A pergunta 1 do roteiro de entrevista indaga sobre o perfil da empresa entrevistada (nº de empregados, nível de instrução, principal mercado, data da criação, fazem parte de um grupo).
8 O detalhamento deste roteiro de entrevistas encontra-se no Anexo A
Com base nessas informações e segundo os critérios para a classificação do porte da empresa estabelecidos pelo IBGE (2001), as empresas são de micro e pequeno porte, sendo que o número de empregados varia entre 8 a 30 funcionários. A empresa C apresenta o maior número de empregados que são 30 ao longo do ano. Na entre-safra, as empresas A, B e D operam com número reduzido de empregados (1 a 5). De modo geral, o nível de instrução dos empregados é o ensino fundamental. A empresa A é a mais antiga, tendo sido criada em 1985. As empresas B, C e D foram criadas nos anos de 2000 a 2003. O principal mercado dessas empresas é Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro. As empresas A, B e D não exportam, somente a empresa C pretende exportar em breve. As empresas A e C fazem parte de um grupo de empresas.
Sendo assim, posso observar que estas empresas têm perfis similares relacionados ao porte, número de funcionários e mercado, com exceção da empresa C que tem um maior número de empregados e que foi criada já pensando em exportar o seu produto, até porque um dos proprietários reside nos Estados Unidos, o que pode ser considerado um elemento facilitador.
A pergunta nº 2 indaga sobre como as empresas souberam que poderiam obter a avaliação da conformidade do seu produto e quanto tempo demoraram para obter esta certificação. As empresas A, C e D tomaram conhecimento do processo de certificação da cachaça através das feiras, seminários e exposições do segmento, promovidos pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). Estes eventos freqüentemente apresentam experiências de outros produtores que aderiram ao processo de certificação da cachaça, como também experiências de outros segmentos. Já a empresa B declarou ter obtido esta informação através de seus contatos pessoais.
A certificação do produto pelo Inmetro é vista pelas empresas como algo que agrega valor e propicia a maior qualidade do produto, estimulando sua competitividade e facilitando seu acesso ao mercado externo. A empresa D informou que buscou a certificação para aumentar as vendas e conseqüentemente gerar mais receita.
Com relação ao tempo gasto pelas empresas para obtenção da certificação do seu produto, este variou de 3 meses a 1 ano. Neste período as empresas tiveram que se adequar às especificações de conformidade estabelecidas no RAC. A empresa B conseguiu a certificação
no prazo de um ano e as empresas A e C no período de 6 seis meses. A empresa D foi a que conseguiu a certificação no prazo menor, ou seja 3 meses. Esta empresa informou que a sua experiência na implantação da norma ISO 9001:20009 em outra empresa de sua propriedade pode ter colaborado para a agilização deste processo.
A pergunta n º 3 da pesquisa aborda as necessidades de informação das empresa no processo de aplicação do RAC. A empresa A inicialmente mencionou que não teve necessidades de informação, depois citou a exigência do RAC no registro para o controle dos seus processos de produção e as pequenas mudanças que fez na estrutura física da sua empresa. A empresa B inicialmente teve dificuldades em identificar as suas necessidades de informação e depois lembrou da exigência do Inmetro na certificação (calibração) de sacarímetro e outros equipamentos quando do processo de adequação ao RAC. A empresa B citou também a questão do carbamato de etila (produto cancerígeno), considerada por ela um assunto novo e que necessitou de pesquisa. Essa empresa informou que precisou recorrer aos laboratórios que realizam ensaios técnicos uma ou mais vezes para tirar dúvidas sobre o carbamato de etila, e não conseguiu identificar um laboratório em Minas que fizesse este ensaio. A empresa B observou também que obteve a técnica de tirar o carbamato de etila, com outro produtor de cachaça. Sendo assim, a empresa B sugeriu que este assunto seja considerado pelo Inmetro uma observação e não uma falta grave, até que tenhamos laboratórios suficientes para fazer este controle.
