Em 2015, a Cúpula das Nações Unidas sobre o desenvolvimento sustentável traçou dezessete objetivos, criando uma ambiciosa agenda para o desenvolvimento sustentável, tendo como marco o ano de 2030. Tais objetivos são comumente conhecidos como os ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU).
Dentre esses dezessete objetivos, destaca-se dois deles que dizem respeito especificamente ao assunto tratado neste tópico, sem deixar de ressaltar que, conforme a sua
12 “The human impacts on the planet and on the future of human development are now inescapable.97 The importance of the current context of unprecedented uncertainty and global societal challenges—
climate/environmental change, pandemics and epidemics, economic restructuring, human security and the like—
cannot be ignored. Yet, exploiting the uncertainty to delay action will only exacerbate the rate, scale, difficulty and cost of subsequent action required to tackle climate change and transform urban areas for sustainability and resilience [...]” (id., 2022a, p. 325).
13 Verificam-se duas siglas assemelhadas neste trecho e, portanto, vale o destaque de que TIC trata das Tecnologias da informação e comunicação e, por sua vez, a referência a CTI trata da sigla CT&I utilizada ao longo deste trabalho, que diz respeito à ciência, tecnologia e inovação.
natureza interdisciplinar, a CT&I é também importante para os outros objetivos traçados pela ONU.
São dois os objetivos selecionados: o ODS-9, relativo à indústria, inovação e infraestrutura, que busca a construção de infraestruturas resilientes, promovendo a inovação, bem como a industrialização inclusiva e sustentável, e o ODS-11, relativo às cidades e comunidades sustentáveis, com o objetivo de transformar as cidades e os assentamentos humanos em espaços inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis (SOBRE..., [2020]).
Complementarmente, os atores participantes do Décimo Fórum Urbano Mundial (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2021c?), firmaram diversos compromissos, dentre os quais destaca-se os realizados pelos governos locais, setor privado e associação de jovens.
Neste sentido, defendeu-se a participação intensa dos governos locais (no caso brasileiro, dos municípios), que devem compreender a inovação para além da tecnologia, colocando as pessoas no centro da agenda em busca de uma revolução tecnológica em favor das comunidades de forma isonômica, com destaque para a participação feminina no processo. Por sua vez, no que tange o setor privado, há o reconhecimento da necessidade de que as tecnologias disponibilizadas sejam acessíveis a todos, por meio do diálogo com uma rede de cidades. Por sua vez, no grupo de associação de jovens, foi firmado o compromisso de melhorar a interface científico-política oriunda de dados gerados por cidadãos de fontes variadas, além da defesa de uma tecnologia participativa, baseada na comunidade (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2021c?, p.6-7).
Dois anos depois, no Fórum Urbano de 2022 (id., 2022b), verifica-se a preocupação dos participantes no que diz respeito ao alcance dos ODS, em que se verificou que será necessária a investigação de exemplos de cidades que conseguiram efetivamente se transformarem se utilizando de estratégias de planejamento inovador para que sirvam de parâmetro para outras que queiram avançar nos ODS. Neste sentido:
[...] Precisamos nos concentrar nos caminhos para a mudança transformadora e investigar exemplos de cidades que atingiram um ponto crítico e mudaram substancialmente ao instituir políticas e regimes de planejamento inovadores e progressivos. Os líderes urbanos devem deixar o incrementalismo e trabalhar para alcançar mudanças fundamentais nos ambientes urbanos, sistemas de governança e formas de habitação, de acordo com os tratados de direitos humanos [...] (ibid., p. 1, tradução nossa)14.
14 “We need to focus on pathways to transformative change and investigate examples of cities that have reached a tipping point and turned the corner by instituting innovative and progressive policies and planning regimes.
Urban leaders must move from incrementalism and work to achieve fundamental shifts in urban environments,
Complementarmente, no que diz respeito à resiliência das cidades, traçou-se o caminho para melhor troca de informações entre as cidades em relação aos desastres e conflitos, com o objetivo de aprender com os demais membros do Fórum os desafios enfrentados e caminhos tomados; neste sentido, aborda-se um sistema “para consolidar a troca de conhecimentos e práticas entre as partes interessadas em todos os países que lidam ou são afetados por conflitos e desastres” (ibid., p.2, tradução nossa)15.
Retomando as estratégias abordadas pelo Relatório Mundial das Cidades de 2022, traça-se a perspectiva futura da CT&I nas cidades, em um planejamento que coloca como base o conhecimento, com ênfase em inovações tecnológicas verdes e inteligentes (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2022a, p. 299).
