pelas certificadoras para facilitar a aplicação do RAC. A certificadora A informou que, quando identificou a sua necessidade de informação, a solução para esta questão chegou rápido.

Esta certificadora mencionou as mesmas informações já observadas na pergunta 4 (Anexo B) que trata da identificação do laboratório acreditado para análise do carbamato de etila e também do seu contato com outros laboratórios para motivá-los a participar da Rede de Laboratórios Acreditados do Inmetro. A certificadora B informou que a sua maior dificuldade é encontrar as pessoas certas para prestar informações (o know who), e complementou que as respostas para os seus problemas de informação às vezes demoram a chegar.

A pergunta 7 trata das informações que poderiam ser incorporadas ao RAC para facilitar o seu uso. A certificadora A informou que as informações sobre a operacionalização do selo do Inmetro talvez pudessem ser melhor esclarecidos no RAC.

A certificadora B não vê necessidade de incorporar novas informações no RAC e esclareceu que o regulamento é de caráter geral, citando como exemplo as especificidades regionais que

atendem a um Estado e não a outro, como no caso da legislação ambiental. A certificadora lembrou também da questão referente à regulamentação de outros Ministérios que é mencionada no RAC de uma forma geral, ou seja, sem indicar número e ano do ato legal relacionado, até porque a gestão destas informações não é da competência do Inmetro.

A pergunta nº 8 indaga sobre as dificuldades das empresas avaliadas no acesso às informações quando da adequação ao RAC. A certificadora A informou que a empresa avaliada teve dificuldades na elaboração dos registros para o controle dos processos e manutenção deste registros. Segundo esta certificadora os empregados precisavam de informações sobre os requisitos documentais e careciam da presença do técnico responsável pela produção para ajudá-los na emissão e controle destes registros. Esta atividade proporcionou uma maior interação entre o dono do alambique, o técnico responsável e os empregados. A certificadora A informou que capacitações anteriores na ISO 9001:2000 podem colaborar na elaboração destes registros pelas empresas avaliadas. A certificadora B informou a mesma questão mencionada pela certificadora A .

A pergunta nº 9 trata da geração da inovação na empresa avaliada quando da obtenção da certificação do seu produto. A certificadora A relatou que a certificação propiciou para a empresa a introdução de novos conceitos de qualidade, evidenciados através dos registros dos processos de produção do produto. Outras questões mencionadas por esta certificadora se relacionam com os requisitos apresentados no RAC de responsabilidade social, meio ambiente e segurança. Para a certificadora A, a rastreabilidade é outro ponto que agrega valor ao produto, pois para o mercado a rastreabilidade produz transparência e para o produtor controle sobre o seu processo produtivo. A certificadora B destacou os aspectos já mencionados pela certificadora A, como também outros relacionados as condições de higienização e limpeza no local de moagem da cana, na etapa da destilação, no armazenamento e no envase do produto.

A pergunta 10 indaga sobre as inovações ocorridas na certificadora com a adesão ao programa de certificação de cachaça . A certificadora A observou que esta certificação resultou em inovação por ser a primeira experiência desta certificadora no setor de alimentos e bebidas. Esta certificadora complementou que já trabalhava com a certificação de produtos mas em outros segmentos e observou que na área de alimentos e bebidas pode

haver uma tendência de longo prazo em unificar a certificação ISO 9001:2000 com a certificação de produtos. A certificadora B mencionou que sentiu uma grande necessidade de conhecimento, de mais qualificação nesta área.

A pergunta 11 trata das estratégias de divulgação das certificadoras para alcançar outras empresas que não foram atingidas pelo Programa de Avaliação da Conformidade. A certificadora A mencionou que tem gerentes de negócios pulverizados pelo Brasil e gerentes de produtos que procuram identificar ações que sensibilizem as empresas para a importância da obtenção da certificação da cachaça. Estes mini eventos, como chamados pela certificadora, têm a participação atuante do Sebrae e o seu objetivo é divulgar o processo de certificação para as empresas. A certificadora informou também que utiliza outros veículos para divulgação, como o site da certificadora, folders e periódicos técnicos selecionados por ela.