Outro ponto mencionado pela empresa B está relacionado à licença ambiental, que é uma exigência do RAC e depende de outros órgãos para sua emissão. Esta empresa informou que foi certificada somente com o protocolo de entrada na Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais (FEAM), só que este processo é demorado, pois a FEAM faz muitas exigências, entre elas a escritura e o registro das terras, etc. Sendo assim, a empresa B esclareceu que a licença ambiental pode ser uma questão impeditiva para muitos produtores de cachaça em zona rural, pois muitos deles estão sem a escritura definitiva e sem o registro das terras (como exemplo dessa precariedade citou escrituras antiquíssimas que às vezes estão em papel de pão e registros feitos de forma errada, por hectare).
9 International Organization for Standardization. NBR ISO 9001:2000: requisitos para o sistema de gestão da qualidade.
[S.l.], 2000.
A empresa C mencionou que uma necessidade de informação se refere ao valor gasto com a certificação do produto. Essa empresa recomendou como relevante uma maior divulgação (marketing) sobre a atividade de certificação, ou seja, sobre o que é a certificação, não apenas as suas exigências, mas os caminhos que as pequenas e médias empresas devem seguir para obtê- la.
A empresa D informou que não teve necessidades de informação, devido aos seus conhecimentos na norma ISO 9001: 2000. A empresa D relatou que as suas não conformidades foram fáceis de resolver, como por exemplo empregados que não estavam utilizando os equipamentos de proteção individuais (EPI). A empresa D ressaltou também que o Inmetro precisa divulgar mais sobre o programa de certificação, ou seja divulgar para o consumidor que existem cachaças certificadas, para que este consumidor possa ser capaz de reconhecer um produto de qualidade com selo de conformidade do Inmetro. A empresa D referiu-se também à padronização dos selos do Inmetro, que devem ser de tamanhos diferentes para atender aos vários tamanhos de garrafas . Segundo a empresa, esta questão foi levada ao Inmetro e já foi solucionada. Para finalizar esta empresa sugere a acreditação de laboratórios de ensaio de carbamato de etila em Minas Gerais e menciona que independente da exigência do Inmetro já fazia controles periódicos em um laboratório de Minas Gerais.
Sendo assim, posso perceber que as necessidades de informação mencionadas pelas empresas apresentam aspectos técnicos e organizacionais, como também necessidades de divulgação para as micro empresas e o consumidor, conforme apresentado na tabela abaixo:
Tabela 2 - Necessidades de informações da empresa Necessidades de informação Tipo da Informação
Sacarimetro Técnica
Carbamato de etila Técnica
Licença ambiental Técnica
Laboratório acreditado para o ensaio do carbamato de etila
Técnica e organizacional
Valor gasto com a certificação Organizacional
Registro para o controle do processo do produto em avaliação
Organizacional
Utilização do selo da conformidade do Inmetro
Técnica e organizacional
Divulgação e orientações para as micro e pequenas empresas sobre a
certificação de cachaça
Técnica, organizacional e de sensibilização
Divulgação para o consumidor sobre a importância da certificação da
cachaça
Técnica, organizacional e de sensibilização
Fonte: Elaboração própria
Verifico então que as necessidades de informação às vezes diferem de empresa para empresa, em função de suas diferentes realidades, trajetórias e competências internas.
A pergunta 4 trata das principais dificuldades encontradas pela empresa, para adequação ao RAC e também da necessidade de treinamento/capacitação dos seus empregados para essa adequação. A empresa A informou que não teve dificuldades para se adequar ao RAC.
Observou que as não conformidades apresentadas quando do processo de aplicação da regra
foram fáceis de implementar, como por exemplo o registro para controle dos seus processos de produção e pequenas modificações na estrutura física da fazenda. Com relação à necessidade de capacitação/treinamento de funcionários, esta empresa orientou o alambiqueiro no registro para controle dos processos de produção.
A empresa B mencionou que não teve dificuldades na adequação ao RAC, fazendo menção ao registro dos processos de produção que geram necessidades de elaboração de planilhas e tabelas para controle da informação. Observou que os cortadores de cana estão com os procedimentos documentados e não foi necessário aplicar treinamento/capacitação nos seus empregados.
A empresa C fez menção ao registro dos seus processos de produção e informou que aprendeu bastante com esta técnica de registro e controle da informação. Observou que esta atividade propiciou a formalização de outros processos não exigidos pelo RAC.
A empresa D informou que não teve dificuldades na adequação ao RAC e voltou a mencionar o que respondeu na pergunta nº 3, acrescentando que independentemente da adequação ao RAC sempre conscientizou os seus empregados para a importância da utilização dos equipamentos de segurança individual (EPIs), e continua dando este alerta, na tentativa de gerar uma mudança de cultura nos seus empregados.