Em conformidade, vale citar de forma quase integral as sete ações principais de destaque para um futuro urbano sustentável no que diz respeito ao uso de CT&I nas cidades, objetivando um compromisso global com a difusão universal da tecnologia para o benefício dos cidadãos e do meio ambiente, destacando-se o papel das cidades como acolhedoras, iniciadoras e implementadoras de inovação e tecnologia:
1. Os governos municipais devem utilizar seu poder de convocação para promover um ecossistema de inovação próspero e apoiar o desenvolvimento sociotécnico incorporado localmente. Isso pode ser alcançado com planejamento territorial, incentivos fiscais e outras medidas para apoiar a localização próxima de organizações de pesquisa, startups, indústrias e empresas sociais. A inovação também deve ser incentivada no setor informal, principalmente nos países em desenvolvimento, reconhecendo e apoiando os empreendedores informais dentro da comunidade.
2. As cidades inseridas em sistemas de inovação regionais e nacionais mais amplos podem atuar como inovadores e implementar tecnologias para orientar o desenvolvimento urbano sustentável. Isto diz respeito tanto à prestação de serviços públicos como ao desenvolvimento e gestão de várias infraestruturas urbanas. [...] Também demonstra os benefícios da cooperação e troca de conhecimento entre as cidades.
3. A probabilidade de novas desigualdades decorrentes dos desenvolvimentos tecnológicos e de aprofundamento das já existentes requer atenção cuidadosa e intervenção ativa. Há fortes evidências de que a marginalização digital afeta desproporcionalmente os pobres, os de baixa escolaridade, as mulheres e os idosos, especialmente, embora não exclusivamente, nos países em desenvolvimento. As plataformas digitais de trabalho, embora ofereçam trabalho acessível e flexível, podem expor os trabalhadores a condições precárias sem algumas redes de segurança regulatórias. Desigualdades também podem surgir se as tecnologias ambientais beneficiarem de forma desigual certos grupos de moradores e bairros. Por outro lado, algumas comunidades urbanas correm maior risco de danos ambientais causados pela tecnologia.
systems of governance and forms of habitation, in line with human rights treaties [...]” (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2022b, p. 1).
15 “We welcome the use of an Urban Crises Track during WUF 11 to galvanize the exchange of knowledge and practices between stakeholders in all countries dealing with or affected by conflict and disaster” (ibid., p. 2).
4. O desenvolvimento de habilidades e o treinamento surgiram como áreas críticas de ação. Essa questão está relacionada, em parte, à força de trabalho em alguns setores formais, onde a digitalização e especialmente a automação estão em curso para tornar redundante um número crescente de tarefas realizadas por humanos. [...] Relaciona-se também com a economia informal, onde a oferta de formação de competências básicas e alfabetização digital são essenciais para habilitar as pessoas a utilizar a Internet móvel e plataformas de microtrabalho. A implantação de embaixadores digitais ou mediadores de tecnologia pode ser útil para alcançar uma forte participação da comunidade.
Além do trabalho, o treinamento de habilidades digitais é essencial para permitir que grupos desprivilegiados se beneficiem de serviços digitais, como atendimento de tele-saúde.
5. As tecnologias conectadas e digitais oferecem aos governos municipais uma gama de oportunidades para melhorar a abertura e se envolver ativamente com os residentes. As evidências mostram que o governo eletrônico é frequentemente usado apenas para comunicação unidirecional, embora haja exemplos florescentes de cidades que usam a tecnologia de forma mais inovadora, por exemplo, com aplicativos interativos e plataformas online que permitem a participação ativa do cidadão. Além das administrações municipais, a tecnologia pode ser usada para fortalecer o engajamento cívico e a criação de tecnologia comunitária.
6. As cidades precisam levar em consideração as externalidades ambientais negativas ao investir em várias tecnologias de baixo carbono e TIC. Existe um risco significativo de um efeito rebote, em que as economias de energia alcançadas pelas tecnologias conectadas e digitais são anuladas pelo aumento do consumo. Além disso, há uma preocupação particular com a natureza intensiva de energia da tecnologia blockchain, que é vista por muitos como parte integrante da próxima geração de cidades inteligentes.
