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ESCOLA DE SAGRES VERSÃO 2.0 42

No documento CRÍTICA DESCENTRADA PARA O SENSO COMUM (páginas 165-170)

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vazias de sentido a menos de se referir a uma revolução tecnológica que inaugurou paralelamente na história da representação e portanto na repre- sentação da história, uma nova percepção do espaço e do tempo. (VIRILIO, 1996, pp. 41-42).

Novos serviços à disposição do comércio, da indústria e da política, mas também novas formas de se relacionar com o tempo e com o espaço: “A partir do momento em que não faz mais diferença estar em algum lugar para ter, a todo o momento, acesso a serviços, pessoas ou informações, mu- damos o jeito de nos relacionar com o espaço.” (Época n° 528, p. 117, 2008).

A simultaneidade e a disjunção do tempo e do espaço são temas de fun- damental importância para a compreensão dos efeitos produzidos na socie- dade a partir do século XIX.

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exemplo, antecedem esse momento. Mas a História nos permite ter acesso a algumas informações no mínimo pertinentes sobre as expansões marítimas e a relação destas com algumas reflexões levantadas até aqui.

Comecemos pela motivação do homem para lançar-se ao mar em busca de encontrar uma alternativa para alcançar um determinado destino, cujo caminho primeiro era bastante conhecido e utilizado, porém, tributado e oneroso. As caravelas constituem-se em invenções criadas a partir da neces- sidade das sociedades de enfrentar grandes distâncias e apresentar soluções para as dificuldades políticas, econômicas e sociais. Ou seja, esse período histórico revela um registro das conquistas da sociedade da época diante dos reveses originados a partir dos problemas pontuais enfrentados inicial- mente por Portugal, sendo seguido pela Espanha no século XV. Cavalos, car- ruagens, caravelas, trens, serviços postais e telégrafos: tempos que reduzem, distâncias mundiais que encurtam, novos caminhos, novas possibilidades, novos produtos, novos mercados. Para fechar essas sequências, a frase mais apropriada neste momento de considerações finais seria: e um mundo as- sombrado com tantas modificações.

“Uma imprensa assombrada pela aceleração”: com essa metáfora, Virilio (1996, p. 45) descreve o cenário do século XIX. Os telégrafos elétricos e óp- ticos passam a ser utilizados para fins comerciais e pessoais, livrarias surgem em estações ferroviárias. “O amálgama se efetua visando um público urba-

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no sempre mais apressado e numeroso.” (VIRILIO, 1996, p. 45). É no mínimo curioso trazermos expressões como “sempre mais apressado” ao relatarmos situações que descrevem meados de 1850. É realmente espetacular (sem nenhuma aproximação com a classificação morfológica do termo, mas sim na profundidade do conceito elaborado por Debord em 1967). Aqui regis- tramos o efeito das tecnologias que proporcionam uma nova experiência de tempo e de espaço, e, consequentemente, da pressa, antes mesmo do sur- gimento de spots publicitários e de jornais transmitidos via ondas do rádio:

“O primeiro jornal falado será transmitido no dia 3 de novembro de 1925. O noticiário começava todos os dias às 18:00 e, às 21:00, era sucedido por um programa musical. Desta forma se iniciam os anúncios publicitários e tam- bém as primeiras formas de telecompras.” (VIRILIO, 1996, p. 48).

É fato que estamos experimentando efeitos cada vez mais diferenciados e profundos em nossas relações com o tempo e com o espaço. Novos equi- pamentos são lançados com frequência, atualizações e novas gerações de aparelhos estão ao acesso fácil do grande público. Isso cria um ambiente propício para novas discussões sobre a percepção de tempo acelerado e da cultura da pressa43.

43 O termo “cultura da pressa”, referindo a uma pressa generalizada característica da sociedades atuais, foi cunhado por Stephen Bertman em seu livro: Hipercultura: A cultura da pressa, publicado pelo instituto Piaget em 1998

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Com o alargamento da área de ação das agências de distribuição de men- sagens, libera-se uma sequência de acelerações progressivas que, hoje em dia, parece ter atingido seu ponto crítico. Os transportes são um acelerador de inteligência; podem vir a ser seu coveiro. Uma cultura pode morrer por letargia, como resultado da imobilização dos homens e das mensagens; mas o frenesi pode também ser mortal, por uma reviravolta da entropia. Uma midiasfera que faz da “pressa” o sinônimo do “melhor” pode generalizada característica das sociedades atuais, foi cunhado por Stephen Bertman em seu livro Hipercultura: a cultura da pressa, publicado pelo Instituto Piaget em 1998 descobrir em determinado momento que o “depressa demais” é sinônimo de “pior”. (DEBRAY, 1993, pp. 256-257).

Motiva-nos o fato que estamos diante de muitas possibilidades e faci- lidades nos processos da comunicação humana. Mais ainda, de possibili- dades que se renovam com a velocidade da transmissão das informações que cobrem toda a superfície do planeta. A velocidade, a simultaneidade, a mobilidade e a acessibilidade são contribuições significativas para o mun- do. Porém, acreditamos ser sempre propícia e fecunda qualquer discussão a respeito dos efeitos ideológicos e políticos que estão subjacentes a essas contribuições. Barère, logo após a conquista de Quesnoy em 1794, transmite para a Assembleia Legislativa Francesa, via telégrafo, a seguinte mensagem:

“Através desta invenção as distâncias até os locais desapareceram.” (VIRILIO, 1996, p. 42). Distâncias que desaparecem, tempos que aceleram e culturas

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a preservar. Enquanto pesquisadores da Comunicação Social, ainda temos uma longa distância a ser percorrida.

REFERÊNCIAS

DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.

DEBRAY, Régis. Curso de midiologia geral. Vozes: Petrópolis, 1993.

ÉPOCA. Especial Tecnologia. São Paulo: Ed. Globo. Edição Especial n° 528. 30 jun. 2008.

SILVA, Júlio César Lázaro da. Breve história das ferrovias. Brasil Escola. Disponível em:

<http://www.brasilescola.com/geografia/ferrovia s.htm>. Acesso em: 17 out. 2015.

THOMPSON, John B. A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia. 11 ed. Pe- trópolis: Vozes, 2009.

VIRILIO, Paul. A arte do motor. São Paulo: Estação Liberdade, 1996.

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O ESPETÁCULO E O ENCANTAMENTO NAS NOITES DE SÃO

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