Dentre as dificuldades apresentadas para adequação ao RAC, o registro para o controle do processo foi o mais mencionado tanto pela empresa A, como B e C. A empresa D foi a única que não mencionou esta situação, provavelmente devido à sua experiência anterior na norma ISO 9001:2000.
No que se refere à capacitação dos empregados para adequação ao RAC notei que praticamente não houve capacitação/treinamento. A empresa A foi a única que mencionou que orientou o alambiqueiro para efetuar os registros dos processos internos solicitados pelo RAC. A empresa C através da sua capacidade de assimilação e aprendizagem foi capaz de reconstruir o conhecimento adquirido com a atividade de registro dos processos e identificar outros que, embora não exigidos pelo RAC, poderiam ser melhor controlados e acompanhados se documentados.
A pergunta 5 indaga sobre as fontes de informação institucionalizadas e não institucionalizadas utilizadas para acesso as informações no processo de adequação ao RAC.
Considerei fontes institucionalizadas os atores que participam formalmente do programa de avaliação da conformidade da cachaça, seja avaliando a conformidade do produto, realizando ensaios técnicos neste produto, ou divulgando informações sobre o programa. As fontes não institucionalizadas não mantêm vínculos formais com o programa da cachaça do Inmetro, mas colaboram com informações e conhecimentos para viabilizar a adequação ao RAC pelas empresas. A empresa A citou a certificadora como a principal fonte, contatada por telefone e email . Esta empresa também esclareceu que, antes de iniciar o processo de certificação, buscou informações com o Sebrae, sindicatos dos produtores de bebidas e site do Inmetro.
Para a empresa B, a certificadora atuou como fonte de informação neste processo, como também os laboratórios e outros produtores de cachaça. A empresa C utilizou também a certificadora como fonte de informação contatada por telefone e email. Esta empresa esclareceu que, antes de iniciar o processo de certificação, se comunicou com o Instituto de Pesos e Medidas ( IPEM) do Estado de Minas Gerais, que a encaminhou para a certificadora.
As informações sobre o carbamato de etila foram pesquisadas e localizadas na Internet. A empresa D utilizou a certificadora como fonte de informação para adequação ao RAC, como também o seu próprio conhecimento no assunto.
Sendo assim, posso concluir que as empresas obtêm informações de diferentes fontes de informação e a certificadora aparece como a principal fonte institucionalizada para acesso às informações, seguida pelos laboratórios. Outros produtores de cachaça e o acesso à internet atuam como fontes não institucionalizadas na busca de informações pelas empresas.
Neste sentido, menciono Choo (2003) citado no marco teórico desta pesquisa, informando que um grande número de critérios podem influenciar na seleção e uso das fontes de informação. Nesta dissertação as empresas avaliadas utilizaram as fontes que atuam direta e indiretamente no processo de certificação do produto, dando preferência às fontes localmente acessíveis.
A pergunta 6 investiga quem na empresa se encarrega de buscar informações. A Empresa A respondeu que o gerente do alambique é que busca as informações e destacou a interação com o sindicato de produtores de bebidas para a troca de informações.
A empresa B informou que não existe uma pessoa específica para buscar a informação.
Segundo esta empresa, se a informação é sobre química recorrem ao químico responsável pelo alambique, se a informação é organizacional a recorrem ao administrador e as informações sobre a produção da cachaça são respondidas pelo técnico responsável pela produção.
A empresa C atua na busca da informação com dois consultores de mercado, um consultor administrativo, diretores da empresa e o departamento de marketing que colabora neste processo. A empresa D informou que para a busca de informação na área comercial atua com dois empregados e na parte de produção é o proprietário/administrador que responde. Esta empresa finalizou informando que, por ser uma microempresa, todos os três empregados mencionados se envolvem na busca da informação.
Sendo assim, constato que as empresas entrevistadas não têm pessoas específicas para buscar as informações, geralmente são os proprietários e gerentes de produção que assumem esta atividade. A empresa C tem um maior número de pessoas para colaborar na busca por informações, e isto pode estar relacionado ao seu porte, pois possui o maior número de empregados, se comparada com as outras empresas entrevistadas.