A certificadora B citou alguns parceiros do Inmetro que atuam no segmento de cachaça, como o Sebrae, associações e sindicatos do segmentos de alimentos e bebidas, além de um contato com o Instituto Nacional de Tecnologia (INT) que está elaborando um trabalho de cachaça no Estado do Rio de Janeiro. Todas estas instituições colaboram direta ou indiretamente na divulgação do programa de avaliação da conformidade da cachaça.

A certificadora B prestou alguns esclarecimentos adicionais sobre as principais dificuldades encontradas pela empresa para não participarem do programa de avaliação da conformidade da cachaça. Esta certificadora informou que o principal motivo se deve às dificuldades destas empresas em obter a rastreabilidade do seu produto, ou seja as empresas precisam identificar a partir de um litro de cachaça qual a região onde esta cana foi plantada e colhida, e o seu grande problema nesta questão é que muitas empresas de grande porte compram a sua matéria prima (cana-de-acúcar) de vários fornecedores, impossibilitando esta identificação. Como exemplo citou as cachaças industrializadas da empresa 51, em que este produto é comprado de muitos fornecedores e eventualmente de cooperativas que têm mais de duzentos associados.

Análise das informações prestadas pelas certificadoras

Analisando as questões levantadas pelas certificadoras, posso observar que as suas necessidades de informação estão relacionadas às questões de caráter técnico e organizacional, como a adoção do selo de conformidade do Inmetro, busca de legislações referentes a outros Ministérios e identificação dos laboratórios acreditados para o ensaio do carbamato de etila. É importante ressaltar que as certificadoras interpretam o RAC antes da sua aplicação nas empresas, e este processo faz parte da capacitação/treinamento destas no programa de avaliação da conformidade da cachaça.

As certificadoras observaram que esse programa traz benefícios e inovações para as empresas, desde a introdução de conceitos de qualidade e de rastreabilidade do produto, até as condições de higienização e limpeza previstas pelo RAC nas etapas de produção e engarrafamento do produto. O RAC determina a elaboração do registro para controle dos processos produtivos das empresas, o que contribui para identificar a rastreabilidade do produto. Esta informação foi mencionada tanto pelas certificadoras como pelas empresas e implicou em alterações e formalização nos métodos de trabalho das empresas.

Neste sentido, verifico que as inovações ocorridas nas empresas avaliadas, com base nas informações prestadas pelas certificadoras e empresas apresentam aspectos técnicos e também aspectos voltados para o ambiente organizacional.

A elaboração de registros para o controle dos processos de produção também foi considerado pelas certificadoras a maior dificuldade das empresas para a sua adequação ao RAC, e para atender esta questão os seus empregados foram capacitados em requisitos documentais.

Esta capacitação não foi mencionada pelas empresas, com exceção da empresa A que citou a orientação que prestou para o alambiqueiro na elaboração destes registros.

Dentre as fontes de informação institucionalizadas mais utilizadas pelas certificadoras para acesso às informações destaco os laboratórios, profissionais do Inmetro e Sebrae. Com relação às fontes não institucionalizadas menciono as associações e acesso à Internet.

As certificadoras informaram que têm estratégias de divulgação para o programa de avaliação da conformidade da cachaça e para isto contam com a colaboração do Sebrae, como também de outras instituições como associações e sindicatos do segmento.

Para finalizar verifico que as necessidades e dificuldades de acessso às informações das certificadoras poderão colaborar para o processo de elaboração da regulamentação de avaliação da conformidade através do aperfeiçoamento ou da identificação de novos produtos de informação que possam ser disponibilizados em base de dados ou no ambiente da

"web", ou da incorporação desta informação no RAC.

Documentos relacionados