7. Por fim, dada a necessidade de ponderar os benefícios e riscos das novas tecnologias, as cidades devem se comprometer a realizar uma avaliação robusta da tecnologia em relação aos aspectos éticos, legais, sociais e ambientais. O exemplo dos drones aéreos demonstra tanto a complexidade das questões levantadas quanto a importância do envolvimento das cidades na avaliação e regulamentação das inovações tecnológicas (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2022a, p. 299-300, tradução nossa).16
16 “1. City governments should utilize their convening power to foster a thriving innovation ecosystem and support locally embedded socio-technical development. This can be achieved with territorial planning, fiscal incentives and other measures to support the co-location of research organizations, start-ups, industry and social enterprises. Innovation should also be encouraged in the informal sector, mainly in developing countries, by recognizing and supporting informal entrepreneurs within the community. 2. Cities embedded within wider regional and national innovation systems, can act as innovators and implement technology to steer sustainable urban development. This relates to both the delivery of public services and the development and management of various urban infrastructures. […] It also demonstrates the benefits of cooperation and knowledge exchange among cities. 3. The likelihood of new inequalities arising from technological developments, and existing ones becoming more entrenched, requires careful attention and active intervention. There is strong evidence of digital marginalization disproportionally affecting poor people, the undereducated, women and older persons,
specially, though not exclusively in developing countries. Digital labour platforms, while offering accessible and flexiblework, may expose workers to precarious conditions without some regulatory safety nets. Inequalities can also arise if environmental technologies unevenly benefit certain groups of residents and neighborhoods.
Conversely, some urban communities are at greater risk of environmental harm caused by technology. 4. Skills development and training have emerged as critical areas of action. This issue partly relates to the workforce in some formal sectors, where digitalization and especially automation are on course to make a growing number of tasks undertaken by humans redundant. […] It also relates to the informal economy, where the provision of basic skills training and digital literacy are essential to enable people to use mobile Internet and microwork platforms. The deployment of digital ambassadors or technology mediators can prove useful to achieve strong community participation. Beyond work, digital skills training is essential to allow otherwise disenfranchised groups to benefit from digital services, such as telehealth care. 5. Connected and digital technologies offer city governments a range of opportunities to improve openness and actively engage with residents. The evidence shows that e-government is too often used merely for one-way communication, though there are flourishing
Passando da perspectiva global para a de outras regiões do planeta, destaca-se a União Europeia (UE), um dos principais blocos de países do mundo, que também destaca o importante papel das políticas de CT&I na implementação dos objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU, conforme se apreende do relatório elaborado em 2015 pelo Grupo de Peritos de Acompanhamento da Rio + 20 para a Comissão Europeia (EUROPEAN COMMISSION, 2015), relacionado às 17 metas globais já mencionadas anteriormente.
A CT&I foi reconhecida como um dos principais impulsionadores do aumento da produtividade, sendo uma importante alavanca de longo prazo para o crescimento econômico e a prosperidade do bloco europeu e vital para a sustentabilidade ambiental, principalmente no contexto da Nova Agenda, objetivando alcançar os ODS, desempenhando um papel central.
Na análise realizada por aquele grupo de peritos para a Comissão Europeia, ressaltou- se a importância da CT&I tanto para o Objetivo 9, já mencionado acima, em particular quanto à meta 9.5 que eleva o papel da política de pesquisa e inovação muito além da CT&I como um dos meios de implementação dos ODS, e também para o Objetivo 17, com destaque para o papel transversal da ciência, tecnologia e inovação para alcançar outros vários objetivos e metas setoriais (ibid., p. 5). Neste ponto, reitera-se a defesa do importante papel transversal da CT&I, que possui natureza multitemática e deve ser sempre considerada como meio de se alcançar os outros ODS.
Na continuidade, o grupo de peritos também cita a Agenda de Ação de Adis Abeba (AAAA), parte integrante da Agenda 2030, identificando as políticas e ações concretas, incluindo a CT&I como apoio ao cumprimento dos ODS. Por seu turno, o referido grupo salienta as negociações para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de Paris, em dezembro de 2015, que também destaca questões de CT&I, informando que a ação cooperativa é fundamental para facilitar e promover a tecnologia, propondo-se uma estrutura para ações aprimoradas no desenvolvimento e transferência de tecnologia (ibid., p. 12).
Importando tais considerações para a realidade brasileira, apreende-se que a participação
examples of cites using technology more innovatively, for example with interactive apps and online platforms that allow active citizen participation. Beyond city administrations, technology can be used to strengthen civic engagement and community technology making. 6. Cities need to take into account negative environmental externalities when investing in various low carbon and ICT technologies. There is a significant risk of a rebound effect, whereby energy savings achieved by connected and digital technologies are cancelled out by increasing consumption. Additionally, there is particular concern about the energy intensive nature of blockchain
technology, which is seen by many as integral to the next generation of smart cities. 7. Finally, given the need to weigh benefits and risks of new technology, cities should commit to undertake a robust technology assessment relating to ethical, legal, social and environmental aspects. The example of aerial drones demonstrates both the complexities of issues raised and the importance of cities’ involvement in assessing and regulating technological innovations” (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2022a, p. 299-300).
municipal nesta estrutura cooperativa seria de suma importância para auferir-se resultados mais concretos, uma vez que os entes municipais estão mais próximos dos problemas locais, podendo trazer uma contribuição significativa a este tipo de sistema.