A pergunta 7 se refere às principais dificuldades encontradas pelas empresas no acesso as informações. As empresas A e B responderam o que já tinha sido relatado na pergunta 4 (anexo A). A empresa C lembrou que uma dificuldade no acesso às informações se refere aos tipos de ensaios que a cachaça deve se submeter, pois não são discriminados no RAC. A empresa C observou que encontrou dificuldades no acesso às informações sobre o carbamato de etila por ser um assunto novo e constatou que muitos alambiqueiros não sabem ainda como tratar desta questão. A empresa D informou que não houve dificuldades no acesso às informações.
A pergunta 8 investiga sobre as informações que poderiam ser inseridas no RAC para facilitar o seu uso. A empresa A não soube responder a esta pergunta. A empresa B informou que o conteúdo do RAC é o resultado das informações que o Inmetro buscou no mercado e que a regra é aperfeiçoada através das suas revisões. Sendo assim, a empresa não vê necessidade de inserir informações no RAC e como exemplo citou as especificidades regionais, onde Minas Gerais exige que os alambiques sejam certificados pelo Instituto Gestor das Águas do Estado, mas nem todos os estados do Brasil fazem esta exigência.
A empresa C relatou que o RAC poderia conter informações sobre segurança das caldeiras e utilização dos equipamentos contra incêndio. A empresa D solicitou mais esclarecimentos sobre utilização do selo do Inmetro, como por exemplo: uma maior abrangência em relação ao uso do nome Inmetro no selo, não condicionando este uso ao nome da certificadora.
A pergunta 9 pretende identificar os tipos de inovação tecnológicas e/ou organizacionais que ocorreram na empresa quando da aplicação do RAC, ou melhor dizendo na obtenção da certificação. Os itens selecionados para esta pergunta foram baseados na Pesquisa de Inovação Tecnológica 2003 (PINTEC) do IBGE, conforme discrimino abaixo:
Tabela 3- Inovação em matéria prima
Utilizou novas matérias primas ou componentes
Empresa A Não
Empresa B Não
Empresa C Não
Empresa D Não
Fonte: elaboração própria
Tabela 4 – Inovação em projeto
Incorporou melhoria do projeto, assegurando maior Qualidade técnica, funcionalidade e
desempenho?
Empresa A Sim
Empresa B Sim
Empresa C Sim
Empresa D Sim, na utilização de equipamentos de segurança
Fonte: Elaboração própria
Tabela 5 – Inovação em máquinas e equipamentos Implicou a compra de novas máquinas e
equipamentos?
Empresa A Sim
Empresa B Não
Empresa C Não
Empresa D Não
Fonte: Elaboração própria
Tabela 6 – Inovação em produto
O produto difere significativamente dos anteriores?
Empresa A Não
Empresa B Não
Empresa C Não
Empresa D Não
Fonte: Elaboração própria
Tabela 7- Inovação em tecnologia
Usa tecnologia nova?
Empresa A Não
Empresa B Não
Empresa C Não
Empresa D Não
Fonte: Elaboração própria
Tabela 8 – Inovação na ordem das etapas de produção Implicou em alteração da ordem das
etapas de produção?
Empresa A Não
Empresa B Não
Empresa C Não
Empresa D Não
Fonte: Elaboração própria
Tabela 9 – Inovação organizacional
Implicou em mudanças organizacionais?
Empresa A Sim, em relação ao registro dos processos internos
Empresa B Não, o que fazemos é registrar os nossos processos
Empresa C Não
Empresa D Sim, em relação ao registro dos processos internos
Fonte: Elaboração própria
A pergunta nº 10 investiga quais as informações a empresa buscou ou buscará e em que fontes para desenvolver inovações que não foram alcançadas pelo processo de avaliação da conformidade do Inmetro. A empresa A participa de feiras, seminários, congressos do segmento para se manter informado. As consultorias dos profissionais da área e a troca de informações com as associações e sindicatos colaboram bastante para o desenvolvimento de inovações. A empresa B mencionou os seminários, exposições, feiras, cursos e concorrentes como fontes de informação importantes. A empresa C busca informações com outros alambiques e empresas de outros segmentos de bebidas como por exemplo: o que as empresas de água mineral estão fazendo em termos de higienização, o que as empresas de cervejas e refrigerantes estão fazendo para higienizar as garrafas. Segundo esta empresa os contatos são feitos através de visitas, internet, email e telefonemas.
A empresa D informou que contrata uma consultoria da Universidade Federal de Minas Gerais para desenvolver inovações. Como exemplo citou que trabalhava com um fermento selvagem , mas hoje trabalha com uma levedura selecionada que dá um rendimento melhor na fermentação da cachaça e conseqüentemente isso vai afetar a qualidade do produto final.
Esta empresa informou também que já tinha esta consultoria antes da certificação do seu produto pelo Inmetro.
Assim sendo, as principais fontes de informação e inovação para as empresas são as feiras, exposições, seminários, associações, sindicatos, produtores de cachaça e também de outras bebidas como cervejas e refrigerantes e parcerias com instituições de ensino e pesquisa. As parcerias com instituições de ensino e pesquisa e os contatos com produtores de cachaça e
de outras bebidas colaboram com informações técnicas relacionadas às inovações tecnológicas.
A pergunta 11 investiga sobre quais as fontes de conhecimento e inovação as empresas mais utilizam para incrementar melhorias no seu produto. As fontes de informação mencionadas abaixo foram baseadas no trabalho de Tigre (2006):
Tabela 10 - Fontes de conhecimento e inovação
Fontes de Informação Detalhamento Empresa que Utiliza Desenvolvimento
tecnológico próprio
P& D, engenharia reversa e experimentação
Empresa B
Contratos de transferência de
tecnologia
Licenças, patentes, contratos com universidades e centros
de pesquisa
Tecnologia incorporada Máquinas, equipamentos e software embutido
Empresa A Empresa B Empresa C Conhecimento
codificado
Livros, anuais, revistas técnicas, internet, feiras e
exposições, software aplicativo, cursos e programas educacionais
Empresa C Empresa D
Conhecimento tácito Consultoria, contratação de RH experiente, informações
de clientes,estágio e treinamento prático
Empresa C Empresa D
Aprendizado cumulativo
Processo de aprender fazendo, usando, interagindo
etc. devidamente documentado e difundido na
empresa
Empresa A Empresa D
Fonte: Baseado em Tigre (2006).
A pergunta 12 indaga sobre a existência na empresa de um sistema de organização e busca de informações. A empresa A informou que não tem este sistema e talvez mais tarde possa desenvolver um. A empresa B também não tem um sistema de organização e busca de informações e geralmente procura por informações na Internet e com concorrentes .
A empresa C está estudando a possibilidade de implantação de um sistema integrado de gestão para dar suporte à empresa. Esta empresa observou que estes sistemas são caros, mas necessários. A empresa D observou que a sua produção é muito pequena e para desenvolver um sistema de organização e busca de informações vai ter que contratar mais um funcionário e os seus gastos irão aumentar
Análise das informações prestadas pelas empresas
Considerando as questões levantadas nessas entrevistas, verifico que a informação tecnológica inserida no regulamento de avaliação da conformidade é recontextualizada pelas empresas quando da sua aplicação e novas necessidades surgem como as relacionadas na tabela 2. A empresa, para obter a certificação do seu produto, necessita do RAC e também de outras fontes de informação institucionalizadas e não institucionalizadas que colaboram direta ou indiretamente no processo de adequação à regra.
Posso observar também que capacitações anteriores na norma ISO 9001:2000 facilitam a adequação do RAC pelas empresas, conforme mencionado pela Empresa D que conseguiu a certificação em um menor tempo se comparada com as outras empresas.
Verifiquei também que a atividade de avaliação da conformidade é um instrumento de apoio à inovação e a exigência do RAC na elaboração dos registros para controle dos processos produtivos das empresas trouxe mudanças organizacionais que podem ser entendidas como inovações organizacionais, conforme OCDE (1997). Porém, para as empresas, outras fontes de informação são necessárias e importantes para a geração de conhecimento e inovação, como consultorias de universidades públicas e até a experiência de outros segmentos de bebidas.
Dentre as dificuldades no uso das informações pelas empresas se destacam a elaboração dos registros para controle dos processos de produção e a identificação dos laboratórios acreditados que estão relacionados à informação organizacional, como também as dificuldades de acesso às informações sobre o carbamato de etila que é uma informação técnica. As informações de caráter organizacional foram viabilizadas pelas certificadoras e