O grupo de peritos concluiu que as políticas relacionadas à CT&I para o desenvolvimento sustentável são parte essencial para transformar a insustentável realidade do presente, sendo vital às políticas da Europa como um lema para a discussão de como se alcançar os ODS. Adicionalmente, destaca-se uma nova abordagem da União Europeia relativa à sua política de pesquisa e inovação, que pode ser resumida em cinco princípios: a definição de metas, a mobilização sistêmica de instrumentos políticos, a concepção de programas, a experimentação e a governança em vários níveis (SCHNEEGANS; LEWIS;
STRAZA, 2021b, p. 278).
Quanto às estratégias nas Américas, importante destacar o documento do Conselho Consultivo da Presidência dos EUA em ciência e tecnologia, que elaborou estudo sobre a Tecnologia e o futuro das Cidades, elencando a importância da CT&I para o meio urbano, notadamente nas áreas de transporte (por meio de veículos autônomos, dentre outros exemplos), energia (pela geração de energia compartilhada, por exemplo), construção e moradias (por meio de novas tecnologias construtivas para diminuir custo de construção, como exemplo), água (pelo reuso e reciclagem local, dentre outras tecnologias), fazendas urbanas (como pela agricultura vertical e agricultura urbana, por exemplo) e manufaturas urbanas (EXECUTIVE OFFICE OF THE PRESIDENT, 2016, p. 9-16).
Portanto, no caso dos Estados Unidos, referência mundial de novas tecnologias e inovações, verifica-se a importância dada à temática de CT&I e que o próprio conselho consultivo da presidência do país destaca áreas importantes para o desenvolvimento das cidades, apontando o setor como crucial para o futuro das cidades.
Inclui-se, neste momento, a República da Índia na análise de países e regiões selecionadas, como a representante de países em desenvolvimento, uma vez que é destaque no que se refere ao ambiente de CT&I entre esses países. A Índia, no que pese as disparidades e grandes desigualdades, possui forte foco em digitalização e tecnologia da informação. O país possui diversas estratégias que objetivam a adoção de tecnologias emergentes em sua economia, com o objetivo de tornar o país mais independente tecnologicamente em setores- chave (SCHNEEGANS; LEWIS; STRAZA, 2021b, p. 604-605).
Adicionalmente, a título de exemplo, o país está utilizando da tecnologia blockchain como forma de aprimoramento dos serviços públicos, além de ter um programa específico
para aumentar a capacidade energética verde, incentivar o uso de veículos elétricos e híbridos, bem como aprimorar o programa de treinamento de recursos humanos (ibid., p. 607-621).
Dentre as estratégias principais no âmbito da CT&I para as tecnologias 4.0 estão, além do blockchain, a análise de dados, a IA, as impressões em 3D, a IoT, a automação e a computação em nuvem (ibid., p. 608).
No que diz respeito ao uso de CT&I nas cidades, a Índia possui uma iniciativa ousada para tornar cidades selecionadas “inteligentes”, em um programa denominado Missão Cidades Inteligentes (Smart Cities Mission). Considerando o destacado no tópico inaugural deste capítulo, o país entende como inteligente a cidade em que há a conjugação de diversos fatores: conectividade robusta, digitalização, boa governança (e-governo) e participação cidadã. Estes fatores devem estar presentes em cidades que também possuem um abastecimento satisfatório de água, eletricidade, saneamento, educação e serviços de saúde, moradia segura e acessível, juntamente com sistemas eficientes de mobilidade urbana e transporte público (SCHNEEGANS; LEWIS; STRAZA, 2021b, p. 609).
Por fim, importante destacar o trecho que apresenta o panorama deste programa na atualidade:
[...] Há duas características essenciais desta missão. Em primeiro lugar, os projetos desenvolvidos na cidade devem ser decididos pelos cidadãos dessa cidade de forma participativa. Em segundo lugar, é baseado em projetos e, portanto, não resulta no desenvolvimento holístico de toda a cidade.
Quatro anos depois, apenas dez cidades respondem por 48% dos projetos concluídos. É provável que a prática de limitar o desenvolvimento a pequenas áreas dentro das cidades amplie as desigualdades existentes porque os serviços atualizados não estarão disponíveis para todos os cidadãos [...] (ibid., p. 609, tradução nossa)17.
Perpassado o contexto da CT&I no mundo, com a análise do entendimento de organizações internacionais quanto ao tema, bem como da observação de regiões e países selecionados, o tópico seguinte irá tratar do panorama geral brasileiro relativo à matéria.